O Deus que Governa o Mundo e Cuida da Família (Livro de Apoio Adulto): Os ensinamento divinos nos livros de Rute e Ester para a nossa geração
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Avaliações de O Deus que Governa o Mundo e Cuida da Família (Livro de Apoio Adulto)
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- Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Oct 19, 2024
Ótima leitura!!
Licoes precisas retiradas dos ivros de Rute e Ester.
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O Deus que Governa o Mundo e Cuida da Família (Livro de Apoio Adulto) - Silas Queiroz
Capítulo 1
Duas Importantes Mulheres Na História De Um Povo
Introdução
Os livros de Rute e Ester podem ser considerados como um tributo às mulheres piedosas — de ontem, de hoje e de sempre —, que assentam no coração o propósito de servir a Deus a despeito de toda e qualquer circunstância contrária, incluindo o espírito da época, hostil a todos os que decidem viver crendo e praticando o que as Sagradas Escrituras ensinam. Essas belíssimas porções da literatura canônica ensinam-nos que a mulher que teme ao Senhor não cede a ideologias ou pressões culturais; não gasta o tempo ou a energia dela com pensamentos e discussões sexistas, pois ela sabe que o Criador fez macho e fêmea para um viver cooperativo e não conflitante. Essa mulher sábia entende que homem e mulher são diferentes para que se completem — cada um, porém, exercendo o seu próprio papel no plano divino para a glória de Deus.
Nesse espectro da história feminina na Bíblia, o livro de Rute brinda-nos com o exemplo de Noemi e da moça moabita que dá nome ao livro. Como as mulheres sábias de nossos dias e de todos os tempos, essas personagens tiveram a graça de viver livres dos traumas que os conflitos mentais, verbais e físicos produzem na nefasta arena da guerra dos sexos
. Noemi e Rute inspiram as mulheres que não dão palco para a luta inglória do feminismo, que impõe comportamentos que só servem para desgastar e deformar a figura da mulher, roubando dela a verdadeira beleza (moral e física), as ternas e duradouras alegrias da vida — como o casamento e a maternidade — e o prazer de servir a Deus, produzindo, como consequência da sua rebeldia, incalculáveis prejuízos para as estruturas sociais como um todo, incluindo as comunidades cristãs, que são as igrejas locais de todos os continentes.
Esse tom inspirativo está presente também no livro de Ester, que nos reserva um drama empolgante. Nele, vemos, pela fé, a mão do Deus Todo-poderoso agindo na História de maneira absolutamente precisa, usando principalmente uma mulher. A vida de Ester, uma moça judia nascida na Babilônia no tempo do cativeiro, órfã de pai e mãe, inspira-nos a todos — especialmente as mulheres —, com o seu exemplo de obediência, superação, pureza e coragem. O Senhor continua à procura de homens e mulheres que possa usar para cumprir os seus extraordinários e eternos propósitos.
Parênteses Históricos
Um ponto fundamental a ser considerado no estudo conjunto de Rute e Ester é a diferença de contextos geográficos e históricos entre as histórias. Além da característica comum de serem os únicos livros da Bíblia que levam nome de mulheres, Rute e Ester também têm em comum o fato de preencherem parênteses históricos. Cronologicamente, a história de Rute está inserida na grande narrativa do livro de Juízes. A história encaixa-se entre alguns dos seus capítulos. Já o texto de Ester trata de fatos ocorridos entre os capítulos 6 e 7 do livro de Esdras, compondo a literatura pós-exílica. Apesar dessa conexão cronológica, Rute e Ester são livros específicos e autônomos que, todavia, precisam ser estudados levando-se em conta o contexto da história sagrada em que estão inseridos.
O Período dos Juízes
Já no primeiro versículo de Rute, o leitor é situado com o tempo e o lugar dos fatos. A narrativa é linear e passa-se em Belém, na Judeia (atual Cisjordânia), e em Moabe (atual Jordânia) nos dias dos juízes (cf. Rt 1.1).
