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O Manicômio - Abdenal Carvalho
O Manicômio
Duas famílias e um mesmo poder a ser conquistado
Beda Santos & Abdenal Carvalho
Direitos autorais © 2024 Beda Santos & Abdenal Carvalho
Todos os direitos reservados
Os personagens e eventos retratados neste livro são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é coincidência e não é intencional por parte do autor.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou armazenada em um sistema de recuperação, ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou outro, sem a permissão expressa por escrito da editora.
ISBN: 9798324673635
Selo editorial: Independently published
ISBN-10 1477123456
Design da capa por: Abdenal carvalho
Número de controle da Biblioteca do Congresso: 2018675309
Impresso nos Estados Unidos da América
Queremos homenagear nossos queridos leitores encontrados em todo o mundo com mais esta obra e desejar aos mesmos uma excelente leitura
Nem sempre aqueles que trazem nas suas veias o mesmo sangue que nós temos serão capazes de conseguir se tornar nossos grandes amigos ou estarem interessados na nossa felicidade
Os autores
Índice
Página do título
Direitos autorais
Dedicatória
Epígrafe
Prólogo
Capítulo 01 – Escolhida Pelo Destino
Capítulo 02 – Convite ao Clube
Capítulo 03 – Ameaças
Capítulo 04 – Sequestro
Capítulo 05 – Infiltrados
Capítulo 06 – Conflitos
Capítulo 07 – O Resgate
Capítulo 08 – Única Saída
Capítulo 09 – A Acareação
Capítulo 10 – A Morte de Simon
Capítulo 11 – A Prisão de Cecília Lopes
Capítulo 12 – O Novo Herdeiro
Capítulo 13 – Um Novo Herdeiro
Capítulo 14 – A Armadilha
Capítulo 15 – A Armadilha
Capítulo Final − Caminhos Opostos
Epílogo
Sobre o autor
Livros deste autor
Prólogo
Dois renomados cientistas se unem no propósito de dar origem a uma Ordem secreta capaz de fornecer seus serviços científicos para laboratórios farmacêuticos do mundo inteiro, testando cada nova droga criada diretamente em humanos, fazendo uso de pessoas com a mente já bastante comprometida, recolhidas das ruas ou que estejam em tratamento psiquiátricos.
Para isso, eles constroem dezenas de manicômios espalhados por toda a América Latina e dali, com a ajuda de vários outros pesquisadores, submetem essas pessoas às mais terríveis atrocidades, usando-as como cobaias a fim de avaliar o resultado dos inúmeros medicamentos que necessitam ser testados no corpo humano a fim de receberem um diagnóstico das reações que poderão causar em supostos pacientes que farão uso de tais drogas após sua liberação pelos órgãos competentes.
Dessa maneira, durante décadas aquela Organização de pesquisas científicas clandestinas se desenvolveu no anonimato, tornando-se amplamente poderosa e um dos sócios resolve se tornar um traidor, deixando seu companheiro à deriva. Porém, tempos depois o casal de filhos pertencentes aos dois homens se apaixona e se une contra o traidor numa intensa peleja pela retomada de um poder que no atual cenário se encontrava nas mãos de uma herdeira que nada sabia de toda essa desavença familiar.
E, para que os planos deles sejam alcançados, usarão de todos os meios para tirar dela o direito de comandar a maior Ordem criminosa já vista na história de estudos e criações de fórmulas científicas.
Capítulo 01 – Escolhida Pelo Destino
D
esde criança ela nunca se sentiu iguais as outras meninas de sua idade. Não era do tipo que tivesse tempo para as brincadeiras semelhantes a que elas faziam. Não brincava de bonecas, casinhas, fazer papel de mãe ou filha e tão pouco brincar na chuva.
Por ter nascido na mais completa miséria e ter como mãe uma drogada, louca e insensível, se limitava a apenas assistir ela se matando nas drogas com aquele grupo de outros viciados. Foi no início de sua puberdade, certamente começando bem mais cedo que o normal.
