Na sua Escola tem Racismo? Na Escola do Brejinho Tem! Contornos do Racismo Institucional na Educação Escolar
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Na sua Escola tem Racismo? Na Escola do Brejinho Tem! Contornos do Racismo Institucional na Educação Escolar - Flávia Gilene Ribeiro
Na sua escola tem racismo?
Na escola do Brejinho, tem!
Contornos do racismo institucional
na educação escolar
Editora Appris Ltda.
1.ª Edição - Copyright© 2022 da autora
Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.
Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98. Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores. Foi realizado o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nos 10.994, de 14/12/2004, e 12.192, de 14/01/2010.
Catalogação na Fonte
Elaborado por: Josefina A. S. Guedes
Bibliotecária CRB 9/870
Livro de acordo com a normalização técnica da ABNT
Editora e Livraria Appris Ltda.
Av. Manoel Ribas, 2265 – Mercês
Curitiba/PR – CEP: 80810-002
Tel. (41) 3156 - 4731
www.editoraappris.com.br
Printed in Brazil
Impresso no Brasil
Flávia Gilene Ribeiro
Na sua escola tem racismo?
Na escola do Brejinho, tem!
Contornos do racismo institucional
na educação escolar
À minha mãe, Nadir de Lourdes Ribeiro;
ao meu pai, Elizeu Sebastião Ribeiro (in memoriam);
e aos meus filhos, Matheus e Gabriel, com todo o meu amor.
PREFÁCIO
Vivemos em uma sociedade que se organiza e desenvolve suas práticas tendo subjacentes as concepções raciais. Em consequência, o racismo mantém-se vivo e, constantemente, é alimentado tanto pelas ações individuais quanto pelas institucionalizadas, implicando a qualidade do acesso da população negra aos direitos sociais, desde a infância e ao longo da vida, em sucessivas gerações.
Ao concluir a orientação do desenvolvimento do projeto de pesquisa, que resultou na dissertação de mestrado em Educação defendida por Flávia Gilene Ribeiro, sob o título Implicações do racismo institucional na educação básica em Cuiabá
, sabia que se tratava de uma modesta – mas importante – contribuição ao debate sobre racismo institucional e desigualdades raciais na sociedade brasileira, a partir da análise de uma realidade identificada em uma escola pública estadual, situada em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso.
A pesquisa problematizou as implicações do racismo institucional no cotidiano da unidade escolar e na vida das pessoas, majoritariamente negras, que compõem o universo do corpo discente. Evidenciou, sob diferentes aspectos, tais implicações envolvendo: a gestão do Estado na manutenção da escola, sob a condição de precariedade; a organização do processo educativo e a gestão escolar; as práticas pedagógicas e, consequentemente, a identificação e o tratamento do corpo discente, rotulado como fraco
, indisciplinado
e que dá trabalho
à escola, criando, na escola, um contexto agressivo, que inibe, às crianças, possibilidades de construção de uma trajetória escolar de sucesso.
Com a publicação do presente livro, Flávia Gilene disponibiliza a um público mais amplo os resultados da investigação científica que realizou sobre um tema ainda pouco explorado (isto é, o racismo institucional na educação escolar). Porém, o entendimento faz-se cada vez mais urgente e necessário a formuladores e executores de políticas públicas; profissionais da educação, especialmente professoras e professores; gestores; movimentos sociais; estudantes; e o público em geral — que prezam pela consolidação e o fortalecimento da democracia no Brasil, indubitavelmente ainda sangrada pelo preconceito racial, pelo racismo, pelas discriminações raciais e pelas iniquidades sociais decorrentes do racismo.
Trata-se de uma contribuição relevante, também, a pesquisadores e pesquisadoras que se interessam por produção de conhecimentos sobre implicações do racismo nas relações sociais, na produção de conhecimentos e na manutenção das desigualdades raciais na sociedade e, particularmente, na educação brasileira.
Lamentavelmente, o tema ainda tem mobilizado pouca atenção da produção acadêmico-científica e da sociedade em geral no que se refere ao campo da Educação. Todavia, uma coisa é certa: esse pouco interesse não confere menor relevância ao tema. Ao contrário, sinaliza a necessidade de investimentos no trato do racismo institucional, o que, seguramente, pode propiciar a mobilização à construção de novas perspectivas nas relações raciais, assim como a produção de novas epistemologias que possibilitem melhor compreensão sobre o papel das instituições na manutenção do racismo ou na promoção de uma sociedade democrática e, assim, sendo evidentemente antirracista.
Ao se ter nas mãos a presente obra, cada potencial leitor ou leitora tem a oportunidade de se fazer legente, imprimindo-lhe uma leitura atenta e crítica que, certamente, poderá subsidiar o estabelecimento de relações entre as questões tratadas neste livro com as de outras realidades e outros contextos sobre o mesmo tema, posta a universalidade do racismo em todo o território brasileiro e, igualmente, a urgente necessidade de que seja confrontado e superado.
Várzea Grande/MT, julho de 2021.
Candida Soares da Costa
Professora associada no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Sobre Relações Raciais e Educação (Nepre).
APRESENTAÇÃO
A premência de uma educação antirracista nas escolas brasileiras justifica esta publicação. Estas páginas são inaugurais para o leitor leigo na temática das relações raciais e educação, apresentando o entendimento de como a sociedade brasileira foi pensada e, consequentemente, como a escola consolida-se nessa sociedade, ou seja, a partir de uma estrutura racista.
