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Emagrecendo na Rede: Corpo, Contemporaneidade e Rede Social
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Emagrecendo na Rede: Corpo, Contemporaneidade e Rede Social
E-book205 páginas2 horas

Emagrecendo na Rede: Corpo, Contemporaneidade e Rede Social

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Sobre este e-book

O livro Emagrecendo em rede: corpo, contemporaneidade e rede social lança um novo olhar sobre o uso que algumas mulheres vêm fazendo do Instagram. Na contramão do que vem sendo observado na contemporaneidade, esse universo específico de mulheres faz uso da rede social como uma forma de eliminar gordura e, assim, encontrar um solo — ainda que dentro do contexto virtual — de construção da sua autoestima. A autora analisa como o Instagram foi incorporado à rotina de mulheres que buscavam emagrecer usando uma rede social fitness O registro diário das mudanças corporais no diário de telas virtual possibilitou a crença de que seria possível talhar o corpo para atingir o objetivo almejado: emagrecer. Nesse contexto, a tecnologia se coloca como instrumento fundamental que possibilita a conexão e interação entre pessoas. A rede social se tornou o espaço de sociabilidade na contemporaneidade, podendo conectar pessoas que se assemelham em estilo ou objetivo de vida, como é o caso das #instafitness. A partir do uso comum da rede, mulheres se encontram e formam um grupo cuja finalidade é a mesma: perder peso. A formação grupal se torna um aspecto importante, na medida em que um espaço na virtualidade, que reflete o olhar, constrói-se com a finalidade de partilhar sentimentos e emoções dolorosas sobre o corpo acima do peso e a dificuldade de se inserir no universo feminino em virtude da gordura.
IdiomaPortuguês
EditoraEditora Appris
Data de lançamento6 de set. de 2022
ISBN9788547338251
Emagrecendo na Rede: Corpo, Contemporaneidade e Rede Social

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    Emagrecendo na Rede - Bruna Madureira

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    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO PSI

    Aos meus filhos, João Felippe e Maria Antonia,

    que transformaram o meu universo e me apresentaram um amor infinito

    que transborda meu corpo e minha alma.

    AGRADECIMENTOS

    À minha tão querida e especial orientadora, professora Junia de Vilhena, pelo estímulo e pela confiança que depositou em mim. Pela sua capacidade de reparação de laços e afetos. Por seus dizeres e por seu carinho.

    Ao meu marido, João Felippe Daudt, pelo afeto e cumplicidade. Pelo investimento e perseverança.

    À minha irmã, Yasmin Madureira, por sua doçura, afeto e cumplicidade.

    À Joana Novaes, sempre tão solícita e amorosa aos meus questionamentos e dúvidas, e cujos livros e artigos me inspiraram.

    Ao meu grupo de pesquisa do LIPIS — Nelia Mendes, Monica Vianna, Natalia Iencarelli, Maria Inês Bittencourt, Maria Helena Zamora, Carlos Mendes, Igor Francês e Alessandro Bachinni —, que me forneceu amparo para os momentos de angústia e críticas sempre tão carinhosas e construtivas para este projeto.

    Coisa curiosa é o espelho...

    Reflexo, perplexo, amplexo

    Reflexões, distorções, mutilações

    Braços continente,

    Peito aberto renitente

    Insistência para a vida

    Novos contornos do Eu

    Ideal de mim...

    Por vezes susto

    Outras tantas regozijo

    Narcisismo, encantamento

    Apreço na primeira pessoa

    Dismorfia prisão

    Fixação num futuro lasso

    Presente justo

    Repleto de incômodas representações

    Ambições tamanhas

    Jogos vorazes

    Ilha de Esparta disciplina

    Espartilho sufocante

    Para na praia

    Livre

    Poder um corpo-prisão passear...

    Joana Novaes

    PREFÁCIO

    A vida é devoração pura.

    Oswald de Andrade

    O que significa sermos devoradores de imagens e por elas devorados? Como são definidas as formas atuais de subjetivação?

    Partindo da premissa que o corpo se tornou, em um só tempo, signo-objeto de consumo e lócus primordial de investimentos, de que maneira convive com esse fenômeno, o sujeito contemporâneo? Que tipo de mal-estar emerge com o advento das redes sociais? E, ainda, quais as formas de resistência encontradas para amenizar o estigma e o consequente sofrimento psíquico que advêm da interação promovida nas plataformas digitais?

    A partir das indagações feitas acima é possível compreender o que mobilizou Bruna Madureira ao empreender a sua pesquisa. Detentora de uma percepção acurada acerca das exigências do mercado de trabalho no tocante à aparência, ao longo de sua trajetória de pesquisa, a autora buscou investigar as ressonâncias psíquicas geradas pela exclusão socialmente validada pela gordura.

