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Direito E Religião: - Daniel Trento
A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO E O
BENEFÍCIO ECONÔMICO AUFERIDO PELAS ENTIDADES E LIDERANÇAS
RELIGIOSAS
Introdução
Desde sua promulgação em 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil, vem se destacando ao tratar de matérias que de forma geral ou específica norteiam a vida em sociedade.
Diante de tantas prerrogativas constitucionais, elencamos na nossa Carta Magna, como sendo o tema a ser tratado neste trabalho, a limitação constitucional ao poder de tributar.
Baseado nos dizeres de Nossa Lei Maior, o objetivo deste trabalho não é, em nenhuma hipótese defender determinada entidade religiosa, pelo contrário, levando em consideração que o próprio texto constitucional preconiza a liberdade religiosa e a defesa do estado laico em nosso país, o objetivo aqui é explorar o tema da imunidade tributária e da limitação constitucional ao poder de tributar.
Por muitas vezes vislumbra-se no cenário religioso de nosso país a ascensão patrimonial de algumas lideranças, e não raras vezes, podemos observar o desvirtuamento da instituição religiosa.
A problemática que motiva o debate, que neste trabalho estará em comento, é que não são poucas as vezes que se vê atrelada à imunidade tributária, a questão do benefício auferido pelas lideranças religiosas, tudo por conta da altíssima arrecadação econômica que se observa nesse meio da sociedade que é a Religião e suas manifestações. Arrecadação esta que não se caracteriza dentro das instituições religiosas apenas nos dias atuais, mas, como será abordado, é um tema que afeta a sociedade desde a chegada dos primeiros europeus em nossas terras.
O alcance desse debate é vasto, uma vez que estamos tratando de um assunto que envolve as várias camadas sociais, e o tema propriamente dito está sendo cada vez mais alvo de discussões no cenário político, social e religioso da atualidade de nosso país. A igreja e o Estado são tremendos influenciadores da vida em sociedade, portanto a que se analisar detalhadamente a atuação de cada um, só assim entenderemos o que está acontecendo em nosso atual cenário social, político e religioso.
A igreja no Brasil Colônia
Ao contrário do imaginário que até os dias atuais está impregnado na mente de muitas pessoas, a igreja brasileira da forma como a conhecemos nos dias de hoje não surgiu apenas com o Brasil Colônia. Ainda que alguns livros, e determinados historiadores tratam o tema central da história de nosso país com a famosa frase, o descobrimento do Brasil
, sabemos que este não foi descoberto, isso é um equívoco que por muitas vezes nos foi repassado nos bancos escolares. O Brasil não era uma terra inexplorada, havia nele habitantes como sabemos, os povos indígenas, legítimos possuidores destas terras.
Desta forma, sabendo que havia nessa terra povos com um ritmo de vida bastante diferente do povo europeu, devemos destacar então que a história da igreja no Brasil é recente. Ora, estes povos indígenas praticavam suas manifestações de fé, acreditavam e possuíam crenças que o homem recém chegado aqui não compreendia.
Neste confronto, entre aquilo que o povo europeu acreditava ser o ideal de igreja, e as manifestações dos povos aborígenes que eram novidade para o homem colonizador, surge então a necessidade de trazer os ideais religiosos cristãos para o Brasil, que até neste momento histórico não havia ainda recebido esse nome.
A igreja entra na história do nosso país de forma estratégica. Diferente do que muitos acreditam ser apenas um movimento europeu com intuito de catequizar aqueles que aqui já habitavam, a igreja se alastra pelo território da colônia com um objetivo a princípio bem mais estatal e político, do que religioso.
A forma pela qual a igreja se organizou em nossas terras foi baseada no sistema do Padroado, que era um privilégio, podemos assim dizer, concedido pelo Papa da época ao Rei Português. O direito do Padroado fora então concedido pela autoridade papal haja vista que o rei de Portugal era detentor de três ordens religiosas e militares, bastante importantes, a primeira seria a Ordem de Cristo (mais importante), logo depois a Ordem de São Tiago da Espada, e por último, mas não menos importante, a Ordem de
