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Somos Bruxas - Warley Matias De Souza
Warley Matias de Souza
SOMOS BRUXAS
Souza, Warley Matias de, 1974-
Somos bruxas / Warley Matias de Souza. –
1a ed. – Joinville : Clube de Autores, 2013.
ISBN 978-85-910742-3-5
1. Romance brasileiro. I. Título.
CDD-869.93
SOMOS BRUXAS
Copyright © 2013 WARLEY MATIAS DE SOUZA
Imagem de capa: Gabriel Lavarini
Proibida a reprodução parcial ou total desta obra, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor.
A todas as bruxas.
A Alessandro Couto, que estava comigo quando esta história começou.
1
Adormeceram ao som da voz doce de sua mãe. Era uma mulher linda, com olhos de um brilho incomum e lábios muito pálidos. Eram apaixonados por ela. O pai, com seu terno preto, o semblante sério, o único carinho que dava aos filhos era um leve passar de mãos sobre suas cabeças. Não podia ser carinhoso ao extremo; do contrário, os filhos não seriam homens, seriam uns maricas. Portanto, não concordava com os mimos oferecidos pela mãe, criaria filhos muito moles, homens fracos, cheios de ideias femininas da vida. Mas a mulher não o ouvia, continuava com aquelas histórias antes de dormir, incentivando os meninos a lerem livros que retratavam um mundo muito distante da realidade. Ele devia ser mais firme com ela; porém ela era uma mulher de opinião, uma mulher que não se calava, uma mulher voluntariosa. E era justamente isso que o prendia a ela, uma mulher de uma beleza rara, cheia de personalidade. Seus irmãos criticavam a sua tolerância; devia colocar a mulher em seu lugar. Devia dar-lhe uma surra. Mas Álvaro não ousaria levantar a mão para a esposa. Diante dela, ele mostrava-se um homem sensível, doce, compreensivo. Tinha ela um poder sobre ele que ninguém jamais tivera. De uma forma ou de outra, ela sempre tinha a palavra final. E naquele caso dos meninos, era ela quem decidia qual a melhor maneira de educá-los.
Ángela acreditava no amor e na arte. Não batia nos filhos. E não deixava o marido exercer a violência paterna. Ela se considerava uma mulher de sorte. Seu marido era um homem magnífico, um homem como poucos. E seus três filhos eram criaturas adoráveis. É claro que ela protegia os meninos, evitava que as tristezas, que a dura realidade chegasse até eles. Tão ingênuos! Pareciam doces anjos ignorantes das mazelas humanas. Ainda não possuíam a tristeza cansada que invade o olhar adulto. Ah, como queria que nunca adquirissem essa marca cruel. Quando saíam às ruas, seus olhinhos ainda carregavam o brilho da curiosidade sem crítica. Tudo era novo, tudo era diferente, tudo era curioso, tudo provocava o riso. Até o mendigo maltrapilho, com sua boca murcha e podre, provocava suas risadas fáceis; não podiam imaginar que aquele mendigo fosse uma pessoa, com sentimentos e necessidades, por isso com dores e sofrimento. Nada existia além da própria realidade deles, uma realidade feliz, com limpeza, saúde, comida em abundância, pais dedicados, amor, carinho, sonhos.
Antonio Viegas era o filho mais velho, dez anos. Depois dele, o Nestor, nove anos, e o Pablo, oito anos. Três crianças amadas. Ángela queria ter mais, queria ter muitos filhos, como sua mãe, uma camponesa que tivera vinte e três filhos. Mas, inexplicavelmente, não conseguia mais engravidar.
Antonio Viegas era o seu filho predileto. Mãe ciente de seus deveres, jamais manifestava essa preferência, tentava escondê-la, nunca deixá-la transparecer. Mas o primeiro filho era a sua vida. Por ser mais velho, preparava-o para ser o protetor dos outros dois. Ele seria sempre o mais forte, o mais destemido. A mãe tentava desenvolver nele um instinto de proteção aos dois irmãos mais jovens. Era assim que tinha de ser. E Antonio Viegas já sabia, aos dez anos, que ele devia ser o mais forte, o protetor. Nunca iria decepcionar a mãe. Quando estava a sós com os dois irmãos, tentava exercer a autoridade da mesma forma acolhedora e generosa que ela. Mas, vez ou outra, cometia alguns excessos; pois havia nele um tirano nato, que precisava ser domesticado e não estimulado. A tolerância ensinada pela mãe vivia em embate com a intolerância típica de seu caráter. Um conflito existente em sua alma infantil. E talvez esse conflito crescesse e o atormentasse durante toda a vida se a mãe não houvesse ido embora para sempre. Sem aquela figura tolerante a seu lado, a intolerância de seu caráter logo assumiria o controle.
A mãe foi uma das primeiras vítimas da peste que as bruxas espalharam sobre Madri. A peste matava em vinte e quatro horas. Nas primeiras seis horas, uma cegueira escurecia o mundo; depois, havia o sofrimento provocado pela progressiva falta de ar. Após a mãe, morreu o pai. O irmão mais novo morreu em seguida. Da família, somente Antonio Viegas e Nestor escaparam da peste. E a tristeza cansada passou a brilhar em seus olhos.
2
A peste dizimou toda a população de Madri, com exceção de alguns meninos, eleitos pelas bruxas. Antonio Viegas e seu irmão Nestor foram uns dos eleitos. Antonio Viegas, é claro, pela escuridão que carregava dentro de si. Nestor porque era o oposto do irmão, e as bruxas eram fascinadas por oposições.
Aqueles meninos tinham dez ou onze anos. Ao completarem quinze anos, todos, sem exceção, seriam inoculados pelas bruxas. Para muitos, como Antonio Viegas, aquela experiência seria extremamente prazerosa. Inoculados todos, Madri abrir-se-ia