    Se, por um lado, iniciou os seus estudos de campo atenta às Barbies do varejo — expressão escolhida para designar o ideal de magreza e juventude presentes nos processos de seleção do mercado varejista de moda carioca, por outro, Bruna agora volta a sua atenção para as chamadas instafits, por meio de uma minuciosa pesquisa acadêmica sobre a adesão, de um contingente cada vez mais significativo de sujeitos, à chamada corpolatria nas redes sociais.

    Sua pesquisa de campo é desenvolvida por meio da observação de comunidades de mulheres obesas que não se dispuseram a realizar a cirurgia de redução do estômago. Os sujeitos dos perfis observados por Bruna optaram por um processo de emagrecimento convencional (dieta aliada à prática de exercícios). Nesse sentido, a pesquisadora descreve, com bastante sensibilidade, a função terapêutica que esses grupos virtuais assumem na vida dessas mulheres.

    Reconhecimento mediante visibilidade, acolhimento e continência das angústias e vivências compartilhadas, reforço positivo como estratégia para que não houvesse o esmorecimento ou desistência dos objetivos individuais, figuram como palavras-chave na ressignificação da vida das frequentadoras desses grupos, aos quais Bruna atribui a função de suficientemente bons, numa alusão inédita e criativa ao conceito winnicottiano.

    Mas o que revelaria o desejo de emagrecimento e reformatação da própria imagem, registrados em uma rede social? A autora nos dá uma pista ao definir como diários de tela, o conteúdo dos perfis que compõe essas comunidades.

    O Instagram, juntamente ao advento da Internet, reconfigurou a ideia de intimidade e privacidade na atualidade. Como o Instagram é uma rede social em que a fotografia é a ferramenta principal, cremos ser a iconofagia das imagens ali publicadas um dos eixos centrais da sua análise. Cada símbolo luta contra a sua invisibilidade e falência. Enquanto corpos racionais transformam-se em expositores de imagens e integram uma nova lógica de produção.

    O consumo passa a ocupar o lugar de organizador da vida, de garantia de felicidade e poder sobre as escolhas para gerenciar a própria vida. Tal qual proposto por Bauman, o consumo não se baseia na necessidade e nem na utilidade, configura, contudo, a garantia de liberdade, uma vez que essa liberdade é proporcional a ampliação e intensificação do que se consome. De modo análogo, o consumo é o reflexo da efemeridade, valendo, portanto, a máxima: consumo, logo existo.

    De sujeitos e objetos, convertemo-nos em consumidores-produtos, alerta o autor sobre a responsabilidade individual das escolhas, baseadas na globalização da vida individual. Em sua pesquisa, Bruna Madureira convida-nos a pensar sobre a possibilidade do grupo (re)humanizar as relações interpressoais e na sua capacidade de restituir a dimensão simbólica do cuidado, por meio de vínculos até então empobrecidos, porque reduzidos à fetichização do sujeito na sua condição de objeto de consumo.

    Nesse sentido, o poder de compra torna-se o critério norteador da sociedade de consumo e aqueles que não podem comprar serão excluídos. O sujeito da sociedade de consumo é o comprador, e a impureza que deve ser banida encontra-se do lado daqueles que não podem consumir.

    Pensemos, pois, nas mulheres que são objeto da pesquisa de Bruna como impuras que resistem à marginalidade, à medida que encontram estratégias de reinserção social nesse interjogo simbólico, ao qual nomeamos cultura!

    Obesas enquanto síntese de consumidoras implacáveis e, simultaneamente, fracassadas na lógica consumista. Imagens do excesso, dejetos no campo do consumo. As mulheres analisadas pela autora registram a sua existência na tela, reafirmam, por meio de uma ação afirmativa, a própria identidade e, a partir do lugar reconquistado, (re)imprimem uma nova humanidade, nascedouro de um processo narrativo, na formação das subjetividades digitais.

    Joana de Vilhena Novaes ¹

    Sumário

    INTRODUÇÃO 17

    CAPÍTULO I

    UMA BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO DO CORPO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE 23

