Sobre este e-book
Um menino órfão procura por uma menina perdida.
Uma mulher abandona seu recém-nascido num motel onde Judas perdeu as botas. Adin cresce mal amado, violentado e ninguém se lembra dele. Ele não existe.
Até que ele vê um pôster de uma menina desaparecida num poste. Há uma conexão instantânea com Girassolzinho, sequestrada por resgate, apenas para desaparecer depois que o dinheiro é pago. Ele existe porque deve encontrá-la. Sozinho, ele procura, uma jornada que o leva a lugares selvagens, conhecendo ao longo do caminho algumas personagens interessantes.
Em sonhos ele fala com ela, pois ela é a única que se lembrará dele.
Elaina J. Davidson
Elaina é uma viajante e sonhadora universal. Quando escreve ela transforma em palavras suas viagens e seus sonhos, pois ela acredita que existe inspiração até no conto mais afrontoso.
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O Órfão - Elaina J. Davidson
Prólogo
––––––––
MEU NOME É ADIN. Quando você olha para mim, não me vê. Esse estado de invisibilidade não é resultado de um feitiço mágico. Eu sou invisível para você porque não há nada no meu rosto que você considere notável e eu sou então omitido, ignorado, mesmo a menor impressão logo esquecida.
Neste momento, você provavelmente está pensando que eu tenho problemas. Talvez diga a si mesmo que estou reclamando de ser simples e comum. Talvez você entretenha o pensamento de que eu sou tão tímido que me mantenho aos fundos e portanto não posso culpar os outros por me ignorarem.
Você pode estar certo. Também pode estar errado. A verdade é que você não sabe absolutamente nada sobre mim. Você está baseando seus julgamentos em algumas palavras apenas. Se quiser mesmo conhecer o verdadeiro eu e descobrir meu por quê, meu quê, meu como, você precisa escutar primeiro e manter a mente aberta. Às vezes se aprende mais no ato de ouvir do que anos de tumulto são capazes de transmitir.
Pronto?
Permita-me dizer mais uma vez.
Quando você olha para mim, não me vê. Eu não sou notável. Não simples; simplesmente sem características memoráveis, ou assim você diz a si mesmo. Você pode uma noite andar bem ao meu lado numa rua vazia e estar cauteloso, sozinho, algo pode dar errado e portanto você vê eu me aproximar, procura gravar meu rosto na memória do evento... e então eu passei por você e você já me esqueceu.
Eu não estou reclamando. Não sou tímido. Na verdade, eu celebro minha anonimidade. Lembre-se de manter a mente aberta! Não tenho uma mente criminal de jeito nenhum – sim, você pensou que eu provavelmente emprego minha ordinariedade para fins nefários, não pensou? Ao contrário, amigo.
Você quer saber quem sou eu, a razão real por que estou agora lhe contando sobre mim mesmo? Quer. É por isso que ainda está comigo e ainda não virou as costas e entrou num estado de esquecimento.
Meu nome é Adin. Eu tive muitos sobrenomes e nenhum agora me define, então vamos deixar isso de lado por enquanto.
Quantos anos eu tenho? Isso é difícil de determinar precisamente, apesar de que eu tenho um certificado com uma data. Não há registro verdadeiro do meu nascimento, contudo, e ninguém jamais se apresentou para reivindicar direito de paternidade. Uma mulher desconhecida em algum momento ficou grávida, carregou-me e eventualmente me deu à luz, então desapareceu no éter da obscuridade.
Ela me abandonou? Ela me empurrou para fora em algum espaço imundo e me deixou sem nome e história e seguiu em frente? Ou, e mantenha essa mente aberta agora, era ela tão esquecível quanto eu sou e essa é a razão real para não haver registro?
Essas engrenagens na sua mente estão começando a girar, não estão? Você começa a suspeitar que algo inteiramente diferente possa estar agindo aqui, mas não julgue ainda. Não é hora de chegar a conclusões. Primeiro você tem que ouvir minha história.
Eu vou agora me afastar e remover do imediatismo do conto. Eu vou revelar para você a minha verdade como se tivesse acontecido e acontecesse com outro. Mais fácil para você, sim, mas principalmente simplifica o envolvimento emocional para mim. Eu posso não ser alguém de quem você se lembre após passar por mim numa rua vazia, mas saiba que eu sinto, sim. Sou sentimental e portanto é mais fácil contar minha história como se fosse a história de outro.
Este conto se passa num país que você pode reconhecer, mas para o bem da anonimidade, não vou confirmá-lo para você e você não vai encontrar nomes de vilas e cidades. Talvez se passe numa terra de fantasia. Talvez não.
Está pronto?
Vire a página.
Capítulo 1
Ser abandonado significa que ou você está perdido ou encontrado.
––––––––
ADIN
ELE GRITOU SEU caminho para o mundo como a maior parte dos recém-nascidos fazem, com pulmões sedentos, peito arfante e membros se debatendo. Ele não se lembraria e ninguém jamais saberia lhe contar, mas sua mãe chorou sobre ele conforme o envolveu em flanela gasta para aquecer e acalmá-lo.
Seus lábios estavam salgados e molhados quando ela o beijou em cada pálpebra e sussurrou: Seu nome é Adin. Eu te amo. Seja forte agora, meu menino lindo.
SEUS GRITOS FAMINTOS eventualmente chamaram a atenção do adolescente de rosto manchado tripulando a mesa da recepção dentro do escritório sombrio do motel enfiado numa dobra entre lugar nenhum e todo lugar.
O rapaz esmurrou a porta do número 5 e, quando ninguém respondeu seu chamado, usou sua chave para destrancar a barreira. Um instante depois ele saltou para fora, gritando pela mãe.
— Ma! Vem cá!
— Para que é que você está fazendo tanto tumulto?
