FORMAÇÃO PERMANENTE E PRÁTICAS DOCENTES: CONSTRUINDO RESISTÊNCIAS E EMANCIPAÇÃO HUMANA
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Sobre este e-book
Essa coletânea, intitulada "Formação permanente e práticas docentes: construindo resistências e emancipação humana", coordenada por Maurício Cesar Vitoria Fagundes e Silvana Cassia Hoeller, reafirma Freire, trazendo ao leitor, à leitora, importantes aspectos sobre a coerência necessária entre a concepção de educação e a concepção de formação docente. Em outras palavras: se o que se busca construir é a educação emancipatória, a formação docente há que ser emancipatória, não um falar sobre ela, mas a própria formação estar nela fundamentada.
O título do livro nos dá a chave de leitura dos artigos: não se trata apenas de considerar que a formação docente deve ser permanente, mas que ela deve estar articulada às práticas docentes, e, estas, tratadas como inéditos-viávies, práticas docentes a serem ressignificadas, re-pensadas criticamente e socializadas. Além disso, não se trata de qualquer formação docente, mas daquela que pode criar resistências e levar à emancipação intelectual, política, estética, enfim, humana.
Nessa perspectiva, a leitura dos artigos nos conduz a compreender a complexidade implícita nas possíveis propostas de formação docente oriundas no âmbito da escola, do município, do Estado ou nacionalmente.
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FORMAÇÃO PERMANENTE E PRÁTICAS DOCENTES - Maurício Fagundes
Sumário
CAPA
CATALOGRÁFICA
FICHA TÉCNICA
CONSELHO EDITORIAL BIG TIME EDITORA/BT ACADÊMICA
APRESENTAÇÃO
PREFÁCIO
RELAÇÃO DE AUTORES
A FORMAÇÃO CONTINUADA E/OU PERMANENTE DOCENTE, QUANDO CONSTRUÍDAS NO DIÁLOGO COM A EDUCAÇÃO POPULAR: UM EXERCÍCIO DE METANÁLISE
Maurício Fagundes
Tatiana da Silva Bidinotto
Elizangela Sarraff
OS PRESSUPOSTOS DA EDUCAÇÃO POPULAR E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO PERMANENTE DE PROFESSORES E PROFESSORAS
Gessica Shauane Klettenberg
Maurício Fagundes
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Caroline Lobo Santos de Queiroz
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Veridiane Cristina Benato
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A FORMAÇÃO DOCENTE NA PERSPECTIVA AGROECOLÓGICA: A URGÊNCIA DA EDUCAÇÃO HUMANIZADORA
Silvana Cássia Hoeller
A PESQUISA PARTICIPANTE COMO ALTERNATIVA METODOLÓGICA PARA A ABORDAGEM QUALITATIVA
Caroline Lobo Santos de Queiroz
Maurício Fagundes
FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCAÇÃO E DECOLONIALIDADES – CAFÉ COM SAL
Vandecy Silva Dutra
Maurício Fagundes
CARTAS PARA FREIRE
COORDENADORES
Maurício Fagundes
Silvana Cassia Hoeller
FORMAÇÃO PERMANENTE E PRÁTICAS DOCENTES:
CONSTRUINDO RESISTÊNCIAS E EMANCIPAÇÃO HUMANA
São Paulo | Brasil | Abril 2024
1ª Edição Epub
Big Time Editora Ltda.
Rua Planta da Sorte, 68 – Itaquera
São Paulo – SP – CEP 08235-010
Fones: (11) 98845-3173
Email: editorial@bigtimeeditora.com.br
Site: bigtimeeditora.com.br
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas gráficos, microfílmicos, fotográficos, reprográficos, fonográficos, videográficos. Vedada a memorização e/ou a recuperação total ou parcial, bem como a inclusão de qualquer parte desta obra em qualquer sistema de processamento de dados. Essas proibições aplicam-se também às características gráficas da obra e à sua editoração. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos do Código Penal), com pena de prisão e multa, busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a 110 da Lei 9.610, de 19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais).
Ficha Catalográfica
Ficha Técnica
Editor: Antonio Marcos Cavalheiro
Diagramação: Pedro Monte Cavalheiro
Capa: Marcelo dos Santos Cavalheiro
Revisão: Pelos autores
Produção Editorial: A produção desta obra está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação; Teoria e Prática em Educação e ao Programa em Rede Nacional para o Ensino de Ciências Ambientais.
