A História Real De Um Esquizofrênico Com Traços Leves De Narcisismo
De Rafael Silva
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A História Real De Um Esquizofrênico Com Traços Leves De Narcisismo - Rafael Silva
A HISTÓRIA REAL DE UM ESQUIZOFRÊNICO COM TRAÇOS LEVES DE NARCISISMO
SAIBA COMO ELE LIDA COM A DOENÇA E SEUS PROGRESSOS
Rafael Silva
Introdução:
A história da minha vida e meus transtornos: a infância, a adolescência, o colégio, a vida adulta, a faculdade, a banda de rock, o trabalho temporário, as encrencas, as internações, as namoradas, os amigos, a psicose, a paranóia, o CAPS, a euforia, a ansiedade, a depressão, a agitação, as somatizações, as visões de espíritos e entidades, o avistamento de OVNIs, a desconfiança de abdução, o estado de transe, a timidez, a dissociação da mente, traços de narcisismo sem ter transtorno de personalidade, as alucinações, as vozes, percepção alterada, religião africana, alterações visuais, a fotofobia, a hiperacusia, do pecado ao progresso espiritual, solidão, Igreja de Jesus Cristo, anjos, do inferno ao paraíso, como eu lido com todos esses problemas e muito mais!
Capítulo 1 - Minha Infância
Era década de 80, meu irmão nasceu da barriga de minha mãe através de cesariana e em seguida ela infelizmente teve depressão pós-parto. Meu irmão, era o Rodrigo, ele era muito serelepe, os médicos desconfiaram que ele era um menino superdotado, mas depois se constatou que se tratava de uma criança hiperativa.
Minha mãe se chamava Carmen e meu pai se chamava Sérgio. Quando meu irmão tinha três anos de idade, minha mãe engravidou novamente, e era eu mesmo que iria nascer. Quando minha mãe estava à vários meses grávida de minha pessoa, ela estava andando na rua, muito exausta devido a gravidez, e por detrás da grade de uma casa, um terrível cachorro começou a latir e ela se assustou de tal maneira que caiu de barriga no chão e ficou muito temerosa que tivesse me machucado em seu ventre.
Minha mãe queria me dar o nome de Moroni, profeta pré-colombiano do Livro de Mórmon de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que depois se tornou no anjo Moroni, da igreja ao qual minha mãe era batizada, mas meu pai, que era católico, queria me dar o nome do anjo Rafael, arcanjo do cristianismo e do judaísmo. Então, no dia 23 de julho de 1983, eu nasci de cesariana, num dia muito frio, e recebi o nome de Rafael Moroni, o qual foi um acordo entre meu pai e minha mãe.
Minha mãe também teve depressão pós-parto com o meu nascimento.
Certa vez, eu estava no consultório médico com minha mãe e com meu irmão Rodrigo, e meu irmão me derrubou de cima da mesa, de maneira que caí de cabeça no chão. Eu era apenas um bebezinho e minha mãe ficou muito preocupada que eu tivesse grandes problemas de saúde, devido a minha queda, mas o médico acalmou minha mãe, afirmando que eu não teria problemas, pois como um bebezinho minha cabeça era feita praticamente de cartilagem.
Morávamos em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e no ano de 1984, no inverno, foi a única vez em minha vida até o momento que estou escrevendo esse texto, que vi a neve cair sob a face da Terra, mas não me recordo porque tinha apenas um ano de vida.
Eu e meu irmão éramos crianças muito serelepes, minha mãe nos levou na igreja no início de nossas vidas, mas em seguida se afastou da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Eu tinha uma babá que eu adorava muito, ela se chamava Ângela, e ela gostava muito de mim. Às vezes quando ela ganhava o salário dela, ela comprava brinquedos para mim, mas esquecia de comprar coisas para ela.
Certa vez eu estava no carrinho de bebê, na rua, passeando com minha babá, e sua amiga, e elas me deixaram sozinho porque queriam conversar com um garoto, então eu, sem saber o que estava fazendo, pois tinha somente um aninho de vida, pulei do carrinho e caí de cabeça no chão. Levei alguns pontos na nuca, e minha mãe quando me viu levando os pontos, desmaiou de terror caindo no chão, mas não se feriu ao cair. Até hoje tenho uma cicatriz na nuca causada pela minha queda quando era bebê.
Acredito que por volta de 1985, quando eu tinha dois aninhos, meu pai precisou viajar para São Luís do Maranhão, no nordeste brasileiro, mas era mais eu e minha mãe e meu irmão que íamos morar lá, porque meu pai estava sempre viajando. Seguidamente meu pai ia para zona franca de Manaus fazer compras, pois ele trabalhava na empresa Engevix e era uma pessoa muito próspera, e não deixava faltar nada para sua família.
