Ethan: O Demônio no Paraíso
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Ethan - Guilherme Otsubo
Capítulo I Ethan Bernard Sternberg
Ethan Bernard Sternberg: um nome que, se pronunciado com vagar, carrega o peso de uma genealogia germânica e, com ela, o fardo metafísico de pertencer a duas tradições que se entrelaçam e se repelem: a europeia, saturada de filosofia e tragédias, e a americana, prática, direta e ascendente. Ethan, prestes a fazer dezoito anos, já experimentava o tormento silencioso de quem vive às margens das grandes narrativas do mundo, enquanto é, ele mesmo, uma promessa não solicitada de um capítulo novo e sombrio.
Seus ancestrais emigraram da Alemanha quando o continente — inebriado pela ideia de progresso — se lançava com uma inconsciente volúpia à carnificina industrial da Primeira Guerra Mundial. Ethan, portanto, nasce e cresce sob o signo da diáspora: o filho de exilados, mas também o herdeiro involuntário de um legado que não escolheu e que, talvez por isso mesmo, o define com mais rigor.
De caráter reservado, Ethan pratica a economia da linguagem como uma forma de resistência civilizada. Não se trata de timidez, tampouco de arrogância velada, mas de uma escolha deliberada, quase ética: falar apenas quando a palavra puder ser mais eficiente do que o silêncio. E, paradoxalmente, essa parcimônia retórica confere-lhe um magnetismo involuntário. Não busca a admiração, mas a atrai. Não deseja liderança, mas exerce, por sua mera presença, uma silenciosa autoridade.
Fisicamente, é mediano, como convém aos heróis discretos; cabelos que oscilam entre o amarelo pálido e o ouro enferrujado, pele clara como convém aos que carregam consigo a memória das florestas nórdicas e dos invernos que forjaram o caráter de seus antepassados. Mas são os olhos — ainda que esta seja uma fórmula gasta — que revelam a verdadeira natureza de Ethan: atentos, vigilantes, e sempre um tanto melancólicos, como quem observa o mundo à distância, mais interessado em compreendê-lo do que em transformá-lo.
Sua inteligência, aguda e estruturada, nunca se oferece de imediato. Como os livros herméticos ou os monumentos discretos, exige uma chave, um esforço interpretativo. Assim, os colegas de escola, quando se deparavam com sua sagacidade, reagiam ora com surpresa, ora com ressentimento: como pode alguém tão jovem ser tão lúcido? Como pode alguém tão lúcido ser tão indiferente ao jogo das aparências?
Essa contradição — a de possuir uma inteligência que se recusa ao exibicionismo — é talvez o traço mais definidor de Ethan. Pois, ao recusar a ostentação, não apenas guarda para si a tranquilidade do anonimato, mas lança sobre os outros um espelho incômodo, que reflete suas vaidades e fragilidades. Sua humildade, paradoxalmente, é a forma mais agressiva de altivez: não porque pretenda sê-lo, mas porque o é, inevitavelmente.
Resta a pergunta: por que, sendo quem é, recusa-se a ser mais do que parece? Por que não reivindica para si o direito de impor sua visão ao mundo? Talvez porque compreenda, ainda que de forma intuitiva, que toda grandeza humana é, no fundo, patética diante da indiferença cósmica. Ou, como ensinaria um velho mestre: porque nada é mais insuportável para os outros do que a presença de quem sabe e não precisa demonstrar que sabe.
Agora, ao deixar os corredores da escola, esse jovem de quem falamos aproxima-se de um rito inevitável: completar dezoito anos. A família, coesa e amorosa, observa o calendário com uma mistura de orgulho e apreensão, pois, embora o garoto ignore, a engrenagem da História — essa força cega e inexorável — já o colocou na rota de colisão com o Dia D.
Mas não nos precipitemos. Antes de seguir Ethan até o campo de batalha, é preciso conhecê-lo em seu estado mais puro: em casa, rodeado por aqueles que o moldaram e que, ao moldá-lo, também o condenaram ao destino que ele não escolheu, mas que, como todo verdadeiro herói trágico, aceitará sem