CONSELHO EDITORIAL BIG TIME EDITORA/BT ACADÊMICA:
PROF. ANTONIO MARCOS CAVALHEIRO – (Editor)
Graduado em Letras pela Universidade Nove de Julho – Uninove. Pós-Graduando em Psicopedagogia pela Universidade Anhembi Morumbi. Editor de livros Acadêmicos e Literários. Escritor. Professor da Rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo.
PRESIDENTE
PROF. DR. JOSÉ EUSTÁQUIO ROMÃO – Graduado em História, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em 1970 e Doutor em Educação, pela Universidade de São Paulo (USP), em 1996. Diretor Fundador do Instituto Paulo Freire do Brasil. Secretário Geral do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire.
MEMBROS
PROF. DR. AFONSO CELSO SCOCUGLIA – Professor Titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Pós-Doutorado em Ciências da Educação (Université de Lyon, França, 2009) e Pós-Doutorado em História e Filosofia da Educação (Unicamp, 2010).
PROF. DR. CASEMIRO MEDEIROS DE CAMPOS – Graduado em Pedagogia pela Universidade Federal do Ceará (1989), mestrado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (1996) e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2013).
PROF. DR. CÉLIO DA CUNHA – Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1987). Pós-doutoramento na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia(Lisboa).
PROF. DR. DANTE CASTILLO – Chileno, sociólogo. Académico de la Facultad de humanidades de la Univesidad de Santiago de Chile. Investigador de la Unidad de Recherche de I’École Doctorale (ICAR-UMR5191) de la Université Lumière II, Francia.
PROF. DR. JASON FERREIRA MAFRA – Doutor (2007) e mestre (2001) em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Graduado e licenciado em História pela Unisal.
PROFA. DRA. MARTHA APARECIDA SANTANA MARCONDES – Doutora em Educação pela Universidade do Minho/Portugal (2004), validado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
PROF. DR. MAURÍCIO PEDRO DA SILVA – Doutor em Letras Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (2001). Pós-Doutorado em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (2005).
PROF. DR. REMI CASTIONI – Graduado (Bacharelado) em Ciências Econômicas pela Universidade de Caxias do Sul (1991) e doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2002).
MAGALI SERAVALLI ROMBOLI – ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – Graduação em Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, pela Faculdade Cásper Líbero (1986).
APRESENTAÇÃO
Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
[...] os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política [...].
Paulo Freire
Esta epígrafe, da obra Pedagogia da autonomia de Paulo Freire, nos convoca ao exercício da reflexão crítica de nossa profissão, por meio da formação docente permanente. Pensar nossa prática docente, significa nos pensarmos, nos repensarmos enquanto profissionais. Ao problematizar a formação permanente, Freire enfatiza que a profissão docente nos exige a assunção política de nosso papel, logo, a necessidade de rever ou repensar criticamente nossas práticas, como caminho para explicitar o fundamento epistemológico que as sustentam, revelando o caminho ou os caminhos da construção de práticas emancipatórias. Nesse sentido, Freire nos alerta que quanto mais nos assumimos profissionalmente progressistas, mais possibilidades temos de transitar do estado de curiosidade ingênua para o de curiosidade epistemológica.
Este livro que ora apresentamos se constituiu no desafio de olharmos nossas práticas e anunciarmos possibilidades da formação permanente como espaço de resistência e emancipação humana.
Os textos apresentados demarcam o encerramento de mais um estudo desenvolvido por meio do Grupo de Pesquisa CNPq Universidade Escola, vinculado ao Setor Litoral da Universidade Federal do Paraná – UFPR. Neste ano de 2024 completamos um ciclo de 9 anos de pesquisa, que dialeticamente se sustenta pela extensão e pelo ensino.
Do Grupo de Pesquisa Universidade Escola participam docentes desta Universidade, mestrandas/os, doutorandos/as e bolsistas de Iniciação científica. Participam também bolsistas de Iniciação científica e docentes da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR – docente da Universidade Mandume Ya Ndemufyo – Angola, docentes da Secretaria Municipal de Educação de Araucária - PR, docentes da Secretaria de Educação de Almirante Tamandaré - PR, docentes da Secretaria Municipal de São José dos Pinhais – PR, docentes da Secretaria Municipal de Educação de Paranaguá e docentes da Secretaria Estadual de Educação do Paraná.
