João Calvino: Uma coletânea de escritos
De João Calvino
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Sobre este e-book
• Epístola ao cristianíssimo Francisco, primeiro desse nome, rei de França: na qual se demonstram as causas dos problemas que ocorrem hoje na igreja (1535)
• João Calvino ao Cardeal Jacó Sadoleto: resposta à Epístola do cardeal Jacó Sadoleto enviada ao Senado e ao povo de Genebra: pela qual ele trata de sujeitá-los ao poder do bispo de Roma (1539)
• Pequeno tratado da santa ceia de nosso Senhor Jesus Cristo: no qual se demonstram sua verdadeira instituição, seu proveito e sua utilidade, com a razão por que vários autores modernos parecem ter escrito diferentemente (1540)
• Tratado das relíquias (1543)
• Desculpas de João Calvino aos senhores nicodemitas, que se queixam de seu excessivo rigor (1544)
• Sobre os escândalos que hoje impedem muitos de alcançar a pura doutrina do evangelho e desviam outros (1550)
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João Calvino - João Calvino
UM
EPÍSTOLA AO CRISTIANÍSSIMO FRANCISCO PRIMEIRO (1535)
Ao altíssimo, potentíssimo e ilustríssimo monarca Francisco I, rei cristianíssimo de França, seu príncipe e soberano senhor, João Calvino, paz e salvação em Cristo.
Quando iniciei a redação deste livro, nada estava mais longe de minhas intenções que escrever algo para Vossa Majestade; meu propósito era somente ensinar princípios àqueles que são tocados por algum bom sentimento em relação a Deus, instruindo-os na verdadeira piedade. E sobretudo, com meu labor, desejava servir nossos franceses, muitos dos quais vejo com fome e sede de Jesus Cristo, enquanto poucos têm recebido o conhecimento correto. Tal decisão pode ser facilmente percebida nesta obra, já que a mantive do modo mais simples possível. Diante, porém, do furor de certos iníquos, tão grande em vosso reino que não deixava espaço para a santa doutrina, pareceu-me oportuno que o livro não só se voltasse para a instrução dos que primeiramente desejam ensinar, mas também fosse como confissão de fé aos vossos olhos, para que conheçais a doutrina contra a qual se erguem os que perturbam vosso reino com fogo e espada. Pois não terei vergonha alguma de confessar que apresento aqui quase uma compilação dessa doutrina, que, segundo esses homens, deveria ser punida com prisão, banimento, proscrição e fogo, além de erradicada de terra e mar.
Bem sei que horrendos relatos encheram vossos olhos e vosso coração para tornar-vos odiosa a nossa causa. Porém, segundo vossa clemência e mansuetude, Vossa Majestade considerará que, bastasse a acusação, nenhuma inocência haveria, nem em fatos, nem em palavras. Certamente, se para estimular a ira contra essa doutrina (cujas razões me esforçarei por apresentar perante vós), alguém vier a argumentar que já foi condenada por comum acordo de todos os estados, tendo sido julgada várias vezes, isso significará apenas que, em parte, foi violentamente abatida por poder e conspiração de adversários; e, em outra parte, foi maliciosamente oprimida por mentiras, enganos, calúnias e traições. Por força e violência, pronunciaram-se tais cruéis julgamentos, sem que a doutrina pudesse ser defendida. Por engano e traição, acusaram-na de sediciosa e maligna. Para que ninguém pense que nos queixamos sem motivo, vós mesmo podeis testemunhar, Majestade, com quantas falsas calúnias a doutrina é difamada todos os dias perante vós, como se destinada estivesse a arruinar reinos e autoridades, perturbar a paz, abolir as leis, suprimir senhorios e posses, em suma, promover a desordem total.
E vós ainda ouvistes pouco. Entre o povo, espalham-se histórias tão terríveis contra essa doutrina, que, se verdadeiras fossem, todos fariam bem em condená-la a mil fogueiras e cadafalsos, junto com seus autores. Como não esperar que fosse tão odiada por todos, diante da crença geral em tão iníquas acusações? Eis por que todas as esferas da sociedade, de comum acordo, conspiram para condenar tanto a nós quanto à nossa doutrina. Transportados por esse sentimento, os que constituem a si mesmos juízes pronunciam como sentença as ideias que trouxeram de casa, acreditando cumprir seu dever não condenando à morte ninguém, senão aqueles reconhecidos como culpados, seja por confissão, seja por testemunho digno de fé. Mas qual o seu crime? Essa doutrina maldita
, respondem. Mas qual lei a maldiz? Essa defesa: não renegar a doutrina, mas defender sua verdade. Entretanto, o direito de defesa nos foi negado.
