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Jesus, o Filho do Homem
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E-book210 páginas2 horas

Jesus, o Filho do Homem

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Sobre este e-book

"Jesus poderia escapar de seus inimigos e vivido até a velhice.
Mas sabia que a seiva da árvore celeste deveria brotar de suas raízes."
Khalil Gilbran faz um retrato ficcional de Jesus pela visão de seus contemporâneos. Depoimentos de pessoas que conviveram com ele, de Maria Madalena a Pôncio Pilatos, que revelam características da personalidade de Cristo detalhes e detalhes de sua passagem pela terra.
IdiomaPortuguês
EditoraEditora Lafonte
Data de lançamento10 de jun. de 2022
ISBN9786558706960
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    Jesus, o Filho do Homem - GibranKhalil

    Capa de Jesus, o filho do homem de Khalil Gibran

    Título original: Jesus, the Son of Man

    copyright © Editora Lafonte Ltda. 2022

    ISBN 978-...

    Todos os direitos reservados.

    Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida por quaisquer meios existentes sem autorização por escrito dos editores.

    Direção Editorial

    Ethel Santaella

    REALIZAÇÃO

    GrandeUrsa Comunicação

    Direção

    Denise Gianoglio

    Tradução

    Celina Vergara

    Revisão

    Luciana Maria Sanches

    Capa, Projeto Gráfico e Diagramação

    Idée Arte e Comunicação

    Diagramação do E-book

    Estúdio GDI

    Editora Lafonte

    Av. Profa Ida Kolb, 551, Casa Verde, CEP 02518-000, São Paulo-SP, Brasil – Tel.: (+55) 11 3855-2100

    Atendimento ao leitor (+55) 11 3855-2216 / 11 3855-2213 – atendimento@editoralafonte.com.br

    Venda de livros avulsos (+55) 11 3855-2216 – vendas@editoralafonte.com.br

    Venda de livros no atacado (+55) 11 3855-2275 – atacado@escala.com.br

    Tiago,

    o filho de Zebedeu

    Os reinos do mundo

    Num dia de primavera, Jesus estava no mercado de Jerusalém e falava às multidões sobre o reino dos céus.

    Acusou os escribas e fariseus de criarem armadilhas e ciladas no caminho daqueles que anseiam pelo reino. E seguiu os denunciando.

    Naquele momento, entre a multidão havia um grupo de homens que defendia os escribas e fariseus, procurando controlar tanto Jesus quanto a todos nós.

    Mas Jesus os evitou e se afastou, caminhando em direção ao portão norte da cidade.

    Então nos disse: A minha hora ainda não chegou. Muitas são as coisas que tenho para dizer e muitas são as obras que ainda realizarei antes de me entregar ao mundo.

    Continuou, com alegria e riso em sua voz: Vamos para o Norte do país encontrar a primavera. Venham comigo para as colinas, pois o inverno já passou e a neve do Líbano desce aos vales para cantar com os riachos.

    As lavouras e os vinhedos expulsaram o sono e estão acordados para saudar o sol com seus figos verdes e suas uvas tenras.

    E caminhou diante de nós, que o seguimos, naquele dia e no seguinte.

    Na tarde do terceiro dia, chegamos ao cume do Monte Hermon, e ali ele ficou olhando para as cidades nas planícies.

    Então seu rosto brilhou como ouro fundido, e ele estendeu os braços, dizendo: Vejam a terra em suas vestes verdes e como os rios cercaram as bordas de seus trajes com prata.

    Na verdade, a Terra é justa e tudo o que está sobre ela é equilibrado.

    Mas há um reino além de tudo o que vocês veem, e nele eu devo reinar. E se for sua escolha, e de fato o seu desejo, cada um de vocês também virá e reinará comigo.

    Meu rosto e o rosto de vocês não estarão mascarados; nossa mão não deverá segurar nem espada nem cetro, e nossos súditos nos amarão em paz e não terão medo.

    Assim falou Jesus. A partir de então, fiquei cego para todos os reinos da Terra, para todas as cidades de muralhas e torres e, meu coração seguiria o mestre ao seu reino.