Durante este período foram concluídas dezessete dissertações de mestrado, dezesseis relatórios de iniciação científica, dois relatórios de pós-doc e um dossiê temático intitulado: Formação e práticas docentes na perspectiva da emancipação humana, publicado pela Revista Divers@, no ano de 2023.
A produção dos textos das dissertações, relatórios e dossiê teve como caráter articulador a formação permanente docente e a prática pedagógica emancipatória. O resultado das pesquisas desenvolvidas no Grupo, primaram pela produção coletiva e como metodologia a pesquisa qualitativa e participante.
Essa trajetória de pesquisa e (auto)formação, além da produção de conhecimentos, possibilitou também desenvolver aspectos afetivos, na perspectiva da amorosidade freireana.
Os capítulos que seguem, em grande parte se constituem como resultados de pesquisa deste Grupo, mas também se articulam com escritos do Grupo de Pesquisa CNPq NaLuta, nossos parceiros. O livro encerra com as cartas para Freire, as quais resultaram da produção de mestrandas e mestrandos em educação do Programa de Pós-Graduação Teoria e Prática da Universidade Federal do Paraná.
Ao apresentar este livro, desejamos provocar mais pessoas a se somarem a nós na investigação-ação-participante, de modo a construir resistências ao projeto hegemônico e a melhor qualificar nossos processos de formação permanente docente na perspectiva da emancipação humana.
Os Coordenadores
PREFÁCIO
Paulo Freire, em seu livro A Educação na Cidade (1991), afirmou que ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.
Essa coletânea, intitulada Formação permanente e práticas docentes: construindo resistências e emancipação humana
, coordenada por Maurício Cesar Vitoria Fagundes e Silvana Cassia Hoeller, reafirma Freire, trazendo ao leitor, à leitora, importantes aspectos sobre a coerência necessária entre a concepção de educação e a concepção de formação docente. Em outras palavras: se o que se busca construir é a educação emancipatória, a formação docente há que ser emancipatória, não um falar sobre ela, mas a própria formação estar nela fundamentada.
O título do livro nos dá a chave de leitura dos artigos: não se trata apenas de considerar que a formação docente deve ser permanente, mas que ela deve estar articulada às práticas docentes, e, estas, tratadas como inéditos-viávies, práticas docentes a serem ressignificadas, re-pensadas criticamente e socializadas. Além disso, não se trata de qual quer formação docente, mas daquela que pode criar resistências e levar à emancipação intelectual, política, estética, enfim, humana.
Nessa perspectiva, a leitura dos artigos nos conduz a compreender a complexidade implícita nas possíveis propostas de formação docente oriundas no âmbito da escola, do município, do Estado ou nacionalmente.
Um aspecto muito importante levantado pelas autoras e autores é o quanto as experiências da educação popular devem ser consideradas pela educação formal. Essa ainda é uma discussão a se fazer, especialmente pelas universidades, quase sempre chamadas ou que se disponibilizam a fazer a formação docente, indo pouco além de ações pontuais, fragmentadas, autocentradas e carentes de um projeto de permanência no que tange à formação continuada.
Há uma unidade conceitual entre os textos, especialmente no que tange à necessidade de se pensar a formação docente sob o paradigma da totalidade e também de se compreender a conjuntura sob a qual o pesquisador se debruça. Por isso, a leitura do livro nos leva a refletir sobre os impactos que a pandemia da Covid-19 provocou na educação do campo e da cidade, inclusive na educação escolar quilombola, sobre como as organizações populares do campo criaram resistências a ela, em como os estudos da agroecologia, da decolonidade e sobre a gestão democrática podem contribuir para a formação docente centrada em valores democráticos e humanistas. E percorremos esses subtemas por artigos que nos levam de Angola até a região metropolitana de Curitiba e ao litoral do Paraná.
Ao final, somos surpreendidos por uma série de cartas escritas a Paulo Freire por professoras e professores de diversas áreas do conhecimento, mestrandas e mestrandos do Programa de Pós-graduação em Educação, Teoria e Prática da Universidade Federal do Paraná. E nós, leitoras e leitores, somos convidados a participar desse diálogo íntimo e amoroso entre o remetente e seu destinatário, lendo palavras que entrelaçam as trajetórias de vida e os fundamentos freireanos de educação, nos somando ao esperançar que cada palavra contém.
