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Que fazer? - Karl Jensen
QUE FAZER?
Caiu o muro de Berlim. O sonho acabou. O socialismo morreu. Chegamos ao fim da História. Vivemos a crise do marxismo. Só nos resta a pergunta: que fazer?
Torna-se necessário perguntar-nos por que a esquerda (reformista, leninista ou esquerdista) nunca deu certo. O socialismo pragmático dos reformistas nunca conseguiu fazer outra coisa além de administrar o capitalismo. As transformações sociais foram enviadas para um distante além do túmulo. Social-democratas, socialistas e eurocomunistas se utilizaram das vantagens da exploração imperialista para integrar a classe operária na Europa Ocidental.
O socialismo leninista (incluindo o trotskista, stalinista, maoísta, entre outros) realizou revoluções e fundou novas sociedades. As nações atrasadas, sob sua direção, se modernizaram e industrializaram. As sociedades predominantemente camponesas (Rússia, China) se tornaram sociedades proletárias. O leninismo cumpriu a tarefa de universalizar o trabalho assalariado ao invés de aboli-lo. O que é novo no oriente é velho no ocidente.
O socialismo esquerdista (luxemburguismo, autonomismo, conselhismo) nunca tomou o poder. O esquerdismo é, sem dúvida, a negação do poder. Por isso, ele não poderia construir uma teoria da apropriação do poder, mas somente uma teoria da sua destruição. Mas a classe operária realizará, por conta própria, o socialismo? As vanguardas (reformistas e leninistas) nunca fizeram revoluções autênticas, fizeram, na melhor das hipóteses, contrarrevoluções. A classe proletária sempre fez revoluções e, no entanto, sempre as deixou escorrer entre os dedos como água, seja pela ação da burguesia ou de sua vanguarda
.
A crise do socialismo atinge todas as correntes políticas de esquerda. O esquerdismo permaneceu puro
e revolucionário
, mas nunca ultrapassou o estágio de pequenos círculos. Talvez seja por isso que se manteve revolucionário. Entretanto, também permaneceu ineficaz e só surgindo como força política de peso em momentos revolucionários, quando os trabalhadores se levantam
.
É por isso que devemos perguntar: que fazer? Devemos esperar que a revolução caia do céu pela ação espontânea do proletariado? Não é esta a resposta à nossa pergunta, assim como também não é a resposta leninista ou reformista, pois o Estado é capitalista e se apossar dele não levará ao socialismo. Tanto faz a forma de se apossar dele, seja pela via pacífica
, como querem os reformistas, seja pela via golpista
, como querem os leninistas. Tanto reformistas quanto leninistas estão ultrapassados, mesmo enquanto meio de deformar o movimento operário.
A resposta à questão que colocamos, tudo indica, está do lado do esquerdismo. Entretanto, é necessário ir além do esquerdismo. Esse além, contudo, não significa seu abandono e sim o seu aprofundamento. Para reconstruir a esquerda revolucionária é necessário: a) elaboração teórica sobre o desenvolvimento capitalista, sobre as formas de deformação e corrupção do movimento operário (temas que já tiveram inúmeras colaborações dos esquerdistas
e o que lhes falta é uma síntese
); b) elaboração de um projeto político e de uma teoria da autogestão (que, tal como no item anterior, falta apenas uma síntese das teses já produzidas); c) elaboração de uma teoria da revolução e de uma estratégia revolucionária; d) elaboração de uma teoria da organização revolucionária e antiburocrática, autogerida.
Karl Marx realizou uma síntese da filosofia alemã, do socialismo francês e da economia política inglesa, na perspectiva da classe operária. Isto tudo, juntando com sua capacidade individual, é que proporcionou a produção de uma obra tão reveladora e duradoura. O pensamento de Marx continua fornecendo as bases teóricas do pensamento revolucionário. Entretanto, as experiências e mudanças históricas, juntamente com as derrotas do movimento operário, devem nos abrir os olhos para o fato de que é preciso aprofundar a teoria revolucionária. É preciso recorrer ao que foi produzido de melhor no movimento revolucionário: Rosa Luxemburgo, os conselhistas, os autonomistas, etc., e aperfeiçoarmos a teoria revolucionária. Devemos aproveitar o que ainda é válido e descartar o que é problemático (e nesse caso, tanto o luxemburguismo quanto o autonomismo precisam ser alvos de críticas, pois seus aspectos propositivos são, em muitos aspectos problemáticos, ao contrário do conselhismo). Devemos fazer isto sem medo de revisionismo
, pois o pensamento revolucionário não é só um pensamento da revolução, mas também uma revolução no pensamento. Eis o que devemos fazer.
Os artigos que compõem o presente livro foram publicados em revistas militantes, e por isso não se trata de uma obra organizada em conjunto. O que reúne os textos aqui apresentados, além da perspectiva marxista e autogestionária, são os temas voltados para os dilemas políticos da práxis revolucionária e que poderiam ser divididos em três blocos temáticos: a) problemas da organização e militância; b) crítica ao falso marxismo e suas proposições políticas (como o trotskismo e o autonomismo); c) fenômenos sociais importantes para pensar a relação do movimento revolucionário e a sociedade capitalista (movimentos sociais e informação). A luta do proletariado e nossa luta apontam para a transformação social e esta é antecipada hoje, mas concretizada na totalidade no futuro e o mesmo deve ocorrer com a teoria e a reflexão crítica produzida pelo marxismo. É apenas mais uma coisa que devemos fazer.
REFLEXÕES SOBRE A MILITÂNCIA POLÍTICA
Os que são perigosos entre os espíritos subversivos. – Dividam-se aqueles que pensam em uma subversão da sociedade naqueles que querem alcançar algo para si mesmos e naqueles que querem alcançar algo para seus filhos e netos. Estes últimos são os mais perigosos; pois têm a crença e a boa consciência do não-egoísmo. Aos outros, pode-se satisfazer; para isso a sociedade dominante é ainda rica e esperta o bastante. Os que são revolucionários por interesse impessoal podem considerar todos os defensores do que existe como pessoalmente interessados e por isso sentir-se superiores a eles.
Friedrich Nietzsche
O movimento socialista possui uma história secular e um tema fundamental para seu aperfeiçoamento, enquanto movimento revolucionário, é a questão da militância política. Entretanto, tal tema ficou à margem do rio do pensamento socialista. Discutir a militância política e, como consequência, a questão dos militantes revolucionários, se tornou, com a atual crise do movimento comunista mundial, uma necessidade inadiável. Tentaremos, aqui, dar um primeiro passo nesse sentido, oferecendo uma contribuição a esta questão.
A questão da militância política¹ é extremamente importante e complexa e nos leva a discutir