Que passou a compreender melhor seus sentimentos, emoções, tendo como como prioridade em suas ansiedades o desejo de amadurecer, alcançar uma maturidade que parecia demorar demais para acontecer. Acreditava ser pelo fato de querer logo se tornar independente, dona de si, correr atrás de seus sonhos...
Mas ao chegar na adolescência e conhecer Natanael, aquele garoto lindo, charmoso e o mais competitivo entre as demais meninas do bairro, teve em sua mente e no coração a primeira ilusão de amar e ser amada, mesmo que tudo lhe parecesse confuso, pois não sabia diferenciar uma simples amizade do amor e da paixão, sentimentos até então nunca experimentados.
Aquela menina foi criada num bairro pobre da cidade onde nasceu, convivendo meio a pessoas com péssima reputação moral, perdidas nas mazelas das classes mais baixas da sociedade, viciadas, prostitutas. Vinha de uma origem imunda de onde saiu aquele condenado que a gerou.
Engravidando a louca daquela que a pariu. Por conviver num ambiente como aquele onde mais parecia uma terra sem lei acabou se tornando moeda de troca entre a mãe e o traficante a quem ela devia muito dinheiro.
Assim, sem poder se defender por ser mulher, ainda por cima fraca, indefesa e sem forças para resistir ao ataque de um monstro enorme como aquele que decidiu atacá-la na calada da noite, foi violentada no colchão sujo e rasgado da cama onde dormia.
Tudo isso no mesmo momento em que a insensível que lhe deu à luz se drogava com outros viciados pelas ruas do bairro miserável onde morava. Teve muita sorte de não engravidar, finalmente fez o tal sexo, mas não foi nada gostoso, pois doeu demais da conta.
Depois de anos se alimentando de pesadas drogas, álcool e outras porcarias sua mãe acabou por cair morta numa sarjeta qualquer e foi enterrada como indigente, pois sua avó sequer deu importância em reclamar seu corpo fétido e podre da filha.
Além do quê, como iria reclamar para si um defunto se não tinha dinheiro nem para comprar o que comer? A única forma que ela achou de ajudar foi levar a neta para morar na sua casa já que o pai não passava de outro perdido nos vícios e abandonado pelos parentes.
Thaís!
Estou aqui, vovó!
Vai lá na padaria do senhor Gilberto e fale para ele me mandar dois pães do tipo bengala!
Sim, senhora!
Anda logo, garota, que preciso tomar meu café matinal! E não esquece de pegar também dois reais de margarina!
Convivendo ao lado da avó com esclerose múltipla desde que perdeu a mãe para as drogas ela ainda conseguia se alegrar com o raiar de cada novo dia, agradecendo bastante o Criador pela vida. Não pela razão de poder viver uma parte de sua triste história como uma adolescente órfã, analfabeta e miserável, mas porque teria a chance de ir rever Roberto, o garoto que trabalhava naquela padaria enorme e cheio de gente, atuando gentilmente como atendente.
Oi, como você está hoje?
Olá, vou indo...
Nossa, tem tanta gente aqui nessa manhã!
Ainda bem, pois mais clientes significa mais dinheiro!
Olha, minha avó mandou eu vir pegar dois pães bengalas
Tem que passar primeiro lá no caixa, pagar, pegar o ticket e aguardar sua vez de ser atendida na fila!
Ah não! Quebra um galho aí para mim. A compra é fiada, coloca na conta dela, não preciso enfrentar fila!
Pai, atendo compra na conta de Dona Júlia?
Ela está aí?
Não, só a neta!
Atende ela, mas diz para avisar a avó que se não pagar a conta ainda esse mês será a última vez que vendo fiado!
Ouviu o que disse o dono da padaria?
Claro que sim!
Dá o recado para sua avó, avise que se ela não vir quitar o débito não poderemos mais atendê-la, é ordem do senhor Gilberto!
Pode deixar, eu dou o recado!
Olha, você vai sair para algum lugar hoje à noite?
Não, pretendo ficar em casa e estudar para a prova, por quê?
Vamos nos encontrar lá na pracinha as sete?
Ora essa, moleca, o que diabos vou fazer com você lá na praça?
Vai lá que te mostro!
Vai me mostrar o quê?
É uma coisa bem gostosa!
