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Amores perfeitos - J. A. Gaiarsa
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Gaiarsa, J. A., 1920-2010.
Amores perfeitos / J. A. Gaiarsa. – 17. ed. rev. – São Paulo : Ágora, 2013.
Bibliografia.
ISBN 978-85-7183-128-5
1. Amor 2. Autorrealização (Psicologia) 3. Família 4. Relações interpessoais 5. Sexo (Psicologia) I. Título.
13-01015 CDD-158.2
Índice para catálogo sistemático:
1. Amor e família : Relações interpessoais : Psicologia aplicada 158.2
67968.jpgCompre em lugar de fotocopiar.
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Cada real que você dá pela fotocópia não autorizada de um livro financia o crime
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J. A. GAIARSA
AMORES PERFEITOS
agora.tifAMORES PERFEITOS
Copyright © 1994, 2004, 2013 by J. A. Gaiarsa
Direitos desta edição reservados por Summus Editorial
Editora executiva: Soraia Bini Cury
Editora assistente: Salete Del Guerra
Capa: Marianne Lépine
Foto de capa: Stefan Patay
Projeto gráfico, diagramação e produção de ePub: Crayon Editorial
Editora Ágora
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ESCLARECIMENTO
Este livro é uma transcrição revista de quatro palestras que fiz em Brasília, sob o mesmo título.
Algumas liberdades apresentadas no texto serão relevadas e compreendidas, sabendo-se que o principal foi originalmente falado – não escrito.
Há muito tempo não me preocupava tanto com uma palestra quanto dessa vez, ao realizar um antigo sonho. Recordando fatos, acho que esse sonho começou na adolescência, foi se desenvolvendo devagar ao longo da vida, da profissão, de leituras, congressos, da prática de sentimentos e de relacionamentos pessoais.
Espero que ao longo desta leitura vocês experimentem e sintam a mesma beleza que encontro no amadurecimento das ideias ora propostas.
Vocês sabem que Brasília está envolvida num certo halo místico-esotérico.
A ideia do amor perfeito
não tinha nada de improvisado, mas desenvolvê-la em público, em Brasília, foi uma decisão súbita, surpreendente até mesmo para mim. Como se verá, este livro propõe uma nova forma de cooperação e união entre os seres humanos. Por isso, talvez, esta exposição tenha sido feita em Brasília! Sincronismo!
Nunca havia feito palestra nem curso com este título: amores perfeitos. Muita gente me conhece da televisão, de livros, e deve saber que minha especialidade é falar mal da família – principalmente das mães. Vamos mostrar, ao lado de muitos outros fatos, de quantos modos a família torna difícil ou impossível a felicidade amorosa.
O autor
"O amor é o único milagre que existe. O amor é a escada do inferno para o céu. Aprendendo bem o amor, você aprendeu tudo. Perdendo o amor, toda a sua vida está perdida. As pessoas que me perguntam sobre Deus não estão realmente perguntando sobre Deus, mas declarando que não conheceram o que é o amor. Aquele que conheceu o amor conheceu o Amado; o amor é a percepção do Amado. Aquele que pergunta sobre a luz está simplesmente dizendo que é cego. Aquele que pergunta sobre Deus, está dizendo que seu coração não floresceu para o amor.
[...] Deus não deve ser procurado: onde você irá procurá-lo? Ele está em toda a parte; você só tem de aprender a abrir os seus olhos do amor. Uma vez que o amor penetrar em seu coração, Deus estará lá. Na emoção do amor está o Amado; na visão do amor está a visão de Deus."
Osho
A divina melodia (São Paulo, Cultrix, 1992)
Sumário
Capa
Ficha catalográfica
Folha de rosto
Créditos
Esclarecimento
Epígrafe
O mapa da mina e o tesouro escondido
Não é mais tempo de se reproduzir
Até hoje vivemos em regimes socioeconômicos de carência, e por isso de opressão e exploração
Para muitos, hoje, essa situação não existe mais. Meu livro é para esses
O excedente sexual
Há numerosos elementos favoráveis a uma distinção entre dois amores, o de família (reprodução) e o de transformação pessoal e simbiose social
Solidariedade, cooperação e simbiose amorosa
As duas espécies de amor
Igreja e sexo
Deuses e deusas
A família e o amor-recreação
A diferença começa na anatomia
Mono e poligamia
Onde encontro um homem
Uma das coisas mais difíceis do mundo é o entendimento profundo entre um homem e uma mulher
Amor, liberdade e surpresa andam juntos
Raízes pessoais
Na sagrada família, ninguém tem pinto nem xoxota
Como é difícil amar
A infantilização dos filhos
A salvação está na fuga
Homossexualidade e controle da natalidade
A salvação está nos amores (muitos)
A família × contato amoroso
Por que os órgãos sexuais são prazenteiros?
