Entre Narrativas e Práticas de Formação: uma Professora, um Grupo e um Projeto Interdisciplinar que Muda Pequenas Realidades
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Entre Narrativas e Práticas de Formação - Cyntia de Souza Bastos Rezende
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE
A Deus, por ter cuidado de cada detalhe e por nos permitir realizar este sonho.
AGRADECIMENTOS
A palavra que nos move e nos conforta em toda e qualquer situação é agradecer
! Como preciso dizer muito obrigada para todos e todas que de alguma forma contribuíram para que eu chegasse até aqui!
Agradeço ao amor da minha vida, meu esposo, David, por sempre me apoiar em meus sonhos e acreditar que eu seria capaz, e aos meus filhos Cindy e Daniel, por serem bênçãos na minha vida e por me ajudarem com palavras de incentivo quando me sentia cansada e com medo.
Ao Prof. Dr. Everardo Paiva de Andrade e à Prof.ª Dr.ª Sandra Escovedo Selles, por me receberem, em dezembro de 2015, com tanto carinho e atenção, no grupo de pesquisa CDC (Currículo, Docência e Cultura), no PPGE/UFF. Esse acolhimento e essa oportunidade de aprender fizeram toda a diferença no meu percurso.
Agradeço à diretora da FAETERJ, Helena Marina, por me inspirar e ajudar nos horários de aulas da faculdade para que os estudos e pesquisas fossem realizados.
Aos meus alunos e amigos da licenciatura em Pedagogia que sempre me ajudaram nos dias de cansaço durante a caminhada.
Aos meus irmãos Sayonara, Alex, Linda e Bruno, por serem tão importantes na minha vida, e às minhas sobrinhas Gabriela e Karina, por me ajudarem a prosseguir na pesquisa, recebendo-me em Niterói com alegria e aconchego.
À minha prima Grace Lane por ter me influenciado a ser a professora que sou, com sua alegria e dedicação ao magistério.
À minha cunhada, Leyla, por ter sempre uma palavra de apoio nos momentos mais difíceis.
As professoras Dinah Terra (UFF), Mariel Ruiz (UNLu), Lucimar Dias (UFPR) e Sandra Maciel (UFF), por apoiarem e orientarem a construção desta obra, através das lentes experientes na pesquisa e na profissão docente.
E, para finalizar, agradeço à minha orientadora e também autora deste livro, a Prof.ª Dr.ª Mônica Vasconcellos, e ao Grupo PET Conexões de Saberes da UFF, por me acolherem e me fazerem acreditar que ainda há esperança na educação do nosso país. Basta um olhar! Basta uma palavra! Basta acreditar!
A inteligência jamais procura a emoção.
É a emoção que deseja ser eficaz para realizar o sonho.
(Rubem Alves)
PREFÁCIO
A autora busca compreender a contribuição advinda da participação no Grupo PET Conexões de Saberes, da Universidade Federal Fluminense, para a formação e a constituição de saberes profissionais dos envolvidos. O que ressalta inicialmente das análises que compõem este livro é a existência de uma filosofia educacional que percorre o trabalho realizado no Programa de Educação Tutorial (PET), que é foco do estudo aqui apresentado. Há uma interessante concepção pedagógica que orienta as ações no projeto. Não como algo exterior ao grupo, mas gerado pelas ações coletivas. Concepções pedagógicas, na acepção apresentada por Saviani (2018?) são as ideias educacionais entendidas, porém, não em si mesmas, mas na forma como se encarnam no movimento real da educação orientando e, mais do que isso, constituindo a própria substância da prática educativa.
