Sobre este e-book
Gabriela Rabelo [ Atriz, diretora e dramaturga ]
Relacionado a Vai descê!
Ebooks relacionados
Não / Sarau inconsciente de um alter ego esquizofrênico Nota: 3 de 5 estrelas3/5Como melhorar um texto literário: Um manual prático para dominar as técnicas básicas da narração Nota: 5 de 5 estrelas5/5Viver e traduzir Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTapa na pantera na íntegra: Uma autobiografia não autorizada Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEscrever um silêncio Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUm prefácio para Olívia Guerra Nota: 4 de 5 estrelas4/5Os livros na minha vida Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA literatura no contexto de um Novo Humanismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSuplemento Pernambuco #209: Ponciá Vicêncio Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA casa dos coelhos Nota: 4 de 5 estrelas4/5Caixão de vidro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSuplemento Pernambuco #188: Grace Passô, o corpo-texto Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Cão Alado: Contos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAs linhas tortas dos imprestáveis Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs frutos da figueira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO elefante já está na mala Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTrinta e três de agosto Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO último dia da infância Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNelson Rodrigues por ele mesmo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasna intimidade do silêncio Nota: 5 de 5 estrelas5/5A obrigação de ser genial Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNecrológio Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA força da palavra: De Octavio Paz a Derrida: grandes entrevistas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOntem, hoje e amanhã: A minha vida Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPiscinas russas Nota: 0 de 5 estrelas0 notasLiteratura: Saberes em movimento Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Suicida Atrapalhada Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO dia em que comemos Maria Dulce Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBoitempo II: Esquecer para lembrar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasUma Espécie de cinema Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Ficção Geral para você
O Segundo Cu Nota: 3 de 5 estrelas3/5Palavras para desatar nós Nota: 4 de 5 estrelas4/5Poesias de Fernando Pessoa: Antologia Nota: 4 de 5 estrelas4/5Pra Você Que Sente Demais Nota: 5 de 5 estrelas5/5Contos Eróticos Nota: 1 de 5 estrelas1/5Para todas as pessoas intensas Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Morte de Ivan Ilitch Nota: 4 de 5 estrelas4/5MEMÓRIAS DO SUBSOLO Nota: 5 de 5 estrelas5/5Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem Nota: 5 de 5 estrelas5/5Dom Casmurro Nota: 5 de 5 estrelas5/5Canção para ninar menino grande Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Irmandade Secreta Do Sexo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Crime e castigo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Invista como Warren Buffett: Regras de ouro para atingir suas metas financeiras Nota: 5 de 5 estrelas5/5Aprenda A Dominar O Poder Da Magia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA esperança Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Sabedoria dos Estoicos: Escritos Selecionados de Sêneca Epiteto e Marco Aurélio Nota: 3 de 5 estrelas3/5Para todas as pessoas resilientes Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Categorias relacionadas
Avaliações de Vai descê!
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Vai descê! - Beatriz Diaféria
Sumário
apresentação — Uma viagem —
Embarque
Palhaço
Revanche
Bênção
Inferno
Pente fino
Amarelo
O homem do saco
O rei
Leonor
Gabriel
O que é, o que é?
Companhia I
Companhia II
Companhia III
Companhia IV
Companhia V
Domingueiros
Esse dia foi louco
Pilota de fuga
Comentarista
Osmofobia
Carnãoval
Ponto Final
Catalogação do livro "Vai descê!". Editora Calêndula, 2024.Agradeço
Alice Miwa Koyama Diaféria
Edson José Diaféria
Luis Eduardo de Carvalho
Gabriela Rabelo
Kiko Morente
A minha mãe Alice e meu pai Edson
que me abriram as portas do mundo
apresentação
— Uma viagem —
Vai descê! é um livro escrito por uma mulher de teatro. Explico: gente dessa lida tem um jeito de ver o mundo todo seu. Tatiana Belinky e Julio Gouveia, pessoas importantes na nossa História do Teatro Infanto-juvenil, ao falar da importância deste na educação, diziam que o teatro é um treino da vida como ela é. E é assim que o pessoal dessa tribo se comporta: como ator e espectador do que a vida oferece. Molière, por exemplo, dizem que ficava sentado nos salões de barbearia de sua época, olhando, olhando, olhando as pessoas. Depois, escrevia sobre o que lhe sugeria aquilo que via. De Garcia Lorca, contam que, na casa de sua mãe, havia um poço no quintal. Um poço seco. Por alguma razão, ouvia-se, naquele poço, o que se falava na casa vizinha. A Casa de Bernarda Alba veio dessas escutas. Ele ouvia e anotava. Depois, completou o drama que imaginava acontecer naquela casa. São inúmeros os testemunhos de fatos semelhantes.