O ritual da comunhão
Segunda qualidade do contato vivo: o casulo
Terceira. Além dos tempos e dos outros
Quarta mágica do contato: criação contínua
Quinta mágica: panaceia universal
Porque todos vigiam a todos para que ninguém faça aquilo que todos querem
Podemos amar duas pessoas ao mesmo tempo?
Os portões do coração
A técnica
como negação do contato
O inconsciente é invisível – será mesmo?
É impossível disfarçar emoções
Iluminação recíproca
Assim somos nós, quando em estado amoroso – verdadeira reconquista da inocência e da visão
Amor, prazer e alegria – uma coisa só
O amor – eis o inimigo
Na hora do amor, não há quem manda nem quem obedece
O que há no templo sagrado do budismo tibetano?
O amor individualiza
Inconsciente quer dizer: faço sem perceber
O segredo da felicidade – primeira parte
O segredo da felicidade – segunda parte
Mãe e filho – unidos para sempre
Órfão – azar ou sorte?
Quanto mais profunda a fusão, mais se amplia e se consolida a individualidade
A mãe desiste de ser mulher
A primeira obrigação da mãe é ser feliz
Queremos muito e tememos muito as ligações afetivas. Primeiro, pela crítica social. Certo
é um namorado por vez (um senhor marido
) – e devagar!
O mais difícil do amor
Os homens deviam
– tanto
A solução está em criar uma nova ordem
A família é o maior estresse da vida porque você não pode ir embora nunca e tem de voltar sempre
Qual das duas é pior?
Cachorro é mais importante do que criança
Lidando com os preconceitos
A individualidade isolada tende a degenerar. Só o amor regenera a vida!
Não conheço nenhum sentimento pior do que o rancor matrimonial
O lixo de péssimos sentimentos e julgamentos que se joga sobre as relações amorosas é um horror
Em família carinho pode, mas carícia não
Nossa total falta de educação afetiva e sexual nos levou a um impasse mortífero e ridículo
Onde há amor não há religião
O fantástico valor biológico do contato
O contato corporal é mais vitalizante do que a nutrição!
O crime gritante contra a vida que são as maternidades
Precisamos aprender a cuidar melhor das crianças
Saúde e felicidade são sinônimos, assim como infelicidade e doença
Nascer sorrindo
As drogas do amor
Estado amoroso – loucura ou felicidade?
O tato é o sentido mais fundamental da vida
Os genitais não servem somente para as relações sexuais
Paixão e ciúme de babuíno
Amor e família – sem pinto nem xoxota
Milagre de Satanás: amor que separa
Todas as declarações são verdadeiras
Fazer de conta que não tem corpo nem pinto é o pior que se pode fazer
Que cara eu faço?
Vamos encerrar com duas palavras bonitas: órgão
e tocar
TV – a fofoqueira máxima
Como a família poderá continuar a ser aquele calhambeque velho no centro da espaçonave?
Mestre é quem sabe aprender
Risco é vida
Quem não se envolve não se desenvolve
Porque o mais difícil ninguém fala: como se faz para não se envolver?
Duas histórias edificantes
Nossa história da humanidade é uma história de desumanidades
A televisão mostra a realidade
de muitos ângulos e de muitas distâncias
Amor e desenvolvimento pessoal
O poder divino da cooperação humana
Da cooperação compulsória para a simbiose amorosa
Paradoxo: o que em mim não sou eu é mais vital para mim do que eu!
