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Amie, Futuro Roubado: AMIE, #3
Amie, Futuro Roubado: AMIE, #3
Amie, Futuro Roubado: AMIE, #3
E-book475 páginas6 horasAMIE

Amie, Futuro Roubado: AMIE, #3

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Sobre este e-book

Amie retorna para sua querida África, mas seus inimigos não a perdoaram e nem se esqueceram dela, e estão decididos a se vingar e recuperar a própria honra. Os acontecimentos de uma única noite causam uma mudança radical na vida de Amie, deixando-a sem casa, sem amigos e sem nome. Sem futuro. De repente, ela não existe mais e aqueles que a controlam deixam claro que ou ela lhes obedece, ou morre. Não mais a ingênua esposa recém-casada, Amie passa a enfrentar desafios que transformam tudo em que acredita e como encara a vida. Narrativa de ação e aventura, em ritmo acelerado, que tem como cenário a África dos dias de hoje, ao mesmo tempo selvagem e noderna.

Futuro roubado é o terceiro volume da série "Amie", detentora de vários prêmios internacionais e n.1 em vendas nos dois lados do Atlântico. Uma leitura que não se consegue interromper.

IdiomaPortuguês
EditoraBadPress
Data de lançamento15 de jul. de 2019
ISBN9781393011163
Amie, Futuro Roubado: AMIE, #3
Autor

Lucinda E Clarke

Lucinda E Clarke ha sido una escritora profesional durante los últimos 30 años, escribiendo para la radio y la televisión. Ha publicado numerosos artículos en varias revistas y actualmente escribe una columna mensual en una publicación local. Una vez tuvo su propia columna en el periódico, hasta que el periódico cerró, pero dice que no fue su culpa! Ha ganado más de 20 premios por el guión, la dirección, el concepto y la producción, y ha publicado dos libros de texto educativos. Lamentablemente, no le dieron la fortuna que soñaba, para permitirle vivir de la manera a la que le gustaría estar acostumbrada. Lucinda también ha trabajado en la radio - en una ocasión con una bayoneta en su garganta - apareció en la televisión y conoció y entrevistó a algunos de los principales líderes mundiales.   Creó y dirigió su propia empresa de producción de vídeo, produciendo diversos programas, desde anuncios publicitarios hasta documentales corporativos y dramáticos sobre una amplia gama de temas. En total, ha vivido en ocho países diferentes, ha dirigido la "peor escuela de equitación del mundo" y ha limpiado retretes para traer el dinero. Cuando se ocupó de su propio divorcio, Lucinda hizo historia legal en Sudáfrica. Da ocasionalmente charlas y conferencias a grupos de interés especial y considera que la jubilación es la época más agotadora de su vida hasta ahora; pero dice que todavía hay mucho que ver y hacer, y le preocupa no tener tiempo para asimilarlo todo.

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    Amie, Futuro Roubado - Lucinda E Clarke

