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Ser Mãe Ou Ter Um Filho? - Circe Palma
Agradecimentos
Meu carinho e gratidão aos pais que me confiaram seus pequenos permitindo que se estabelecesse um período de convívio extremamente enriquecedor para mim.
Às crianças, meu afeto pelo espaço que me deram em breves períodos de suas vidas.
Aos meus filhos, pela honra e alegria de ter uma das mais significativas experiências do mundo feminino: a maternidade.
Aqui (no consultório) as crianças aprendem e são felizes
(Gabriel, oito anos)
Palavras da Autora
Há sempre um tempo para tudo. Tempo de plantar e tempo de colher; tempo de falar e tempo de permanecer em silêncio. Mas de qual tempo queremos falar?
O que quero trazer aqui é o tempo de educar. Que tempo é esse? Quando devemos começar a educação de nossos filhos e como?
Estudos sobre o tema nos dizem que, a partir do momento em que a criança balbucia suas primeiras palavras, ela está desenvolvendo sua linguagem e, portanto, também seu pensamento. Deste modo, podemos supor que já há entendimento por parte da criança. Então, será este o momento! Ou será que ainda não, afinal ele (ou ela) é ainda tão pequeno!
O não é sem dúvida a palavra mais difícil de pronunciar por todos nós em qualquer época de nossas vidas. Um não traz um corte no relacionamento, impacta um caminho, produz quebras. Isso algumas vezes é difícil de suportar, especialmente pelos adultos (no caso, pelos pais). Se considerarmos, então, um ser pequenino ainda de fraldas, que não consegue sequer explicar-se adequadamente, fica ainda muito mais difícil.
Mas o que significa um não ou um sim? Estes são, na verdade, os referenciais que a criança, mesmo pequena, vai descobrir que existe e que irão permitir que ela se movimente e se direcione nas buscas e descobertas que terá por toda a vida. Quanto mais cedo ela aprender a utilizar as suas ferramentas – e os limites que puder reconhecer e construir a partir destes nãos
e sims
– melhor capacitada estará para tomar suas próprias decisões. Esta é a condição a partir da qual todo ser humano desenvolve uma das mais importantes habilidades para sua realização pessoal: a autonomia.
O raciocínio é lógico: não e sim levam ao reconhecimento dos limites e o reconhecimento dos limites permite desenvolver a autonomia (isto eu posso e isto eu não posso). Por sua vez, a autonomia desenvolve a responsabilidade. Pronto! Temos aí a receita de como educar bem um filho. Tudo o que um pai e uma mãe querem é um filho responsável.
Mas se fosse assim tão fácil, não teríamos a época dos filhiarcados
. Na verdade, por que temos nós, os adultos, este estranho desconforto de que são os filhos que ditam as normas e que são eles que decidem as coisas da família – onde passar as férias ou quais presentes querem ganhar, por exemplo – e nós, os pais, corremos desesperadamente para atender estas demandas (ou mandos)?
Seria isto um sentido de autonomia e responsabilidade ou um sentimento de poder e onipotência que acaba se desenvolvendo em razão da ausência de nãos? Perguntas e questionamentos sobre o tema com certeza não faltam, mas e as respostas? Onde elas estão? Quem possui estas tão necessárias e sábias soluções?
Penso que nossos pais e avós até saberiam nos dizer! Mas também acredito que não teríamos ouvidos para lhes ouvir. Afirmações como criança não tem querer
ou vai brincar que isto não é conversa para você
, e tantos outros nãos, até que tiveram o seu tempo, resolveram e definiram alguns valores. Mas e agora? Será que eles caberiam neste nosso mundo atribulado onde as crianças ocupam outros espaços, além de apenas brincar?
Talvez a melhor opção, senão a única, seja voltar ao tempo de exercitar os nossos nãos
e os nossos sims
. Ao tempo de ouvir as reais necessidades de nossas crianças e não apenas os seus desejos. Assim teremos um tempo de plantar autonomia para, então, finalmente colher responsabilidade.
Nas páginas seguintes o leitor encontrará uma série de pequenos contos que ilustram este cotidiano dos pais na educação dos filhos. Suas dúvidas, dificuldades e angústias diante do comportamento das crianças. Algumas orientações que auxiliam na relação amorosa que os pais devem ter na educação de seus pequenos.
Prefácio
É com desenvoltura e sensibilidade que Circe Palma escreve. Em Ser mãe ou ter um filho? a autora utiliza contos como instrumento aliado ao trabalho da psicopedagogia para auxiliar pais, cuidadores e pedagogos.
Reforça a necessidade do falar e do escutar, a importância dos primeiros registros, do espaço da família e, mais tarde, escolar, na formação da autoestima, segurança e autonomia. A aprendizagem do estar só, com a consequente possibilidade de realizar ações que exigem o estado de solidão – criar, escrever, ler –, dá-se quando se tem em etapas iniciais da vida a experiência de estar só na presença de alguém.
A escritora mostra que o espaço da vida adulta será ocupado pela experiência do contato inicial com a família e, depois, com a escola. As garatujas, os desejos sendo substituídos ou acompanhados das primeiras palavras, dos primeiros escritos. Ela diz da expansão progressiva do self das crianças no mundo, na cultura e de um ordenamento imaginário e simbólico no real. Fala de maneira viva dos processos de representação e simbolização da criança.
Seu texto possui potencialidade terapêutica. Através das narrativas o leitor tem a possibilidade de transformação. Coloca a psicologia e a literatura em diálogo fértil. Mistura ficção e realidade, vivências profissionais, emoção e criatividade do escritor.
O leitor percebe que o texto de Circe é uma rede de conexões internas, diálogo com outros e experiência consigo mesmo. O que a autora escreve engata
em nós e cria-se um espaço de fruição. Ela se joga inteira no texto e produz um efeito de verdade. A partir disso, certas coisas se tornam dizíveis, pensáveis, transmissíveis e utilizáveis.