Justamente, é dessa maneira que ideias educacionais emergem das próprias atividades do específico programa considerado neste trabalho, quando olhado pelo ângulo das narrativas dos participantes, que são licenciandos, e, na postura da autora ao considerá-las em sua análise. A aproximação entre teoria e práticas, o aprofundamento em conhecimentos, a relação com a escola e o trabalho escolar, o trabalho em grupo, a colaboração e as ajudas, os impasses e as dificuldades constituem a intrincada rede de aprendizagens que leva, ao mesmo tempo, a soluções para ações pedagógicas e a percepções dos êxitos e dos problemas, como partes intrínsecas ao trabalho educacional, ao trabalho humano com humanos.
A questão da formação inicial para a docência na educação básica que é realizada nas graduações, em licenciaturas, tem sido objeto de muitas discussões com diferentes enfoques e com poucos consensos. É preciso lembrar, com o adágio popular, que muitos caminhos conduzem a Roma
. Ou seja, há muitas possibilidades de caminhos formativos. Mas é preciso ter um objetivo e uma perspectiva sobre o caminhar. Assim é para a formação para a docência na educação básica, em que as trilhas traçadas para essa formação têm que ter um sentido e entrelaçar-se com uma finalidade. Essa formação evoca um compromisso ético-social com relação às novas gerações e suas possibilidades de aprendizagens que possibilitem uma vida digna para todos, e, em última instância, a própria preservação da vida e da sociedade humanas. Somos muitos, ocupamos os espaços do planeta como nunca. Compreender conhecimentos com seus sentidos e valores com seus consequentes é necessidade essencial, histórica, para as novas gerações, visando uma vida coletiva melhor e sustentável neste planeta. Assim, pensar e fazer educação escolar demanda fundamentos sobre o papel social dessa educação, donde derivam seus objetivos e o papel dos docentes junto às crianças, aos adolescentes e aos jovens. Não se forma valores significativos sem conhecimento, sejam os científicos, os da história e da cultura nas comunidades humanas ou da natureza em suas implicações para a vida das pessoas. Trata-se de conhecimento interconectado permitindo visões integradas. Professores precisam ser portadores desse tipo de conhecimento.
Uma tomada de consciência em relação ao contexto social e da natureza, dos quais a coletividade humana depende para sua sobrevivência, permite a construção de perspectivas novas em concepções e ações educacionais. Em essência, na atividade educacional requer-se compromisso com o desenvolvimento humano, em contexto, porque à escola, como instituído social, cabe ensinar e educar, introduzir as novas gerações nos conhecimentos básicos necessários à vida social, ao trabalho, à saúde, à participação consciente em relação ao meio ambiente e à comunidade. É preciso constantemente lembrar que docentes na educação básica estão diante de crianças e jovens com diversidades marcantes em suas biografias e vivências sociais, com pensamentos, atitudes e comportamentos construídos em contextos heterogêneos. Que tanto as novas gerações como os próprios docentes mostram diferenças marcantes de cunho cultural. Não simplificar e não homogeneizar situações socioeducacionais e culturais é uma questão presente e necessária para novas compreensões e atuações no que diz respeito à formação escolar das novas gerações. Reconhecer o diverso é ponto essencial para superar desigualdades agudas sem destruir as diversidades por um esforço de homogeneização do que é diferente. Essas condições desafiam hoje o papel dos educadores e das escolas.
Com sensibilidade social as propostas da Resolução CNE/CP 2/2015 (BRASIL, 2015) para a formação de professores enfatizam a compreensão da docência como ação educativa e processo pedagógico intencional e metódico, envolvendo conhecimentos específicos, interdisciplinares e pedagógicos
o que afasta o improviso e o senso comum, enfatizando também que, para o exercício da docência, há necessidade de consistente formação aliada à apropriação de valores, em diálogo constante entre diferentes visões de mundo.