Cronologicamente, o período dos juízes vai de aproximadamente 1375 a 1050 a.C., situando-se entre a morte de Josué e a coroação do rei Saul. Podemos considerar esse tempo como a terceira fase da história da nação de Israel após a saída do Egito, o forno de ferro
, onde foi forjada (Dt 4.20). A primeira fase deu-se nos dias de Moisés (a jornada de 40 anos pelo deserto). A segunda, nos dias de Josué (a conquista de Canaã) e dos anciãos contemporâneos seus. Com a morte dessa geração, a nação de Israel entrou num profundo declínio moral e espiritual, iniciando-se o tempo que ficou conhecido como os dias dos juízes.
A nova geração deixou de servir ao Senhor e passou a prestar culto aos deuses dos cananeus, Baal e Astarote (Jz 2.7-13). Isso produziu um trágico resultado para a nação (2.14,15).
A crise levava o povo de Israel a clamar ao Senhor por livramento (3.9,15), e Ele atendia Israel por causa do seu gemido (2.18). A resposta divina dava-se por meio de libertadores chamados de juízes
, que eram usados de forma sobrenatural para livrar a nação das mãos dos que os atacavam e roubavam
(2.16 – NAA). O ofício desses juízes, portanto, em nada se assemelhava à função dos magistrados civis, como conhecemos hoje. Conforme Donald Stamps, no seu comentário na Bíblia de Estudo Pentecostal, tais juízes eram líderes militares e tribais [...] dotados de superiores qualidades de liderança [que] realizavam grandes feitos, mediante a proteção e o poder de Deus
(2009, p. 388).¹
A Cronologia de Rute
Sendo o período dos juízes tão extenso, cobrindo cerca de 225 anos (entre 1375 e 1050 a.C.), em que parte dessa época situam-se os fatos narrados no livro de Rute? Não há uma resposta precisa para essa pergunta. Existem opiniões diversas sobre a datação dos fatos descritos em Rute, as quais faremos referência no capítulo seguinte, que é dedicado ao estudo da organização do livro e a um aprofundamento maior no seu contexto histórico, propósito e mensagem.
Teologicamente falando, não faz diferença o tempo preciso da viagem de Elimeleque e a sua família para Moabe. Por isso, o autor bíblico preocupou-se apenas em transmitir uma descrição teológica do caráter da época em que se deram os acontecimentos — os dias dos juízes —, já que todo esse período foi marcado por crises cíclicas, sempre resultando em tragédias (Duguid, 2016, p. 132). A época é sintetizada pela expressão não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria
(Jz 17.6, NTLH).
Ester e o Pós-Cativeiro Babilônico
De Belém, na Judeia, a história bíblica transporta-nos para Susã, na Pérsia, cerca de cinco séculos depois. Novamente se verifica a nítida historicidade da literatura bíblica logo no começo da obra (Et 1.1). Era por volta do ano 483 a.C. O cativeiro babilônico, profetizado por Jeremias para durar setenta anos (Jr 25.11), havia terminado em 539 a.C., quando Ciro, o persa, derrotou o Império Babilônico e permitiu o retorno dos judeus exilados (cf. Ed 1.1-3).
O primeiro grupo de judeus exilados seguiu para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel em 538 a.C. (Ed 2.1,2; 3.8). Foram aproximadamente 50 mil os que deixaram a Babilônia (Ed 2.64,65),² um número muito pequeno comparado ao de judeus espalhados pelas cidades babilônicas, dentre as quais Susã, agora transformada em capital do Império Persa.³
A baixa adesão ao chamamento de reconstrução de Jerusalém deu-se por duas razões principais, como observa Eugene H. Merrill (2021, p. 501): a primeira, o fato de a maioria daqueles judeus ter nascido no exílio; a segunda, as boas condições em que viviam na Babilônia:
[...] está claro que na época do decreto de Ciro, a maioria dos judeus exilados pertencia a uma geração que não conhecia a sua pátria. Tinham nascido no exílio e, embora sonhassem com Jerusalém, eram o povo da Babilônia. A geração mais antiga e os idealistas sonhavam por retornar ao lar, mas é fato notório que Sesbassar, Zorobabel e outros líderes do retorno aparentemente não conseguiram um grande número de judeus para acompanhá-los à pátria. Obviamente isto não é difícil de compreender, visto que em Babilônia eles eram relativamente prósperos, sendo doloroso reiniciar a vida em uma terra de morte e cinzas.