Beatriz Diaféria faz coisa parecida em Vai Descê! Conta o que viu, ouviu, viveu em suas andanças em coletivos. Histórias, personagens, sem desenvolver teorias para justificar seu ponto de vista sobre o acontecido. São cenas e ela é um dos personagens que nelas habita. Por vezes, narradora; por vezes, atriz em cena; no mais das vezes, ambas as coisas.
A cortina se abre no Embarque. Claro, a primeira coisa que se faz numa viagem de ônibus é entrar nele. Sua mãe a coloca na estrada da vida e também no ônibus, alimentando-lhe a coragem para enfrentar o medo que todas as travessias desconhecidas provocam. (Agora você vai ter que andar de ônibus, diz-lhe a mãe). Mas teatro não é arte solitária. Exige parceria. Beatriz vai viver suas idas e vindas com seus leitores. Foi assim, como público, que embarquei nessa viagem, pois foi como ressoou em mim a leitura da primeira crônica. Foi como público vivo, ativo - um pouco voyeur, um pouco passageiro, como é a plateia do teatro — que segui na prazerosa viagem.
As crônicas não seguem a ordem cronológica de como as histórias aconteceram. É quase um registro da infância à vida adulta. É uma trajetória sutil. Quase imperceptível. Como se fosse uma música de fundo. Do Embarque ao Ponto Final, a garota, sozinha no início, encontrará, no final, uma parceira também assustada e mais jovem. Brasileiras, as duas, cada uma tomará uma direção diferente depois de viverem uma situação assustadora. Em chão brasílico, são ambas cidadãs do mundo. Beatriz, no ponto final, dará dicas à jovem de como chegar ao destino que busca. Mais experiente, será um pouco mãe da garota.
Entre o embarque e o ponto final, serão usados sobretudo os ônibus (palavra que em latim significa para todos, omnibus). Por alguma razão, várias pessoas juntam-se naquele meio de transporte e são conduzidas em bloco para destinos finais diferentes. Apenas aquele pedaço do trajeto será compartilhado e a viagem será vivida em consonância. São aventuras típicas da vida em uma grande cidade. Mas poderão ser seguidas, plenamente, por quem vive em outros espaços. A boa literatura, que é a que faz a vida humana vibrar, tem esse dom: nos leva para onde os personagens estão vivendo. Como o bom teatro. Nos encontramos em nossa humanidade.
Em Palhaço, a segunda crônica, a autora, ainda jovem, já fareja um assunto que será fundamental no desenrolar de sua vida de atriz e dramaturga: a luta da mulher pelo seu direito de existir plenamente. Muito en passant, registra que a trocadora daquele ônibus era, na época, a única mulher que exercia essa função. Mas fixa-se depois na figura do homem vestido de palhaço que, ao final, deixará apenas uma certeza: é um homem triste.
O olhar que percorrerá todas as crônicas é instalado na primeira: os personagens serão o foco. São inúmeros e fascinantes (a mulher que, na luta pela sobrevivência, segura o filho como a Taça da Libertadores; o homem que cede lugar a mulheres de peitos fartos e decotes generosos para poder observá-los de cima; o garoto feliz que pede um beijo, etc. etc.), e, como no teatro, eles não são julgados. Não há também proselitismos. Há constatação. A opinião da autora é percebida em pequenas e raras observações, como em Amarelo: Olhei o bando de trouxas sem máscara, aglomerados na frente do ônibus.
É como se fosse uma câmera: mostra a imagem, a conclusão é do leitor. Percebe-se a autora pela cena que escolhe mostrar e pelas cores com que a registra.
O ônibus segue viagem, levando-nos a outros países (é comovente a viagem à Espanha), a situações hilárias onde vem o riso fácil em alto e bom som (se o livro for lido em condução, com certeza o leitor soltará uma gargalhada que provocará diversas reações. Não vou dizer onde foi que ri mais. E ri de novo ao reler.). É um tipo de humor que se costuma chamar de inglês. Sutil, sem alardes. Vem do inesperado, da associação de imagens coletivas a uma situação individual, da forma de se enfrentar uma dificuldade que é facilmente reconhecida (como em Osmofobia. É pândega a imagem trazida por Meu corpo sentiu o que passam as tetas em um exame de mamografia.
Imediatamente somos colocados na situação da autora.).
As palavras usadas são simples, mas
