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Éthera - Breno Mateus
Éthera
Breno Mateus
A todos que ouvem a voz da floresta mesmo no silêncio do mundo.
Nemtodavozsefazcomsom.Algumassussurramnapele,nossonhos,naságuasparadas.
– Breno Mateus
Sinopse
Há uma floresta onde o tempo não anda — ele respira.
Onde raízes sussurram memórias e o silêncio carrega segredos mais antigos que o fogo.
Raoni, herdeiro de um povo marcado pelas cicatrizes da vigilância, começa a ouvir o chamado de algo que não deveria despertar.
Anahi, filha das águas calmas, carrega nos olhos a sabedoria das marés e um poder que nem ela compreende por completo.
Enquanto uma sombra encapuzada se move entre as árvores e símbolos esquecidos ganham vida, o elo entre os dois se entrelaça ao destino de Éthera — a floresta viva que observa tudo... e cobra o que lhe é devido.
Entre iniciações espirituais, clãs secretos e uma maldição velada, Éthera é mais do que uma história.
É um chamado. Uma ponte entre o visível e o invisível.
A pergunta não é se você vai ouvir. É se vai ousar responder.
Sumário
Capítulo 1 – Onde a Névoa Toca a Terra
Capítulo 2 – Raízes que Queimam
Capítulo 3 – O Coração da Água
Capítulo 4 – Entre Raízes e Brumas
Capítulo 5 – Onde os Sonhos Começam a Falhar
Capítulo 6 – Entre o Que Nos Contaram e o Que Sentimos
Capítulo 7 – Sinais da Ruptura
Capítulo 8 – Sob o Olhar dos Que Não Dormem
Capítulo 9 – Onde Até o Silêncio Treme
Capítulo 10 – O Peso dos Nomes e o Preço das Escolhas
Capítulo 11 – A Última Canção Antes do Fim
Capítulo 12 – A Travessia
Capítulo 1 – Onde a Névoa Toca a Terra
Foi ali, entre raízes e silêncio
que dois mundos se cruzaram pela primeira vez.
A floresta de Éthera não era como as outras. Ela respirava. Pulsava. Era feita de uma magia antiga, espessa como a névoa que descia com o cair do sol. Diziam que os Nimari — espíritos da mata — ali se moviam com liberdade, ora brincando entre os galhos, ora alertando os vivos sobre perigos que só os olhos fechados podiam ver.
As árvores mais antigas — chamadas por alguns de Sentinelas — possuíam raízes tão profundas que diziam alcançar a memória da terra. Seus troncos tinham marcas que se pareciam com olhos, e os mais velhos ensinavam que, ao pôr a mão sobre a casca, era possível escutar histórias adormecidas. Em Éthera, as coisas não eram o que pareciam: um rio podia conter um segredo, e uma pedra, um destino.
Naquele fim de tarde, o ar carregava um perfume agridoce de folhas esmagadas e flores úmidas. A luz filtrada pelas copas dançava em dourado, criando padrões em movimento sobre o chão vivo. Duas tribos se aproximavam. Não por guerra, não por aliança. Mas por necessidade.
O Conselho das Estações, um antigo acordo entre os povos de Éthera, determinava que a cada três ciclos completos da lua vermelha, os representantes dos clãs se reuniriam para ouvir os sinais da floresta. Era um tempo de partilha — de frutas, palavras e silêncios. O local de encontro era neutro: uma clareira antiga, marcada por pedras musgosas e árvores curvas, onde nenhum povo firmava morada.
Foi nesse encontro que Raoni viu Anahi pela primeira vez.
Ele, filho de Karuan, caçador dos Vigias. Forte, atento, inquieto. Seu corpo parecia moldado pela própria floresta, e seus olhos tinham o brilho de quem já havia enfrentado mais do que deveria. Criado nas alturas das árvores, Raoni conhecia os ventos e seus caminhos, as sombras do chão e os sons do perigo. Tinha a força do pai, mas os olhos da mãe — olhos que viam além.
Ela, filha de Aruma, aprendiz do Círculo da Água. Menina de passos leves, de olhar profundo e voz