Portanto, não é sem razão que vos peço, Majestade, que tomeis conhecimento completo da causa que até aqui tem sido tratada de modo confuso, fora da ordem do direito, com ardor impetuoso, em vez de moderação e gravidade jurídica. Não penseis, porém, que busco nesta obra empreender uma defesa particular, com o fim de conseguir retornar ao meu país de origem. Por mais que devote à França um afeto natural, não lamento muito estar impossibilitado de fazê-lo, devido ao presente estado de coisas. Mas me lanço a essa causa crendo que é a de todos os fiéis, e mesmo a do próprio Cristo, sabendo que hoje se encontra em pedaços e calcada aos pés em vosso reino, de tal maneira que se afigura sem esperança — devido à tirania de alguns fariseus, e não por vossa vontade. Não será útil dizer aqui como isso se deu. De todo modo, a causa está grandemente comprometida. Até agora, o poder dos inimigos de Deus fez com que a verdade de Cristo, embora não se perdesse, fosse ocultada e enterrada como objeto de vergonha, como ignomínia. Além disso, a pobre igreja se vê ora consumida por mortes cruéis, ora mutilada por banimentos, ora tão abalada por ameaças e terrores, que não ousa balbuciar uma palavra. Seus inimigos insistem tanto em sua fúria, que já se encontram habituados a levar a cabo a destruição que iniciaram. Ninguém se ergue contra tais violências, e ainda há os que, crendo favorecer a verdade, afirmam apenas que devemos perdoar a imprudência e a ignorância das pessoas simples. Ao falar assim, chamam de imprudente e ignorante a incontornável verdade de Deus, e de pessoas simples
aqueles a quem o Senhor tanto amou, a ponto de comunicar-lhes os segredos da sabedoria do Alto. São os envergonhados do evangelho.
Cabe a vós, Majestade, manter abertos os ouvidos e a alma para tão justa causa, sobretudo por tratar-se de algo tão importante: manter intacta a glória de Deus na terra, preservar a dignidade e a honra de sua verdade, assegurar a integridade do reino de Cristo entre nós. A causa é digna de vossos ouvidos, digna de vosso escrutínio, digna de vosso trono. Pois um verdadeiro rei se reconhece como verdadeiro ministro de Deus no governo de seu reino. Em contrapartida, aquele que não reina com o propósito de servir à glória de Deus não exerce autoridade legítima, mas age como um ladrão. Engana-se quem espera longa prosperidade em um reino que não se submete ao cetro de Deus, ou seja, à sua santa Palavra, pois o edito celeste não pode mentir: Onde não há profecia, o povo se corrompe…
(Pv 29.18).
Não nos desprezeis por causa de nossa pequenez. Reconhecemos o quão pobres e abjetos somos; diante de Deus, quão miseráveis pecadores e, diante dos homens, vilipendiados, rejeitados e mesmo, se preferirdes, dejeto e excremento do mundo, ou até coisas ainda mais vis. A tal ponto que nada resta para nos gloriarmos diante de Deus, a não ser a graça (2Co 10) pela qual somos salvos, sem mérito algum. Diante dos homens, há apenas nossa fraqueza (Tt 3), que para todos é grande ignomínia (2Co 11, 12).
É necessário, porém, que nossa doutrina permaneça, sublime e insuperável, acima de toda a glória e de todo o poder do mundo. Pois ela não é nossa, mas, sim, do Deus vivo e de seu Cristo, que o Pai constituiu rei para dominar … de mar a mar, e desde o rio até as extremidades da terra
(Sl 72.8), ferindo … a terra com palavras de juízo…
(Is 11.4) para quebrar as nações com força e glória, … como se fossem um vaso de barro
(Sl 2.9). Assim os profetas predisseram a magnificência de seu reinado, pois abaterá os governos duros como o ferro e o bronze e brilhantes como o ouro e a prata (Dn 2.32).
É verdade que nossos adversários nos contradizem, afirmando que usamos a Palavra de Deus somente como pretexto e que a corrompemos perversamente. Mas vós, Majestade, segundo vossa prudência, podeis julgar, ao ler nossa confissão, o quanto tais reprimendas são, não somente maliciosa calúnia, mas de uma impudente audácia. No entanto, creio ser propício fornecer-vos aqui alguma introdução que auxilie vossa leitura.
Ao declarar que toda profecia fosse conforme o padrão da fé (Rm 12.8), são Paulo¹ estabeleceu uma regra certeira para testar toda interpretação da Escritura. Se nossa doutrina for examinada segundo essa regra de fé, sairemos vitoriosos. Pois o que pode convir melhor à fé, senão reconhecermos a nós mesmos como despidos de qualquer virtude para sermos revestidos por Deus? Vazios de todo bem, para sermos cheios por ele? Servos do pecado, para sermos libertos por ele? Cegos, para sermos por ele iluminados? Mancos, para que ele nos endireite? Débeis, para por ele sermos sustentados? Privados de toda glória, para que somente ele seja glorificado, e nós nele?