    Design de capa e arte original por: Dazz Smith

    darryl@nethed.com

    http://www.nethed.com/book-covers/

    Compilado por: Rod Craig

    Também por Lucinda E Clarke

    Português

    Mais Verdade, Mentiras e Propaganda

    Verdade, Mentiras e Propaganda

    Inglês

    Walking over Eggshells

    Truth Lies and Propaganda

    More Truth, Lies and Propaganda

    Unhappily Ever After

    Amie – African Adventure

    Amie and the Child of Africa

    Amie – Stolen Future

    Amie – Cut for Life

    Amie – Savage Safari

    Espanhol

    Amie. Una aventura africana

    Amie y la niña de África

    El futuro truncado de Amie

    Mutiladas de por Vida

    Verdad, mentiras y propaganda

    Más verdad, mentiras y propaganda

    Caminando sobre cáscaras de huevo

    Italiano

    In punta di piedi

    Contents

    1  O ÚLTIMO ADEUS

    2  SENSAÇÃO DE INQUIETUDE

    3  PROBLEMA RESOLVIDO

    4  A BUSCA POR SAM

    5  OUMA ADEDE AJUDA NO RESGATE

    6  UM INFERNO DE FÉRIAS

    7  O ATAQUE

    8  OS MORTOS-VIVOS

    9  OS ÚLTIMOS DIAS EM APATU

    10  A CALMARIA ANTES DA TEMPESTADE

    11  TIROTEIO NO SHOPPING

    12  ONDE ESTÁ VIVIENNE?

    13  HORA DE PARTIR

    14  A RESIDÊNCIA

    15  MADDY DIZ

    16  UM FIM DE SEMANA NADA ROMÂNTICO

    17  AMIE CAI FORA

    18  REFÚGIO BEM-VINDO

    19  A VOLTA À SELVA

    20  NOVAS CHEGADAS

    21  A HISTÓRIA DE KEN

    22  ESCAPANDO

    23  RESGATE E MORTE

    24  UMA DESAGRADÁVEL SURPRESA

    25  ENCONTRANDO OS TUBARÕES

    SOBRE A AUTORA

    1  O ÚLTIMO ADEUS

    Momento atual

    Por trás do véu, as lágrimas desciam pelo rosto de Amie enquanto via os caixões serem baixados para dentro das covas recém-cavadas. Ela pouco conseguia se lembrar dos últimos dias e estava constantemente combatendo a sensação de um pânico avassalador. Sua mente era um amontoado de pensamentos desconexos, recordações indistintas, perguntas. Pessoas que ela não conhecia bem tinham invadido seu mundo para providenciar esse terrível funeral.

    Ali de onde estava, em pé, no limite do cemitério, parcialmente escondida pelo tronco de um grande pé de mogno típico de Natal, ela conseguia ver Ouma Adede que um dia havia previsto seu futuro. O que ela fazia ali? Havia mais gente: a sra. Motswezi, diretora do orfanato onde Amie tinha visto Angelina pela primeira vez, rostos meio conhecidos do clube, casais com quem tinha jantado ou passado um dia na praia. Havia um rapaz alto, belo, de cabelo loiro, que ela nunca tinha visto e que provavelmente era alguém da embaixada. E, naturalmente, Ken. O sol se refletia em sua pela escura e no cabelo preto encaracolado que comprovavam sua ascendência africana. Até mesmo Jennifer e Patrick estavam ali, mas Amie não tinha autorização para falar com eles, nem podia se aproximar deles. A certa altura, sem pensar, dera um passo adiante como se fosse andar até lá e se reunir a eles, mas alguém a havia puxado pelo braço para impedi-la.

    — Você não pode se aproximar; nem agora, nem nunca. — A voz firme não traía nenhuma emoção.

    Por fim, o sacerdote concluiu suas preces. Um a um, os enlutados foram passando por entre os túmulos, cada qual a caminho do seu carro. Ouma Adede levantou os olhos e fitou Amie, ainda que seu rosto estivesse coberto por um véu de musselina negra e ela, escondida atrás de uma árvore. Amie podia jurar que ela lhe havia feito um breve aceno com a cabeça. Depois, a idosa curandeira saiu do cemitério sem olhar para trás. Os olhos delas duas teriam realmente se encontrado ou ela só havia imaginado?

    Depois que todos os presentes ao enterro tinham partido e o sacerdote saíra apressado, Amie foi escoltada de volta ao carro, conduzida até o quarto e, mais uma vez, a porta foi firmemente trancada às suas costas.

    Agora, ela podia chorar sem testemunhas.

    A sra. Motswezi também tinha ido embora do cemitério, mas se soubesse que Amie estava lá será que a teria considerado fria e insensível? Quando os africanos comparecem a um funeral, choram e se lamuriam, gritam e gemem. Amie não tinha essa opção. Sofreria em silêncio, sem demonstrar absolutamente nada. Ela não era inglesa, nem africana.

    De volta ao quarto que lhe servia de cela, Amie pegou um lenço de papel para assoar o nariz e secar os olhos. Avistar a sra. Motswezi tinha trazido de volta uma parte de seu passado, com a recordação de uma conversa que tivera com a idosa diretora poucas semanas antes, no orfanato.

    Ela então lhe perguntara: — O que você diz a elas?

    Amie estava olhando para aquelas criancinhas, muitas com os olhos perdidos no ar, e pensava no que poderiam estar pensando. Na guerra, de novo? Nas atrocidades que tinham testemunhado?  Nas cenas de suas famílias sendo trucidadas e assassinadas? Teriam sido forçadas a ver suas casas sendo incendiadas até que não restasse mais nada? Teriam fugido para se salvar, escondidas no mato? Quanto poderia ter sido pior para elas, que não entendiam por que os adultos faziam aquelas coisas. Por que sentiam tanta raiva uns dos outros? Por que os homens matavam as pessoas?

    — Venha —, a sra. Motswezi apontava na direção de uma mesinha – na verdade, uma tábua sobre duas pilhas de tijolos. — Venha, vamos tomar um chá, está muito quente.

    Amie acompanhou a diretora e se sentou ao lado dela num velho toco de árvore. O ar continuava parado. O calor irradiava tanto do céu como do chão. Soprada pela brisa leve, a terra seca formava cones de poeira que subiam do solo na esteira dos passos das duas.

    A diretora tinha tirado uma chaleira do fogo e despejava a água fervente em duas canecas de alumínio. Um saquinho de chá para as duas. Então, quatro colheradas cheias de açúcar em cada caneca. Não importava quantas vezes Amie já tinha dito à amiga que não pusesse açúcar no chá. Ela simplesmente ignorava o pedido. Os africanos tomam chá com açúcar e ninguém punha menos do que quatro colheradas por vez.

