Contos de fadas e mitos
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Contos de fadas e mitos - Cleide Becarini Alt
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Alt, Cleide Becarini
Contos de fadas e mitos : um trabalho com
grupos numa abordagem junguiana / Cleide
Becarini Alt. -- 2. ed. -- São Paulo : Vetor, 2013.
Bibliografia
1. Contos de fadas - Uso terapêutico 2. Heróis
3. Jung, Carl Gustav, 1875-1961 4. Mitologia - Uso
terapêutico 5. Psicoterapia de grupo I. Título.
13-13930 I CDD – 150.1954
Índices para catálogo sistemático:
1. Contos de fadas : Uso psicoterapêutico : Psicologia analítica junguiana 150.1954
2. Mitos : Uso psicoterapêutico :Psicologia analítica junguiana 150.1954
ISBN: 978-65-5374-075-4
Projeto gráfico: Adriano O. dos Santos
Capa: Rodrigo Ferreira de Oliveira
Revisão: Vetor Editora
© 2013 – Vetor Editora Psico-Pedagógica Ltda.
É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação, por qualquer meio existente e para qualquer finalidade, sem autorização por escrito dos editores.
Sumário
Dedicatória
Agradecimentos
Prefácio
I. Contos de fadas e mitos
O herói como arquétipo precursor
O mito do herói e a progressão e regressão da libido
Características do herói: o herói nos contos de fadas e nos mitos
Contos de fadas e mitos: diferenças e semelhanças
II. A psicologia analítica e o religioso
Religião e individuação
Renascimento e rituais religiosos
Símbolos e religião: a imagem de Cristo e individuação
Alquimia, individuação e o místico em Jung: as gravuras alquímicas
A simbologia do número três, e do quatro na obra alquímica
III. O trabalho terapêutico na psicologia analítica
Considerações em torno da psicoterapia analítica
O terapeuta e a relação terapêutica
Avaliação: um sistema aberto de psicologia
O trabalho terapêutico de grupo na perspectiva junguiana
Aplicações do Self à psicoterapia analítica de grupo
IV. Casos clínicos
Grupo
Prima-matéria
(caos, massa indiferenciada, confusão, o estado inconsciente)
Relato de duas histórias
Interpretação
O sonho de Clara[13]
Discussão
V. Considerações finais
Referências
Anexo 1 - O conto do patinho feio (1990)
Anexo 2
Anexo 3
Anexo 4
Anexo 5
Dedicatória
À minha filha, Aline, que sempre está comigo nas horas mais difíceis.
Agradecimentos
A todos que efetivamente colaboraram para a realização deste livro, especialmente:
Ao Dr. João Edênio Reis Valle, que me orientou, pacientemente, em minha dissertação de mestrado, que originou esta obra, e demais professores da pós-graduação.
À Dra. Sílvia Anspach, pelo carinho e apoio dado a este trabalho.
A meu esposo, Paulo Renato, in memoriam, que muito me ajudou nas pesquisas dos contos de fadas e dos mitos, bem como na gravação dos textos e também na elaboração de ideias e criação das primeiras tarefas para os grupos.
Às pessoas que participaram do grupo e que, gentilmente, me cederam suas produções a partir das vivências dos contos de fadas e dos mitos, e que me permitiram a publicação de suas histórias.
À professora, mestre em literatura brasileira, Maria de Lourdes Ruegger Silva, pelas valiosas revisões do texto.
Ao Fernando D’Agosto Toledo, por sua preocupação e ajuda na formatação do livro e em melhorar as imagens dos desenhos nesta segunda edição.
À Selma Coppini Pereira, brilhante analista infantil junguiana, que muito me ajudou na busca de palavras mais adequadas, na revisão do livro, e que, gentilmente, se propôs a escrever o prefácio.
À minha amiga especial e de sempre, Dra. Maria Teresa Nappi Moreno, que, mais uma vez, me ajudou com a metodologia científica.
Prefácio
De quem conta o conto?
De mim ou de você?
Conta as horas,
As histórias,
Conta o que já foi
E o que há de ser
Conta o conto e o contador
A história de um ser
E quem escolhe é você...
Apresentar este trabalho ao público e especialmente ao leitor especializado é tarefa de singular responsabilidade, prazer e gratidão, simultaneamente. A proposta de um estudo com grupos, dentro de uma perspectiva junguiana, mostra-se inovador e audacioso, fruto de quem se dedicou com ímpeto aos ensinamentos de Carl Gustav Jung, e que, com convicção, pode estabelecer um estilo diferenciado de pensar e trabalhar, dando conta dos desafios que se impuseram no percurso sem, contudo, distanciar-se das ideias originais do mestre Jung.
Essa liberdade para pensar e experimentar que a Psicologia Analítica marca o pensamento empírico de Jung e nos liberta de sermos reduzidos a meros seguidores, paralisando assim nosso espírito criativo.
Há muitas maneiras de se fazer o trabalho analítico junguiano sem, contudo, se afastar de suas formulações originais. Estas devem ser assimiladas e refletidas da maneira como foram elaboradas para que não se distancie do propósito científico a partir do qual foram estabelecidas.