O livro de Circe nos leva a intensos afetos tratados com o máximo de seriedade como o brincar infantil. Freud diz: quando a criança brinca assemelha-se a um poeta e cria seu mundo.
Ariane Severo
Psicanalista e escritora
PARTE I
Receita para educar
Fim de tarde. Um dia quente e claro de verão. A garota chegou alegre, com uma garrafa de vinho branco Casa Valduga. Abraços, cumprimentos, gentilezas e sentou-se ao lado da senhora. Puxa, tia! Tu estás muito bem! Obrigada, a senhora responde, gentil.
Dona Laura sofrera uma queda quando escorregou no piso molhado do clube, durante uma festa. O tombo lhe rendeu a fratura do fêmur e alguns pontos no rosto. E, naturalmente, algum tempo de repouso, o que lhe impossibilitou de trabalhar. Recebia visitas de amigos e dos amigos dos filhos também. Carinhosos, dirigiam-se a ela com palavras otimistas trazendo um clima de alegria. Os jovens têm estas características. São alegres, barulhentos e transmitem paz. São divertidos. Entre brincadeiras e risos, o relato do acidente. E, com eles, o reconhecimento dela aos filhos que demonstraram amor, carinho e muito desprendimento. Simplesmente deixaram tudo – trabalho e afazeres – e ficaram ao lado da mãe, cuidando e amparando. Sensibilizada, a senhora fala sobre eles e sobre a importância que têm em sua vida.
Maria Clara, muito atenta, comenta sobre seu desejo de também ter filhos. O quanto faz parte de suas expectativas e planos de vida.
Sabe tia, meu marido anseia por ter nossas crianças. E você? pergunta Dona Laura. Eu penso que devemos estar mais organizados, com uma estrutura de vida mais sólida. Comprar um apartamento, ter mais estabilidade profissional. Sim, você está certa. É muito importante estarmos preparados para receber os pequenos. Maria Clara comenta que é preciso muita coragem para ter um filho. A senhora não acha?
Claudia, uma das filhas de Dona Laura, chama a amiga para saborear uns petiscos que ela havia preparado. Espere, já vou. Quero ouvir tua mãe. É um assunto muito importante para mim.
Dona Laura, então, decide conversar seriamente com a jovem. Desliga a televisão e acomoda-se no sofá da sala. Convida as meninas para sentarem-se à sua frente. A luz indireta do lustre embutido na parede torna o ambiente agradável e acolhedor. Eu penso que a palavra mais correta não seja exatamente coragem e sim disponibilidade, diz à jovem. Quando se tem um filho, a gente tem que se dispor para ele. Quanto menor, maior deve ser esta disponibilidade. É verdade, concorda a jovem.
Claudia entra na sala com um prato de torradinhas recheadas e umas taças com vinho branco. Vais beber, mãe? Não filha, obrigada. Estou tomando uma medicação. Bebam vocês. E então, tia? diz Maria Clara. Explica melhor sobre esta tal disponibilidade.
Um filho é sempre uma benção, continua dona Laura, mas é preciso estar ciente das demandas que iremos ter e recebê-las com paciência. Não se pode pensar em ter um filho apenas. Quando nos casamos, queremos ter muitas coisas: casa, carro, geladeira, forno, televisão etc. São bens que nos fazem sentir inseridos no mundo. É o nosso sentimento de fazer parte de um grupo social. Precisamos deste sentimento de pertença.
O olhar das duas moças estava atento e curioso. Tu pensou tudo isto antes de eu nascer? pergunta Claudia com alguma surpresa. Não, minha filha. Eu descobri isto depois. Percebi que o amor que sentia por ti e por teus irmãos tornava mais leve meu trabalho com vocês. Isto é que me tornou mãe e não o fato de vocês terem nascido. Ter não é ser.
Maria Clara comentou. Outro dia assisti uma cena chocante num supermercado. Um menino pequeno, três anos talvez, gritava desesperadamente. A mãe não sabia o que fazer. Gritava com ele também, mas parecia muito mais preocupada com as pessoas que olhavam para ela, com ar de reprovação. Sim, disse Dona Laura, posso entender o desespero dela. Por quê? perguntaram as meninas, quase ao mesmo tempo.
Ora. Vejam só. Quando uma criança não se sente segura, ela se descontrola com muita facilidade. Ela quer que o adulto, e quase sempre a mãe, a proteja e a contenha para que ela se reequilibre. A criança precisa saber que o adulto que está com ela é forte. Se a mãe não quer, ou não consegue isto, quem irá protegê-la? Quanto mais ela tenta medir
esta força, maior a demanda desta mãe. Se a segurança da criança neste adulto está quase nula, ela está muito perto de desesperar-se e faz isto para que a mãe reaja e se fortaleça; só assim poderá protegê-la. Este é o pensamento da criança, ainda que inconsciente. Mas a mãe que você viu no supermercado não estava entendendo esta necessidade de seu filho. Então se desesperava também. E gritava como ele. Ficavam de igual para igual. Não havia uma força maior ali. Isto exasperava a pobre mulher que se sentia incapaz e se via condenada pelo olhar acusador das pessoas. Ela não se portava como um adulto e sim como um criança também.
Maria Clara pergunta com muito interesse. Como ela deveria ter feito então?
Bem, não é tão simples, mas vou tentar lhe dizer. Depende também da idade do menino. Mas, seja qual for, ela não poderia ter gritado, nem se descontrolado. Isto deve ter acontecido porque ela, provavelmente, não tinha mais controle sobre o menino. Este, por sua vez, devia estar cansado de pedir
esta segurança.
