A cor da cultura e a cultura da cor: reflexões sobre as relações étnico-raciais no cotidiano escolar
De Helena Maul
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A cor da cultura e a cultura da cor - Helena Maul
1 CAMINHOS HISTÓRICOS DA QUESTÃO RACIAL, MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO NO BRASIL
O Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso... (Darcy Ribeiro).
O Brasil foi um dos últimos países a abolir o trabalho escravo de pessoas originárias do continente africano. O tráfico de pessoas⁴ durou mais de três séculos e trouxe mais de quatro milhões de africanos para trabalhar nas lavouras das colônias europeias, sob o regime de escravidão.
Para o professor Otair Fernandes, doutor em Ciências Sociais e coordenador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Leafro/UFRRJ), a realidade do Brasil ainda é herança do longo período de colonização europeia e do fato de ter sido o último país a acabar com a escravidão.Mesmo após 130 anos de abolição, ainda é muito difícil para a população negra ascender economicamente no Brasil, uma vez que os negros não tinham a condição de humanidade nem houve nenhum projeto de inserção do negro na sociedade brasileira (GOMES, 2018, p.15).
Rosana Heringer, doutora em Sociologia nas áreas de desigualdades raciais naeducação, políticas de ação afirmativa, desigualdades no acesso e permanência na educação superior, discriminação racial, relações de gênero e direitos humanos, afirma que após a abolição e com a vinda de imigrantes do continente europeu, os negros libertos não tinham muitas opções para se manter economicamente.
Embora nenhuma forma de segregação tenha sido imposta após a abolição, os ex-escravos tornaram-se, de maneira geral, marginalizados em relação ao sistema econômico vigente. Além disso, o governo brasileiro iniciou, na segunda metade do século XIX, o estímulo à imigração europeia, numa tentativa explícita de branquear
a população nacional. Milhões de imigrantes europeus entraram no país durante as últimas décadas do século XIX e no início do século XX. Essa força de trabalho foi contratada preferencialmente tanto na agricultura como na indústria que estava sendo implantada nas principais cidades (HENRINGER, 2002, p.58).
Manolo Florentino (2012) afirma que tanto nas Américas como na África pré-colonial a reprodução do escravismo esteve estruturalmente ligada à contínua reiteração do poder. (...) a produção escravista pressupunha a constituição de relações pretéritas e desiguais de poder – antes de ser propriedade o escravo era um cativo de outro homem
(2012, p. 237).
Por essa razão, as fugas e os quilombos encarnavam a típica atitude de resistência à escravidão, um ato extremo no campo da política, cuja simples possibilidade apontava para os limites do domínio privado do senhor e garantia ao escravo de algum espaço para a negociação de demandas (FLORENTINO, 2012,