Ah, não sei se vou querer ir
Vou ficar te esperando, vê se deixa de ser frouxo e aparece por lá!
Mas que garota louca, nem me conhece direito e já toma essa liberdade de marcar um encontro...
Não falta, viu?
Parecia uma atitude sem nexo feita por alguém completamente sem noção, mas seus sentimentos pelo garoto da panificadora eram fortes e verdadeiros. Tudo começou desde o primeiro dia em que foi fazer compras naquele estabelecimento e se sentiu presa aos encantos de seus olhos azuis.
O que nenhum dos dois poderiam imaginar era que o destino já havia reservado para eles um mesmo caminho onde deveriam trilhar juntos. Porém, aquela jornada seria espinhosa, cheia de enormes obstáculos, por onde fortes tempestades iriam sempre soprar com grande ímpeto.
Vovó, aqui estão os dois pães!
Muito bem, corte e passe manteiga!
Olha, o homem lá da padaria disse que se a senhora não pagar logo a dívida que está acumulada ele não vende mais!
Padeiro miserável! Só porque tem muito dinheiro e vive de barriga cheia não se importa que pobres viúvas como eu morra de fome!
E a sua aposentadoria, parou de receber?
E não aconteceu do pilantra desse novo governo inventar aquele tal de prova de vida? Aí fui fazer lá no banco e a moça disse que agora tenho que aguardar a liberação da conta
E vai demorar muito para voltar a te pagarem, vovó?
Eu lá sei, mas quantas perguntas resolveu fazer agora!
É que a gente precisa pagar o dono da padaria!
Vamos dar um jeito, menina, se acalma!
Não quero ficar com fome!
Ah, mas que diabos! Tome logo seu café e ver se fecha o bico!
Chegando à noite lembrou do convite que havia feito ao garoto da padaria. Ele iria? Talvez. O casebre onde morava ficava num beco estreito e enlameado. Passar por lá não era tarefa fácil e a maioria das pessoas nem ousava tentar. Quem costumeiramente transitava pelo lugar eram os muitos cães que existiam pelas proximidades. E olha que eram demasiadamente bravos, ferozes até demais da conta.
A situação financeira de Júlia não era nada boa, dependia de uma mísera aposentadoria que recebia do governo que cada dia mais parecia criar empecilhos na vida dos pobres idosos que semelhantes a ela tinham aquela renda como seu único sustento.
Na condição de viúva, com a idade bastante avançada, ela mal conseguia sobreviver. As duas eram a única família uma para a outra, não havia outros parentes que lhes pudessem ajudar. Diversas vezes indagou a si mesma o que seria de sua vida desgraçada depois que sua avó também partisse dessa para melhor, assim como sua mãe fez.
Será que aquela situação infeliz poderia piorar? Certamente que, se assim fosse, não saberia ao certo se conseguiria suportar. Chegando à noite lembrou do convite que havia feito ao garoto da padaria. Ele iria? Talvez. O casebre onde morava ficava num beco estreito e enlameado.
Passar por lá não era tarefa fácil e a maioria das pessoas nem ousava tentar. Quem costumeiramente transitava pelo lugar eram os muitos cães que existiam pelas proximidades. E olha que eram demasiadamente bravos, ferozes até demais da conta. A menina odiava ouvir o latido de tantos cachorros durante a noite.
Principalmente, quando era a época de começarem a namorar as cadelas. Período difícil para as fêmeas, pois os machos as estupravam. As coitadas gemiam feito umas desesperadas e aquilo lhe fazia lembrar do tempo em que o traficante lhe rasgou as partes íntimas e ela quase desmaiava de dor.
Oi, pensei que não viesse seu medroso!
Pois é, mas aqui estou
Compra um lanche para mim?
Foi por isso que tanto insistiu para que eu viesse aqui? Somente na intenção que te pagasse um lanche?
Deixa de ser bobo garoto, mas é que estou faminta. Paga ai, por favor!
Vai comer o quê?
Qualquer coisa que você me der
Não tem preferencias?
Não, minha avó costuma dizer que se algo nos é dado não devemos fazer qualquer exigência
Ainda não jantou a esta hora da noite?