(BRASIL, 2015). Ou seja, para o exercício do magistério há necessidade de formação qualificada, uma vez que esse exercício coloca-se socialmente como uma profissão que exige preparo específico e consistente em que conhecimentos, seus fundamentos e sua relação com práticas profissionais são indispensáveis. A resolução citada coloca a necessidade de garantir padrão de qualidade aos cursos de formação de docentes ofertados pelas instituições formadoras; a articulação entre a teoria e a prática no processo de formação docente, fundada no domínio dos conhecimentos científicos e didáticos; o reconhecimento das instituições de educação básica como espaços necessários à essa formação; um projeto formativo com sólida base teórica e interdisciplinar organicamente pensado e desenvolvido por meio da articulação entre a instituição de educação superior e o sistema de educação básica. Sinaliza enfaticamente a consideração das questões socioambientais, éticas, estéticas e relativas à diversidade étnico-racial, de gênero, sexual, religiosa, de faixa geracional e sociocultural como princípios de equidade
. (BRASIL, 2015). Nada mais coerente com as necessidades formativas para o magistério na contemporaneidade, à luz das sinalizações dos estudos preocupados com as dinâmicas curriculares nas formações de professores.
O presente livro nos estimula a refletir a partir, e com as palavras, de licenciandos que vivenciaram experiências num Programa de Educação Tutorial onde práticas educacionais integrativas são buscadas. Vivências formativas que se aproximam do buscado pelas propostas dos documentos educacionais e do que se vem discutindo como relevante à atividade de professores para a educação básica. Um texto muito atual, bem elaborado, contributivo e instigante.
Bernardete A. Gatti
Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação de São Paulo e pesquisadora aposentada do DPE/FCC
Fundação Carlos Chagas
Referências
BRASIL. Congresso Nacional. Lei 13.005 de 25 de junho de 2014. Plano Nacional de Educação 2014 – 2024. Brasília, 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n.º 2, de 1 jul. 2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, 2015.
SAVIANI, D. Verbete: Glossário – Concepção pedagógica. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_concepcao_pedagogica.htm. Acesso em: 01 out. 2019.
LISTA DE SIGLAS
BNCC Base Nacional Comum Curricular
CAPES Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
CDC Ciência, Cultura e Educação
CEDUCE Colóquio Internacional Educação, Cidadania e Exclusão
CLAA Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação
ENEM Exame Nacional do Ensino Médio
FAETEC Fundação de Apoio à Escola Técnica
FEUFF Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense
FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
IES Instituição de Ensino Superior
LDB Lei de Diretrizes e Base da Educação
MEC Ministério da Educação
OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
PCNS Parâmetros Curriculares Nacionais
PET Programa de Educação Tutorial
PIBIC Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica
PIBID Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência
PPE Pesquisa e Prática de Ensino/Educativa
PPGE Programa de Pós-Graduação
PROGRAD Pró-Reitoria de Graduação
PROLEM Programa de Línguas Estrangeiras Modernas
SAERJ Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro
SAERJINHO Sistema de Avaliação da Educação Básica do Rio de Janeiro
SESU Secretaria de Educação Superior
SISU Sistema de Seleção Unificada
UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro
UFF Universidade Federal Fluminense
UFOP Universidade Federal de Ouro Preto
UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro
UNILA Universidade Federal da Integração Latino-Americana
Sumário
INTRODUÇÃO 19
CAPÍTULO I
UM CAMINHO PERCORRIDO 25
1.1 O delineamento metodológico da investigação 25
1.2 Instrumentos de coleta de dados da pesquisa: o que revelam os documentos oficiais e as primeiras entrevistas? 28
CAPÍTULO II
A PRODUÇÃO DE NARRATIVAS: DISPUTAS, CONFLITOS E POSICIONAMENTOS 49
2.1 Não existe história do Eu sozinho 50
2.2 Narrar, uma escolha do tempo presente 53
2.3 Como analisar o não dito? 57
CAPÍTULO III
COM QUE PALAVRAS ESCREVEMOS O QUE VIVEMOS? 61
3.1. Professores em Formação Inicial 62
3.2. Uma produção humana que deixa as nossas digitais 66
3.3. Sentidos da Profissão em Diálogo com a Formação 69
CAPÍTULO IV
REMEMORAR É TRANSCENDER: UM DIÁLOGO COM LICENCIANDOS PARTICIPANTES DO GRUPO PET CONEXÕES DE SABERES DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 81
4.1. Contribuições, desafios e superações em narrativas 82
4.2. Saberes e Práticas Pedagógicas nas Licenciaturas 100
4.3. Relação Permanência e Formação Docente 128
4.4. Uma Professora, um Grupo e um Projeto que muda pequenas realidades 143
CONSIDERAÇÕES FINAIS 151
REFERÊNCIAS 161
POSFÁCIO 171
ÍNDICE REMISSIVO 175
INTRODUÇÃO
A formação docente tem sido parte importante do debate que gira em torno dos problemas educacionais e, em virtude disso, pesquisadores da área têm se debruçado sobre o assunto e produzido uma vasta literatura inspirada por abordagens diversas. A esse respeito, Nóvoa (2009) informa que [...] nos últimos 30 anos, a literatura pedagógica foi invadida por obras sobre a vida dos professores, as carreiras e os percursos profissionais, as biografias e autobiografias docentes ou o desenvolvimento pessoal de professores
(p. 15).
