Anorexia, Bulimia e o Ambiente Familiar
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Pré-visualização do livro
Anorexia, Bulimia e o Ambiente Familiar - Suzana Rennó
Agradecimentos
Ao José Luiz (in memoriam),
que sempre me incentivou profissionalmente.
Aos meus filhos Rodrigo, Marcelo, Mariana e
ao meu neto Ricardo, que são minha razão de viver.
Ao Alessandro Cataldo, que me apresentou aos
desconcertantes caminhos dos transtornos alimentares.
Aos meus pacientes, que me ensinaram
a esperar e acreditar na recuperação.
Suzana Rennó
Introdução
por Suzana Rennó
Esses textos resultam de muitos anos de estudo e atendimento aos pacientes e às suas famílias, seguindo as regras do trabalho terapêutico e buscando alternativas e ideias novas para ajudá-los nessa luta cotidiana.
Alessandro Cataldo é médico com especialização em Endocrinologia e trabalhou por décadas nessa área. Após se interessar por Psicanálise, uniu esses conhecimentos aos da Medicina e iniciou o tratamento dos transtornos alimentares de uma forma mais abrangente.
Sou psicóloga e psicanalista, com especialização em Terapia de Famílias e juntei-me a ele em um trabalho para auxílio dessas famílias. Durante vários anos, trabalhamos com diversos casos atendidos nessa área.
Com o tempo, tivemos a ideia de lançar um blog e depois um site, com a intenção de informar, esclarecer e difundir nosso trabalho.
Atualmente, com a publicação deste livro que reúne os principais temas abordados no blog, esperamos levar a um número maior de pessoas, esclarecimentos suficientes para que aprendam a identificar e a reconhecer algumas dessas doenças, mais especificamente a anorexia e a bulimia.
Um dos maiores perigos dos distúrbios relacionados aos transtornos alimentares é exatamente o pouco conhecimento acerca dessas doenças que, não raro, não são diagnosticadas corretamente ou são, simplesmente, ignoradas pelas suas vítimas e parentes. Essas doenças são sérias e perigosas porque começam de uma forma branda e, sorrateiramente, vão ganhando espaço e ameaçando a vida dos jovens.
Quando os jovens adquirem comportamentos destrutivos, passam a ideia de que é só mais uma dieta, uma forma diferente de perder peso ou de se ter uma vida mais saudável. Porém, aos poucos, os pais vão se dando conta de que algo está errado, de que há certo exagero no ar e, quando observam bem, o seu filho já apresenta uma aparência doentia, com hábitos extremamente nocivos à saúde.
A princípio, os pais ficam muito confusos, reclamam, brigam, mas os argumentos apresentados pelos jovens para continuarem com esses comportamentos, algumas vezes, até os convencem da necessidade de segui-los. Depois percebem o absurdo da situação, se apavoram, mas não sabem o que, ou como fazer, para ajudá-los.
É tão simples voltarem a se alimentar de uma forma adequada, por que não o fazem? Para que precisam de tantos exercícios se o corpo já está exaurido pela pouca alimentação? E os vômitos? São situações inexplicáveis, que deixam os pais confusos e desorientados.
Muitos pais sequer ouviram falar em transtornos alimentares e ficam perdidos com a falta de lógica dos comportamentos, sem querer acreditar que seus filhos, antes tão dóceis, equilibrados e bons alunos, possuem uma dessas doenças tão terríveis!
Por isso, a demora no tempo para se buscar ajuda profissional costuma ser longa e, quando ela chega, de uma maneira geral, a doença já está instalada.
Os tratamentos são bastante longos, com várias idas e vindas de melhoras e recaídas, necessitando dos pais, principalmente, e das famílias, como um todo, muita paciência, compreensão e tolerância.
O jovem, até por uma característica da doença e por achar que suas atitudes possuem uma lógica própria, não aceita o tratamento e o rejeita por senti-lo desnecessário.
É desejável que a equipe terapêutica possua experiência no trato com a doença para que, aos poucos, quando a situação favorecer, ganhe a confiança desse jovem e o tratamento se inicie.
Cada família e cada adolescente possuem a sua particularidade, mas alguns aspectos são comuns como o fechamento do paciente, confusões na organização familiar, pai ausente.
Todos os casos necessitam de muita dedicação, paciência, tempo longo e compreensão por parte da família e da equipe terapêutica.
São doenças insidiosas e precisamos sempre estar abertos a movimentos diversos no tratamento, para ajudar a nossa relação com o paciente e também para estar ao lado deles nos momentos em que terão de enfrentar os danos que a doença traz. Essa flexibilidade é fundamental para o andamento e a continuação do tratamento.
Esses pacientes vivem sentimentos de dependência, ao mesmo tempo em que se apavoram com o risco de não serem aceitos pelo outro.
O tratamento precisa ser desenvolvido com a atenção voltada para esses fatos, percebendo as estratégias desenvolvidas e os mecanismos de defesa usados.
Aceitar o outro, para eles, é extremamente difícil. Vivem uma verdadeira batalha para que isto aconteça, pois há um legítimo terror de se sentirem dependentes.
É necessário um sentimento de generosidade e aceitação por parte do terapeuta para que suporte a rejeição demonstrada pelos pacientes.
O fato de haver essa postura de aceitação aumenta a ameaça de abandono, pois o paciente consegue se aproximar do terapeuta.
