Terras Férteis: Pesquisas em arte contemporânea e arte-educação
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Terras Férteis - José Manuel Lázaro
Sumário
Capa
Apresentação
A FÁBULA NA PÓS-MODERNIDADE
José Manuel Lázaro
ENTRE RAÍZES – ZONAS DE RISCO
Letícia Leonardi
CONTADORES DE HISTÓRIA AFRICANOS: TRADIÇÃO E ORALIDADE
Camila Nobre
PARA UMA PEDAGOGIA DA AULA-RITUAL
Carminda Mendes André
O CORPO DA ARQUITETURA E A ARQUITETURA DO CORPO NA ESCOLA
Marose Leila e Silva
URBE – NA DANÇA PARA UM ESPAÇO DE EXPERIMENTAÇÃO RELACIONAL EM AMBIENTE PÚBLICO
Élder Sereni Ildefonso
Organizadores:
Carminda Mendes André
José Manuel Lázaro
Terras Férteis
Pesquisas em arte contemporânea e arte-educação
São Paulo | Brasil | Junho 2018 – Ebook
1ª Edição
Big Time Editora Ltda.
Rua Planta da Sorte, 68 – Itaquera
São Paulo – SP – CEP 08235-010
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Conselho Editorial:
Ana Maria Haddad Baptista (Doutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP)
Catarina Justus Fischer (Doutora em História da Ciência/PUC-SP)
Marcela Millana (Doutora em Educação/Universidade de Roma III/Itália)
Márcia Fusaro (Doutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP)
Vanessa Beatriz Bortulucce (Doutora em História Social/UNICAMP)
Ubiratan D’Ambrosio (Doutor em Matemática/USP)
Ficha Catalográfica
André, Carminda Mendes; LÁzaro, José Manuel. Terras Férteis – Pesquisas em arte contemporânea e arte-educação – 200 pp. – São Paulo: BT Acadêmica, 2015.
ISBN 978-85-9485-056-0. 1. Educação 2. Ensino 3. Prática pedagógica 4. Arte-Educação 5. Ensino na pós-modernidade 6. Teatro I. Título
Nota:
Dado o caráter interdisciplinar da coletânea, os textos publicados respeitam as normas e técnicas bibliográficas utilizadas por cada autor.
Os autores são responsáveis integralmente pelos textos apresentados.
Apresentação
Essa publicação é resultado da organização de estudos e pesquisas desenvolvidas pela Profa. Dra. Carminda Mendes André e pelo Prof. Dr. José Manuel Lázaro de Ortecho Ramírez (José Manoel Lázaro), ambos pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Artes do Instituto de Artes da UNESP (Stricto Sensu) e que coordenam o Grupo de Pesquisa PERFORMATIVIDADES E PEDAGOGIAS/CNPq.
Carminda Mendes André é pesquisadora da área de Arte Educação, atuante na linha de pesquisa Processos artísticos, experiências, e mediação cultural e José Manuel Lázaro é pesquisador da área de Artes Cênicas atuante na linha de pesquisa Estética e poética da cena. O que possuem em comum é o tema das artes cênicas na pós-modernidade.
Carminda Mendes André tem pesquisado e incentivado estudantes sob sua orientação a refletir sobre as condições do ensino de artes na perspectiva pós-moderna. Descreve a vida atual sendo regida a partir do ideal de uma sociedade do controle e se fundamenta nas pesquisas de Gilles Deleuze e Michel Foucault. Ao estudar a sociedade disciplinar conceituada por Michel Foucault, a pesquisadora alerta para os modos de funcionamento das escolas e unidades universitárias seja do ponto de vista infra estrutural (espaço físico, cronogramas, modos de organização dos cursos e das aula) seja do ponto de vista das pedagogias do ensino das artes. Em suas reflexões, busca compreender os impactos da fabricação dos sujeitos dentro de um ambiente de projeto disciplinar e o que pode a arte contemporânea para contribuir na mudança dessas condições. Propõe estudar a inserção de pedagogias pós-dramáticas no ambiente de aprendizagem (tanto no ensino básico como na formação de professores de artes) no intuito de pensar a arte como exercício para uma ética coletiva, pensar a arte como experimentação de outros modos de relacionamento humano. Em sua atuação no curso de graduação, tem desenvolvido pedagogias para a performance e, em especial, a intervenção urbana como práxis educativa para repensar o sujeito, a cidade e as instituições de ensino. Nesse livro, a pesquisadora convida dois ex-orientandos, com trabalhos de mestrado já defendidos. Marose Leila e Silva, no texto O corpo da arquitetura e a arquitetura do corpo na escola, apresenta uma reflexão sobre as possíveis reverberações que o espaço físico da escola pode causar na formação dos sujeitos. Élder Sereni Ildefonso, no texto Urbe – Na dança um espaço de experimentação relacional em ambiente público em dança, estuda a dança de rua como um exercício educativo. Não fala diretamente do ensino em escolas, mas defende que o artista na rua exerce seu direito à cidade e, com sua performance artística, propõe outros modos de vida, modos éticos fora dos princípios da sociedade espetacular de que nos fala Guy Debord.