Termino a leitura deste livro me sentido como se tivesse participado de um Círculo de Cultura freireano onde, de forma horizontal e dialógica, pude ouvir diferentes narrativas, compartilhar novos saberes em torno do tema da formação permanente. E saio revigorada por novos e desafiadores paradigmas, resistindo e persistindo na luta pela educação emancipatória.
Elisiani Vitória Tiepolo
Doutora em Educação. Docente e Pesquisadora da UFPR, Setor Litoral.
RELAÇÃO DE AUTORES
Adriano Moreira
Alencar Caleffi
Aline Cristina Barbosa da Silva
Amanda da Silva Felix
Ândrea Francine Batista
Andressa da Silva Martins
Angela Ilivinski Krause
Antonio José Simplício de Araújo
Carla Fernanda Galvão Pereira
Caroline Lobo Santos de Queiroz
Cybele Aparecida Santos de Oliveira
Delma Cavalheiro de Ávila Andrade
Denise da Silva Lipinski Godoi
Edina Mayer Vergara
Elisa Daniele de Andrade
Elizangela Carvalho
Elizangela Sarraff
Gessica Shauane Klettenberg
Gilson Armindo Domingos
Greiceelen Aparecida da Silva Colaço
Hector Paulo Burnagui
Jayson Vaz Guimarães
Jussara Maria da Silva
Kamilla Cristina Salgado Bilinski
Karina Kiviatkoski de Paula
Lourival Moraes Fidelis
Lucilene da Rosa Pereira
Marcos Alexandre Vilha
Margarete Aparecida Gonçalves
Maria Cristina Pereira Schuertz
Marily Chaves Orsolon
Mary Sylvia Miguel Falcão
Maurício Fagundes
Neuza Tabata Frezatto da Costa
Nicole Antonia de Toledo Laurido
Paola Ferraro Trevisan
Renato Vilela Trevisanutto
Ricardo do Rosário Canepa
Roberto G. Barbosa
Rosilene Caetano Lago
Sandra Mara dos Santos Corrêa
Sandra Prade Andreatta
Silvana Cássia Hoeller
Solange Cordeiro
Tatiana da Silva Bidinotto
Tatiane da Silva Lima
Thainara Cryziane Harbs
Vandecy Silva Dutra
Veridiane Cristina Benato
A FORMAÇÃO CONTINUADA E/OU PERMANENTE DOCENTE, QUANDO CONSTRUÍDAS NO DIÁLOGO COM A EDUCAÇÃO POPULAR: UM EXERCÍCIO DE METANÁLISE
Maurício Fagundes
[1]
Tatiana da Silva Bidinotto
[2]
Elizangela Sarraff
[3]
Introdução
Esta investigação está inserida em uma pesquisa maior, intitulada Formação docente e emancipação humana: construindo caminhos no diálogo com a educação popular, desenvolvida em parceria com professores/as da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Estadual do Paraná, juntamente com professores/as da Educação Básica do estado do Paraná. A razão que nos movimenta é diretamente proporcional ao que nos inquieta e nos indigna nos processos de formação continuada. Estas, tem se caracterizado por serem pontuais, fragmentadas, de planejamento hierarquizado e descontextualizadas. Ou seja, atende claramente ao paradigma dominante, alguém que pensa e planeja para quem executa, caracterizando o que Freire nomina como um processo educacional bancário.
Encontrar caminhos que superem essas situações limites, que dificultam a implementação de um processo de formação permanente, aqui entendida em concordância com Freire (2016), com aquele que não precisa ou deve esperar por momentos especiais, mas que deve acontecer de forma permanente no cotidiano da escola, da sala de aula, por meio de processos dialógicos e dialéticos de ação-reflexão-ação, em que possamos repensar nossas práticas docentes, porém a partir da realidade de seus docentes e de seus saberes, no contexto da escola, dos saberes populares da comunidade e na relação direta com a intencionalidade político-filosófica do Projeto Político Pedagógico.