Donald Stamps (2009, p. 709) também nos dá uma surpreendente informação quanto à disparidade entre o número de judeus exilados que viviam na Babilônia e o grupo que atendeu à convocação para reconstruir Jerusalém.⁴ Segundo esse reconhecido comentarista pentecostal, os exilados judeus eram um milhão ou mais
, o que faz concluir que apenas 5% aceitou o grande desafio de deixar o conforto da vida nas grandes cidades babilônicas, agora sob domínio persa, e enfrentar a longa e penosa viagem de volta (cerca de 1.500 km) até à capital de Judá, com o grande desafio de reconstruir uma cidade destruída e totalmente desolada.⁵
É essa geração conformista que enfrentará mais de perto o terrível drama da ameaça de extermínio narrado no livro de Ester. Os persas eram conhecidos por assegurarem a liberdade religiosa e até incentivarem a prática dos diversos cultos dos povos dominados.⁶ Mas esse quadro sofrerá uma terrível e inesperada mudança por força de um decreto de Assuero, que ordenará a matança dos judeus de todas as províncias do vasto Império Persa (Et 3.8-13).
A Cronologia de Ester
Depois do primeiro retorno dos judeus da Babilônia para Jerusalém, ocorrido no ano 538 a.C., passaram-se cerca de vinte e dois anos até a conclusão da obra de reedificação do Templo (ano 516 a.C.). Foram tempos de muita oposição, mas também de comodismo e desânimo, narrados por Esdras e denunciados pelos profetas Ageu e Zacarias (Ed 4.5; Ag 1; Zc 3). Finda a construção do Templo, abre-se um hiato na história, que teve a duração de 60 anos. É nesse período, mais precisamente entre os anos 483 e 473 a.C., como já assinalado, que se dão os fatos descritos no livro de Ester.
Somente em 457 a.C., aproximadamente dezesseis anos depois, sob a liderança do sacerdote Esdras, é que ocorrerá o segundo retorno de exilados judeus da Pérsia para Jerusalém. O registro desse retorno está a partir do capítulo 7 do livro de Esdras. O que vemos, portanto, é que nem o providencial livramento operado por Deus nos dias de Ester fez com que um número maior de judeus decidisse deixar as cidades babilônicas que ocupavam (agora sob domínio da Pérsia) e voltar à capital de Judá. O segundo grupo foi menor que o primeiro. O capítulo 8 de Esdras enumera apenas 1.754 homens. Menos de 6 mil pessoas ao todo, considerando em torno de 4 mil mulheres e crianças.
Rute e Ester: Uma Síntese Biográfica
Como já observado, os contextos geográficos e históricos da vida de Rute e Ester são muito diferentes, assim como as circunstâncias que ambas enfrentaram. De um lado, temos uma moabita que decidiu viver como camponesa em Belém; de outro, uma órfã judia que se tornou rainha. O que há de comum entre Rute e Ester são as suas virtudes espirituais e morais. Ambas expressam fé, convicção, humildade, coragem, obediência, simplicidade, pureza, abnegação, temor a Deus e disposição de servir. Por isso, foram fundamentais para a preservação do povo judeu, a descendência piedosa de Abraão. As duas continuam sendo exemplos de profunda inspiração para todos que desejam agradar ao Senhor e viver para a sua glória (Sl 147.11; 1 Co 10.31; Hb 11.6).
I – RUTE: UMA MULHER IMPORTANTE PARA A LINHAGEM DE DAVI
Em tempos de crise, Deus escolheu uma mulher moabita para incluí-la na linhagem de Davi e, por conseguinte, na ancestralidade do Messias, o Salvador do mundo. Alguns séculos antes, isso já havia acontecido com outra improvável, Raabe, a meretriz, a mulher que, temendo a Deus, escondeu em sua casa os dois espias enviados por Josué a Jericó (Js 2.6,17,23). Agora, o mesmo temor a Deus e a confiança na sua providência fazem de Rute, uma estrangeira assim como Raabe, uma integrante da árvore genealógica de Davi. O registro é feito com destaque pelo evangelista Mateus, quando disse que "Salmom gerou de Raabe a Boaz, e Boaz gerou de Rute a Obede, e Obede gerou a Jessé. Jessé gerou ao rei Davi [...]" (Mt 1.5,6, grifo nosso)
1. Uma moabita
A história de Rute, a moabita, é um dos muitos exemplos bíblicos de manifestação da graça de Deus a todos os povos ao longo da história. Os moabitas eram um povo pagão que descendiam de Moabe, filho da relação incestuosa de Ló, o sobrinho de Abraão, com a sua filha mais velha (Gn 19.30-37). Depois de escapar da destruição de Sodoma, onde vivia com a sua mulher e filhas, Ló foi morar numa caverna, num monte próximo da cidade de Zoar, no extremo sul do mar Morto, região que se tornaria parte do território de Moabe (Is 15.5; Jr 48.34).