    Amie levou a caneca à boca, mas então parou e repetiu: — O que você diz a elas?

    A sra. Motswezi tinha erguido suas sobrancelhas ralas.

    — Sobre a guerra?

    — Sim. Como é que você explica os combates, as mortes, todas as coisas brutais que elas devem ter visto?

    A diretora dera de ombros: — Nada.

    — Nada, nenhuma palavra? Você apenas não toca no assunto? — Amie não conseguia entender a razão dessa atitude. Não era conhecimento comum que é preciso falar sobre os traumas passados para poder começar o processo de cura?

    — Não há necessidade —, a sra. Motswezi respondera com firmeza. — Logo elas irão esquecer. Agora, elas devem se preocupar em crescer, ter uma boa educação, aprender a se comportar bem e a falar inglês. Isso é importante no mundo de hoje. Os países importantes falam inglês, e assim elas vão arrumar um emprego melhor.

    Debaixo das cobertas, deitada em sua cama de prisioneira, ela se lembrava das palavras da sra. Motswezi. A imensa distância entre ela e a África era evidente. O funeral havia deixado isso perfeitamente claro. Enquanto os africanos podiam gemer e se lamuriar diante da morte, não ficavam vivendo semanas e semanas de luto. Apenas seguiam em frente com a própria vida.

    Era melhor olhar somente para o futuro e esquecer o passado. De uma perspectiva realista, as pessoas comuns não tinham escolha. Vivendo o dia a dia, trabalhando jornadas longas apenas para cobrir as necessidades mais básicas, não tinham tempo para ficarem sentadas, sentindo pena de si mesmas.

    Apontando para as crianças, algumas delas solitárias, outras reunidas em grupinhos ou correndo por ali, brincando com uma bola feita de meias-calças velhas, a sra. Motswezi disse: — E essas são as felizardas. Encontraram um jeito de me achar e eu vou cuidar delas. As outras não tiveram tanta sorte.

    — Você quer dizer as gangues que vivem pelas ruas? — Amie tinha apontado o dedo na direção do centro da cidade.

    — Sim. Algumas dessas pobrezinhas vão entrar para algum tipo de família, com um chefe jovem, e serão consoladas pelas outras crianças do bando. Por algum tempo, se sentirão felizes, mas só por algum tempo.

    Amie sabia o que a sra. Motswezi queria dizer. Cedo ou tarde, a maioria das crianças seria apanhada furtando e receberia uma bela surra do dono da loja ou da casa. Também não escapariam de mais sovas, se algum adulto chamasse a polícia. Aqueles guardiões da lei uniformizados não pensavam duas vezes em aplicar um forte corretivo nos menores, antes de mandar os maiores para a cadeia. Quando Amie fora feita prisioneira, ocupara uma cela num dos maiores presídios da cidade, mas a cadeia da periferia não tinha mudado desde muito antes da primeira guerra civil e, o que era bem estranho, não fora danificada em nenhum dos dois conflitos. Amie estremecia toda vez que passavam por lá a caminho da praia. Dúzias de homens, sentados do lado de fora, sob o sol escaldante, nem vestígios de sombra, e a ela davam a impressão de não terem licença para ficar dentro dos edifícios com jeito de quartel, ocupando dois lados do complexo. Ela havia aprendido a desviar os olhos e evitar a expressão desesperada com que os detentos acompanhavam o carro, quando passava ao lado das grades altas, encimadas por rolos de arame farpado dotados de pequenas lâminas. Amie teria preferido muito mais sair dali o mais rápido possível, mas a pista ainda não estava asfaltada e os buracos eram tão grandes que se tornava impossível acelerar.

    Que chance teriam aquelas criancinhas? — ela se perguntara. Que esperança de futuro? Que sonhos?

    E, em voz alta, tinha dito: — Que chance elas têm?

    A sra. Motswezi tinha encarado Amie com dureza antes de sua expressão se suavizar e ela responder: — Você já está na África há muitos anos agora, mas ainda pensa como o homem branco. — Agarrando o braço de Amie com uma mão que mais lembrava uma garra, com a outra ela apontou para uma acácia ali perto.

    — Você está vendo aquelas aves amarelas?

    Amie indicou que sim.

    — Aqueles são os pássaros-tecelões. São aves africanas. Têm o espírito da África. Veja aquele macho, construindo o ninho na ponta do ramo. Amie tinha acompanhado o esforço daquele passarinho para trançar talos de grama em voltas que formavam uma bola quase completa, na ponta do galho, a balançar precariamente, tangida pela brisa leve.

