Jornalismo e Educação: Competências Necessárias à Prática Educomunicativa
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Sobre este e-book
Dessa forma, a obra discute como a conduta ativa do jornalismo pode inspirar práticas pedagógicas que estimulem a investigação por parte do aluno, além de fazer o caminho inverso: apresentar práticas jornalísticas que prezam por valores reforçados há tempos no campo da educação, como o diálogo e a participação, que qualificam o trabalho de apuração da realidade e de democratizar os processos de gestão editorial, subvertendo a lógica autoritária presente na imprensa tradicional de que o editor é quem dá a palavra final sobre o produto jornalístico.
Essa inter-relação foi vivida e pesquisada pelo autor, que, formado em jornalismo, construiu sua carreira aplicando seus conhecimentos e habilidades jornalísticas em atividades formativas de jovens e educadores. nesse sentido, Bruno Ferreira conta, em momentos do livro, episódios de sua carreira que ilustram ou fundamentam as reflexões que faz. Além disso, apresenta histórias, valores e rotinas laborais de profissionais de jornalismo dedicados à educomunicação, área de intervenção social que agrega habilidades jornalístico-midiáticas, com a finalidade de enriquecer os processos educativos. Assim, busca estruturar as competências necessárias para atuar nesse campo.
A obra envolve relatos pessoais do autor, conceitos basilares na inter-relação jornalismo e educação, além de pesquisa empírica com jornalistas que trabalham numa perspectiva educomunicativa, em organizações do terceiro setor brasileiro.
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Jornalismo e Educação - Bruno Ferreira
COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família, em especial à minha mãe, Adnéa, mulher lutadora, meu porto seguro, cujo esforço em me educar e sustentar durante a infância, adolescência e juventude permitiu que a educação fosse sempre uma prioridade em minha vida.
À minha querida amiga-irmã, Vanessa Balsanelli, a primeira a ler e a gentilmente opinar sobre os rascunhos desta obra.
Agradeço a Alexandre Sayad, meu primeiro educador de jornalismo, por demonstrar ser possível aliar jornalismo e educação numa prática profissional.
Agradeço ao meu orientador de mestrado, Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, pelos sábios e criteriosos aconselhamentos e pelo generoso prefácio que escreveu para este livro.
Agradeço aos(às) jornalistas-educomunicadores(as) com os quais interagi durante minha pesquisa de mestrado, parte dos quais são mencionados neste livro, não apenas pela disposição em compartilhar comigo suas práticas e opiniões, mas sobretudo por praticarem transformação social em suas atividades profissionais.
PREFÁCIO
Na crise da comunicação e da educação, um encontro afortunado para iluminar o século 21
Entre 1997 e 1998, coordenei uma equipe do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA-USP que, apoiada pela Fapesp, alcançou sistematizar dados colhidos com especialistas de 12 países ibero-americanos, demonstrando como agentes culturais, profissionais e lideranças comunitárias utilizavam recursos comunicacionais em processos educativos não formais, na linha libertadora e emancipacionista proposta por Paulo Freire.
Esse estudo identificou uma nova área de intervenção social na interface comunicação e educação, identificada pelo NCE-USP como Educomunicação. Desde então, esse conceito e sua prática, em diferentes âmbitos do agir social, têm sido tema de quatro centenas de teses e dissertações brasileiras, conforme dados da Capes, no momento da publicação deste trabalho, além de congregar gestores e profissionais de comunicação e de educação, entusiasmados pelos resultados obtidos pela nova práxis, tanto no universo de trabalho do terceiro setor quanto em áreas de políticas públicas em educação, sustentabilidade, bem-estar e políticas de saúde em todo o país.
Um desses profissionais é Bruno Ferreira, jovem gestor cultural, iniciado no campo da Educomunicação, ainda durante sua formação secundarista, momento no qual participou do Projeto Idade Mídia, coordenado pelo jornalista Alexandre Sayad, tendo atuado, depois de sua graduação, na Universidade Metodista de São Paulo, como editor da Revista Viração, criada pelo também jornalista Paulo Lima. Coube a Bruno avançar na linha dos estudos pioneiros do NCE-USP do final dos anos 90, indagando, no final dos anos de 2010, sobre o papel dos jornalistas na consolidação do conceito e da prática educomunicativa.
Foi nesse sentido que, em julho de 2019, o jovem pesquisador apresentou sua dissertação de mestrado, desenvolvida sob minha orientação, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP, intitulada Jornalista-educomunicador(a): sentidos de uma nova identidade profissional, que problematiza o repertório jornalístico de profissionais dedicados ao trabalho com Educomunicação, identificando competências alinhadas aos princípios dessa área, especialmente a disposição ao diálogo e à mediação de relações horizontais e cooperativas, no intuito de fortalecer processos comunicativos, sobretudo no âmbito de projetos educativos do terceiro setor.
Neste livro, Bruno não apenas discute as competências de um jornalista-educomunicador, mas também revê as conexões entre as áreas do jornalismo e da educação, seja do ponto de vista teórico (ao demonstrar as semelhanças entre os dois campos, no propósito de fomentar a leitura e a interpretação da realidade, contribuindo, dessa forma, para uma atuação mais propositiva dos cidadãos no mundo, de um modo crítico e embasado), seja do ponto de vista prático (ao exemplificar situações, muitas das quais por ele vivenciadas, enquanto mediador de processos educomunicativos, em que adolescentes realizavam atividades como repórteres, numa estratégia pedagógica adotada pela Revista Viração e por outras organizações com as quais trabalhou, para estimular a autoria e a interlocução de estudantes com outros atores sociais).
