Compulsão Alimentar e Obesidade em Lupa
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Sobre este e-book
O livro expõe, também, os mecanismos psíquicos que impulsionam o sujeito a comer sem se preocupar com a qualidade e quantidade de alimento que ingere. Discorre sobre o significado da obesidade na percepção de sujeitos obesos e os eventos envolvidos no ganho de peso. Destaca que o sujeito obeso em crise apresenta sofrimento psíquico persistente, desencadeante de defesas primitivas que permitem a liberação momentânea do autocontrole e fazem sumir as contradições e proibições.
O comer compulsivo pode ser uma ação impulsiva e irrefreável frente à comida para manter afastadas da consciência experiências ansiogênicas e conteúdos psíquicos conflituosos. Neste cenário, o/a psicoterapeuta/analista poderá criar um clima de segurança, de confiança e de respeito, para que o sujeito possa flexibilizar as defesas, ser acolhido em suas questões, refletir acerca das posições que ocupa na vida e ser assistido em suas relações objetais, até que surja, gradativamente, o enriquecimento da parte saudável, o resgate da potência de vida do sujeito, o retorno da capacidade criativa de simbolizar, de elaborar, de representar e de constituir novos vínculos para descentrar a relação compulsiva com o objeto alimento.
O estudo foi realizado por meio de pesquisa de campo exploratória, com policiais militares em uma unidade policial onde o vigor físico e a saúde do corpo são altamente valorizados e fundamentais para o desempenho das tarefas profissionais. As principais bases de dados consultadas foram Lilacs, Medline, Bireme, Proquest, Psycinfo, Web of Science e Scielo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário, entrevista e sessões psicoterapêuticas. Os dados foram analisados a partir da perspectiva da análise do discurso mesclando com os referenciais teóricos psicanalíticos, especialmente de Freud e Winnicott.
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Compulsão Alimentar e Obesidade em Lupa - Ana Paula Pena
COMIDA – Titãs, Os Paralamas do Sucesso
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor
A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê? (De quê?)
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida
A gente quer…
AGRADECIMENTOS
Dedico este trabalho aos meus amados pais Vicentina e José Pena, que me encorajaram a vencer os desafios. Aos meus admirados irmãos Reginaldo, Regilaine e Patrícia, pela firmeza dos laços e, em especial, ao meu irmão Júnior, que me apoiou e abriu muitos caminhos. Ao meu marido Márcio Júnior, pelo amor e incentivos e aos meus filhos Marco Thúlio e Sophia, pela ternura.
Agradeço à minha orientadora Profa. Dra. Terezinha de Camargo Viana, pela valiosa orientação, pelas críticas e sugestões produtivas, pelas reuniões bem humoradas, que despertaram pensamentos significativos e importantes. Receba o meu sincero reconhecimento.
Em especial sou grata à Prof.ª Dra. Eliana Rigotto Lazzarini, pelas discussões e produções, pela amizade e confiança e por ter me incentivado a encontrar muitos caminhos. Receba toda minha gratidão pelo universo que me abriu.
De modo mais que especial agradeço à Dra. Márcia Teresa Portela de Carvalho, pelo admirável exemplo acadêmico e clínico, principalmente pelo acolhimento, carinho e afeto, fundamentais para a realização deste percurso. Sou extremamente grata por tudo que compartilhou.
Ao gestor da unidade Policial Militar que acolheu a solicitação do desenvolvimento da pesquisa de campo e aos participantes, pela confiança em compartilhar suas histórias de vida.
Às amigas Raquel Scartezini, Elzilaine Domingues e Paula Sobral, pela amizade, companhia, pensamentos compartilhados, leituras, discussões, sugestões, apoio, acolhimento e incentivo.
À amiga Ana, que mesmo estando longe marcou sobremaneira este percurso colaborando com acolhimento, afeto, leituras e incentivos.