    — Ele vai levar muitas horas para construir a casa lá no alto, longe das cobras e dos lagartos, que assim não conseguirão alcançar os ovos. Mas — e ela fez uma pausa — todo esse trabalho pode não servir de nada. Somente quando a fêmea achar que aquele é um bom ninho é que ela concordará em botar os ovos ali. Olha lá, aquela está indo dar uma espiada para conferir se é uma boa casa.

    Uma fêmea, de cores menos vistosas do que o macho construtor, que piava ansioso para atraí-la, estava inspecionando o ninho. Por alguns momentos, ela se firmou delicadamente na bola que o macho tinha tecido e depois desapareceu ali dentro, entrando pela abertura embaixo. Não demorou muito, tornou a aparecer e logo saiu voando.

    — Viu? — a diretora disse. — Ela não gostou. Agora, o macho vai precisar começar a construção de outro ninho que seja bom para a fêmea. Ele pode ter de tentar muitas e muitas vezes até que ela goste de algum.

    Amie sorriu. Ela já sabia tudo sobre os pássaros-tecelões e seus hábitos. Dirk lhe havia falado sobre aquelas aves há muito tempo, quando ela se hospedara na cabana do parque de animais selvagens que ele administrava. Grandes bandos de aves de pequeno porte sempre eram avistados por toda parte, reunidos às centenas em busca de segurança. Construíam dezenas de ninhos numa mesma árvore, cada um deles um verdadeiro milagre de execução.

    — Com esses passarinhos, aprendemos que devemos viver. Somos fortes, não desistimos. Somos africanos. — Mesmo sentada, a sra. Motswezi mantinha uma postura altiva e ereta.

    Sim, os africanos lamentavam a perda dos seus mortos e então seguiam em frente com a própria vida. Mas Amie não tinha tanta certeza de que seria capaz disso. Sentia-se totalmente derrotada, completamente perdida. O futuro se estendia à sua frente como um nevoeiro e ela não conseguia enxergar um palmo adiante do nariz.

    2  SENSAÇÃO DE INQUIETUDE

    Seis meses antes

    Quando Amie desceu do avião no aeroporto de Apatu, inspirou profundamente o ar quente africano. Sentiu algo dentro de si relaxando: estava em casa. Na Inglaterra se sentira uma estrangeira e não lhe custou muito tempo retomar a antiga rotina na África. Com o novo governo, o plano para a usina de dessalinização fora retomado. De maneira surpreendente, a construção original tinha sido pouco danificada e Jonathon estava novamente bem ocupado, desde cedo de manhã até o entardecer. Devido à sua proximidade com os atuais ocupantes do poder, o projeto estava indo bem e a impressão era que, em dois anos, a usina já estaria em funcionamento.

    Amie retomou sua rotina repleta de afazeres. Havia a casa nova para organizar. Era muito maior do que a antiga, e tinha quatro quartos, todos suítes, mais um banheiro de visitas, três salas para receber amigos e um estúdio. A cozinha era bastante antiquada, mas funcional, e ela foi várias vezes a lojas para reequipar todos os cômodos: de panelas, pratos, talheres e roupas de cama, a algumas pequenas peças extras de mobiliário e artigos eletrônicos. Foi uma verdadeira gincana encontrar a maioria das coisas que queria. Novas mercadorias estavam chegando somente aos poucos e devagar às lojas, depois de uma segunda guerra civil no intervalo de dois anos.

    Uma das primeiras coisas que Amie comprou foi um novo celular. Assim que haviam saído no avião e ela começava a descer a escada, o aparelho antigo tinha caído do bolso do seu casaco e ido direto para o piso da pista, desmanchando-se em vários pedaços. A jovem mãe à frente deles estava atrapalhada com um carrinho de bebê e duas crianças pequenas desobedientes de modo que, antes que Amie ou Jonathon conseguissem chegar ao pé da escada e pegar o que tivesse sobrado do celular, ele já não tinha mais salvação. Amie recolheu algumas partes que não tinham sido esmagadas sob as rodas do caminhão-tanque que se aproximava perigosamente em alta velocidade pelo lado errado da aeronave e que depois teve de desviar de todos os passageiros. Seguindo apressadamente adiante, Amie entrou no ambiente refrigerado do terminal. Jogou os componentes imprestáveis de plástico e metal nos latões para recicláveis, perto das portas de entrada, reparando então que até o cartão SIM estava danificado. Amie nunca chegou a ver a mensagem ameaçadora que tinham enviado para sua caixa de entrada depois de ter embarcado em Londres. Era do grupo que tinha prometido se vingar. Se ela achava que aquele capítulo de sua vida estava encerrado, estava enganada.

    Os observadores observaram – e não perderam nada.

