Envelhecer com saúde
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Envelhecer com saúde - Denise Flaibam
Envelhecer com saúde
Denise Flaibam
SÃO PAULO
2024
Sumário
Capa
Título
Apresentação
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Copyright
Landmarks
Cover
Apresentação
Envelhecer faz parte da vida; o ciclo de nascer e viver é repetitivo, mas é a forma como ele é vivido que realmente importa. Envelhecer de forma saudável demanda atenção e cuidado. Não apenas do indivíduo, mas da sociedade em que ele está inserido. O que a grande maioria das pessoas busca é viver bem, e viver bem por muito tempo.
Essas duas coisas são dependentes da rotina; quais são os cuidados que uma pessoa toma com seu corpo e sua mente. Engana-se quem acha que a longevidade só deve ser buscada quando se aproxima da meia-idade. Quando falamos na velhice e no que ela nos reserva, o pensamento é de que está longe demais para se preocupar agora
. O ideal é justamente o contrário. A forma como vamos viver a última etapa da nossa vida é equivalente à maneira como vivemos todas as outras. E ela se correlaciona ao modo com que a sociedade em que vivemos cuida dessa passagem de tempo.
O envelhecimento saudável é um processo que começa com o nascimento, com os hábitos que vão da alimentação ao bem-estar do corpo e da mente. O tempo passa e cobra seu preço, mas esse preço é comedido de acordo com o histórico de uma pessoa e das políticas públicas em favor da terceira idade. Saber envelhecer bem é um processo que nos acompanha por todos os nossos anos de vida. Já conseguir envelhecer bem é um processo que depende das políticas públicas; mas calma que vamos chegar lá.
Em um exercício mental bem rápido, podemos pensar que, dez anos atrás, você provavelmente não sentia as dores que sente hoje. Vinte anos atrás, nem pensaria que comer um docinho fora de hora faria mal. Daqui a dez anos, talvez encontre percalços no seu dia a dia com os quais não tinha que lidar agora.
Mas o tempo não precisa ser um inimigo. O aprendizado que ele deixa é de que devemos respeitar nossos corpos e as mudanças que vêm com o passar dos dias, meses e anos. Se buscarmos soluções saudáveis hoje, o amanhã vai ser mais gentil. Não exatamente milagroso, mas menos desgastante.
Dados reunidos pelo IBGE mostram que, em 2020, a expectativa de vida de homens passou de 72,8 para 73,1 e a de mulheres de 79,9 para 80,1. Em comparação com os dados de 2019, em que a média para o cidadão brasileiro era de 76,6, vemos um acréscimo acalentador. É uma conquista não apenas individual, mas da sociedade; a longevidade se relaciona à qualidade de vida de um país, e também se relaciona a novos problemas e percalços para que essa parcela da sociedade experimente um envelhecimento saudável.
Na grande maioria das vezes, significa que as condições de vida são melhores, que um trabalho de cuidado e prevenção tem sido feito com a população. Em níveis sociais mais básicos, tem-se um aumento de escolaridade, de renda, maior acesso ao saneamento básico e à tecnologia médica.
Uma sociedade que envelhece de forma saudável é, idealmente, uma sociedade que cuida da sua população desde o começo da vida até o fim dela, garantindo bem-estar. Muito além de falarmos sobre cuidados individuais, longevidade significa política pública. Significa cuidado.
Temos, porém, que considerar os pormenores.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil vai se tornar o sexto maior país do mundo em número de idosos até 2025. Isso significa que estamos vivendo uma utopia governamental em relação aos cuidados com idosos? Não apenas em relação aos idosos, mas também em relação ao ciclo da vida? Não exatamente. Os desafios do envelhecimento saudável e de políticas públicas para a terceira idade são grandes e a desinformação ainda corre solta pela nossa sociedade. O aumento do número de anos de vida da grande maioria dos brasileiros necessita de acompanhamento por parte das políticas públicas.
De nada adianta termos uma sociedade com uma expectativa de vida maior se planos políticos não forem criados para garantia do bem-estar dessas vidas. Como mencionamos antes, a ideia é que essas coisas se relacionem e que sejam intrínsecas umas às outras.
De acordo com o Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, na cartilha Envelhecimento Saudável ― Uma Política de Saúde
, desenvolvida pela OMS e pela Unidade de Envelhecimento, a saúde deve ser vista a partir de uma perspectiva ampla, resultado de um trabalho intersetorial e transdisciplinar de promoção de modos de vida saudável em todas as idades
.
E é com isso em mente que abrimos a conversa sobre envelhecer de maneira saudável; entendendo que a velhice é uma parte essencial do ciclo da vida e, assim como todos os outros, deve ser estudada e cuidada e, principalmente, vivida em todo o seu esplendor.
1
O que é envelhecer de forma saudável
Mas, afinal, o que é envelhecer bem?
Acordar sem dor nas costas, talvez? Conseguir comer um hambúrguer na sexta-feira sem medo de ser feliz? Quem sabe, se aventurar em uma corrida sem que suas juntas tenham que pagar um preço terrível? Tudo isso, sim, e também não. Essa é a graça da vida, a jornada do viver. É não ter certeza de nada, mas fazer o possível para que o seu futuro seja mais gentil com você.
Envelhecer bem não é só a ausência de doenças e problemas, mas uma adaptação e manutenção do desenvolvimento da vida.
Não tenho em mim a disposição que eu tinha uns anos atrás. É uma conversa frequente entre pessoas mais velhas; a falta de disposição, o cansaço repentino, problemas na alimentação, o confronto com o fato de que você não aguenta mais fazer aquela maratona de séries até a madrugada porque sabe que não vai acordar tão bem pela manhã, doenças degenerativas, crônicas, comuns. Tudo isso faz parte do quadro da passagem de tempo. Tudo isso também pode ser evitado ou, pelo menos, amenizado.
A ideia do envelhecimento saudável é justamente as mencionadas manutenção e adaptação, para que a velhice seja bem vivida. As consequências negativas da idade vêm, mas podem ser suavizadas e até mesmo adiadas. A importância de envelhecer de maneira salubre é justamente a de encarar a terceira idade sem todas aquelas perguntas ali em cima ou de, talvez, encará-las sabendo que muito foi feito para retardar as consequências negativas delas.
Aqui, não estamos tratando a velhice como um conceito de fim mórbido para uma vida plena, mas da continuação enérgica do que foi uma vida plena. O sinônimo que buscamos para envelhecer bem é de que isso significa viver bem. Além de viver muito, é preciso reforçar que esses anos devem ser vividos com qualidade.
A contribuição para uma saúde plena vai além da ausência de doenças degenerativas passíveis de precaução; e vai além do indivíduo, também. Depende do autocuidado, mas o autocuidado só