    Então, naquele momento, Judas Iscariotes deu um passo adiante. Caminhou para perto de Jesus e falou: Eis que os reinos do mundo são vastos e que as cidades de Davi e Salomão prevalecerão contra os romanos. Se você for o rei dos judeus, permaneceremos ao seu lado com espada e escudo e venceremos o estrangeiro.

    Mas, quando Jesus ouviu isso, voltou-se para Judas, e o rosto dele se encheu de ira. Ele falou com uma voz terrível, como o trovão no céu: Para trás, Satanás. Pensa que eu desci para esse tempo para governar um formigueiro por um dia?

    Meu trono está muito além de sua visão. Aquele cujas asas envolvem a Terra deveria buscar abrigo em um ninho abandonado e esquecido?

    Os vivos deveriam ser honrados e exaltados por aquele que veste o sudário?

    O meu reino não é desta Terra, e o meu trono não está edificado sobre os crânios de seus ancestrais.

    Se você busca alguma coisa além do reino do espírito, então seria melhor que me deixasse aqui e descesse às cavernas de seus mortos, onde as cabeças coroadas de outrora fazem a corte em seu túmulo e ainda podem ter honras concedidas pelos ossos de seus antepassados.

    Você ousa me seduzir com uma coroa de impureza quando minha testa procura a Plêiades em vez de seus espinhos?

    Se não fosse pelo sonho de uma raça esquecida, eu não toleraria o seu sol, que nasce sobre minha paciência, nem sua lua, que lança minha sombra em seu caminho.

    Se não fosse o desejo de uma mãe, eu teria me despojado dos cueiros e fugido de volta para o espaço.

    E se não fosse pela tristeza em todos vocês, eu não teria ficado para chorar.

    Quem e o que é você, Judas Iscariotes? E por que você me tenta?

    Você realmente me analisou e achou que eu poderia liderar legiões de pigmeus e dirigir carruagens de disformes contra um inimigo que acampa apenas em seu ódio e marcha em nenhum lugar, só em seu medo?

    Muitos são os vermes que rastejam sobre meus pés, e eu não lhes darei batalha. Estou cansado de sentir pena dos rastejadores que me julgam covarde porque não peregrino entre seus muros guardados por torres.

    É uma pena que eu precise ter piedade até o fim. Se eu pudesse, dirigiria meus passos para um mundo distinto, onde habitam homens grandiosos. Mas como poderia?

    Seu padre e seu imperador querem meu sangue. Eles devem ficar satisfeitos antes de eu ir embora. Não mudaria o curso da lei. E não governaria a insensatez.

    Deixe a ignorância se reproduzir até que se canse de sua própria prole.

    Deixe o cego levar o cego à armadilha.

    E que os mortos sepultem os mortos até que a terra seja sufocada com seus próprios frutos amargos.

    Meu reino não é deste mundo. Meu reino será onde dois ou três de vocês se encontrarão em amor, maravilhados com a beleza da vida, animados e lembrando de mim.

    Então, de repente, ele se virou para Judas e disse: Para trás, homem. Seus reinos nunca estarão em meu reino.

    Estava escurecendo, ele se virou para nós e disse: Vamos descer. A noite está sobre nós. Andemos na luz enquanto a luz está conosco.

    Ele desceu das colinas e nós o seguimos. E Judas seguiu de longe.

    Quando chegamos à planície, já era noite.

    Tomé, filho de Diófanes, disse: Mestre, está escuro agora, não conseguimos mais ver o caminho. Se estiver em sua vontade, conduza-nos às luzes da aldeia, onde podemos encontrar carne e abrigo.

    E Jesus respondeu a Tomé: Eu te guiei às alturas quando você estava com fome e o trouxe às planícies com uma fome ainda maior. Mas não posso ficar com você esta noite. Eu gostaria de ficar sozinho.