Nossos adversários apregoam que, ao falar desse modo, nós subvertemos não sei que ofuscante luz da natureza, um pacote de ideias que eles inventaram para nos dispor ao encontro de Deus: o livre-arbítrio, as obras meritórias para a salvação eterna e suas supererrogações
,² pois eles não conseguem suportar o louvor e a glória dados somente a Deus por toda bondade, toda virtude, toda justiça e sabedoria. Mas não lemos que são repreendidos os que bebem demais da fonte de águas vivas; pelo contrário, há reprimendas severas contra os que … cavaram para si cisternas, cisternas furadas, que não retêm água
(Jr 2.13). Além disso, nada poderia ser mais adequado à fé que o próprio Deus garantir-nos que é um Pai afável e bondoso, quando Cristo é reconhecido como irmão e propiciador, e podemos esperar todo bem e toda prosperidade de Deus, cuja afeição por nós foi tão grande que ele … não poupou nem o próprio Filho, mas, pelo contrário, o entregou por todos nós…
(Rm 8.32). Nele esperamos com toda confiança pela salvação e pela vida eterna com isto em mente: Cristo nos foi dado pelo Pai, em quem temos ocultos tantos tesouros.
Nossos adversários rejeitam tais asserções, declarando que nossa certeza é acompanhada de arrogância e presunção. Mas, assim como nada podemos presumir de nós mesmos, devemos presumir todas as coisas de Deus — por isso, não é sem razão que nos despojamos de toda glória vã, para nos gloriarmos em Deus. Que mais devo dizer? Considerai, ó valorosíssimo rei, cada aspecto de nossa causa e podereis julgar-nos os mais perversos dos perversos, caso não seja encontrado por vós manifestamente isto: …trabalhamos e lutamos, porque temos colocado nossa esperança no Deus vivo…
(1Tm 4.10). Porque cremos que a vida eterna
consiste em conhecer o único Deus verdadeiro, que enviou Jesus Cristo (Jo 17.3). É por essa esperança que alguns de nós fomos presos, açoitados, forçados a negar a fé, banidos, tratados com crueldade, obrigados ao exílio; todos temos sido atribulados, vistos como malditos e execráveis, injuriados e tratados desumanamente. Por outro lado, considerai nossos adversários — e aqui falo dos padres que inspiram e estimulam os que se nos opõem — e examinai um pouco comigo o que os anima. Com ousadia, eles se permitem (e permitem aos demais) ignorar, negligenciar e desprezar a verdadeira religião ensinada pelas Escrituras, que deveria ser acatada por todos. Pensam que não se deve atribuir grande importância à fé que cada um recebe ou não de Deus e de Cristo. O senso da fé implícita
, conforme afirmam, deve submeter-se ao escrutínio da igreja. E não se importam muito que a glória de Deus seja poluída por notórias blasfêmias, desde que ninguém se erga contra a autoridade da santa mãe igreja — que, para eles, é a cúria romana. Por que lutam com tanto rigor e rudeza pela missa, pelo purgatório, pelas peregrinações e outras ninharias, a ponto de negar que a verdadeira piedade subsista quando tais elementos não são aceitos nem mantidos com uma fé bastante explícita, mas sem prova alguma na Palavra de Deus? Com isso mostram que o deus deles é o estômago (Fp 3.9), e a cozinha, sua religião, sem os quais não mais se veem como cristãos, ou pior, sequer homens. Pois, embora uns vivam no deleite da abundância, enquanto outros subsistem roendo cascas, todos comem da mesma panela — que, sem tal ajuda, nada cozeria, ou antes congelaria por completo. É por isso que aquele que se preocupa mais com o ventre é quem tem mais zelo. Em suma, todos sustentam o mesmo propósito: manter incólume o reino e cheio o ventre.
Não há um só que demonstre o menor zelo; porém, não cessam de caluniar nossa doutrina, rebaixando-a e difamando-a de todos os modos possíveis para torná-la odiosa ou suspeita. Chamam-na nova
, de confecção recente, além de obscura e incerta. Indagam sobre quais milagres a confirmam e se seria razoável prescindir da aprovação de tantos pais da igreja, negligenciando tão longa tradição. Insistem em que reconheçamos a natureza cismática da doutrina, por guerrear contra a igreja, ou que declaremos ter estado como morta a igreja durante todos esses anos em que dela não houve menção alguma. Por fim, dizem que não é necessário usar de muito argumento, já que a doutrina será julgada por seus frutos: multidão de seitas, perturbações, sedições e incitação à malignidade. De fato, facilmente prevalecem diante de uma causa indefesa e abandonada, principalmente por contarem com a credulidade e a ignorância da população. Porém, se nos fosse dada a oportunidade de falar, estimo que se esfriaria um pouco o ardor com que nos combatem tão
