Das Mangueiras às Sombras Daqueles Eucaliptos: Um Caminho Possível para Formação de Leitores Autônomos
()
Sobre este e-book
Relacionado a Das Mangueiras às Sombras Daqueles Eucaliptos
Ebooks relacionados
Estereótipos de velho representados em contos da literatura brasileira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA formação do sujeito leitor-escritor: da leitura à escrita de memórias literárias à luz da leitura subjetiva Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLiteratura afro-brasileira: abordagens na sala de aula Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO insólito em contos da cultura popular de Paraty: letramento literário no ensino fundamental Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO eu e o outro: Em dez anos de licenciatura em letras na Uast Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPesquisas sobre as práticas escolares: experiências formativas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCartas Gravadas - Celebração da Voz na Formação Docente Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA escolarização da literatura em diferentes níveis da educação básica: um trajeto de (des)encantamento? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mesmo e o outro – 50 anos de História da loucura Nota: 1 de 5 estrelas1/5A poesia vai à escola - Reflexões, comentários e dicas de atividades Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDesafios da EJA em Salvador: Impactos do Fechamento de Turmas e uma Proposta para Ações Interventivas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLeitura, escrita e ensino: Uma abordagem psicodramática para empresas, escolas e clínicas Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir Nota: 5 de 5 estrelas5/5Rodas em rede: Oportunidades formativas na escola e fora dela Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLetramento literário e cordel: o ensino de literatura por um novo olhar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasArder a Palavra: e outros incendios Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Estágio na Pedagogia: Narrativas de Experiências e Vivências na Educação Inclusiva Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTeorias e Práticas da Pedagogia Social no Brasil (v. 1) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Poder da Literatura, Café Martinho da Arcada (1984-1992) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEscritas estudantis na imprensa periódica da educação (séculos XIX e XX) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAs peças didáticas de Bertolt Brecht e o processo de alfabetização Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLiteratura(s), infância(s), juventude(s), no antes e no hoje, cerzidas pela leitura Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLeitura e Literatura na Arte de Viver Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPráticas para Aulas de Língua Portuguesa e Literatura: Ensino Fundamental Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEducação Literária no Ensino Médio: Percursos Etnográficos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEncontro com o Vivo: Cartografia para a (Inter)Ação do Leitor com a Obra de Florbela Espanca Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Invenção do Dia Claro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasHistórias mínimas: Um projeto para trabalhar a interdisciplinaridade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPráticas de Leitura de Histórias em Quadrinhos no Ensino Fundamental Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBiblioteca escolar e a formação de leitores: O papel do mediador de leitura Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Linguística para você
Escrever sem medo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA ARTE DE TER RAZÃO: 38 Estratégias para vencer qualquer debate Nota: 5 de 5 estrelas5/5Introdução à linguística: domínios e fronteiras - volume 1 Nota: 4 de 5 estrelas4/5Biletramento na Educação Bilíngue Eletiva: Aquisição do Português e Inglês em Contexto Escolar Nota: 5 de 5 estrelas5/5Nunca diga abraços para um gringo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Obra aberta: Forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Lições de Português pela Análise Sintática Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Análise do Discurso: Perspectivas em distintos campos discursivos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMorfologia histórica Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTermos Técnicos - Enfermagem Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAnálise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMatizes do verbo português ficar e seus equivalentes em espanhol Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDicionário de Erros Falsos e Mitos do Português Nota: 0 de 5 estrelas0 notasElementos de Semiótica da Comunicação: 3ª edição Nota: 4 de 5 estrelas4/5Glossário Do Ballet Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLinguagem e Cognição: Enfoque psicolinguístico para compreender e superar as dificuldades em leitura e escrita Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDesvendando os segredos do texto Nota: 5 de 5 estrelas5/5Introdução à História da Língua e Cultura Portuguesas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Introdução à linguística: domínios e fronteiras Nota: 5 de 5 estrelas5/5Estudos em fonética e fonologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLinguística de Nosso Tempo: Teorias e Práticas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAtlas Linguístico do Brasil: Comentários às cartas linguísticas 1 - V.3 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTradução, Ensino e Formação de Professores de Línguas Estrangeiras Nota: 5 de 5 estrelas5/5A ciência da linguagem: Conversas com James McGilvray Nota: 5 de 5 estrelas5/5Eles leem, mas não compreendem: onde está o equívoco? Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Avaliações de Das Mangueiras às Sombras Daqueles Eucaliptos
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Das Mangueiras às Sombras Daqueles Eucaliptos - Victor Silva Rodrigues
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
É preciso que a leitura seja um ato de amor.