    Amie e Jonathon deram um pulo na casa velha para conferir se ainda restaria por ali alguma de suas coisas, mas os novos moradores tinham sido bem abusados e resolvido que não valia a pena todo o trabalho de devolver as poucas peças que pudessem ter sobrevivido aos ataques. Os dois repararam na verdadeira tropa de criancinhas correndo em franca algazarra por toda parte, entrando e saindo pela porta de trás, a pilha de brinquedos quebrados e esquecidos, o enchimento saindo pelos rombos no tecido do sofá e a aparência geral suja e malcuidada dos atuais proprietários. Não havia chance de recuperar nada de suas antigas coisas.

    Amie não reclamou muito. A empresa de Jonathon tinha se mostrado incrivelmente generosa, provavelmente porque estavam preocupados de ele se recusar a voltar para a África depois de todo o caos. Foi assim que ele explicou a situação para Amie, mas ela pensava que, de fato, poderia ser o governo britânico que estava providenciando a maior parte dos fundos. Se Jonathon ainda pertencia ao grupo de agentes secretos de Sua Majestade, eles o queriam em Apatu por bons motivos. Só lhe cabia torcer para que não estivessem desconfiando de mais uma guerra civil.

    Apesar de levemente contrariada, ela de fato passou algumas horas felizes revirando as lojas, gastando sem preocupação, embora não tivesse comprado muitas coisas. Estava ciente de que, tendo perdido tudo que um dia possuíra, sua atitude quanto a bens materiais tinha mudado. Antes, tinha sido muito possessiva com suas coisas e agora percebia como não tinham importância. Vida, saúde e a capacidade de sobreviver eram o mais importante. Sim, era agradável estar cercada de belos objetos, mas eles não eram necessários a sua felicidade, nem para que vivesse melhor. Muitos africanos tinham pouquíssimo e ainda assim eram felizes. Nunca mais voltaria a se preocupar com quanto tinha, desde que suas necessidades diárias fossem atendidas e que tivesse Jonathon ao seu lado.

    Quando chegou de volta em casa depois de mais um dia de compras, Amie reparou no tamanho de sua nova casa e decidiu que, de fato, não conseguiria dar conta de cuidar daquilo tudo sozinha. Não era só a quantidade de cômodos amplos: havia a varanda que rodeava a casa toda e precisava ser varrida todo dia. Os extensos pisos de lajota precisariam ser limpos com um pano úmido e o pó era um problema constante numa área em que gramados eram um luxo – a água era preciosa demais para ser desperdiçada em plantas e gramado. Amie deu uma olhada no coletor de poeira que se estendia da casa até os muros de fora. Essas estruturas tinham quase dois metros e, encimadas por uma camada de cacos de vidro, rodeavam completamente a propriedade. Umas poucas árvores e moitas obstinadas sobreviviam no solo desnudo, em particular grandes pés espinhosos de pereira cujas raízes iam fundo terra adentro em busca de água, chegando a veios distantes da superfície.

    Amie entrava e saía da casa equilibrando volumes com as duas mãos, ciente de que era loucura tentar dar conta daquilo tudo sem ajuda. Mal tinha acabado de se mudar e, mais uma vez, estava sendo bombardeada por longas filas de ávidas mulheres jovens, de meia-idade e idosas, suplicando por trabalho. Ela havia despachado todas as candidatas. Era cedo demais para contratar outra empregada doméstica. Ainda sentia falta de Pretty e de todas as suas incômodas esquisitices. Sim, ela havia roubado açúcar e geleia e queimado de propósito algumas roupas com o ferro de passar, esperando que Amie as desse para ela por não poder mais usá-las. Mas, com o passar do tempo, tinham chegado a um mútuo entendimento e, em particular, Amie acabara por considerá-la um membro da família. Pretty adorava Angelina e tinha cuidado da criança tanto quanto Amie. Ela sempre podia confiar em Pretty e sabia que ela era capaz de proteger e mimar a pequena órfã.

    Quase parecia uma deslealdade contratar alguém para o seu lugar. Mas Pretty tinha ido, mais uma vítima de uma guerra civil africana sem sentido. E Angelina também tinha ido, e as duas haviam deixado um buraco enorme no coração de Amie.

    Talvez fosse a hora de procurar ajuda e, obviamente, isso era esperado. As esposas da comunidade de expatriados também devem oferecer vagas para os locais e pagar pelo menos para uma pessoa trabalhar dentro da casa e outra para cuidar do jardim e da piscina.

    Quando ela mencionou o assunto a Jonathon ele adorou. Ela desconfiou que ele via nisso um sinal de que ela estava pondo a vida em ordem de novo e se sentia plenamente recuperada do trauma dos meses anteriores.