Microcosmo concreto
E depois em simbiose cósmica
A troca – só os humanos a realizam
Os dois ganhavam com a troca
Ciúme: o pior inimigo dos amores
Amor e individualidade
Encantamento
Os meus casamentos
Fazemos bem pouco do que dizemos e dizemos quase nada do que fazemos
Assim como está eu não quero – tchau!
Não prometíamos nada
É i-d-i-o-t-a!
A busca do estado amoroso
Paciente e terapeuta
Nenhum amor de obrigação – mesmo que de pai para filho – supre carência afetiva
O pior inimigo da mulher é a mulher
Um fígado sem corpo e um corpo sem personalidade, sem circunstância nem contexto
A força mais poderosa que atua sobre as pessoas é a sugestão coletiva
A repetição é a defesa contra a criação
A força desse pensamento está na repetição e pouco tem que ver com a veracidade da afirmação
Os inimigos – o sistema e a família
As mães são o DNA da tradição social
Tantra: a meditação erótica
Educar – para nós – é restringir movimentos
Que a sacerdotisa assuma o ritual!
A mulher é a sacerdotisa do tantra
Meu professor de tantra
Não existe teoria desligada da história do seu autor
Verdade profunda e imbecil: todos vigiam e controlam todos, para que ninguém faça aquilo que todos querem fazer
Minha culpa: eu me condeno pelo que não faço
Só os seres humanos podem viver distraídos
Mortal para a humanidade é o poder, a dominação, a opressão e a exploração
Portanto, toda projeção é recíproca
Onde está o terapeuta?
Sempre que estiver ameaçando ficar muito feio, separa
A moléstia imaginária
Por isso, a principal causa mortis dos aidéticos é a fome
Guarda-costas e camisinha
A solução está em nós
Intermezzo melancólico
A repetição é a defesa contra a criação
O que eu não digo em palavras aparece em meu rosto ou no meu tom de voz
Mensagem: no casamento, a rotina é pior do que uma amante
No casamento, a rotina é pior do que uma amante
Os centros de prazer do cérebro nos dizem
: só o amor constrói!
No casamento, uma amante é melhor do que a rotina
A rotina não é só a morte do amor
Cooperação, centro de prazer e sonhos
Falta a cooperação por prazer, por gosto – por amor
Centros cerebrais de prazer
Agora estão surgindo livros médicos mostrando que prazer e felicidade são a maior garantia de saúde
Um fim de semana
Amor, sexo e sonho
Despedida
Felicidade familiar
Referências bibliográficas
O MAPA DA MINA E O TESOURO ESCONDIDO
O tesouro contido neste livro pode permanecer escondido porque o texto resultou de várias conferências; portanto, ele não foi escrito, mas falado, e, como fico muito ligado ao público, seguia um caminho tortuoso ao longo do mapa, conforme a reação da plateia.
Aceitamos comentários e perguntas do público após cada uma das três palestras. De um lado, foi bom, trazendo as grandes teses para o concreto e o prático; de outro, resultaram mais desvios em relação ao caminho do tesouro.
Cada um dos grandes apoios para a tese central envolve argumentação variada, de bactérias a chimpanzés, de opressão a simbiose.
Por isso apresentamos aqui um resumo bem compacto da tese central que é, ao mesmo tempo, nosso ato de fé e de esperança em um mundo melhor.
NÃO É MAIS TEMPO DE SE REPRODUZIR
A bomba populacional está se mostrando mais destrutiva do que a termonuclear. No exame da história das guerras aponta-se um motivo compreensível para elas, quase legítimo. Fator poderoso a sustentar essa loucura destrutiva da humanidade sempre foi a carência alimentar.
Como todas as espécies viventes, também a nossa, ao encontrar ambiente favorável (alimentação abundante), intensifica sua reprodução até saturar a região. A escassez de recursos produz inquietação do povo e esse fator reforça a megalomania dos poderosos. Toda guerra é um assalto coletivo.
ATÉ HOJE VIVEMOS EM REGIMES SOCIOECONÔMICOS DE CARÊNCIA, E POR ISSO DE OPRESSÃO E EXPLORAÇÃO
Diante da falta do essencial, as pessoas se inquietam e surge o risco da guerra de todos contra todos. Nesse clima, a SEGURANÇA se torna o sonho coletivo, e ninguém se pergunta seu custo em termos de realização pessoal, felicidade amorosa e solidariedade humana. Todos os impérios surgiram daí: melhor um poderoso, por mais louco que seja, do que cada um contra todos e todos contra cada um!