(FREIRE, 1983, p. 11)
Pesquisas sobre o desenvolvimento do hábito leitor, ou sobre a construção de um sujeito leitor, como, por exemplo, a realizada pela Fundação Pró-livro¹, intitulada Retratos da Leitura no Brasil
, têm sido recorrentes nos últimos anos, uma vez que diversos estudos já observaram que muito do déficit educacional de nosso país relaciona-se ao fato de que grande parcela da população ainda não é leitora proficiente.
Iniciamos nossa trajetória leitora ainda na infância, com o incentivo, ora direto ora indireto, de uma tia. Aos 10 anos, viajava para o interior de São Paulo onde assistia à tia em seu hábito diário de leitora, que, em interação com o livro, chorava, ria, se aborrecia, sorria. Eu, menino, vislumbrava essa ação leitora. Com o tempo, a tia começou a interrogar-me sobre quais assuntos gostava de conversar, sobre o que me despertava a atenção em um filme. Logo ganhei o meu primeiro livro, O Pequeno Príncipe, que li a partir da indicação em destaque na contracapa do livro Você é responsável por aquele que cativas e este livro o cativará...
. Depois dele, outros livros vieram durante a adolescência, tardes e mais tardes foram ganhas lendo Agatha Christie, Sidney Sheldon, Série Vagalume. Já no ensino médio, deu-se o mergulho nas literaturas brasileira, portuguesa e inglesa.
Ao ingressar no curso de Letras, passei a refletir sobre o processo de aquisição da leitura, questão que sempre me incomodara e permanecia instigante. Por que não se consegue ter alunos leitores, se a leitura é atividade prazerosa? Graduado, comecei a lecionar nas 7.ª e 8.ª séries de uma escola estadual em São Paulo, na extinta disciplina Leitura e Produção de Textos
.
Foi nesse laboratório da realidade, a sala de aula, a partir de conversas com alunos, que observei que a situação de vida deles era fragilizada por questões familiares de diferentes ordens: alcoolismo, drogas, morte/ausência de pai/mãe, privações socioeconômicas, prisões etc. A partir desses dados, tracei com o grupo de alunos um roteiro de leitura, a fim de verificar de que forma a literatura refletia e tratava de questões semelhantes às que eles vivenciavam. Nessa experiência, foram lidos: A outra Face, de Deborah Ellis; Os miseráveis, de Victor Hugo; e O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas.
Os livros foram lidos e as aulas ficaram emocionantes. Vários alunos enxergaram nos enredos das obras lidas (ou comentadas pelos colegas) alguma similaridade com suas vidas, e os que não tiveram essa identificação acabaram se comovendo com as histórias dos colegas. Os alunos foram para o ensino médio e parte deles não mais parou de ler; alguns dos que antes quase não liam chegaram a frequentar aulas de Recuperação Paralela, para poder continuar a participar das atividades de leitura.
No final de 2014, na Cidade Tiradentes, extremo da zona leste de São Paulo (bairro marcado por alto índice de violência e com falta de espaços e de opções de cultura e lazer), lecionava (já havia 5 anos) em uma escola pública municipal de ensino fundamental, onde enfrentava dificuldades ao propor leituras aos alunos. Foi lá que uma colega me apresentou a AEL² – Academia Estudantil de Letras, e, em parceria com outros colegas, resolvemos implantar o projeto naquela escola. Como resultado, em pouco tempo, verificou-se que os rumos da leitura na escola mudaram.
As vivências nas aulas de leitura e produção de textos e nas capacitações oferecidas pela SME (Secretária Municipal de Educação) evidenciavam a necessidade de novas práticas leitoras, em todos os anos da escolarização e em todas as disciplinas, para que se pudesse garantir os objetivos estabelecidos na Lei de Diretrizes e Bases (LBDN n.º 9.394/1996). A referida Lei preconiza, como finalidade da educação escolar, o pleno desenvolvimento da pessoa, o preparo para o exercício da cidadania, a qualificação para o trabalho. Além disso, deve facultar o acesso ao conhecimento veiculado na forma escrita e garantir o ato de ler tanto como entretenimento quanto como instrumento de transformação, de inserção em diversas culturas e de contato com diferentes literaturas.
Com as necessidades e dificuldades de levar o aluno a ler, dentro e fora da escola, e com a inquietação e a frustração de ver essa missão educativa não acontecer, investi na curiosidade ingênua do buscar caminhos, métodos, práticas, estratégias para a tarefa de formação do leitor. Neste trabalho, contudo, tenho a oportunidade de vê-la transformar-se em curiosidade epistemológica, nascida na prática, pautada em teorias diversas e que aqui vai refletida e apresentada como caminho construído a várias mãos, fruto de sonhos e aberto para a intervenção do que
