Nós que amávamos tanto O capital: Leituras de Marx no Brasil
()
Sobre este e-book
Nessa coletânea, quatro participantes dos Seminários Marx expõem muito mais que seus depoimentos sobre aquela experiência: trazem para o debate atual o significado que tais estudos tiveram para a compreensão científica de realidades brasileiras que desenvolveram em seus trabalhos futuros.Roberto Schwarz, crítico literário e professor de teoria literária, traz em seu depoimento a configuração e a importância dos seminários para a consolidação do marxismo na academia brasileira, bem como as rupturas que ele implicou. O filósofo José Arthur Giannotti já era professor da Faculdade de Filosofia da USP e foi um dos impulsionadores da formação do seminário. Além de enaltecer os capítulos históricos memoráveis da obra marxiana, Giannotti apresenta uma parte considerável das mais diversas "leituras" que se pode fazer de O capital, fundamentalmente do primeiro capítulo, ao qual ele se refere para ressaltar a influência hegeliana na construção do conceito de valor como substância.
João Quartim de Moraes, comunista, filósofo e professor da Unicamp, destaca a polêmica em torno de duas interpretações do Brasil, a partir da leitura de Marx, que se formou com as obras de Caio Prado Jr. e Nelson Werneck Sodré. E vai além: ressalta a diferença entre a apropriação de uma obra como O capital por acadêmicos e por militantes. Por sua vez, Emir Sader, professor da UERJ, no programa de Políticas Públicas, resgata a importância de Marx para a compreensão do momento conjuntural, do avanço do neoliberalismo como forma particular da acumulação do capital com dominância da esfera financeira.
Autores relacionados
Relacionado a Nós que amávamos tanto O capital
Ebooks relacionados
A crise da ideologia keynesiana Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTeoria geral do direito e marxismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOdeio os indiferentes: Escritos de 1917 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA crise estrutural do capital Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTentativa de mutação no Brasil (1988-2016): A estratégia gramscista e seus desdobramentos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFormação e Forma no Pensamento Brasileiro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasColeção: O Que É - Socialismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasColeção O Que É - Comunismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasQue fazer?: A resposta proletária Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDemocracia e luta de classes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTeorema da expropriação capitalista Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO ecossocialismo de Karl Marx: Capitalismo, natureza e a crítica inacabada à economia política Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRosa Luxemburgo: pensamento e ação Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO regime de acumulação integral: Retratos do capitalismo contemporâneo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMotim e Destituição AGORA Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJazz e política da existência: a música de Félix Guattari Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO partido de Kafka Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPsicologia de massas e bolsonarismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSem medo do futuro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasForça e fragilidade das normas: a Filosofia do direito de Hegel Nota: 0 de 5 estrelas0 notasÓdio ao direito Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA ideologia conservadora e suas bases econômico-políticas na atualidade: a agenda neoliberal brasileira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mito da grande classe média: Capitalismo e estrutura social Nota: 0 de 5 estrelas0 notasViolência e Messianismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCapitalismo em debate: uma conversa na teoria crítica Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mito da austeridade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasJustiça interrompida: Reflexões críticas sobre a condição "pós-socialista" Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRacismo: uma aproximação às bases materiais Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Ciências Sociais para você
