Positivismo e marxismo: Ampliando o debate político
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Positivismo e marxismo - Maxmiliano Martins Pinheiro
APRESENTAÇÃO
Escrever uma obra cujo pano de fundo é uma análise sobre o positivismo e o marxismo em perspectiva comparada foi para mim uma tarefa desafiadora por vários motivos. Primeiramente, cumpre reconhecer que a proposta de estudo em si já figura algo inusitado ou até mesmo, na pior das hipóteses, ilógico, considerando os poucos trabalhos existentes que comparam as teorias sociais de Augusto Comte e Karl Marx. Geralmente é mais fácil encontrar obras de autores estrangeiros, sobretudo nos estudos a despeito da formação da sociologia como ciência, onde as análises comparativas entre esses dois fundadores são introduzidas. Ademais, deve-se salientar as limitações da academia brasileira em relação aos estudos sobre o marxismo e, principalmente, sobre o positivismo. A despeito do primeiro, muitas vezes predominam leituras pontuais em que Marx é estudado comparativamente com nomes da sociologia e da filosofia política que estão mais em voga. Quanto ao segundo, a situação se complica bem mais por dois fatores evidentes: a falta de interesse dos acadêmicos perante a obra de Comte e o fato de o positivismo ter logrado uma interpretação demasiadamente negativa, sendo associado aos períodos autoritários no Brasil. Disso resultam as posições pré-concebidas de muitos marxistas em torno do pensamento político de Comte que o consideram a expressão de uma direita autoritária. Outro fator problemático decorre do fato de que, pelo menos na área de ciências sociais, as linhas de pesquisa priorizarem temáticas mais vinculadas aos problemas brasileiros da atualidade, viabilizando muito pouco análises teóricas voltadas para a formação do pensamento sociopolítico clássico.
Contrapondo-se a todas essas adversidades, a obra Positivismo e marxismo: ampliando o debate político não apenas mostra a possibilidade de uma análise comparada por meio das produções de Comte e de Marx, como viabiliza novas chaves comparativas conforme os desdobramentos dos capítulos. É evidente que as diferenças e as divergências entre esses pensadores são igualmente ressaltadas não só para reiterar os fatos indubitáveis, mas também porque a qualidade de um estudo comparativo resulta tanto da constatação das confluências quanto das assimetrias. Minha experiência em literatura comparada me certificou dessa percepção. Por conseguinte, o presente livro explora o método comparativo, fazendo com que a análise entre o positivismo e o marxismo não se restrinja somente no campo político, mas também percorra outros domínios da filosofia, como bem desvelam os temas abordados da objetividade e da liberdade humana.
Mas não suponha o leitor que essa obra seja apenas uma análise comparativa das obras de Comte e de Marx que possa ser inserida como apenas um de muitos estudos do pensamento sociológico do século XIX. Muito mais do que uma simples pesquisa em torno da sociologia clássica, o livro além de introduzir temas polêmicos e atuais como a política identitária, procura conferir uma análise contemporânea aos vários assuntos apresentados, tais como: o papel do aparato estatal, a sociedade civil, as crises sociopolíticas, as convulsões sociais, o autoritarismo, entre outros. Trata-se, enfim, de uma leitura indispensável para todos aqueles que ensejam aprofundar seus estudos acerca do positivismo e do marxismo.
PREFÁCIO
O texto de Maxmiliano Martins Pinheiro merece uma cuidadosa leitura. Num país onde o positivismo foi fortemente difundido nos cursos de direito e na formação de jovens militares e onde a Constituição do estado do Rio Grande do Sul de 1891, assumia um caráter positivista e, onde o marxismo foi apreendido com limitações efetivas onde as traduções, por vezes, resultavam em interpretações mecanicistas das ideias marxianas, a busca de uma análise entre Comte e Marx se apresenta como instigante na formação do pensamento político.
Maxmiliano busca e não esconde isso, uma interseção entre o pensamento dos dois autores. Em sua leitura, o fato de serem herdeiros do humanismo ressignificado pelo Iluminismo permitia um ponto de partida comum para os estudos de ambos.
Ao colocar o homem como centro motor da história, Marx o desloca da influência do idealismo e sinaliza a materialidade da vida e das relações entre homens. Comte pautava a necessidade de uma revolução intelectual que via a ciência como o instrumento que permitiria aos seres humanos atuar no mundo dentro de uma perspectiva racional embasada pela ciência.
De forma dialética, o texto tensiona as divergências entre os dois autores, assinalando a originalidade que permeia as obras e seus impactos ao longo do século XX. Sim. A busca de uma avaliação dos contraditos entre os dois autores marcará o século XX, com críticas a uma abordagem dita positivista dos autores marxistas, em especial, após a burocratização da União Soviética.
A crítica à tirania do Estado, segundo Maxmiliano, seria outro ponto entre os autores. Mas, no entanto, mais do que uma apreensão liberal do tema, Marx nos apresenta uma visão original apregoando a necessidade da emancipação dos seres humanos, emancipação que resgataria a própria humanidade. Para Marx, a propriedade privada burguesa ao afirmar uma sociedade excludente, transformava os seres humanos em uma mercadoria, trocando sua força de trabalho pela mercadoria dinheiro, obtida enquanto salário.
A crítica de Comte se faz ao modelo político do liberalismo que, como nos aponta Maxmiliano, desloca da esfera política o poder temporal e espiritual. Para Comte, a sociocracia ao unir espiritualidade e temporalidade em um só governo controlaria a sociedade e regulando-se mutuamente mediante a moral e garantindo a ordem e a paz social.
De forma original, Maxmiliano aponta a atualidade dos autores tratando de um tema sensível que a defesa de políticas identitárias. Com isso, Maxmiliano não deixa de nos revelar a permanente atualidade da obra de Comte e Marx. Atualidade que explica a força teórica apresentada em seu livro e que nos convida a aprofundar suas conclusões e considerações.