Macy Black tinha há muito tempo desistido de esperar que qualquer coisa boa surgisse em seu caminho e se rendera à inevitabilidade de manter seu equilíbrio financeiro num lugar tão atrasado. Isso podia ser visto em seus cansados olhos cor de avelã, em seu queixo flácido, nas linhas de tempos amargos que marcavam seu rosto.
Ela se moveu lentamente através do escritório, tendo surrupiado uma bebida rápida quando Jason foi bater ao número 5, e ficou parada com as mãos nos quadris no pátio pavimentado que fronteava a coluna de quartos.
Pátio
Era um termo chique em que ela insistia para os panfletos, enquanto pavimentado
era uma mentira completa. Pedras planas quase afogadas em ervas daninhas faziam papel de pavimento, mas não estava nem perto de uniforme ou mesmo nivelado.
Havia oito quartos, cada um com uma cama e banheiro, kitchenette e TV antiga e não muito mais. Sua subsistência.
Macy era a dona e empregada. Como dona, não podia bancar as coisas bonitas que o panfleto vendia, mas aquele panfleto ainda tinha mais de dez anos de idade, da época em que seu marido ainda estava por lá. Ele conseguiu um acordo para uma tiragem de milhares, então por que mudar qualquer coisa? Trazia hóspedes ocasionalmente e quando eles chegavam, já estavam tão longe da civilização que aceitavam o que conseguiam encontrar.
Pelo menos os arredores eram magníficos. Colinas rochosas levavam a montanhas altivas e rios corriam por todas. Árvores enormes hospedavam variadas populações emplumadas. A maioria dos hóspedes ficava tão impressionada com o ambiente que escolhia ignorar suas acomodações.
Como governanta, Macy era medíocre. Uma varrida e uma limpada no pó depois que os hóspedes saíam e uma vez por mês, se ela se lembrasse, lavava as roupas de cama puídas.
— Por que a criança está gritando? — reclamou ela. — Onde está a menina?
Batendo uma mão sobre a boca, seus olhos se arregalaram quando ela olhou ao redor do pátio. O carro da jovem se fora, um sedan velho que mal subiu a estrada sulcada. Ela tinha se hospedado sem escrever seu nome completo, pagado por uma semana adiantado e desaparecido com uma gravidez avançada dentro do número 5. E agora não havia carro, mas havia um bebê gritando.
— Ma, e agora? Ligo para a polícia ou o quê?
Macy encarou seu filho. Jason era tão denso quanto merda de porco, mas é, ele puxou o pai, o saco largado de estrume de cavalo.
— Não seja estúpido, Jase, não precisa de polícia. — Eles iriam querer saber coisas que ela não poderia responder. — Sai da frente.
Ela o empurrou para o lado com o ombro e entrou no número 5, quase engasgando com a vista do interior. Sangue no tapete cinza remendado, uma mancha molhada gigantesca na cama remexida. A vadiazinha tinha parido bem ali. A criança gritava entre dois travesseiros planos.
Suspirando, ela pegou o infante e voltou para o pátio.
— Tranque o quarto. Eu limpo depois. Não alugue, entendeu?
Jason bufou.
— Como se alguém fosse vir.
— Bem, ela veio, do nada. Obedeça, moleque!
Revirando os olhos, Jason arrastou a porta para fechá-la e trancou-a, vendo sua mãe andar a passos largos daquele jeito vacilante dela de volta para o escritório sombrio.
MACY DESCOBRIU UM bilhete dobrado na fralda de pano cerca de uma hora depois, quando desenrolou a criança depois que ela molhou a si mesma e a ela.
Um menino fofo, mas o que faria com ele? Já a estava deixando louca com seus gritos incessantes. Jason gritou da mesa para Alimentar a criança!
como se ela não soubesse disso. Pelo menos agora ela sabia que era um menino, tendo molhado-a toda. Seu horror de mãe – quem simplesmente some e abandona uma criança? – chamou-o de Adin.
Era isso o que o bilhete dizia. "Por favor, seu nome é Adin, por favor cuide dele."
Bem, nome chique. A vadiazinha tinha delírios de grandeza.
Ela, Macy, apesar da amargura de sua vida, jamais tinha deixado o filho para trás. Provavelmente não fizera bem por ele, mas ficara ao seu lado depois que o pai inútil desapareceu no meio da noite, deixando-a para cuidar sozinha do motel que herdara da avó.
O que ela podia fazer, na verdade? Pelo menos ela e Jason tinham um teto sobre as cabeças e hóspedes ocasionais traziam alguns dólares para o básico. Não muito para escola e coisas do tipo, então seu filho nunca foi à escola, mas ele não era esperto de qualquer forma, então não importava, importava? Não muito para outras coisas também, nem mesmo bebida, apesar de que ela pegava uma pitada aqui, uma pitada ali, então estocava a garrafa. Certamente não o suficiente para comprar papinha de bebê para um recém-nascido que iria beber leite como se não houvesse amanhã e despejá-la e Jason direto numa pobreza ainda maior.
— Ligue o carro, Jase! — gritou ela do quarto além da mesa da recepção onde passava a maior parte dos dias assistindo a TV diurna. — Vamos levá-lo à igreja!
REVIRANDO OS OLHOS novamente e afastando cabelo castanho bagunçado do rosto magro, Jason pegou as chaves debaixo da mesa e foi para a garagem, onde a antiga van de seu pai se escondia de olhares curiosos.
A mãe dizia que as janelas escuras significavam que ela fora um dia usada para atividades criminais, então eles só dirigiam quando era necessário. Ele torcia para que ela ligasse. Será que tinha desconectado a bateria depois da última vez? Aquilo fora dois meses atrás. Geralmente, sua mãe pedia uma entrega para o fim da estrada