Ali as suas filhas tiveram a infeliz ideia de embebedá-lo e deitar-se com ele para suscitar-lhe descendência. Coube à primogênita a torpe iniciativa (Gn 19.31,32).
Moabe nasceu da primogênita, e Amom, da mais nova (Gn 19.36-38). Os dois tornaram-se pais de duas nações vizinhas de Israel: os moabitas e os amonitas. Ambos eram povos perversos, idólatras e inimigos de Israel em muitas circunstâncias (Jz 3.13; 10.6-9; 1 Sm 11.1-11; 12.12; 1 Rs 11.1).
Os moabitas foram hostis a Israel desde os dias de Balaque, o rei que contratou Balaão, o sacerdote-adivinho, no afã de que amaldiçoasse a nação hebreia (Nm 22.1-6). Mais tarde, as filhas dos moabitas foram instrumento de sedução para levar os homens de Israel ao pecado sexual e à idolatria, o que resultou na morte de 24 mil israelitas (Nm 25.1-9). Moisés ainda relata a hostilidade dos moabitas pela indiferença que tiveram com o povo de Israel na sua jornada pelo deserto (Dt 23.3,4). Eles impediram Israel de passar pelas suas terras (Jz 11.17,18). No tempo dos juízes e da monarquia hebreia, vários foram os conflitos com os moabitas (Jz 3.12-30; 2 Sm 8.1,2; 2 Rs 3.4,5,24; 14.25; 1 Cr 18.2; Ez 25.8-11; Am 2.1-3).
Tendo Moabe esse histórico de hostilidade, idolatria e imoralidade sexual (Nm 25.1,2; Ap 2.14), era mesmo de todo improvável que Rute, pertencendo a esse povo, entrasse para a linhagem de Davi, família da qual viria o Messias, o Salvador do mundo (Gn 49.8-10; Is 11.1,10; Mq 5.2; Ap 5.5). Contudo, os caminhos de Deus são mais altos que os nossos e muito acima de nossa compreensão (Is 55.8,9; Rm 11.33). Ele faz do improvável provável e do impossível possível quando cremos nEle e o tememos e obedecemos sem impor-lhe qualquer condição (Gn 18.14-16; Hb 11.8-11). Ele é soberano (Jó 42.2).
Rute respondeu favoravelmente ao chamado de Jeová com devoção, fidelidade, obediência e pureza, alcançando o favor do Eterno, o Deus da providência.
2. A família belemita
Sob a ótica humana, Rute descreve a saga de uma simples família belemita e a disposição e coragem de uma jovem moabita que se apegou à sua sogra e terminou encontrando um judeu piedoso que, como parente remidor, a tomou em casamento. Sob a ótica divina, contudo, era o desenvolvimento de mais uma importantíssima fase do plano eterno de redenção da humanidade. Prometido ainda no Éden (Gn 3.15), esse plano importava na preservação de uma geração piedosa, iniciada em Abraão (Gn 12.1-3) e que prosseguia através da tribo de Judá, de onde viria o Messias, o Salvador (Mq 5.2; Ap 5.5). Sob a ótica humana, Rute surgiu inesperadamente no cenário bíblico e passou a integrar a linhagem de Davi ao casar-se com Boaz, um belemita, descendente de Salmom e Raabe, a meretriz (Mt 1.5). Esse foi mais um capítulo da soberana providência, rumo ao pleno cumprimento do plano salvífico anunciado desde Adão (Lc 3.23-38). Deus estava trabalhando para cumprir a sua promessa. Ele é sempre fiel em tudo o que promete (Nm 23.19; Js 21.45; 2 Co 1.20).
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