Fernando Antonio da Costa Vieira
Doutor em Sociologia pela UFRJ
INTRODUÇÃO: EM BUSCA DE UM DIÁLOGO ENTRE AUGUSTO COMTE E KARL MARX
Considerando as inúmeras divergências que podem ser verificadas nas sociologias de Augusto Comte e de Karl Marx, o leitor talvez considere o intuito deste livro um tanto excêntrico. De fato, oposições que não faltam entre os pensamentos dos referidos fundadores da ciência sociológica, só para recapitular as mais notórias: Marx sempre se mostrou um sociólogo revolucionário que apostou nos antagonismos de classes como condição das ações políticas, enquanto Comte desvelou-se um conservador que advogou iniciativas conciliatórias que contornassem os conflitos radicais. Basta lembrar o seu lema conservar melhorando
, além de ter sido um franco defensor da tradição, da hierarquia, da família, da pátria, da religião e da propriedade; ao passo que Marx sempre desdenhou esses valores salientados por Comte e, em contrapartida, alicerçou uma concepção dialética da história assentada nas disputas entre segmentos sociais. Não obstante, enquanto Comte concebeu o movimento linear da história como via legítima do próprio progresso humano, Marx asseverou, no seu materialismo histórico, o aspecto econômico das sociedades através das forças produtivas do capital como primordiais para o desenvolvimento das ideias, ampliando o conhecimento econômico, ao contrário de Comte que atribuiu pouco valor às forças econômicas, negando à economia política o status de ciência autônoma. Por outro lado, Comte, conforme atesta a sua trajetória filosófica, descortina interesses bem mais profundos pela epistemologia científica e pelo fenômeno religioso do que Marx.
Entretanto, apesar dessas disparidades (podendo ser apontadas muitas outras) entre os pensamentos sociopolíticos de Comte e de Marx, nada impede que, no plano das opiniões comumente esparsas e das ideias sociológicas vulgarizadas, possam ser observadas confluências entre o positivismo e o marxismo. De fato, ambos suplantam a noção de direito natural apreendida tanto pela tradição cristã como pelo contratualismo moderno, introduzindo no seu lugar a concepção do direito relativo social; o próprio caráter social do capital e da propriedade é ressaltado tanto na origem e como no destino; criticam o protagonismo do Estado como o gerenciador das questões sociais, defendendo a primazia da sociedade civil em contrapartida; mostram-se céticos diante do sistema político representativo e reprovam veementemente os mecanismos burocráticos, inclusive a tendência de sublimar o sistema jurídico, ainda presentes no século XIX; salientam (cada um ao seu modo) o protagonismo do proletariado por constituir a maioria da população e o desaparecimento gradual da burguesia. Por essas razões, torna-se pertinente uma análise a respeito das teorias sociais de Comte e de Marx, examinando suas convergências e diferenças, já que poucas pesquisas apostam em estudos comparativos sobre esses autores de forma mais específica.
A tarefa da obra Positivismo e Marxismo: ampliando o debate político é precisamente perscrutar essas interseções e contrastes, explorando os horizontes sociopolíticos do positivismo comtiano e do marxismo que contemplam questões concernentes ao humanismo, objetividade, história, liberdade, política e identidade. Tais temáticas são investigadas no desdobramento do livro por meio de uma metodologia que tem como eixo uma análise comparativa das sociologias políticas de Comte e Marx, fundamentando-se tanto nas convergências como nas divergências. Por conseguinte, o primeiro capítulo aborda a inclinação humanista das teorias sociais desses autores, abrangendo não somente as questões políticas, consubstanciadas na própria afirmação humanista e nas projeções sociopolíticas, mas também o debate filosófico da objetividade. Com efeito, este capítulo, por meio de uma leitura panorâmica, introduz um leque de tópicos que serão revisitados nos capítulos posteriores. Insere-se também os limites do humanismo sociológico do positivismo e do marxismo.
O segundo, por sua vez, rechaça as asserções que classificam os pensamentos políticos de Comte e de Marx como eivados por um totalitarismo que oblitera qualquer consideração ao indivíduo. Sendo assim, a tarefa é ressaltar a questão da liberdade humana diante das concepções históricas pleiteadas pelas leituras comtiana e marxista, refutando a acusação do determinismo histórico. Ademais, o tema da relação entre o Estado e a sociedade é retomado no intuito de asseverar que, ao contrário das afirmações liberais do senso comum acadêmico, Comte e Marx jamais sustentaram o mecanismo estatal como força motriz gerenciadora das conflitos sociais. Ambos alicerçam, embora de forma diferenciada, o valor liberal da primazia da sociedade civil perante o Estado. No terceiro capítulo, o tema da revolução é reexaminado de modo mais específico, considerando as críticas que as sociologias positivista e marxista descortinam em relação às incongruências e aos empecilhos resultantes do protagonismo burguês do século XIX, o que levou Comte e Marx a sustentar diferentemente a saída revolucionária. Em seguida, deve-se abordar as propostas que eles apresentaram para solapar os problemas sociais, focando a condição desumana na qual o proletariado se encontrava. Por fim, o quarto capítulo tem como missão investigar as preocupações do positivismo e do marxismo diante da questão identitária que hoje se apresenta como um dos alicerces políticos da contemporaneidade. Desse modo, o capítulo intenta rechaçar as acusações de que Comte e Marx, por almejarem prerrogativas universais no âmbito político, negligenciaram os problemas de raça, gênero, entre outros, deixados pelo eurocentrismo durante sua ingerência colonialista. Em contraposição a essas afirmativas vindas de segmentos identitários, o tópico examina como o positivismo comtiano e o