José Manuel Lázaro pesquisa a dramaturgia e a encenação na pós-modernidade. Em suas pesquisas compreende que o momento do pós-guerra marcou uma mudança de importância histórica naquilo que até então era concebido como o tempo da modernidade. Essa transformação, gerada pelo impacto da crise social da segunda guerra mundial, teria iniciado a quebra da coerência do espírito de época moderno desenvolvido desde o século XVIII. A reverberação dessa crise, no campo dos saberes sinalizam mudanças perceptíveis de características de época manifesta desde a década dos cinquenta do século passado. No campo especifico da produção teatral, o surgimento de características como o hibridismo
, fragmentação
e performatividade
não permitem mais gerar uma única expressão estética e sim um conglomerado de linguagens múltiplas e paralelas que, juntas, dão conta desse novo período em desenvolvimento. Assim, ao entrar na questão das artes cênicas atuais, a pesquisa de José Manuel nos faz visualizar como diferentes teóricos da área começam a analisar transformações relevantes que se manifestam na experiência criativa teatral a partir de 1950 e em especial a partir de 1960. Autores como Martin Esslin, Eric Bentley, Patrice Pavis, Anne Ubersfeld, Augusto Boal, Jean-Jacques Roubine e Santiago Garcia (por mencionar alguns dos mais relevantes) apontam novas maneiras de encarar processos criativos de encenação e formas de construção dramatúrgica. Já a partir dos anos oitenta, e noventa do século passado, são contundentes as proposições levantadas por teóricos como Jean-Pierre Sarrazac (teatro rapsódico), Jean-Pierre Ryngaert (as novas narrativas da dramaturgia contemporânea), Hans-Thies Lehmann (o teatro pós-dramático) e Josétte Féral (teatro performativo). Partindo dos estudos e teorias, em especial dos últimos autores mencionados, é incontestável para o pesquisador a percepção de que há um movimento cênico contemporâneo preocupado com a criação de novas linguagens que possam gerar renovadas formas de comunicação teatral. José Manuel Lázaro convida, para essa publicação, duas orientandas com mestrados já defendidos. Leticia Leonardi em O ator criador entre raízes – zonas de risco apresenta pesquisa no campo da pedagogia do ator e Camila Nobre em Contadores de histórias africanos: tradição e oralidade traz uma pesquisa sobre a performatividade dos contadores de histórias de certa cultura africana.
No texto, A Fábula na pós-modernidade, José Manuel Lázaro aborda a maneira como a narratividade pós-moderna se desenvolve na cultura atual uma vez que é fruto de manifestações contemporâneas. Com esse intuito destaca a análise sobre a utilização e elaboração da fábula na criação dramática. Seu objetivo é olhar para a parte da dramaturgia que discute a necessidade de se elaborar uma fábula, de analisar o questionamento à formalidade e/ou lógica sobre como a narração do enredo na dramaturgia foi elaborada até hoje. Alinha-se àqueles que insistem na ideia de crise da fábula
. O que José Manuel nos apresentar ainda, por meio de um conjunto de ensaios, são as características ou elementos relevantes que compõem essa crise.
Letícia Leonardi é atriz e educadora. Mestre em Artes Cênicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), graduou-se na mesma instituição em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas onde foi atriz do grupo Atrás do Grito – Projeto Teatro Didático da Unesp. Atuou como professora de Teatro no Centro Cultural Brasital e hoje é educadora do Infanto-juvenil do SESC Belenzinho. É integrante do Grupo Terreiro de Investigações Cênicas (Unesp) e atriz do Coletivo Cênico Joanas Incendeiam, da Cooperativa Paulista de Teatro. No texto O ator criador entre raízes – zonas de risco, Letícia Leonardi faz uma breve reflexão acerca da relação diretor ignorante
e ator emancipado
, conforme as expressões cunhadas por Jacques Rancière, em referência à relação aprendizagem/criação cujo mestre/diretor não assume a figura tradicional de instrutor. Nestes processos, tal como no modelo apresentado por Rancière, a igualdade, a liberdade e a autonomia são pressupostos para a criação. Assim, o experimento artístico adquire maior importância que a obra acabada, pois é considerado uma prática pedagógica de auto formação, ou seja, trabalho do ator sobre si mesmo. A pesquisadora parte desta ideia de trabalho sobre si mesmo para discorrer sobre a instauração das zonas de risco
no trabalho do ator. Por zonas de risco compreende um complexo múltiplo de procedimentos, signos e símbolos concretos e abstratos que se ligam de maneira rizomática entre atores, símbolos, mitos, temas, jogo, etc. Segundo suas reflexões, estes elementos ao se conectarem à aspectos subjetivos e desconhecidos do ator emergem de suas ações como um impulso
. Deste modo, estas ações, são entendidas também como símbolos.
