Medievo violento: reflexões sobre o uso do conceito de violência para o estudo do período medieval
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Medievo violento - Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho
1. UMA VISÃO GLOBAL DA VIOLÊNCIA
Em seu célebre texto, Wieviorka apresenta uma visão única de violência no período contemporâneo, considerando-a, no âmbito geral, um fenômeno ora seccionado, ora de caráter global. Relativamente à setorização, informa que violações podem se dar no âmbito de um bruto individualismo, eis que, se por um lado, não se contenta o sujeito com a mera passividade (tendo, assim, o desejo de participar do sistema de consumo predominantemente constituído ao se permitir ser dele uma mera engrenagem, ou, de modo mais preciso e comum, um dos destinatários finais), há, por consequência, outros que procuram forjar suas identidades independentemente do modelo vigente, ou da própria ideologia dominante, a ela se opondo.
Desta forma, expressa a constatação de que inexiste qualquer estudo sociológico, em caráter definitivo, capaz de explicar, de modo amplo, a prática num contexto que abarque
Simultaneamente os níveis de personalidade e do indivíduo, os da sociedade, do Estado e do sistema de relações internacionais; mas isso não impede o esforço para não separá-los na reflexão, e particularmente a hipótese de que uma das fontes fundamentais da violência contemporânea reside precisamente em sua tendência à dissociação
(WIERVIOKA, 1997, p. 05).
Se não há um consenso interpretativo do fenômeno em escala mundial, tal fato conduz às razões que estão por trás de inúmeras individualidades somatizadas, constituintes de um grupo social, de uma esfera de interação ou de uma sociedade, nos quais (e, mais que isso, dos quais) possuem o mais que humano desejo de se destacar, ainda que de modo temerário.
Já se percebia isso nas próprias palavras que, então sob sistema marxista, Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin) dava aos mais novos, quando lhe indagavam a respeito do que fazer: Estudar, estudar e estudar
, aconselhava o revolucionário. Situação tal otimizada pela anedótica descrição segundo a qual, ao ser perguntado a Marx, a Engels e ao próprio Lênin se preferiam possuir uma esposa ou uma amante, enquanto os dois primeiros teriam respondido sobre suas diferentes preferências unilaterais, Lênin não titubeou e expressou a escolha por ambas. Eis que, desta forma, poderia dizer à minha mulher que vou ter com minha amante, e à minha amante que preciso ver minha mulher…
, e, então, isolarse e estudar, estudar e estudar!
(ŽIŽEK, Slavoj. 2014, p. 20-21). Com a violência, em especial durante a Idade Média, deve-se ter a idêntica intenção de estudar, estudar e estudar.
Os fenômenos violentos ocorrem em qualquer tempo e lugar. O próprio Wiervioka, na primeira frase de seu ensaio, expressa que A violência não é a mesma de um período a outro
(WIERVIOKA, Michel. p. 05). Ela pode não ser a mesma, mas sempre ocorreu, de um período a outro e em todas as comunidades humanas, que à mesma dão suporte oficial quando propõem-se, num caráter ativo, a formar a vida social por meio da imposição de um inexistente pensamento homogêneo, através da coerção baseada no fenômeno ideológico prevalente, que, por conta da repressão a qualquer dissidência, também vem a ser violentamente