Às companheiras Ananda Yamasaki, Bianca Soll e Caroline França, que estiveram presentes na pesquisa de campo e nas supervisões. Agradeço pelas discussões, confiança e contribuições.
Aos amigos Juliane Gurgel e Eduardo Pedra, pela companhia nos desafios esportivos inspiradores. Obrigada pela amizade e parceria.
Ao grupo de orientação, pelas contribuições e ensinamentos. Em especial ao Henrique Fróes, pelas discussões e aulas que ministramos juntos.
À amiga Karina Gurgel, companheira da graduação e do percurso do mestrado. Obrigada pelo incentivo e disponibilidade.
Aos membros da banca, por examinar o trabalho e discutir o tema conosco.
Aos Professores do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília, aos colegas, aos alunos da graduação e a todos aqueles que não estão citados aqui e que enriqueceram este trabalho com suas manifestações diversas.
Muito obrigada, leitores e leitoras.
SUMÁRIO
Capa
Folha de Rosto
Créditos
INTRODUÇÃO
PRIMEIRA PARTE
CAPÍTULO I. RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO
1.1 INSTRUMENTOS DE PESQUISA E COLETA DOS DADOS
1.2 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
1.2.1 Anamnese
1.2.2 Episódios da compulsão alimentar
1.2.3 Obesidade: referencial da alteridade
1.2.4 De magro a gordo: o couro grosso que protege
1.2.5 Imagem corporal
1.2.6 Reivindicações do cotidiano
CONCLUSÃO
SEGUNDA PARTE
CAPÍTULO I. OBESIDADE NA CONTEMPORANEIDADE
1.1 DIAGNÓSTICO MÉDICO DA OBESIDADE
1.2 INCIDÊNCIA DA OBESIDADE NA ATUALIDADE
1.3 POLÍTICAS PÚBLICAS: PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA OBESIDADE
1.4 SIGNIFICADOS DA OBESIDADE NA HISTÓRIA
1.5 A MÍDIA, A MODA E AS DIETAS
1.6 OBESIDADE: VIÉS PSICANALÍTICO
CAPÍTULO II. COMPULSÃO ALIMENTAR/BINGE EATING
2.1 TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA
2.2 DA COMPULSÃO À COMPULSÃO ALIMENTAR
2.3 PULSÃO E O ALIMENTO
2.4 FASE ORAL E O DESENVOLVIMENTO DAS RELAÇÕES OBJETAIS
REFERÊNCIAS
ANEXO 1 - QUESTIONÁRIO
ANEXO 2. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Landmarks
Capa
Folha de Rosto
Página de Créditos
Sumário
Bibliografia
INTRODUÇÃO
O aumento substancial na incidência da obesidade nas sociedades industrializadas do ocidente tornou-se uma constante a partir dos anos 50. Entendemos que a compreensão do fenômeno deve incluir a abordagem do contexto sociocultural. Dizemos isso porque evidenciamos que as sociedades ocidentais contemporâneas vivem atualmente sob o ideal da magreza e da boa forma física. Ao mesmo tempo, observamos uma oferta abundante de alimentos de alto teor calórico e de rápido consumo, com o agravante do sedentarismo da vida cotidiana.
Os estudos de Segal, Cardeal e Cordas (2002) mostraram que a obesidade está comprovadamente associada à mortalidade por intermédio de doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus, aterosclerose, insuficiência coronariana, doenças cerebrovasculares, osteoartrose, colecistopatia, gota, apneia obstrutiva do sono e outras.
Os aumentos nos índices da prevalência da obesidade sugerem que o fenômeno deve ser considerado epidemia global a partir do século XXI. A Organização Mundial da Saúde (2004) evidencia que entre 1995 e 2000, os índices de obesidade passaram de 200 para 300 milhões, totalizando quase 15% da população mundial, sendo que em 2025 o Brasil poderá ser o quinto país no mundo a apresentar mais pessoas com problemas de obesidade.