Na busca de respostas ou indicações de caminhos que pudessem nos inspirar a superação dessas situações-limites e nos projetar a caminhar por inéditos-viáveis, tivemos por objetivo indagar o que sinalizam as pesquisas em formação continuada e/ou permanente docente, quando construídas no diálogo com a educação popular, no âmbito do Brasil. Metodologicamente nos apoiamos na metanálise, para analisar as produções publicadas na Base Digital de Teses e Dissertações, BDTD CAPES, entre os anos de 2016 ao ano de 2019.
Foram utilizados como descritores formação docente OR formação de professores AND educação popular
, buscados na área de concentração Educação. Utilizamos como critérios de exclusão: formação inicial e a não combinação dos descritores. Como critério de inclusão consideramos o título, naqueles que se fizessem presentes os descritores. Na busca no período de 4 anos, foram selecionados 111 trabalhos, entre teses e dissertações. Após a leitura dos resumos, foram selecionados 6 trabalhos, os quais se aproximavam com nossa pergunta de pesquisa, sendo estes: duas teses e quatro dissertações, os quais foram lidos na íntegra e analisados, compondo o corpo deste artigo.
A opção metodológica que orientou a organização e análise deste artigo foi a metanálise. Esta metodologia, como descreve Bicudo (2014), baseada nos estudos de Zimmer (2006), Passos (2006), Pinto (2013) e Cassol (2012), corresponde a técnica de pesquisa que busca integrar os resultados de dois ou mais estudos, sobre um mesmo tema investigado
(BICUDO, 2014, p. 8). Configura-se, portanto, como afirma Bicudo (2014) em uma investigação sobre as investigações, um revisitar das produções com foco nos resultados obtidos desta, mapeando os objetivos de pesquisa, o problema, a metodologia e lócus, as análises de dados, a bibliografia utilizada e a sua contribuição para a área. Bicudo (2014) ressalta que o objetivo principal de uma metanálise é compreender o que dizem e como dizem
(Bicudo, 2014, p. 10) os autores que pesquisam determinada temática. E, fundamentalmente, fortalecer o campo de investigação e suas contribuições para a área.
A metanálise é um movimento reflexivo sobre o que está sendo investigado. Neste artigo, a pergunta que orientou nossa busca sobre os 6 trabalhos selecionados foi: o que sinalizam as pesquisas brasileiras sobre formação continuada/permanente docente, quando construídas no diálogo com a educação popular?
Para análise dos trabalhos selecionados, que indicam tendências acerca da formação continuada/permanente docente, no diálogo com a educação popular, nos apoiamos no círculo existencial hermenêutico, que diz da situação tomada como certa de sempre estarmos no mundo sendo de algum modo
(BICUDO, 2014, p. 14). Esse movimento de busca permite que, compreendendo o inquirido, também possamos nos compreender e aos outros, uma vez que não há neutralidade. Assim, passamos a pensar o pensado, de realizar o movimento de compreensão que, conforme Gadamer (1999, p. 436, apud BICUDO, 2014, p. 15), vai sempre do todo para as partes e dessas para o todo; movimento esse dialético, caracterizado pela concordância e intrínseco à compreensão. Se não houver concordância entre o todo e as partes nem entre as partes e o todo, o movimento de compreensão fracassa
.
Apoiados nos trabalhos de metanálise de Bicudo (2014; 2011), a presente investigação, foi desenvolvida interrogando os textos por meio de cinco perguntas, formuladas de modo adequada a nossa pesquisa, quais sejam: 1. o que está sendo interrogado, buscado e/ou problematizado no texto; 2. Como a interrogação conduz à resposta? Como se chega ao buscado ou problematizado? 3. Como a argumentação deslancha: com dados empíricos que sustentam as afirmações, com fundamentos teóricos explícitos; 4. Métodos, metodologias e análise dos dados; e por último, buscamos responder nossa pergunta de investigação: 5. O que o texto responde da pergunta – resultados.
O texto que segue, está organizado a partir dessas cinco perguntas, hermeneuticamente formuladas, em que para cada uma delas, buscamos extrair elementos que permitam conhecer com detalhes as investigações, com o foco de referência em nossa pergunta de pesquisa. Porém, não como um conhecimento puramente conceitual e verificável, mas como uma hermenêutica dialética gadameriana, em que coloca o seu conceito histórico e dialético de experiência, como o enunciado e neste sentido, conhecer não é simplesmente um fluxo de percepções, mas um acontecimento, um evento, um encontro (PALMER, 1969, p. 197). Logo, cada trabalho apresentado, deve ser interpretado a partir de sua historicidade, em que cada leitor constrói sua relação eu-tu, em uma relação dialética. Nesse sentido, em concordância com o autor, queremos que o texto fale e interrogue o leitor
como sujeito pleno de direito, mais do que um objeto. É precisamente esta autêntica abertura que descrevemos em conexão com a estrutura Eu-Tu da consciência historicamente operativa" (PALMER, 1969, p. 200).