    Pouco tempo depois que informou a dois de seus funcionários que sua esposa queria uma empregada, as ávidas candidatas a domésticas estavam de novo formando fila do lado de fora e sacudindo o portão pedindo trabalho. Algumas pareciam inteligentes e alegres, descrevendo todas as suas habilidades em togodiano, entremeado por termos num inglês trôpego, e até usando a linguagem de sinais. Outras vinham em lágrimas, suplicando para serem escolhidas. Tinham família, filhos doentes, pais e avós para sustentar. Depois de ouvir histórias de desgraças uma atrás da outra, Amie se sentia emocionalmente esgotada.

    Na esteira de uma segunda guerra civil, quando os rebeldes primeiro tinham deposto o governo e depois tinham eles mesmos sido expulsos, o povo local tinha sofrido o pior. Muitos tinham perdido seus parentes. Meninos pequenos tinham sido forçados a entrar no arremedo de exército que se formara, e contavam-se aos milhares os mortos de ambos os lados.

    Tinham sido anos de terror. Quando alguém batia à porta e perguntava de que lado a família estava, as pessoas tinham apenas 50% de chance de dar a resposta certa. Se eram os rebeldes que apareciam e você dizia que estava do lado deles, eles reuniam todos os jovens que podiam encontrar na residência e iam embora, mandando-os para as linhas de combate. Se desconfiavam de que ali eram da oposição, então a família inteira era exterminada a tiros.

    A maioria dos locais não entendia realmente o que estava acontecendo. Sabiam que o presidente Mtumba, da tribo kawa, tinha ocupado o posto de dirigente antes de ser assassinado. Então, as forças de Togodo Livre, da tribo m’untu, tinham assumido o poder por meio de uma guerra civil sangrenta e se instalado no palácio real e nos prédios do governo. Por sua vez, tinham sido massacrados de volta pelos kawa, que estavam tentando retomar o poder.

    Por um acaso de nascimento, todos os africanos eram de uma tribo ou outra, mas as lealdades eram divididas. A maioria simplesmente queria ficar em paz para ganhar seu modesto sustento e levar uma vida tranquila e calada, mas sempre havia aqueles para quem isso não era o bastante. Agora, o presidente Mboyo era o comandante e seu segundo era Ben Mtumba.

    Enquanto esses estivessem no controle, Amie e seu marido, Jonathon, em tese estariam a salvo. Após todas as aventuras que tinham vivido juntos, Amie se havia aproximado de Ben, mas na África nunca se pode ter certeza de quão estável é qualquer governo. Se um número suficiente de pessoas ficasse insatisfeito, a luta poderia começar de novo e não haveria dúvida dessa vez de que lado Amie estava, mesmo que ela pessoalmente não se importasse com quem se instalasse no palácio presidencial em Apatu, a capital de Togodo. Ben tinha inclusive vindo visitar a casa e garantir que sua vida seguiria em frente como antes. O novo governo iria pacificar a tribo do norte que se havia revoltado principalmente porque temiam que uma nova fonte de riqueza, oriunda de minas distantes na mesma região, os ignorasse solenemente. Agora os governantes prometiam que todos os togodianos seriam igualmente beneficiados, não importa qual fosse sua origem tribal, e que mais uma vez o país seria um lugar pacífico e seguro de se viver.

    Apesar dessas palavras tranquilizadoras, Amie tinha suas dúvidas. Desde o início dos tempos, o tribalismo tinha sido o suplício da África e nem por um momento ela acreditou que um dia voltariam a ser uma única família feliz. Por ora, a vida estava assentada mais uma vez, girando em torno de colocar em ordem a nova casa e ajudar a sra. Motswezi no orfanato.

    Apesar de tudo, Amie não conseguia relaxar completamente. Ainda havia muitas lembranças ruins. O orfanato não era o mesmo sem Angelina e seu sorriso tímido, o polegar sempre na boca, sua mãozinha agarrando firmemente as calças ou a saia de Amie. Havia uma quantidade muito maior de crianças sem pais a serem cuidadas, não apenas vítimas da AIDS, mas agora também os órfãos da guerra. Como todos os prédios tinham sido incendiados e deles só restavam escombros, a sra. Motswezi, incansável como sempre, tinha montado barracas, obtidas em alguma parte, que serviam ao mesmo tempo de dormitório e sala de aula. Ela havia esmolado, emprestado ou furtado mantimentos sabe-se lá de onde, e Ben tinha conseguido a promessa de que alguns construtores erguessem instalações mais permanentes. Até aquele momento, nenhum sinal deles, mas o tempo africano tem suas próprias regras.

    Várias novas famílias de expatriados tinham chegado a Apatu e o antigo modo de vida estava aos poucos entrando de novo nos eixos. O clube tinha passado por extensos reparos. A piscina tinha sido consertada, embora a área em torno dela ainda fosse um verdadeiro lamaçal; as quadras de tênis continuavam interditadas.