Camila Nobre é Atriz e diretora teatral, graduada pela PUC-SP no curso de Comunicação das Artes do Corpo. Mestra em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP-SP com a pesquisa Narrativas Mitopoéticas: aspectos da tradição oral africana e do teatro
. Este texto compõe a sua dissertação de mestrado defendida em fevereiro de 2013. No texto Contadores de histórias africanos: tradição e oralidade a pesquisadora pretende traduzir algumas possibilidades no trabalho do ator, no que compreende a sua relação com camadas metafísicas e espirituais acerca de si mesmo. Defende o pressuposto do autoconhecimento como princípio para um diálogo efetivo com a palavra poética que o ator pretende compartilhar com o outro. A partir da relação com a palavra no que tange às experiências que surgem antes e a partir dela, destaca a responsabilidade decorrente da autonomia do indivíduo, em relação às suas escolhas de representação. Em suas reflexões, utiliza como objeto de estudos a tradição oral africana e seus multiplicadores, os contadores de histórias, conhecidos como griots. Com base na relação fundamentalmente ancestral que estabelecem com suas origens, história, família, e a herança de uma vocação para a transmissão.
No texto, Para uma pedagogia do ritual, Carminda Mendes André contextualiza a problemática do conhecimento mercantilizado nos moldes do capitalismo tardio. E para pensar uma educação que não reproduza as hierarquias de poder que alienam o sujeito de si mesmo, a autora imagina um processo de aprendizagem em artes que aproxima a proposição pedagógica de Philipe Meirieu – principalmente no que se refere as relações pedagógicas – e o teatro contemporâneo fundamentado no ritual – principalmente o Teatro da Crueldade de Antonin Artaud e O Teatro Pobre de Jerzy Grotowiski.
Marose Leila é formada em Licenciatura em Teatro, com mestrado em Artes, ambos no IA da UNESP. Atua como professora da rede pública municipal de São Paulo, no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação–Singularidades e na formação de educadores de outros municípios, buscando desenvolver, em sua prática educativa, ações sintonizadas com cena artística contemporânea. Em O corpo da arquitetura e a arquitetura do corpo na escola, a pesquisadora analisa as transformações físicas e educacionais na EMEF Des. Amorim Lima, ocorridas no período compreendido entre os anos de 2005 e 2011. A escola, localizada no distrito do Butantã, em São Paulo, teria se inspirado, inicialmente, na Escola da Ponte, instituição pública localizada na Vila das Aves – distrito do Porto, em Portugal. Em 2005, a EMEF Des. Amorim Lima iniciou, juntamente com a comunidade local, um processo revisional de toda sua estrutura educacional com o objetivo de oferecer aos seus estudantes uma escola pública mais democrática, buscando soluções por meio da mobilização e ação das pessoas de maneira que não ficasse refém das decisões da Secretaria Municipal de Educação. No ano em questão, a instituição sofria com problemas graves, tais como violência, exclusão escolar, ausência de professores e isolamento entre equipe pedagógica e comunidade escolar. Foram várias as transformações na escola, como, por exemplo, a quebra de paredes e o rompimento da divisão por série, assim como também a separação em agrupamentos por salas e ampliação do espaço destinado à arte e à cultura.
Élder Sereni Ildefonso, possui bacharelado em Teatro pela Universidade São Judas Tadeu, licenciatura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e mestrado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Em sua prática artística é idealizador e bailarino no projeto Lejos – táticas de ocupação, colaborador na Cia. La Casa (Montevidéu) e participante do projeto Refúgio do Pensamento (País de Gales – Brasil). Na área acadêmica é integrante do Grupo Internacional e Interinstitucional de Pesquisa em Convergência entre Arte, Ciência e Tecnologia (GIIP – UNESP), do grupo de estudos Corpo e Expressividade (UNESP). É pesquisador na área de linguagens artísticas hibridas para espaços públicos e/ou espaço não convencionais. Como professor atualmente atua nas áreas de Corpo, ritmo e musicalidade; Interculturalismo; Performance; Sonoplastia; Consciência e Expressão Corporal na Universidade Federal de Uberlândia. O texto, Urbe – Na dança para um espaço de experimentação relacional em ambiente público em dança se constitui a partir de um olhar que recai sobre a condição da Urbe e suas possibilidades para a criação em dança, formuladas a partir da hibridização de linguagem. Há, portanto, uma proposição de abordagem da rua a partir de uma vivência de alguns anos criando e estudando o espaço urbano, principalmente na cidade de São Paulo. O estudo indica a estreita relação existente entre o artista e o território, repensando maneiras de estar em um ambiente urbano, assim interagindo com suas especificidades. Demarcam-se por estes assentamentos do pensamento, o intercâmbio entre a arte e a cultura urbana, a favor de reurbanizações simbólicas inerentes a dinâmicas e especificidades do lugar. As características deste fazer artístico preveem um ideal de arte pública seguido pela deselitização e da saída dos espaços controlados e regulamentados. Pressupõe-se então, que tal arte é gerida pelo acaso e pela urgência do momento.