Esta temática despertou meu interesse em 2016, a partir do momento em que passei a frequentar o grupo de pesquisa Currículo, Docência e Cultura/UFF (CDC¹) e, simultaneamente, iniciei² os estudos no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UFF), como aluna ouvinte. Inspirada pelas reflexões provocadas por estas atividades, em 2017 concorri a uma vaga e fui aprovada para o mestrado. Motivada pelas contribuições dos autores estudados e pela breve aproximação com o trabalho coordenado por minha orientadora, junto a um grupo de licenciandos ligados ao Programa de Educação Tutorial (PET-MEC/SESU), um novo projeto foi gestado no decorrer do mesmo ano. Isso foi potencializado pela leitura que discute histórias de vida de professores, participação em debates sobre a formação inicial, conversas com minha orientadora e acompanhamento dos depoimentos dos bolsistas do PET sobre a importância desse programa para a produção de saberes profissionais que, em princípio, parecia contrariar a ideia de que [...] o campo de formação continua altamente fragmentado em disciplinas e teorias múltiplas que nunca chegaram a se unir em torno de uma visão comum do conhecimento profissional próprio dos professores
(TARDIF, 2013, p. 567).
Desenvolver uma pesquisa que envolve os saberes profissionais dos professores me instigou por acreditar que assim, eu aprenderia mais sobre o assunto, poderia avaliar minha trajetória profissional e repensar minha prática como formadora de outros professores.
Compreender este processo de produção e mobilização de saberes requer o entendimento de que
Os saberes dos professores não são a soma de saberes ou de competências que poderiam ser descritos e encerrados num livro ou num catálogo de competências. São saberes integrados às práticas diárias de ensino que são, em grande parte, sobredeterminados por questões normativas ou até mesmo éticas e políticas (TARDIF, 2013, p. 568).
Para discutir este assunto, faz-se necessário lembrar que, a análise dos problemas que envolvem a formação inicial não pode ser descolada dos desafios contemporâneos relacionados ao papel da escola na formação das novas gerações. Este, por sua vez, também tem sido colocado em xeque e gerado pressões aos elaboradores/gestores das políticas educacionais, bem como às instituições formadoras. Se, de um lado, os cursos de licenciatura apresentam insuficiências que precisam ser revistas e alteradas, de outro, seja por razões financeiras, estruturais ou ideológicas, a profissão docente não tem despertado interesse junto aos jovens que, no geral, não a enxergam como campo capaz de favorecer o atendimento às suas realizações pessoais/profissionais. Em outras palavras, [...] já é conhecido que a mesma não tem exercido suficiente atração para os jovens concluintes do ensino médio, em especial para o trabalho com áreas disciplinares específicas [...]
(GATTI, 2015, p. 208).
Este desinteresse é preocupante