    Então Simão Pedro se adiantou e disse: Mestre, não nos permita ir sozinhos no escuro. Admita que possamos ficar com você até mesmo aqui neste atalho. A noite e suas sombras não vão demorar, e a manhã logo nos encontrará se você apenas ficar conosco.

    E Jesus respondeu: Esta noite as raposas terão suas tocas, e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde deitar sua cabeça na terra. E, de fato, agora eu gostaria de ficar sozinho. Se vocês desejarem, irão me encontrar novamente no lago onde eu estarei.

    Então nos afastamos dele com o coração pesado, pois não tínhamos vontade de deixá-lo.

    Muitas vezes, paramos e voltamos nossos rostos para sua direção, e o vimos em solitária majestade, movendo-se para o Oeste.

    O único homem entre nós que não se voltou para contemplá-lo em sua solidão foi Judas Iscariotes.

    E a partir desse dia, Judas se tornou taciturno e distante. Naquele momento, percebi que havia perigo no fundo de seus olhos.

    Ana,

    a mãe de Maria

    O nascimento de Jesus

    Jesus, filho da minha filha, nasceu aqui em Nazaré, no mês de janeiro. E na noite em que Jesus nasceu, fomos visitados por homens do Leste. Eram persas que chegaram a Esdrelão com as caravanas de midianitas a caminho do Egito. E, como não encontraram quartos na estalagem, procuraram abrigo em nossa casa.

    Eu os acolhi e disse: Minha filha deu à luz um filho esta noite. Certamente vocês irão me perdoar se não lhes servir como convém a uma anfitriã.

    Eles me agradeceram por lhes dar abrigo. E, depois do jantar, disseram: Nós gostaríamos de ver o recém-nascido.

    O Filho de Maria era belo, e Maria também era atraente.

    Quando os persas viram Maria e seu bebê, pegaram ouro e prata de suas bolsas, além de mirra e incenso, e depositaram tudo aos pés da criança.

    Em seguida, se ajoelharam e oraram em uma língua estranha que nós não compreendíamos.

    Quando os levei ao quarto preparado para pudessem descansar, caminharam maravilhados com o que tinham visto.

    Ao amanhecer, nos deixaram e seguiram o caminho para o Egito.

    Mas, na despedida, disseram: A criança tem apenas um dia de idade, ainda assim vimos a luz de nosso Deus em seus olhos e o sorriso de nosso Deus em sua boca.

    Nós pedimos que você o proteja para que ele possa proteger todos vocês.

    E assim dizendo, montaram em seus camelos e não os vimos mais.

    A partir daquele momento, Maria já não parecia tão alegre, mas continuava cheia de admiração e surpresa com seu primogênito.

    Ela fitava longamente o bebê e depois virava o rosto para a janela. Olhava para longe no céu, como se tivesse visões.

    Havia vales entre o coração dela e o meu.

    O menino cresceu em corpo e espírito, embora diferente de outras crianças. Ele era distante e difícil de dominar, e eu não podia colocar minha mão sobre ele.

    Mas, ele era amado por todos em Nazaré, e em meu coração eu sabia por quê.

    Muitas vezes, ele pegava nossa comida para dar ao transeunte. Oferecia a outras crianças o doce que eu lhe dava, antes mesmo de provar. Subia nas árvores do meu pomar para pegar os frutos, mas nunca para comê-los.

    Apostava corrida com outros meninos e, às vezes, porque era mais rápido, se demorava de propósito para que pudessem passar a linha de chegada antes dele alcançá-la.

    E, às vezes, quando eu o levava para a cama, ele dizia: Diga à minha mãe e aos outros que só meu corpo vai dormir. Meu espírito estará com eles até que o espírito deles venha à mim de manhã.

    Muitas outras palavras maravilhosas ele disse quando era menino, mas eu sou muito velha para lembrar.

    Agora me dizem que não o verei mais. Mas, como devo acreditar no que dizem?

    Ainda ouço sua risada e o som de sua corrida pela minha casa. E, sempre que beijo a bochecha de minha filha, sua fragrância volta ao meu coração como se o seu corpo estivesse em meus braços.

    Não

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