O contexto dos trabalhos analisados e o que eles interrogam-buscam-problematizam
Neste primeiro momento queremos apresentar os contextos e o que interrogam os autores em suas pesquisas. Esta contextualização está organizada na ordem crescente dos anos pesquisados, ou seja, principia com estudos de 2016 e finda com os estudos do ano de 2019.
A dissertação de mestrado de Patrícia Signor (2016) intitulada A auto(trans)formação permanente e a pedagogia de educação popular: entrelaçamentos possíveis entre a práxis educativa escolar e a realidade dos estudantes
, foi desenvolvida no contexto de uma escola pública de Educação Básica, entendendo a importância da valorização dos saberes populares, bem como de um currículo pensado e produzido coletivamente, que reflita a história, os saberes e a possibilidade de uma escola humanizada, que permita a auto(trans)formação de seus sujeitos. O processo de questionar-se e desejar mudança, acompanha a escola pesquisada há quinze anos (estes referentes a data da investigação), quando passou a vivenciar processos de auto(trans)formação embasados em estudos de Demo, Freire e Brandão. O processo formativo se desenvolvia por meio de reuniões de formação. Diante desse contexto a pesquisadora, em sua dissertação, problematizou de que forma a auto(trans)formação permanente, entrelaçada com a pedagogia popular, pode contribuir com a práxis educativa em um viés de transformações significativas aos estudantes e aos educadores. Além de buscar a compreensão da experiência auto(trans)formativa.
A tese de doutorado de Marilda da Conceição Martins (2016), intitulada Professoras de escolas rurais: Bolívia, Brasil e México, foi desenvolvida tendo como contexto a formação de professores/as para a Escola Rural no México, Bolívia e, Brasil, e em particular no Maranhão
. A pesquisa assumiu como lócus as escolas públicas de Educação Básica situadas em comunidades rurais, sendo que no Brasil, uma escola de um quilombo, outra de um assentamento do MST e uma terceira sem vínculo com movimentos sociais. A pesquisa se desenvolveu por meio da narrativa das professoras entrevistadas. A pesquisadora atribui a abordagem (auto)biográfica, baseada em Nóvoa (1992), onde há a possibilidade da construção de novos conhecimentos sobre a formação de professores, a partir dos aspectos pessoais e profissionais. A partir desse contexto a pesquisadora interrogou: como são formados os professores que trabalham em escolas rurais no Maranhão e nas escolas rurais da América Latina.
A dissertação de mestrado de Jeane Tranquelino da Silva (2017), intitulada Projeto Sal da Terra: um estudo acerca da Experiência de Formação Continuada para Educadores (as) da Educação de Jovens e Adultos
, teve como contexto um projeto de formação docente – Projeto Sal da Terra, de iniciativa de uma Congregação católica da Arquidiocese da Paraíba, desenvolvido no município de João Pessoa e, ao longo do tempo, ampliando-se aos municípios circunvizinhos. Inicialmente, o Projeto realizava a formação de jovens e adultos analfabetos, porém, passou também a realizar a formação de professores, por meio da experiência das Comunidades de Base, aliadas a educação popular. Diante desse contexto, a pesquisadora, buscou identificar no processo de formação continuada do Projeto Sal da Terra EJA e na formação continuada proporcionada pelas Secretarias de educação, se emergem princípios da educação popular, como a práxis, conscientização, participação e contextualização.