Neste livro, Cleide Alt apresenta uma nova possibilidade de utilizar os contos de fadas e mitos em grupo. O contar histórias tão milenar é de destaque na infância e nos processos de desenvolvimento psíquico individual e aqui ganha um especial destino: o trabalho individual dialeticamente ao trabalho grupal.
A atuação com grupos requer, acima de tudo, habilidade técnica específica e experiência. Soma-se a este propósito o domínio da teoria junguiana e da técnica de utilização dos contos de fadas e mitos. A exigência de conhecimento e domínio profissional foi, dessa forma, invocada.
Cleide, com sua larga experiência e dedicação contínua no aperfeiçoamento profissional, nos presenteia com esta obra e nos inspira a novas pesquisas.
A formação do grupo, a escolha cuidadosa de um tema e a apresentação teórica foram de crucial importância e dedicação. Os capítulos apresentados são compostos de aspectos abrangentes sobre contos e mitos, o trabalho terapêutico com grupos paralelamente ao individual e a conceituação clássica da teoria junguiana com seu sentido religioso.
A relação estabelecida entre os contos de fadas e mitos e a psicologia analítica, nos remete a pensar de que nossa vida psíquica é inteiramente ficcional, ou seja, contamos histórias e somos as histórias que contamos. Somos a maneira como contamos nossa história
(HILLMAN, 2011, p. 7)[1].
O contar histórias seria um convite a nos aproximar de nossas imagens internas, as quais nos constitui, e isso se tornou um método em psicologia: as histórias de casos.
Voltando ao livro, a trajetória do herói em busca da individuação é apresentada nos conceitos teóricos e confirmada nas vivências dos casos clínicos selecionados com as riquezas de seus desenhos e a relação com as gravuras alquímicas.
O livro, portanto, transcorre a partir da escolha de O patinho feio, um conto cujo herói busca a consciência de seu eu – de sua origem –, num percurso de trabalho para o fortalecimento do ego, para uma tomada de consciência. Encontramos, ainda, uma inserção pelo trabalho analítico com contos e mitos, desde a descrição das características e do caminho do herói segundo as contribuições teóricas de Jung, Neumann e Von Franz.
Na sequência, destacam-se o conceito e a importância da religiosidade em Jung, para quem o religar refere-se à religação do consciente com poderosos fatores do inconsciente
. (ALT, 2000, p. 48)[2]. Da origem das religiões, seus símbolos e rituais, da imagem de Cristo e da individuação, da alquimia e suas gravuras à análise dos casos clínicos, comparados à descrição do processo do herói, podemos verificar o paralelo que Jung estabeleceu entre processo simbólico de individuação e a alquimia.
Vejamos, nos capítulos que se seguem, o que o conto e o mito nos contam.
Selma A. Coppini Pereira
Psicóloga clínica infantil junguiana
Capítulo 1
Contos de fadas e mitos
Durante o século XIX, os positivistas consideraram contos de fadas e mitos como mentiras, engodos, fabulações do pensamento pré-científico. A conceituação de mito, aqui, não tem a conotação usual de invenção, ficção, mas sim a acepção que lhe atribuíam, e ainda atribuem, sociedades arcaicas, aquelas impropriamente denominadas culturas primitivas, nas quais o mito é o relato de um acontecimento ocorrido no tempo primordial, mediante a intervenção de entes primordiais. Assim, também, o conto de fada não pode ser confundido com uma fábula, pois, esta última transmite sempre e, explicitamente, uma conotação de ordem moral. O conto de fadas apenas revela um modelo, mostrando, subliminarmente, perigos e soluções para as mais variadas formas de problemas
na vida. Na psicologia analítica, contos de fadas e mitos estão intimamente vinculados ao inconsciente coletivo, e seu papel é fundamental no desenvolvimento da consciência. O herói dos contos, ou dos mitos – aquele que se diferencia em termos de consciência –, há muito transmitido de geração a geração de forma oral, funciona como precursor da humanidade e modelo salvador do indivíduo.
O herói como arquétipo precursor
Segundo Neumann (1991), o herói é pioneiro arquetípico da humanidade. O herói mostra um modelo de destino que a humanidade deve seguir. Na realidade, sempre foi imitado, com atrasos e intervalos, mas o suficiente para que os estágios desse mito façam parte integrante do desenvolvimento da personalidade de cada pessoa.
É característica essencial do mito do herói o fato de ele possuir dois pais, ou duas mães. Além de seu pai pessoal, há um pai superior
, isto é, uma figura arquetípica de pai. Da mesma maneira, em relação à figura da mãe pessoal, pode aparecer a figura de uma mãe superior
. Essa dupla origem oposta figura de pai pessoal e suprapessoal, distingue o drama da vida do herói.
O ciclo do herói significa a diferenciação da consciência. Há distinção entre os diversos tipos de heróis: o extrovertido e o introvertido. A forma extrovertida visa à ação. Sua ação transforma o mundo, pois ele é o fundador, o líder e o libertador. O herói introvertido porta a cultura. Ele é o redentor e o messias que sublima os valores do aspecto interior da personalidade, como conhecimento e sabedoria, mandamento e fé, obra e exemplo. O ato criador, comum aos dois tipos de heróis, tem, como condição prévia, a união com o aspecto feminino