Tudo sobre o amor: novas perspectivas Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Prateleira do Amor: Sobre Mulheres, Homens e Relações Nota: 5 de 5 estrelas5/5Neurociências E O Cotidiano Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCoragem é agir com o coração Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCoisas que a Gramática Não Explica Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBrasil dos humilhados: Uma denúncia da ideologia elitista Nota: 0 de 5 estrelas0 notasApometria: Caminhos para Eficácia Simbólica, Espiritualidade e Saúde Nota: 5 de 5 estrelas5/5A perfumaria ancestral: Aromas naturais no universo feminino Nota: 5 de 5 estrelas5/5A cultura importa: fé e sentimento em um mundo sitiado Nota: 5 de 5 estrelas5/5As seis lições Nota: 4 de 5 estrelas4/5Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva Nota: 5 de 5 estrelas5/5Grau do Companheiro e Seus Mistérios: Jorge Adoum Nota: 2 de 5 estrelas2/5A Bíblia Satânica Moderna Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMedicina Integrativa Nota: 5 de 5 estrelas5/5Bizu Do Direito Administrativo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA vontade de mudar: homens, masculinidades e amor Nota: 5 de 5 estrelas5/5Psicologia Das Massas Nota: 5 de 5 estrelas5/5O corpo encantado das ruas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Pertencimento: uma cultura do lugar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA elite do atraso: Da escravidão à ascensão da extrema direita Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCrônicas exusíacas e estilhaços pelintras Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFisiologia Do Exercicio Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs homens explicam tudo para mim Nota: 5 de 5 estrelas5/5Tdha Nota: 0 de 5 estrelas0 notasIntrodução à Mitologia Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Criação do Patriarcado: História da Opressão das Mulheres pelos Homens Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Avaliações de Nós que amávamos tanto O capital
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Nós que amávamos tanto O capital - Emir Sader
Sumário
Capa
Sobre Nós que amávamos tanto O Capital
– Lidiane S. Rodrigues
Sobre Nós que amávamos tanto O Capital
– Michael Löwy
Nota da edição
Apresentação – Sofia Manzano
1. Sobre a leitura de Marx no Brasil – Roberto Schwarz
2. Considerações sobre O Capital – José Arthur Giannotti
3. Comunismo e marxismo no Brasil – João Quartim de Moraes
4. O Capital, 150 anos depois – Emir Sader
Personalidades citadas
Sobre os autores
Sobre Nós que amávamos tanto O Capital
Lidiane S. Rodrigues
Alguém em sã consciência ignora que a leitura tem uma história e toma formas sociais diversas? Não. E, no entanto, o trabalho de organização social dos leitores tem sido subestimado pelos interessados no destino da obra de Karl Marx. O volume que o leitor tem em mãos é um documento inestimável para se constatar a relevância da forma e da vida social de uma leitura. Ele reúne depoimentos dos corações veteranos
de uma das primeiras experiências de auto-organização para ler Karl Marx em grupo.
A crônica é conhecida: José Arthur Giannotti voltou da França em 1958 e chamou seus amigos para ler O capital, segundo as rédeas da leitura estrutural do texto; colocando suas competências disciplinares e linguísticas a serviço de causa digna – havia historiador, sociólogo, filósofo, crítico literário, economista; alguns iam apenas com a vontade de ler, outros levavam também seu alemão, seu francês, seu inglês, seu espanhol e seu humor. Alguns foram e não voltaram – duro demais
. E poderia ser diferente?
O feito ficou conhecido como Seminários Marx. A troca de ideias, sentimentos e favores configurou um grupo – no sentido pleno do termo. O intercâmbio contínuo de ideias entre os seminaristas e o exercício constante da prática de leitura deram frutos: foram importados para os doutorados e, gradativamente, para as disciplinas acadêmicas em que atuavam. Tal difusão variou segundo a lógica interna de cada uma – permeabilidade lógica ao marxismo (o grupo leu outros livros, além d’O capital, basta conferir o repertório de conceitos compartilhado por eles); temáticas de investigação; ritmo de profissionalização; dominação dos catedráticos; negociações léxicas, bibliográficas.
Os efeitos de médio prazo desse trabalho de organização da leitura são evidentes para qualquer observador da cultura acadêmica brasileira. Ao longo das seis décadas que nos distanciam do início de tal atividade, as reviravoltas da vida política (ditadura militar, tortura, exílios e presidências) e as reconfigurações dos espaços sociais implicados (universidade, luta armada, revistas, partidos) foram embaralhando filiações e tomadas de posição. Além disso, a rotinização da prática obnubilou o cerne da inovação dos Seminários Marx, isto é, a forma social da leitura coletiva. Os depoimentos reunidos no presente volume podem restituir essa dimensão aos que os lerem com inteligência e delicadeza.