A etimologia da palavra obesidade vem do latim obesitas (gordura em excesso), de obdere (comer muito, devorar), formado por ob (sobre) e edere (comer). Neste sentido, parece haver uma relação direta entre obesidade e o comer em excesso.
No DSM IV (1995) existe uma categoria diagnóstica denominada Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica identificada como comportamento alimentar caracterizado pela ingestão de grande quantidade de comida em um período de tempo delimitado, acompanhado de sensações de perda de controle sobre o que ou o quanto se come, entretanto, encontra-se, entre os Transtornos Alimentares sem outras Especificações
.
A obesidade, por sua vez, é caracterizada como etiologia multifatorial e encontra-se na Classificação Internacional das Doenças (CID-10), é considerada uma entidade nosológica clínica e não psiquiátrica.
Neste contexto, o sujeito obeso que busca tratamento poderá receber o diagnóstico da obesidade associado ao Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica e encaminhado para o tratamento psicológico, ao passo que muitos obesos que apresentam, somente, episódios
da compulsão alimentar, e não preenchem todos os critérios diagnósticos estabelecidos no Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Americana de Psiquiatria/DSM-IV não serão encaminhados para o acompanhamento psicológico.
Estudos apontam que a obesidade associada à compulsão alimentar pode evidenciar desdobramentos psicológicos ligados à carência materna/paterna, à ansiedade, à intolerância à espera, à sensação de perda de controle de si, à baixa autoestima, à dificuldade na diferenciação dos limites e ao empobrecimento na simbolização. Dessa forma, os sujeitos que apresentam obesidade associada aos episódios da compulsão alimentar podem estar sendo negligenciados, ou seja, não estão sendo encaminhados para o tratamento psicológico, o que pode contribuir para o aumento da incidência da obesidade.
Os estudos de Borges (1998) mostraram que os sujeitos com obesidade associada à compulsão alimentar apresentaram psicopatologias mais graves do que sujeitos obesos que não apresentavam a compulsão alimentar. Dessa forma, considerar os aspectos psíquicos envolvidos na obesidade associada à compulsão alimentar torna-se essencial.
No que concerne aos aspectos psicológicos, os estudos psicanalíticos a respeito da obesidade nos mostraram que os sujeitos obesos enfrentam conflitos psíquicos que afetam a oralidade e a imagem corporal. Muitas vezes, o alimento é utilizado para proteger o sujeito da ansiedade, da angústia, da preocupação e da solidão. Outra característica posta nos estudos psicanalíticos refere-se à paralisação do sujeito obeso que se torna observador, deixando de ser protagonista da sua própria vida. A transgressão das regras alimentares e disciplinas corporais passam a ser recurso singular da identidade do sujeito obeso, resultando em prazer e dor. Os sentimos de inadequação e baixa autoestima são recorrentes (Castro, 2009; Spada, 2009; Gondar, 2001; Amorim & Sant’anna, 1999; Santos, Peres & Benez, 2002; McDougall, 1983, Brusset 1992, Vilhena, Novaes & Rocha, 2008; Ocariz, 2002).
As políticas públicas, em diversas ações, estão imbricadas com o controle da ordem do emagrecimento e, muitas vezes, colocam o obeso no lugar do sujeito que não consegue se conduzir, ao passo que as características psicológicas do sujeito obeso demonstram a demanda de espaços nos quais ele possa perceber as posições que ocupa na vida, bem como ser assistido e viver experiências de percepção da sua potência de pulsar e expressá-la, plenamente, de forma saudável para que consiga perceber os seus próprios limites e adquirir, gradualmente, as capacidades de autorregulação, de autonomia e de confiança em si mesmo.
A fim de investigar o fenômeno, o objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender a obesidade associada à compulsão alimentar¹. Estabelecemos objetivos específicos vinculados ao entendimento do mecanismo psíquico que impulsiona o sujeito a comer sem se preocupar com a qualidade e quantidade de alimento que ingere. Buscamos compreender o significado da obesidade