    1.1 Sobre a construção do envelope corporal 23

    1.2 As visões de corpo em diferentes períodos históricos 29

    1.2.1 O corpo na pré-história 29

    1.2.2 O corpo na Idade Média e no Renascimento 34

    1.3 O corpo e suas relações temáticas 40

    1.3.1 Corpo e sexualidade 40

    1.3.2 Corpo, saúde e doença 43

    CAPÍTULO II

    DO INDIVIDUAL AO GRUPAL: CORPO, GRUPO E REGULAÇÃO...51

    2.1 O corpo psíquico 52

    2.2 A história do corpo feminino 59

    2.3 O grupo enquanto dispositivo de potência 67

    CAPÍTULO III

    A VIDA COMO ESPETÁCULO 75

    3.1 Na era dos plugs eletrônicos 75

    3.2 Da intimidade à extimidade 81

    3.3 A vida no palco 85

    3.4 A rede social enquanto um espaço de relacionamento 89

    3.5 Qual o papel do outro na comunidade virtual? 95

    CAPÍTULO IV

    O MUNDO VIRTUAL DAS #INSTAFITS 105

    4.1 O contexto da pesquisa 105

    4.2 Sobre os diários virtuais 108

    4.2.1 Tempo despendido 111

    4.2.2 Dependência 113

    4.2.3 Autovigilância 115

    4.2.4 Performance e capital 117

    4.2.5 Espelhos e visibilidades 118

    4.2.6 A potência do grupo 122

    4.2.7 Reflexos e imagens 128

    CAPÍTULO V

    CONCLUSÃO 135

    Referências 147

    INTRODUÇÃO

    Esta pesquisa nasceu de um estudo anterior desenvolvido ao longo do mestrado, no qual investiguei a relação entre o corpo feminino e a inserção no mundo do trabalho do varejo fashion. Os resultados da pesquisa apontaram para a influência direta do formato corporal (número do manequim, cor da pele e tipo de cabelo) na contratação de mulheres para o quadro de funcionárias nos seguintes cargos: supervisora, gerente, vendedora, caixa e estoquista. Quando fui a campo, notei que requisitos psicológicos, obtidos por meio de testes psicológicos aplicados nos processos de seleção, eram secundários ao aspecto físico, sendo colocados em segundo plano ou mesmo totalmente desconsiderados. Constatei, igualmente, que a grande maioria das mulheres entrevistadas buscavam na internet fontes de inspiração e formas de manter o corpo dentro das medidas rigidamente exigidas pelas empresas de varejo fashion para que pudessem continuar empregadas.

    É assombrosa a quantidade de pessoas demitidas por uma falsa justa causa, em função do aumento do peso e, logicamente, da ampliação das medidas corporais. Essa justificativa, porém, nem sempre se coloca claramente, uma vez que é frequente a empresa informar que o baixo rendimento do trabalho é o real motivo da demissão. A razão da omissão da verdadeira causa se deve à lei que proíbe demissões de funcionários, independente do nicho mercadológico da organização ou da função que o indivíduo exerce na empresa, por aumento de peso ou ampliação do manequim.

    Sobre a busca de fontes de inspiração e de formas para se manter o corpo dentro dos padrões exigidos pelo varejo fashion, nossas entrevistadas citaram algumas ferramentas sociais virtuais utilizadas para manter o peso, como o Facebook, o Instagram e os blogs. Dentre esses, o instrumento apontado como mais utilizado foi o Instagram. Isso fez com que eu voltasse o meu olhar para essa ferramenta recém-criada em 2012, que funcionava, ao meu ver, como um diário em formato de telas virtuais, cujo objetivo era compartilhar imagens com conteúdos os mais diferentes (selfs, animais, paisagens, rotinas de trabalho, alimentação ou academia) com pessoas do mundo inteiro e sujeito a interações das mais diversas por meio de comentários, curtidas e repostagens.

    Nesse espaço puramente virtual, notei que pessoas de idades, origens e classes sociais distintas compartilham o seu dia a dia e postam imagens de si próprias (selfs) ou de sua rotina (trabalho, estudo e lazer). Observei que as fotografias compartilhadas na rede social são formas de apresentar o seu universo pessoal. Assim sendo, a narrativa virtual em fotografias tiradas do próprio celular representa a forma como gostariam de serem vistas e ouvidas. Constatei, igualmente, que existe uma busca por interação e troca de informação acerca de determinados assuntos e interesses. Com relação a isso, verifiquei que algumas pessoas são eleitas como modelos a serem seguidos, seja no que tange à filosofia de vida, lifestyle, à rotina alimentar ou ao ritual de exercícios físicos.

    A partir da escuta dessas mulheres, busco, no mundo virtual das redes sociais, pessoas que usam essa ferramenta para compartilhar a sua rotina alimentar ou o seu ritual de exercícios físicos. Observei que uma dessas redes sociais, o Instagram, reunia grupos específicos de mulheres, que compartilhavam de uma conta virtual em forma de rede, com um único objetivo: emagrecer. Ali era registrado o dia a dia da alimentação e dos exercícios corporais. Seus diários virtuais, compartilhados em forma de imagens — fotos e vídeos — eram compostos por infinitas telas formadas por uma mistura de alimentos saudáveis, os ditos alimentos amigos, os não saudáveis, seus grandes inimigos, e por toda a prática de exercícios.

    Fiquei intrigada ao perceber que, dentro do universo virtual do Instagram, existia um verdadeiro mundo de pessoas que utilizavam a tecnologia para emagrecer. Fiquei igualmente curiosa pelo processo como se dava a busca de modelos identificatórios, líderes virtuais, muitas vezes mais efetivos e presentes do que aqueles com quem tinham convívio diário e físico em seu ambiente pessoal ou profissional. É notável a imensa quantidade de

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