O microefeito dessa mesma situação foi a instituição da família, quase sempre tida – ou exigida – como monogâmica, não obstante a experiência universal das relações extraconjugais e da prostituição.
A monogamia assegura a posse continuada dos bens. O matrimônio é a garantia do patrimônio. A família não se constituiu nem para a felicidade nem para a realização pessoal.
Enfim, para surpresa de muitos, a família está longe de ser o melhor ambiente e a melhor influência na educação/formação da criança. Ela também se subordina à segurança e se põe sempre a favor do sistema vigente, fazendo-se a primeira e a mais fundamental instância repressora – a fim de preparar o cidadão para o mundo que está aí; de novo, com pouco respeito pelo amor individual e pelo desenvolvimento global da criança.
Pouco respeito, enfim, pela solidariedade humana; os meus
são quase tudo e os outros
– ora, os outros... Paradoxo: NADA se opõe mais à solidariedade humana do que a família.
PARA MUITOS, HOJE, ESSA SITUAÇÃO NÃO EXISTE MAIS. MEU LIVRO É PARA ESSES
Quem ou quais muitos? Para todos os que estão no quarto superior em matéria de pirâmide social, os que gozam de evidentes vantagens e benefícios e ultrapassaram as carências básicas. São os privilegiados, seja do primeiro, seja do segundo mundo.
É deles que nascem as novas direções da humanidade.
O EXCEDENTE SEXUAL
Basta lembrar o número de espermatozoides por ejaculação e o número de neonatos comparado com o número de relações sexuais para se dar conta desse excedente. Foi daí, aliás, que surgiu a intuição básica do tesouro. Este livro permaneceu muitos anos em minha mente sob o título de Funções não reprodutoras da sexualidade. Esse excedente não poderia ser reaproveitado em outra função? Estaria a natureza pensando
em algo parecido? Aqui temos a energia necessária ao processo. Notar que já existem numerosos indícios de algo parecido, como se mostra no livro. Em geral, quanto mais diferenciado o grupo animal, maior a proximidade permanente entre machos e fêmeas – independentemente do cio; além disso, multiplicação dos períodos e das variedades de carícias e contatos entre os animais do mesmo bando, assim como muita proximidade, durante muito tempo, entre filhotes e mães. O sexo, mesmo entre os primatas, parece estar de algum modo se sublimando em contato carinhoso, carícia, aconchego e prazer.
As vantagens? Muita solidariedade dos elementos do bando e alta disposição para a cooperação, além de redução da agressividade entre eles. O melhor cimento social é o prazer fácil – e, apesar disso, profundo – entre os indivíduos dos grupos sociais.
HÁ NUMEROSOS ELEMENTOS FAVORÁVEIS A UMA DISTINÇÃO ENTRE DOIS AMORES, O DE FAMÍLIA (REPRODUÇÃO) E O DE TRANSFORMAÇÃO PESSOAL E SIMBIOSE SOCIAL
Esse é um dos pontos mais fortes do livro, que expõe um cortejo de fatos a favor da tese. Em detalhe discutem-se também, ao mesmo tempo, a posição relativa entre os dois amores e as péssimas consequências da mistura de ambos. São tão graúdos e poderosos os preconceitos sobre a família que poucos percebem até que ponto ela é contrária ao desenvolvimento humano, à educação de nossos filhos, ao desenvolvimento pessoal – à nossa humanização. Só o amor pode nos humanizar, e a família é o principal obstáculo à expansão do amor entre as pessoas. Essência do delírio familiar da sociedade: qualquer um pode ser tudo para o outro, a vida toda, todos os dias da vida, todas as horas do dia... Vivemos falando de amor, mas há muito pouco amor entre as pessoas. Por quê? Porque o amor é o fim da dominação e da opressão, é o grande nivelador da pirâmide de poder. Duas pessoas em envolvimento amoroso não têm posição
social, profissional, econômica ou qualquer outra. Separação igualmente importante que procuramos estabelecer é entre sexualidade e contato/carícia. São duas formas de amor bem distintas, que se fizeram de forma preconceituosa uma só – a fim de impedir a solidariedade. Para o bárbaro preconceituoso que nos habita, se se entra em contato ou se se faz uma carícia, só pode ser para daí a pouco manter relações sexuais. Há fatos numerosos mostrando que contato e sexualidade são dois universos distintos, ambos legítimos, cada um com funções próprias.