    Amie sentia uma falta enorme de Kate. Toda vez que ia à cidade e via o espaço vazio onde antes eram as lojas de roupas indianas um tremor lhe descia pela coluna e suas pernas bambeavam. Nada tinha sido feito para remover o entulho e por ali só se viam montes de pedras, vigas partidas e retalhos de aço corrugado.

    Para o grande espanto de Amie, quando chegaram as esposas dos novos expatriados ela passou a ser vista como veterana. Vinham pedir sua ajuda, e ela se lembrava de Diana distribuindo conselhos no restaurante do Grande Hotel quando chegara à região pela primeira vez. Agora, não fazia ideia de onde Diana estava; sabia  apenas que tinha embarcado no último voo durante a evacuação.

    Ela fora especialmente prestativa para sugerir qual empregada escolher, e Amie suspirou enquanto passava os dedos pelos cabelos curtos, claros, emoldurando seu rosto oval, levemente bronzeado, e os grandes olhos cinzentos. Quais eram os pontos principais a ter em mente? Um pouco de inglês era necessário ou levaria uma eternidade ela se fazer entender, mesmo que os africanos tenham uma aptidão brilhante para idiomas. Era inútil pedir referências; a maioria dos locais não entendia a necessidade desse tipo de aval e seria fácil demais dizer que os papéis tinham sumido durante a guerra. Tente pelo menos conferir algum tipo de documento oficial, Diana tinha dito. O novo governo estava introduzindo um sistema de carteira de identidade, mas as pessoas relutavam em solicitá-la já que não confiavam nos motivos para ter essa carteira. Mesmo no passado, a maioria escondia os documentos quando o pessoal do censo aparecia para contar o número de familiares. Não confiavam na explicação de que as autoridades precisavam planejar os futuros hospitais e escolas. O sentimento geral era que, quanto menos os governantes soubessem, melhor. As áreas comandadas por chefes mais esclarecidos forneciam resultados melhores, mas eram poucas e distantes umas das outras.

    Amie relutava em perguntar às candidatas de que tribo vinham. Em geral, os outros africanos sabiam, mas para ela estava além do seu alcance. Por ora, teria de confiar apenas em sua intuição.

    Enfim, acabou se decidindo por uma moça que disse que tinha 21 anos. Sorriso largo, falava um pouco de inglês e garantiu para a nova patroa que não tinha filhos, nem planos de engravidar tão cedo. Seu companheiro, também jovem, tinha morrido na guerra; ela ainda estava de luto por causa dele e a família dela pensava em cobrar um alto valor de dote quando aparecesse uma próxima proposta de casamento.

    Amie acreditou nela e decidiu dar uma chance a Lulu, lembrando-se de não ser muito mole com ela. Seria firme desde o começo; não uma patroa ignorante, fácil de enganar. Alertou com severidade a nova empregada sobre as consequências de qualquer tentativa de roubar alguma coisa, queimar as roupas de propósito quando as passasse a ferro, ou parar de trabalhar no momento em que ficasse por sua conta.

    Os observadores gostaram que Amie tivesse escolhido Lulu. Ela era jovem, vulnerável e seria fácil de amedrontar. Agora, só precisavam ter certeza de que ela seguiria as ordens que eles lhe dessem.

    Em pouco tempo, Lulu estava se mostrando extremamente eficiente no serviço da casa. Rapidamente aprendeu a preparar os pratos que Amie lhe mostrou como fazer, lembrava de limpar atrás dos móveis e passava horas com o ferro de passar, deixando as roupas em melhor estado do que Amie jamais conseguira. Ela era rápida e eficiente, bem diferente das africanas em geral que se movimentam num ritmo preguiçoso, ditado pelo sol abrasador; além disso, era silenciosa e discreta.

    Não, a patroa simplesmente não encontrava um defeito nela, mas desde que ela se mudara para a kaya (o quarto da doméstica), no jardim, por algum motivo esquisito Amie se sentia desconfortável. Não era capaz de apontar exatamente qual era o problema, mas frequentemente tinha a sensação de que alguém estava a observá-la. Ela achava que via sombras que não era capaz de dizer onde, como outra presença não no mesmo aposento, mas próxima.

    Começou a achar que a casa fosse mal-assombrada, e então se deu um chacoalhão mental. Ela simplesmente não acreditava em fantasmas, espíritos, vozes do além-túmulo e toda essa espécie de bobagem. A vida era o que era, aqui e agora; quando a gente morre, é só isso: a pessoa está morta.