Há apenas 20 anos, por intermédio da presença da delegação brasileira na III Conferência de Combate ao Racismo, Xenofobia e Intolerância Correlatas, realizada em 2001, em Durban, o governo brasileiro reconhece, pela primeira vez na história, o Brasil como um país racista. Há 18 anos, existe uma lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira
nos currículos. Contudo, percebe-se a dificuldade de efetivação dessa lei.
Enquanto professora das séries iniciais, senti na pele essa dificuldade, quando, em 2007, uma estudante da minha turma de alfabetização vira para a outra e diz: "Você vai levar minha mochila até o portão! Porque você é preta! E preto trabalha para branco!". Eu precisei desdobrar-me para encontrar caminhos para desenvolver uma educação antirracista, numa turma de alfabetização, que alcançasse a ludicidade que a turma necessita e a profundidade que o assunto requer. Desde então, minhas pesquisas sempre perpassam uma discussão relacionada às relações raciais e à educação.
Assim, trago, para o leitor, uma singela contribuição resultante desse caminho percorrido.
Sumário
RACISMO: O CONCEITO, SEUS PRESSUPOSTOS E DESDOBRAMENTOS
1.1 Raça e racismo
1.2 Racismo científico
1.3 Racismo individualista, institucional e estrutural
1.4 Instituições
1.5 O racismo institucional no Brasil
1.6 A eugenia, a medicina social e o racismo institucional
1.7 Desdobramentos contemporâneos do racismo na escola em Mato Grosso
1.8 Alguns pontos do racismo sobre a educação no Brasil
PELOS CAMINHOS DO BREJINHO
2.1 Opção metodológica
2.2 Participantes da pesquisa
2.2.1 Classificação racial e profissional dos profissionais participantes
2.2.2 Classificação racial de estudantes e familiares
2.3 Instrumentos de pesquisa
2.3.1 Observação
2.3.2 Análise documental
2.3.3 Entrevista semiestruturada
2.4 Caracterização da escola
DESEMARANHANDO O RACISMO INSTITUCIONAL
3.1 O que diziam os documentos
3.2 Projeto Político Pedagógico
3.2.1 Estruturação do Projeto Político Pedagógico
3.3 A naturalização do racismo e a presença da discriminação e do preconceito dentro da escola
3.4 O olhar negativo sobre o bairro
3.5 Fragilidades na escola
3.6 Metodologia docente versus impressões sobre a Escola Ciclada
3.7 A quadra de esportes
INTRODUÇÃO
Na sua escola tem racismo?
Se essa pergunta já chegou até você alguma vez e, por acaso, não sabia o que dizer, este livro é para você, pois ele vai ajudá-lo a identificar as nuanças pelas quais o racismo age dentro da sociedade brasileira, alcançando a escola de maneira escamoteada e velada. Demonstra como o sistema educacional reproduz o racismo e dá sentido às desigualdades e violências cotidianamente sofridas pelos e pelas estudantes negros e negras, pois, como diria Silvio Almeida (2020, p. 20), o racismo é sempre estrutural
, e, sendo estruturante, ele se desdobra e se naturaliza em mais outros dois tipos: o racismo individualizado e institucional, por isso, é tão difícil de identificá-lo.
A incipiente discussão, na área da educação, indica a importância dessa abordagem em âmbito educacional. Uma vez que as instituições brasileiras são criadas e mantidas em um sistema racista, a escola, uma instituição criada nesse sistema, reproduz e naturaliza uma suposta inferioridade da população negra.
O foco da discussão aqui é o racismo institucional, e você precisa entender por que esse tipo de racismo produz consequências desiguais para determinados grupos, o que limita e condiciona o acesso deles às instituições e, consequentemente, naturaliza a concepção da sociedade, no que diz respeito às desigualdades recorrentes, produzidas por essas mesmas instituições.
Nessa perspectiva, este livro disponibiliza suportes para pensar de forma mais sensível a área educacional (a exemplo do que vem acontecendo na área da saúde e na área de segurança pública, que já possuem estudos específicos relacionados ao enfrentamento do racismo institucional), subsidiando as discussões sobre as políticas públicas para o debate sobre as desigualdades raciais e educacionais que acometem a população negra no Brasil.
Mudei-me para Cuiabá, em 2013, para cursar o mestrado em Educação. Fui trabalhar, em uma escola fragilizada ao extremo, e demorei a entender que estava frustrada, desmotivada e inquieta com meu trabalho. Até que percebi que, no cerne da inquietação e da insatisfação profissional, estaria o desenvolvimento de práticas e de saberes que não me permitiam reconhecer, naqueles estudantes — ou melhor, naquela comunidade escolar —, todos os potenciais que lhes eram devidos.
O estudo voltado à temática das relações raciais já fazia parte da minha vida desde 2007, quando, em uma escola pública estadual na cidade de Juara/MT, uma estudante da minha turma de alfabetização olhou para a outra, depois de ter batido o sinal de saída, e disse: "Você vai levar minha mochila até o portão! Porque você é preta! E preto trabalha para branco!".
Ao tomar ciência do fato, na segunda-feira, por intermédio da mãe da estudante agredida, vi-me encurralada diante de uma situação que precisaria de uma intervenção densa e gradual, e eu não sabia por onde começar. A partir disso, iniciei minha trajetória intensa de estudos sobre relações raciais e educação, chegando até o racismo institucional na educação escolar.
A primeira impressão da escola do Brejinho (ainda em 2013) já era de certo estranhamento. Ao longe, avistei os muros caiados. Segui