Não, por isso a fome
Sua avó não preparou o jantar?
Sim, mas é que já enjoei de comer sempre as mesmas coisas!
Observo que vocês parecem ser muito pobres...
Não vai mais querer ser meu amigo por isso?
Ah, deixe de bobagens, não sou como o restante da minha família que se sentem melhores do que as outras pessoas apenas pelo fato de possuírem muito dinheiro
Que bom, pois eu ficaria muito triste se me desprezasse por causa disso
Fiquei tranquila, não sou desse tipo...., por favor, moço, dois hamburgueres acompanhados de refrigerantes!
É para já, aguardem só um instante!...
Sua mãe é a diretora da escola Lopes, não é mesmo?
Sim, e proprietária também
Nossa, a única escola particular do bairro é dela?
Sim, você não sabia?
Não, estava por fora!
Você não estuda?
Nunca coloquei os pés numa sala de aula, nem sei como é uma escola por dentro!
Minha nossa, deve ser por isso que você tem essa forma de se expressar
Que forma?
Sempre gritando
Está errado?
Sim, não vê como eu falo, sempre baixo e de maneira educada?
Aprendeu falar assim na escola?
Certamente que sim. As pessoas devem dialogar sempre num tom que não cause escândalos a quem ouve a conversa
Ah, vou começar a imitar você a partir de agora
Te agradeço, pois toda vez que você fala meus tímpanos faltam estourar
E o que é isso?
Não sabe o que são os tímpanos?
Não, me fala aí que negócio é esse
São dois nervos que ficam dentro de nossos ouvidos, na forma de dois martelos, que com os barulhos externos batem um no outro, formando os sons que geralmente ouvimos
Nós temos dois martelos dentro de nossos ouvidos???
Não são de verdade, sua boba, é que estes nervos se parecem com martelos
Caramba, eu não imaginava possuir uma coisa dessas dentro de minhas orelhas
Pois é, aí está a importância de estudarmos para aprendermos todas estas coisas. Quantos anos você tem?
Estou com treze, mas daqui a dois meses faço catorze!
E nunca foi a escola?
Já disse que não!
Por favor, não grite, estou a um metro de você
Ah, desculpa
Você mora com sua avó desde bem pequena?
Não, fazem só dois anos
E seus pais, onde vivem?
Ah, não tenho mais mãe e meu pai anda perdido por aí
Perdido? De que maneira?
Olha, garoto, eu não tive pais tão legais e nem milionários como os seus, entendeu? Os meus eram dois loucos
Não fale assim deles, não importa quem sejam nossos pais devemos amar e respeitá-los
Mesmo quando eles são os responsáveis pelas nossas desgraças?
E o que eles lhe fizeram de mal?
"Para começar, me trouxeram a este mundo e não me assumiram, nunca fizeram seus papeis de pais. Devido serem duas pessoas irresponsáveis viverem perdidos nas drogas sem considerar ter uma filha para criar e educar.
Minha mãe morreu e meu pai anda como um miserável por aí, jogado pelas calçadas com a cabeça cheia do efeito das drogas que se viciou em usar. No final de tudo o resultado é esse que está vendo, vivo parecendo uma cachorra sem dono"
Diz-se, cadela sem dono
Como é isso que disse?
Expliquei que a pronúncia correta é cadela e não cachorra
Ah, pois é esse troço aí mesmo
Caramba, então você é filha de dois viciados?
Entendeu agora o porquê de eu lançar sobre eles a culpa pela minha desgraça?
Não consigo entender o que leva duas pessoas numa condição miserável dessas gerarem um filho
Uma tremenda falta de responsabilidade, isso sim
E mesmo com seus pais dependentes químicos você morava com eles?
Na verdade, eu morava com minha mãe numa casa velha lá na favela misturada com outros viciados em craque
Minha nossa, e como você conseguia viver num lugar desses
E eu iria morar aonde?
Com sua avó, da forma como faz agora
É que na época s vó Júlia ainda não morava aqui na cidade. Ela vivia pelo interior com meu avô. Somente depois da morte dele e de mamãe ela veio para cá e me acolheu depois de eu ter ficado morando pelas ruas por várias semanas
E o restante de seus parentes, onde vivem?