Nesse contexto de maior abertura à possibilidade de intercâmbio entre jornalismo e educação, Ferreira lembra o modus operandi do jornalismo comercial, que vê a notícia como mercadoria e que relata a realidade muitas vezes sem problematizá-la, furtando-se, assim, ao seu compromisso em subsidiar, com qualidade, o debate público. Nesse sentido, o autor não apenas reforça a necessidade de um jornalismo que reate o compromisso com a reflexão aprofundada na realidade, como também apresenta iniciativas jornalísticas que, em interface com a educação, qualificam sua cobertura, estabelecendo um maior vínculo com as fontes, contemplando o debate sobre diversidade e subvertendo no âmbito da gestão as relações hierárquicas presentes no cotidiano do jornalismo hegemônico.
Questões como essa demonstram que o tradicional papel do jornalista está em xeque e que os profissionais buscam outros caminhos de atuação na sociedade, entre os quais a própria Educomunicação.
Bruno Ferreira também discute questões sensíveis à educação, um campo que vem atravessando uma crise de legitimidade. Com crianças e jovens cada vez mais imersos na cultura digital, que os convida à expressão e à autoria, o autor reforça não ser mais possível ignorar as possibilidades de expressão e de aprendizagem, que tanto fazem sentido a esse público, sobretudo nos momentos de lazer. Lembra, nessa linha, que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em processo de instalação nas escolas brasileiras, atenta para essa realidade, estabelecendo que os currículos nacionais devem abrir mais espaço para a comunicação, a cultura digital e a colaboração entre os estudantes, com a meta de familiarizar as novas gerações com as novas demandas de um mundo cada vez mais conectado e de pessoas capazes de ler e atuar no mundo segundo suas complexidades.
O livro avança ao advogar uma maior aproximação entre jornalismo e educação, revelando a importância de se seguir o caminho do fortalecimento mútuo. Caberia à educação facilitar que os estudantes, em processos lúdicos mediados por seus professores, coloquem-se como comunicadores, com capacidade de apurar e de comunicar informações na órbita de seu mundo, nele incluindo as redes sociais, hoje acessíveis a todos. Quanto aos jornalistas, caberia — inspirados em referências de uma educação libertadora e emancipadora — adotar ou ampliar o diálogo em seus processos de produção, qualificando seus procedimentos, na interlocução com as fontes de informação e na gestão do processo comunicativo.
O diálogo estabelecido entre jornalismo e educação, demonstrado ao longo das próximas páginas, é um caminho promissor para uma transformação alinhada com as demandas deste século 21.
Ismar de Oliveira Soares
Presidente da ABPEducom
Professor da ECA-USP
São Paulo, 6 de junho de 2021.
Sumário
INTRODUÇÃO 15
Jornalismo, educação e suas complexidades 17
Estrutura da obra 19
parte 1
JORNALISMO E EDUCAÇÃO: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES 21
1
JORNALISMO EDUCA? 23
2
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO CIDADÃ 25
Por uma educação acolhedora 26
Formação crítico-reflexiva 27
BNCC e suas competências 29
3
O CARÁTER FORMATIVO DO JORNALISMO 31
Jornalista: curador e incansável checador 31
Compromisso crítico com a realidade 33
parte 2
JORNALISMO na educação 37
1
REFERÊNCIAS VALIOSAS 39
2
EDUCOMUNICAÇÃO: FUNDAMENTOS DA PRÁTICA JORNALÍSTICA NA EDUCAÇÃO 41
3
EDUCOMUNICAÇÃO: LUGAR DE ENCONTRO DE JORNALISMO E EDUCAÇÃO 45
Coberturas educomunicativas 46
4
ESTUDANTE-REPÓRTER: DIÁLOGO INTERGERACIONAL E APRENDIZADO ENTRE PARES 49
Participar é dizer a própria palavra 50
O sentido de ser estudante-repórter 53
O programa Imprensa Jovem 54
Alfabetização midiática e informacional por meio da educomunicação 56
5
O CAMPO JORNALÍSTICO-MIDIÁTICO DA BNCC E O DESAFIO DA DESINFORMAÇÃO 59
Desinformação e fake news: questões de educação 62
Múltiplas faces da desinformação 63
Leitura lateral 66
parte 3
educação no jornalismo 69
1
JORNALISMO E PROBLEMATIZAÇÃO 71
2
PAULO FREIRE E JORNALISMO EMANCIPADOR 75
A necessidade de profissionais críticos 76
Jornalismo e diversidade 78
3
DIÁLOGO QUE QUALIFICA O PROCESSO JORNALÍSTICO 83
A experiência da Énois — Laboratório de Jornalismo 84
4
DIÁLOGO QUE QUALIFICA O PRODUTO JORNALÍSTICO 87
A experiência do jornalista Caio Dib e do Instituto Tellus 88
parte 4
COMPETÊNCIAS EDUCOMUNICATIVASA 93
1
O ENGAJAMENTO DE JORNALISTAS NA EDUCAÇÃO E NOS DIREITOS INFANTOJUVENIS 95
Oficina de Imagens 95
Associação Cidade Escola Aprendiz 96
Andi — Comunicação e Direitos 97
Viração Educomunicação 97
Ciranda — Central de Notícias dos Direitos da Infância 98
Parafuso Educomunicação 99
O que essas iniciativas revelam?