Sobre Nós que amávamos tanto O Capital
Michael Löwy
Os célebres Seminários Marx foram uma bela experiência de aprendizado comum, intercâmbio mútuo e confronto de interpretações, não sem polêmicas e controvérsias, mas também com momentos de ironia e de humor. Fui um modesto participante durante os anos 1959-1960. Os quatro brilhantes pensadores que compõem este importante livrinho – Emir Sader, João Quartim de Moraes, José Arthur Giannotti e Roberto Schwarz – representam, de forma coerente e instigante, as lições muito diferentes que cada um tirou dessa iniciativa. Para que serve O capital de nosso amigo Karl Heinrich Marx, cujo Livro I completa neste ano o 150º aniversário? Para estudar o método dialético? Para entender a realidade brasileira? Para tentar transformá-la, como propõe sua Tese XI sobre Feuerbach? Ao leitor cabe tirar as próprias conclusões...
© Boitempo, 2017
Direção geral
Ivana Jinkings
Coordenação editorial
Bibiana Leme
Edição
Richard Sanches
Revisão
Beatriz de Freitas Moreira
Coordenação de produção
Livia Campos
Capa
Pianofuzz Studio
Diagramação
Eduardo Amaral
____________________________________________________________________________________
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
N78
Nós que amávamos tanto O Capital / Roberto Schwarz ... [et. al.]. -- 1. ed. -- São Paulo :
Boitempo, 2017.
recurso digital
Formato: epub
Requisitos do sistema: adobe digital editions
Modo de acesso: world wide web
ISBN: 978-85-7559-557-2 (recurso eletrônico)
1. Marx, Karl, 1818-1883. 2. Filosofia marxista. 3. Socialismo. 4. Comunismo. 5.
Socialismo - Brasil. 6. Livros eletrônicos. I. Schwarz, Roberto.
17-41457 CDD: 335.4
CDU: 330.85
02/05/2017 03/05/2017
___________________________________________________________________________________
1a edição: maio de 2017
BOITEMPO EDITORIAL
Jinkings Editores Associados Ltda.
Rua Pereira Leite, 373
05442-000 São Paulo SP
Tel./fax: (11) 3875-7250 / 3875-7285
editor@boitempoeditorial.com.br | www.boitempoeditorial.com.br
www.blogdaboitempo.com.br | www.facebook.com/boitempo
www.twitter.com/editoraboitempo | www.youtube.com/tvboitempo
Nota da edição
Em 2013, a Boitempo realizou, em parceria com o Sesc-SP e com apoio da Fundação Lauro Campos, da Fundação Rosa Luxemburgo, da Fundação Mauricio Grabois e do Programa de Pós-Graduação da FAU-USP, o seminário Marx: A Criação Destruidora
, que consistiu em três etapas: Etapa 1, de 5 a 8 de março, De Hegel a Marx... e de volta a Hegel! – A tradição dialética em tempos de crise
, curso de introdução à obra de Slavoj Žižek seguido de conferência do filósofo; Etapa 2, de 22 a 23 de março, "IV Seminário Internacional Margem Esquerda: Marx e O capital ; Etapa 3, de 7 a 15 de maio,
IV Curso Livre Marx-Engels", com curadoria de José Paulo Netto (publicado como livro pela Boitempo em 2015: Curso livre Marx-Engels: a criação destruidora, organização de José Paulo Netto).
O livro Nós que amávamos tanto O Capital apresenta a transcrição, com pequenas adaptações feitas pelos autores, do debate "Sobre os estudos d’O capital no Brasil", ocorrido no dia 22 de março, na Etapa 2 do seminário, por ordem de fala na data do evento: Roberto Schwarz, José Arthur Giannotti, João Quartim de Moraes e Emir Sader, com mediação de Sofia Manzano.