Esperamos que esses textos divulguem as pesquisas e percepções intelectuais e criativas realizadas por pesquisadores acadêmicos. O intuito é propagar tais investigações além das fronteiras internas do programa em que foram geradas e promover reflexões e novas percepções na criação cênica e na educação artística comprometidas com a vivencia e discussão do contemporâneo.
A FÁBULA NA PÓS-MODERNIDADE
José Manuel Lázaro
Neste capitulo, abordo a maneira como a narratividade pós-moderna se desenvolve na cultura atual uma vez que é fruto de manifestações contemporâneas. Com esse intuito destaco a análise sobre a utilização e elaboração da fábula na criação dramática. Meu objetivo é olhar para a parte da dramaturgia que discute a necessidade de se elaborar uma fábula, de analisar o questionamento à formalidade e/ou lógica sobre como a narração do enredo na dramaturgia foi elaborada até hoje. Isso é o que é chamo de crise da fábula
. O que vou apresentar aqui, por meio de um conjunto de ensaios, são as características ou elementos relevantes que compõem essa crise.
A fábula: um músculo cansado
Existem vários modos de entender o enredo. Em geral ele se define como o conjunto de ações realizadas dentro de uma estrutura narrativa. Seguindo a interpretação aristotélica, o enredo é a sequência dos fatos que, acompanhando um encadeamento necessário, constrói o elemento narrativo de uma peça. Outra definição, mais próxima de dramaturgia brechtiana, simplesmente afirma que o enredo é o ponto de vista que conduz uma narração.
Como consequência das rupturas experimentadas na prática dramatúrgica contemporânea, toda definição de enredo tem sofrido uma desconstrução. Será preciso encontrar outra explicação que considere as novas inquietações na escrita cênica atual. Na dramaturgia contemporânea, há um esvaziamento da presença dos elementos dramatúrgicos de maneira explícita. Pode-se dizer que ocorre uma des-apresentação
na medida em que os elementos estão aí, mas escondidos sob uma narração simbólica ou sob um realismo confuso. Eles nunca são mostrados de maneira direta. As ações e os fatos são difíceis de serem distinguidos. Questionado, o enredo unificado sobrevive de maneira diferente, como a junção de um conjunto de elementos narrativos que constroem um sentido determinado.
O final do século XX significou um momento no pós-modernismo em que era anunciado o fim
de diferentes linhas de cultura. O fim disso ou o fim daquilo estava por toda parte: o fim da arte, o fim do socialismo, o fim da antropologia, o fim da psicanálise, etc. Entre esses fins estavam o fim da História
e o fim do enredo narrativo
. Como todo presságio de fim de mundo, o prognóstico de tais catástrofes e desaparecimentos não aconteceu com o radicalismo anunciado. No entanto, com relação à fábula, apareceram novas formas de linguagem e de análises teóricas. No caso da dramaturgia, surgiram novas formas de encarar a narratividade. Analisarei algumas condições que se manifestaram nesse sentido e apresentarei três maneiras de entender a elaboração da fábula dramatúrgica: des-fábula
, anti-fábula
e multi-fábula
.
Terry Eagleton questiona os argumentos que anunciam o fim da História (entendida como o conjunto de conhecimentos relativos à memória pretérita da humanidade) argumentando que não há como sustentar a afirmação de que não exista mais. É inegável que os padrões que recebemos para apreender e entender a História precisam ser reconstruídos cada vez com uma maior perspectiva humana. As descrições da história da humanidade sempre tiveram vários problemas na sua estrutura conceitual. Os estreitos padrões dados pelo modernismo geraram um real ceticismo e um cansaço perante a narrativa dos eventos do passado de um povo. Com certeza, a História como ciência humana entrou em crise na modernidade.
Os teóricos pós-modernistas desconfiam da ideia de continuidade evolutiva advinda da particular interpretação dos acontecimentos pretéritos da humanidade. Perdeu credibilidade aquela noção de que a sequência