Só possuo duas tias, elas moram lá no interior, mas por serem muito pobres e terem a casa cheia de filhos não podem nos ajudar
Misericórdia, mas que família você tem, Hem?
Elas odiavam minha mãe por ser uma dependente química e a mim desprezam por ser filha dela. Dizem que como nasci de dois viciados meu fim vai ser seguir o mesmo exemplo de meus pais
Mas que idiotice, quem foi que colocou em suas cabeças que pelo simples fato de nascer de uma pessoa com dependência química você deve necessariamente ser do mesmo jeito?
Elas dizem para minha avó que isso já vem marcando num negócio que passa de pai para filho, um tal de DNA
Sim, isso aí é o código genético que todos nós temos nos nossos corpos que são transmitidos pelos nossos pais e que nos dão suas mesmas características físicas com alguns traços de suas personalidades
Está vendo, pois é isso aí mesmo que elas falaram!
Mas o código genético não afirma necessariamente que um filho deva trilhar o mesmo caminho de seus pais. Minha mãe sempre diz que cada pessoa tem seu próprio destino a seguir
O que é esse troço de destino
É meio complicado explicar e de entender, principalmente para uma menina que nunca estudou como você
Quer dizer que só porque nunca fui a escola sou tão burra que não possa compreender o que vai me explicar?
Não foi isso que eu quis dizer
Mas foi o que acabou dizendo
Está bem, vou tentar simplificar as coisas para ver se você consegue alcançar o entendimento
É claro que vou alcançar, não sou nenhum jumento
No caso seria uma jumenta, pois você é fêmea
Que se dane, Natanael, me explica logo isso!
Por favor não fale gritando
Mas nem estou falando assim tão alto, garoto, acho que são esses martelos dentro de seus ouvidos que são muito barulhentos
Ah, essa moleca é mesmo doida...
Que doida nada..., anda, começa a explicar essa história de destina aí
É destino, no masculino, sua tapada
Tapada é sua avó!
Você já ouviu falar sobre Deus, não é?
Claro, todo mundo já ouviu falar dele, não sou de outro planeta seu leso! Já ouvir falar do diabo, do céu, inferno..., mas eu morro de medo de almas penadas
Então assim vai ficar mais fácil de você me entender. Bem, apesar de aprendermos na escola que quem criou a terra e os seres vivos que nela existe foi uma explosão cósmica, as Escrituras Sagradas dizem que foi um ser imensamente poderoso que fez todas as coisas que existem em todo o universo...
No caso seria esse tal de Deus, aí?
"Isso mesmo. E diz que para poder criar toda a humanidade de forma organizada ele também usa duas ferramentas poderosas para conduzir cada um de nós na direção que ele mesmo escolheu.
Quando nos formou no ventre de nossas mães e escreveu nossas histórias, determinando como iríamos viver na terra. Estas ferramentas são na verdade duas forças poderosas chamadas de Tempo e Destino"
Então, quer dizer que ele prepara tudo isso com a gente ainda dentro da barriga de nossas mães?
Exatamente. E é a partir daí que todas as pessoas passam a viver cada qual sua própria história, uma diferente da outra
Espera aí, deixa ver se compreendi corretamente: quer dizer que esse tal Deus criou o mundo e colocou a gente primeiro na barriga de nossa mãe, depois faz a gente nascer para morar na terra...?
De acordo com as Escrituras Sagradas, sim
E é ele quem decide como cada pessoa vai viver aqui na terra?
"Bem, neste ponto existem dois conceitos distintos. O primeiro é bíblico e diz que Deus possui dois títulos principais: o título de Arquiteto do Universo, pois criou todas as coisas e o título de Autor da Vida, pois foi o Criador de todas as coisas vivas neste mundo.
Como Criador da vida ele é quem escreve a nossa história. Ele age semelhante a um escritor ao criar uma história e colocar nela seus personagens, determinando que papel cada um deles ocupará dentro de sua trama. Deus nos gera no ventre da mãe, nos dando um corpo físico.
Depois, ele escreve toda a