Eu lembro de ver minha mãe fumando naquela época e por muitos anos ela fumava e bebia escondida de nós, que éramos sua família.
Devido às constantes viagens do meu pai, minha mãe acabou se apegando muito a mim e a meu irmão, uma verdadeira relação simbiótica de dependência. No futuro, minha mãe escolheria meu irmão como o filho que daria certo na vida e eu seria o filho escolhido para ficar doente, e dessa forma eu nunca abandonaria ela, pois ela faria de tudo para eu ficar dependente dela, pois ela era uma mãe narcisista.
Lembro de poucas coisas da cidade de São Luís do Maranhão, mas lembro que morávamos numa casa grande, era muito calor, íamos seguidamente na praia, e minha primeira amizade foi a menina de nome Sara, uma menina loirinha, o qual chamávamos ela de Sarinha, e seu irmão mais velho era muito amigo de meu irmão.
Lembro de um sonho que tive com a Sarinha, sonhava que eu e ela estávamos fazendo xixi em uma árvore da rua, eu fazia xixi em pé e ela também fazia xixi em pé, quase igual a mim, apontando para a árvore. Eu ainda era criança e não entendia muito da anatomia das meninas.
Lembro que o meu irmão nunca deixava eu brincar com os brinquedos dele, nunca deixava eu mexer nas coisas dele, pois ele era muito organizado e eu era muito desorganizado e seguidamente quebrava meus brinquedos, então, um dia eu e a Sarinha fomos escondidos no quarto do meu irmão para brincar com os brinquedos dele.
Devido as minhas amizades femininas da infância eu tinha muita admiração pelas meninas, além de brincar com brinquedos de meninos, eu também brincava com brinquedos de meninas como bonecas e brincava de casinha, e não via diferença em minha mente, naquela época, só quando cresci mais um pouco eu parei de fazer isso e passei a brincar com bonecos militares dos Comandos em Ação ou com bonecos de super-heróis da Marvel e DC.
Alguns fatos inusitados da minha infância é que tenho uma memória quando estava em Porto Alegre antes de viajarmos para o Maranhão: estava num carro com meu pai e meu tio Dalmo, e lembro que vi o morro Santana onde tinha um grande buraco no morro devido a escavações, e do lado do buraco, lembro de ter visto uma centopeia gigante, provavelmente uma alucinação. E depois, quando estava morando no Maranhão, lembro que estava em casa, e meu irmão jogou na minha direção um brinquedo que era uma barata azul, e na minha mente eu vi claramente a barata com as pernas se mexendo e correndo na minha direção, e fiquei muito assustado. Lembro também que peguei uma chave de abrir porta em minha mão e coloquei numa tomada de eletricidade e levei um choque tão grande que minha mão ficou com uma mancha preta, mas não lembro da dor que senti e nem se me levaram no hospital. Uma vez ouvi dizer que a mente sempre tenta se esquecer dos traumas e das coisas tristes do passado.
No final de 1986, ou início de 1987, nos mudamos para o Rio de Janeiro. Nessas viagens mais longas, sempre íamos de avião e eu sempre ficava com medo de que o avião fosse cair, quando eu deixava de encostar os meus pés no assento da frente, eu ficava tenso, pois acreditava que o avião começaria a cair, imaginação boba de criança, eu era uma criança que vivia num mundo de fantasia.
No Rio de Janeiro, fui estudar no maternal, meu melhor amigo era meu xará, Rafael, um alemãozinho divertido.
Uma vez minha mãe me levou para o maternal da escola e ela esqueceu sua bolsa e me deixou lá, e foi-se embora, então eu peguei a bolsa de minha mãe, passei na frente da portaria sozinho e fui sozinho até a frente do nosso apartamento levar a bolsa para minha mãe. Por sorte que minha mãe olhou para trás e meu viu, e me levou de volta para a escolinha, perguntou para a mulher da portaria o porquê dela ter me deixado sair sozinho, e a mulher da portaria disse: - Mas esse garoto é mesmo uma fumacinha! Não consegui ver ele!
Tínhamos como amigos, um casal de irmãos, e os dois eram mais velhos que eu, e lembro que tinha grande admiração por um deles que era uma menina que eu achava muito bonita e ficava olhando para ela, admirando a beleza dela, e ela achava isso muito engraçado e ficava encantada comigo.
Nesse período comecei a ter meus primeiros sinais de que me sentia atraído por meninas, a TV brasileira era uma baixaria e as vezes eu olhava mulheres sem roupa na TV ou em trajes menores, coisas que crianças não deveriam ter acesso, não só na TV, mas as revistas de moda de minha mãe, às vezes exibiam mulheres nuas ou seminuas.
Um dia meu irmão construiu uma casinha com as poltronas do sofá da sala