    Rapidamente se lembrou da previsão da curandeira de que perderia alguém que amava e isso tinha mesmo acontecido. Mas, convenhamos, essa espécie de coisa é algo que vai acontecer com qualquer um, uma hora ou outra. Ela também tinha sido avisada para não levar uma criança africana embora, mas eles tinham levado Angelina para a Inglaterra... e Amie deu-se um belo puxão de orelha. Na época, estava com os nervos à flor da pele, em fuga, aterrorizada, em pleno modo sobrevivência. Agora, tudo estava normal de novo, nos eixos, e ela poderia examinar toda a situação com mais sensatez. Os africanos podem ter medo dos feiticeiros ou sangomas, mas, se ela racionalizasse friamente, à luz do dia, uma moça criada numa cultura ocidental não seria tão fácil de acreditar nesses absurdos. É verdade que aquela anciã a deixara impressionada e Amie a respeitava como pessoa, mas prever o futuro com mensagens recebidas de ancestrais? Aí não.

    Entretanto, a sensação de inquietude não desaparecia. Afora esse desassossego, tudo mais transcorreu bem por várias semanas. Amie estava dizendo para si mesma que sua imaginação estava fora de controle e que o que ela mais precisava era retomar o controle de seus pensamentos.

    Até o dia em que, sentada perto da janela da frente, com o laptop no colo, ela sem sombra de dúvida viu alguma coisa. Foi por um breve momento apenas, mas teve certeza de ter sido um rapaz, no jardim. Ela se levantou, caminhou rapidamente até a porta da frente e saiu da casa. Não havia ninguém lá fora. Deu a volta na casa toda e nem viu Lulu em parte alguma. Devo ter imaginado, ela pensou, e tornou a entrar em casa.

    Aconteceu a mesma coisa de novo, alguns dias depois. Outra vez, algo como uma aparição, surgiu por instantes em sua visão periférica e desapareceu com a mesma rapidez. Dessa vez, Amie estava certa de que não tinha imaginado coisas. Agarrou uma vassoura, a arma mais à mão que tinha, e saiu correndo para o jardim, olhando em torno dos arbustos, seus pés escorregando e deslizando no chão de terra seca. Novamente, nenhum sinal de alguém.

    — Lulu! — ela chamou. — Lulu, onde você está?

    A empregada apareceu na porta da kaya, esfregando os olhos, e Amie se sentiu culpada por incomodá-la.

    — Sim, senhora.

    Era sua imaginação ou a moça parecia sem graça?

    — Lulu, você viu alguém no jardim?

    — Aqui? No jardim?

    — Sim, neste jardim, Lulu. Eu vi alguém.

    A reação de Lulu foi dar de ombros e ficar calada.

    — Tinha alguém ali, perto da garagem. Depois foi para trás da palmeira. Era um homem.

    Lulu continuou olhando para ela, mas não abriu a boca.

    Amie ainda a encarou por alguns instantes, mas depois, percebendo que Lulu não lhe daria nenhuma resposta, acenou para ela que entrasse de volta em sua kaya, e foi acabar de dar a volta na casa. Tal como imaginava, não havia nenhum sinal do invasor.

    Os que vigiavam Amie muito de perto adoraram a oportunidade que Lulu lhes oferecia. Eram capazes de entrar facilmente na propriedade sempre que sua patroa estava fora. Mesmo assim, mantinham-se pacientes e sabiam que seria apenas uma questão de aguardar pelo momento certo.

    Naquela noite, Amie trouxe o assunto à baila, durante o jantar.

    — Tenho certeza de que vi alguém escondido no jardim, hoje à tarde, espionando —, ela informou, enquanto passava a travessa de legumes para Jonathon.

    — No nosso jardim?

    — Sim, claro que no nosso jardim, sobre onde você acha que falei?

    Jonathon parou um instante antes de responder.

    — Acho isso altamente improvável. O muro em volta da casa tem 1,80 metro. Você tem certeza de que não entraram pelo portão da frente?

    — Não! Como é que poderiam fazer isso sem chave?

    — É verdade. O único outro jeito seria pelo portão pequeno, aquele que nunca usamos.

    Ele tinha razão. O grande portão duplo de metal, que dava para o acesso de carros da frente, só era aberto quando entravam ou saíam de carro. Amie não se lembrava de nenhuma vez em que um deles tivesse saído andando de casa. O portãozinho de metal, ao lado, era da mesma altura que o portão principal, mas só dava passagem para pedestres.

    Jonathon continuou, enquanto se servia de mais molho: — Duvido que você até conseguisse abrir o portão menor. Deve estar tão enferrujado que nem funciona mais. Estou certo de que é só sua imaginação, Amie. Até Lulu e o jardineiro usam o portão principal e somente ela, você e eu temos a chave.

    Até aí tudo certo, mas Amie não se sentiu tranquilizada e era óbvio que não ia conseguir nada com Jonathon. Ele tinha o hábito de às vezes fazer com que ela se

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