Doenças Contemporâneas Relacionadas à Alimentação: Contribuições da Psicanálise
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Sobre este e-book
Doenças contemporâneas relacionadas à alimentação propõe, por meio de um diálogo com a psicanálise, ajudar a responder essas e outras indagações. Partindo da minha prática clínica em nutrição, em que percebo uma grande insatisfação dos sujeitos contemporâneos com seu corpo, e de comportamentos alimentares incorretos que geram transtornos alimentares, surgiram as indagações sobre as causas que contribuem para esse mal-estar e os caminhos que podemos traçar na clínica para um alerta mais precoce ao desenvolvimento de tais transtornos. Para isso, recorro a autores referência nas áreas, aos conceitos freudianos de pulsão e transferência e à leitura de Jaques Lacan. Tudo isso com a intenção de provocar reflexões sobre as possibilidades de direção clínica de profissionais de saúde com as contribuições da psicanálise.
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Doenças Contemporâneas Relacionadas à Alimentação - Maria Angélica Fiut
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO MULTIDISCIPLINARIDADES EM SAÚDE E HUMANIDADES
A meu marido e amigo, Vilson, companheiro de muitas jornadas, pelo tempo e espaço e pela presença firme e leve. A minha filha, Natália... é sempre por você. A toda minha família, que sempre me ofereceu apoio incondicional, impulsionando-me a prosseguir.
À memória de meu pai, Nestor, com imensa gratidão e saudade.
A todos meus pacientes que acreditam no meu trabalho.
A todos meus alunos que me motivam a continuar.
AGRADECIMENTOS
Meus agradecimentos a todos que, direta ou indiretamente, participaram da realização deste trabalho.
Em especial, meu mais sincero muito obrigada a minha orientadora de mestrado Prof.ª Dr.ª Betty Bernardo Fuks, por ter me apresentado à psicanálise e me conduzido nesta tarefa de forma tão firme e cuidadosa.
Quero agradecer também à querida Prof.ª Dr.ª Joana Novaes, por ser sempre fonte de inspiração.
A todos os profissionais de saúde que convivo diariamente e que comigo compartilham ideias, angústias e conhecimento.
AS CONTRADIÇÕES DO CORPO
Meu corpo não é meu corpo, é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me e é de tal modo sagaz que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente, meu envelope selado, meu revólver de assustar, tornou-se meu carcereiro, me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seus patos, me ataca, fere e condena por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico está em fazer-me doente.
Joga-me o peso dos males que ele tece a cada instante e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor a fim de torna-la interna,
integrante do meu Id, ofuscadora da luz que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte sem que eu saiba ou que deseje, e nesse prazer maligno, que suas células impregna, do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar como senhor do meu Eu convertido em cão servil.
Meu prazer mais refinado, não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace, e dá mastigados restos à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me, por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso de sua carne poluída, seu tédio, seu desconforto. Quero romper com meu corpo, quero enfrenta-lo, acusa-lo, por abolir minha essência, mas ele sequer me escuta e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era: com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.
(Carlos Drummond de Andrade)
Prefácio
DOENÇAS CONTEMPORÂNEAS RELACIONADAS
À ALIMENTAÇÃO
Contribuições da psicanálise
A alimentação, enquanto um aspecto da vida cotidiana do sujeito, é um veículo de produção de sentido e saúde, de modo que a comensalidade trata, pois, de um comportamento coletivo, além de individual. No Brasil, nas últimas décadas, observaram-se mudanças significativas nos aspectos subjetivos ligados ao comer. Aos discursos normativos, creditam-se as funções prescritivas relativas à promoção da saúde. Tal fato gerou uma mudança de costumes, como também do perfil epidemiológico de algumas doenças relacionadas ao comportamento alimentar.
Na contemporaneidade, o corpo enquanto capital (Bourdieu, 1980) é lócus fundamental de investimentos. Simultaneamente, a comida como um valor fez com que migrássemos da desnutrição, como um sintoma social das classes populares (Castro, 1980) para a obesidade enquanto um problema de saúde pública, que atinge, majoritariamente, os setores menos favorecidos da população brasileira.
O corpo entrou em cena e com ele inúmeras práticas para se fugir da feiura, ancoradas na premissa de que a adesão à corpolatria está associada às práticas de bem viver, bem como à tentativa de escapar da exclusão socialmente validade gerada pela gordura.
Sendo assim, dentro desse cenário, o que levaria ao crescimento da incidência das patologias ligadas aos Transtornos da oralidade, além da inequívoca constatação de um agudo sofrimento psíquico ligado à imagem corporal?
Para respondermos a tal indagação, é necessário tomarmos como ponto de partida um dos grandes paradoxos do culto ao corpo na sociedade de consumo, qual seja: o fato de sermos, em um só tempo, uma cultura obesogênica e lipofóbica. Adicionalmente, responsabilizamos o sujeito por sua aparência, imputando-lhe a culpa por quaisquer eventuais desvios estéticos.
Nesse sentido, a beleza deixou de ser um direito para transformar-se em um dever... solo fértil para o crescimento das chamadas Doenças da Beleza¹ - uma das expressões contemporâneas do mal-estar vivido no corpo, resultante do fenômeno social de moralização da beleza, tal qual descrito por Baudrillard (1970).
Mas o que significaria ser feio nos dias atuais? Certamente, a gordura figura como uma das representações sociais mais emblemáticas da feiura. Dentro dessa lógica é, então, possível compreender os julgamentos morais depreciativos como uma punição para todos aqueles que não aderem ao projeto moral do culto ao corpo, conforme citado anteriormente.
No trabalho dos profissionais de nutrição, é comum o relato de sujeitos que padecem de uma estranha dor - o sofrimento de não conseguir exercer um controle eficiente da oralidade. Essa parece ser uma demanda com a qual demais profissionais da área de saúde enfrentam, no que tange à prevenção, ao cuidado e também à promoção da saúde. Falas como: engordo e não sei como parar ou; sei que já estou magra, ainda assim, meu desejo é continuar a perder peso, são ilustrativas do tipo de sintoma mencionado.
Os Transtornos Alimentares, especialmente nas últimas décadas, têm sido objeto de muitas investigações científicas. Pesquisadores como Brian Lask (2000), J. Mitchel (2001) e T. Cordás (2004) têm demonstrado o caráter multifatorial em sua etiologia e são unânimes em reconhecer os aspectos constitucionais, sociais, culturais, familiares e de personalidade na origem desses distúrbios, parecendo haver um consenso acerca de uma abordagem multidisciplinar para que haja maior adesão desse tipo de paciente ao tratamento.
Nesse sentido, ratificam a importância de uma abordagem que considere a complexidade clínica no tratamento dessas patologias. Devido a essa complexidade, faz-se necessário avaliar os aspectos físicos, sociais e psicológicos dos pacientes, de modo a propor uma terapêutica multidisciplinar estruturada e que integre profissionais de diferentes áreas: médico, psiquiatra, nutricionista,
