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Vai descê!

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Sobre este e-book

Em Vai Descê!, livro de Beatriz Diaféria, as crônicas não seguem a ordem cronológica de como as histórias aconteceram. É quase um registro da infância à vida adulta. É uma trajetória sutil. Quase imperceptível. Como se fosse uma música de fundo. Do "Embarque ao Ponto Final", a garota, sozinha no início, encontrará, no final, uma parceira também assustada e mais jovem. Brasileiras, as duas, cada uma tomará uma direção diferente depois de viverem uma situação assustadora. Em chão brasílico, são ambas cidadãs do mundo. Beatriz, no ponto final, dará dicas à jovem de como chegar ao destino que busca. Mais experiente, será um pouco mãe da garota.
Gabriela Rabelo [ Atriz, diretora e dramaturga ]
IdiomaPortuguês
EditoraEditora Calêndula
Data de lançamento13 de ago. de 2024
ISBN9786583005250
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    Vai descê! - Beatriz Diaféria

    Sumário

    apresentação — Uma viagem —

    Embarque

    Palhaço

    Revanche

    Bênção

    Inferno

    Pente fino

    Amarelo

    O homem do saco

    O rei

    Leonor

    Gabriel

    O que é, o que é?

    Companhia I

    Companhia II

    Companhia III

    Companhia IV

    Companhia V

    Domingueiros

    Esse dia foi louco

    Pilota de fuga

    Comentarista

    Osmofobia

    Carnãoval

    Ponto Final

    Catalogação do livro "Vai descê!". Editora Calêndula, 2024.

    Agradeço

    Alice Miwa Koyama Diaféria

    Edson José Diaféria

    Luis Eduardo de Carvalho

    Gabriela Rabelo

    Kiko Morente

    A minha mãe Alice e meu pai Edson

    que me abriram as portas do mundo

    apresentação

    — Uma viagem —

    Vai descê! é um livro escrito por uma mulher de teatro. Explico: gente dessa lida tem um jeito de ver o mundo todo seu. Tatiana Belinky e Julio Gouveia, pessoas importantes na nossa História do Teatro Infanto-juvenil, ao falar da importância deste na educação, diziam que o teatro é um treino da vida como ela é. E é assim que o pessoal dessa tribo se comporta: como ator e espectador do que a vida oferece. Molière, por exemplo, dizem que ficava sentado nos salões de barbearia de sua época, olhando, olhando, olhando as pessoas. Depois, escrevia sobre o que lhe sugeria aquilo que via. De Garcia Lorca, contam que, na casa de sua mãe, havia um poço no quintal. Um poço seco. Por alguma razão, ouvia-se, naquele poço, o que se falava na casa vizinha. A Casa de Bernarda Alba veio dessas escutas. Ele ouvia e anotava. Depois, completou o drama que imaginava acontecer naquela casa. São inúmeros os testemunhos de fatos semelhantes.

    Beatriz Diaféria faz coisa parecida em Vai Descê! Conta o que viu, ouviu, viveu em suas andanças em coletivos. Histórias, personagens, sem desenvolver teorias para justificar seu ponto de vista sobre o acontecido. São cenas e ela é um dos personagens que nelas habita. Por vezes, narradora; por vezes, atriz em cena; no mais das vezes, ambas as coisas.

    A cortina se abre no Embarque. Claro, a primeira coisa que se faz numa viagem de ônibus é entrar nele. Sua mãe a coloca na estrada da vida e também no ônibus, alimentando-lhe a coragem para enfrentar o medo que todas as travessias desconhecidas provocam. (Agora você vai ter que andar de ônibus, diz-lhe a mãe). Mas teatro não é arte solitária. Exige parceria. Beatriz vai viver suas idas e vindas com seus leitores. Foi assim, como público, que embarquei nessa viagem, pois foi como ressoou em mim a leitura da primeira crônica. Foi como público vivo, ativo - um pouco voyeur, um pouco passageiro, como é a plateia do teatro — que segui na prazerosa viagem.

    As crônicas não seguem a ordem cronológica de como as histórias aconteceram. É quase um registro da infância à vida adulta. É uma trajetória sutil. Quase imperceptível. Como se fosse uma música de fundo. Do Embarque ao Ponto Final, a garota, sozinha no início, encontrará, no final, uma parceira também assustada e mais jovem. Brasileiras, as duas, cada uma tomará uma direção diferente depois de viverem uma situação assustadora. Em chão brasílico, são ambas cidadãs do mundo. Beatriz, no ponto final, dará dicas à jovem de como chegar ao destino que busca. Mais experiente, será um pouco mãe da garota.

    Entre o embarque e o ponto final, serão usados sobretudo os ônibus (palavra que em latim significa para todos, omnibus). Por alguma razão, várias pessoas juntam-se naquele meio de transporte e são conduzidas em bloco para destinos finais diferentes. Apenas aquele pedaço do trajeto será compartilhado e a viagem será vivida em consonância. São aventuras típicas da vida em uma grande cidade. Mas poderão ser seguidas, plenamente, por quem vive em outros espaços. A boa literatura, que é a que faz a vida humana vibrar, tem esse dom: nos leva para onde os personagens estão vivendo. Como o bom teatro. Nos encontramos em nossa humanidade.

    Em Palhaço, a segunda crônica, a autora, ainda jovem, já fareja um assunto que será fundamental no desenrolar de sua vida de atriz e dramaturga: a luta da mulher pelo seu direito de existir plenamente. Muito en passant, registra que a trocadora daquele ônibus era, na época, a única mulher que exercia essa função. Mas fixa-se depois na figura do homem vestido de palhaço que, ao final, deixará apenas uma certeza: é um homem triste.

    O olhar que percorrerá todas as crônicas é instalado na primeira: os personagens serão o foco. São inúmeros e fascinantes (a mulher que, na luta pela sobrevivência, segura o filho como a Taça da Libertadores; o homem que cede lugar a mulheres de peitos fartos e decotes generosos para poder observá-los de cima; o garoto feliz que pede um beijo, etc. etc.), e, como no teatro, eles não são julgados. Não há também proselitismos. Há constatação. A opinião da autora é percebida em pequenas e raras observações, como em Amarelo: Olhei o bando de trouxas sem máscara, aglomerados na frente do ônibus.

    É como se fosse uma câmera: mostra a imagem, a conclusão é do leitor. Percebe-se a autora pela cena que escolhe mostrar e pelas cores com que a registra.

    O ônibus segue viagem, levando-nos a outros países (é comovente a viagem à Espanha), a situações hilárias onde vem o riso fácil em alto e bom som (se o livro for lido em condução, com certeza o leitor soltará uma gargalhada que provocará diversas reações. Não vou dizer onde foi que ri mais. E ri de novo ao reler.). É um tipo de humor que se costuma chamar de inglês. Sutil, sem alardes. Vem do inesperado, da associação de imagens coletivas a uma situação individual, da forma de se enfrentar uma dificuldade que é facilmente reconhecida (como em Osmofobia. É pândega a imagem trazida por Meu corpo sentiu o que passam as tetas em um exame de mamografia. Imediatamente somos colocados na situação da autora.).

    As palavras usadas são simples, mas

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