SOLIDARIEDADE, COOPERAÇÃO E SIMBIOSE AMOROSA
A meu ver, esse é o ponto mais alto do livro. Mostramos com riqueza de fatos e argumentos, próprios e alheios, quanto o homem é senhor da Terra por sua capacidade dupla de fazer trocas e cooperar. Mesmo cooperando à força e sob a ameaça permanente de espancamento ou morte, mesmo assim fizemos, JUNTOS, coisas espantosas e maravilhosas – de uma pirâmide até um grande jato intercontinental. Contra a famosa e competitiva sobrevivência (e reprodução) do mais apto
, a nossa biologia levanta outro estandarte: a poderosa força da simbiose, muito mais eficiente do que a competição. Para sustentar essa força poderosa, a natureza elaborou o estado amoroso, o encantamento e a magia do amor entre dois ou mais seres humanos. Nada pode nos solidarizar mais do que experimentar com muitas pessoas este estado divino – no entanto, tão malfalado. Porque ele destrói o poder e a segurança; a segurança do sempre igual, de todos iguais, da eterna repetição de nossa eterna desgraça.
Convicção e temor primário expressos nestas páginas: ou aprendemos a nos amar, ou seremos a mais original das espécies viventes, uma espécie suicida, autodestrutiva.
Já avançamos bastante nessa direção, com o crescimento da miséria, da poluição, da produção descontrolada de armas e da falta de solidariedade entre as pessoas e os países.
Em dez mil anos de história nunca houve um ano de paz na Terra!
Haverá, um dia?
1
AS DUAS ESPÉCIES DE AMOR
A ideia central é esta: existem dois grupos de sentimentos chamados amor. Um tipo teria o nome de amor familiar, o necessário para a reprodução, para o cuidado com a prole, para a continuação da espécie.
O outro amor foi feito para estimular a vitalidade, orientar e organizar o desenvolvimento das pessoas e amorificar laços sociais.
Até hoje temos feito confusão e pressão para fazer dos dois uma coisa só. Amor é um só. E amor potencialmente é sempre família, mesmo que não chegue lá. Quando não chega lá, as mães – e o povo – dizem: Namorou durante três anos e não deu certo
, isto é, não deu casamento. Esses dois amores sempre estiveram bem misturados
na cabeça e no coração das pessoas; no entanto, se passarmos em revista fatos familiares da história, veremos que a divisão aqui proposta existiu desde sempre.
IGREJA E SEXO
É interessante lembrar o que ocorre na Igreja Católica, talvez a mais rigorosa, a mais moralista. Basta lembrar dos sermões de muitos papas que condenam os métodos anticoncepcionais e o aborto. Alguns deles quiseram ver de perto a desgraça do mundo – não há como negar –, mas parecem não ter se dado conta de estar pregando a continuação interminável dessa desgraça ao fazer todo o possível para que nossa reprodução continue tão descontrolada e irresponsável como foi até hoje. No entanto, a própria Igreja Católica separava, antigamente, pecados da carne
em mortais e veniais. Se você for casado e não impedir a reprodução, não há pecado; mas, se você impede a reprodução, aí é um pecado mortal. A Igreja, que defendia incisivamente a reprodução, aceitava a sexualidade não reprodutora, que existiria também para amenizar a famosa concupiscência da carne
– palavras estranhíssimas para nós, hoje em dia. A concupiscência da carne nada mais é que a inquietude da contenção sexual.
Então, a própria Igreja via bem os dois aspectos: o básico é a reprodução, se quiser outras coisas nesse sentido, pode, contanto que não impeça a reprodução.
DEUSES E DEUSAS
Para os gregos e romanos era muito nítida essa divisão do amor entre as deusas. Ceres era a deusa da