A dissertação de Adriano Ramos de Souza (2019), intitulada Escola da Terra Capixaba na Bacia do Rio Doce
, teve como contexto o curso de formação continuada de mesmo nome, nível de aperfeiçoamento, proposto pelo Ministério da Educação e Cultura e pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), Secretaria esta que foi extinta pelo governo Federal, gestão Bolsonaro. Este Curso financiado pela SECADI e executado nos anos de 2015 e 2016, por meio da parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo – IFES, Secretaria de Estado de Educação e Secretarias municipais de Educação que aderiram ao projeto. O Projeto foi desenvolvido, também, em parceria com Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES), Movimento do Trabalhadores Sem Terra (MST), Via Campesina, Regional das Associações dos Centros Familiares de Formação em Alternância do Espírito Santo (Racefaes), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), Povos Indígenas, Povos Quilombolas, Povo Pomerano, Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STR) e outros Coletivos Sociais Camponeses. Diante desse contexto Adriano Ramos de Souza (2019) interrogou "como o curso Escola da Terra Capixaba contribui para o fortalecimento das escolas multisseriadas do campo? Tendo como um dos objetivos discutir a proposta de formação docente ofertado por meio de um Curso de aperfeiçoamento Escola da Terra Capixaba e o realizado por meio das parcerias interinstitucionais como a universidade e sistemas de ensino e escolas.
A dissertação de Edna Goretti Menegatti Mocellin (2019), intitulada O PDE e a Educação popular: a presença dos conceitos de Educação Popular e da Pedagogia Histórico-Crítica nas produções do PDE/PR NRE/FB 2007 – 2016 – o caso do Colégio Léo Flach de Francisco Beltrão/PR
, teve como contexto de pesquisa o programa de formação de professores do estado do Paraná, denominado de Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE – tendo como foco especial as produções dos professores do Núcleo Regional de Educação de Francisco Beltrão – PR, que fizeram a implementação dos respectivos projetos formativos e de intervenção no Colégio Estadual Léo Flach. Para tal, a autora elegeu como problema de investigação: compreender como as políticas de formação continuada de professores podem contribuir para a transformação das crianças oriundas das classes populares na escola pública, auxiliando para sua emancipação. Para tal, conduziu sua busca focando os processos e as produções dos professores, para perceber como a educação popular se apresentou nesse processo formativo.
A tese de Anna Christine Ferreira Kist (2019), intitulada Territórios em resistência: Educação ambiental crítica em escolas do campo – uma análise a partir do curso de extensão escolas sustentáveis e com vida
, teve como contexto de pesquisa três escolas Estaduais de Ensino Fundamental, do Estado do Rio Grande do Sul, que estão localizadas em áreas rurais dos municípios de Faxinal do Soturno, e as localizadas no Município de Júlio de Castilhos. Integra a esse contexto de investigação o Curso de Extensão – Educação ambiental escolas sustentáveis e com -vida, desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria. Este curso tinha como um dos principais objetivos: planejar uma intervenção nas escolas para transformá-las em espaços educadores sustentáveis, tornando-as referências de sustentabilidade socioambiental e de potencialização da cultura e da trajetória histórica das comunidades onde se inserem. Diante desse contexto a autora da investigação interrogou: a Educação Ambiental Crítica e a Educação do Campo dialogam e se articulam nestas escolas? O curso de Extensão Educação Ambiental Escolas Sustentáveis e ComVida/UFSM
contribuiu para ressignificação das práticas nas escolas do campo pesquisadas?
Como a interrogação conduz à resposta? Como se chega ao buscado ou problematizado?
Com esta questão queremos identificar os caminhos que percorreram os 6 trabalhos selecionados, para realizarem as aproximações dos achados com suas interrogações de pesquisa.
A pesquisa de Signor (2016) foi desenvolvida por meio dos Círculos Dialógicos investigativo-formativos
, baseada nos círculos de cultura de Paulo Freire, articulados com os pressupostos da Pesquisa-formação de Josso (2004), teve como caminho a valorização da dialogicidade, da escuta do outro, da construção da identidade, trabalhando com experiências de vida e formação que geram (re)significação de auto(trans)formação. Afirma a autora que esse caminho possibilita a aproximação dialógica, permitindo voz e vez a cada interlocutor, bem como o repensar das práticas do grupo e de formação permanente (SIGNOR, 2016). A pesquisa apoia-se no diálogo. E para que o diálogo aconteça é preciso reconhecer que o outro se constitui em um tempo-espaço e que precisa ‘dizer a sua palavra’; portanto, o ambiente democrático e dialógico instaura-se no momento em que é possível ter espaço para falar e ouvir a realidade e a palavra de cada um
(SIGNOR, 2016, p. 63).
Os círculos desenvolvidos por meio dos diálogos se constituíram da prática da
escuta sensível e o olhar aguçado, pressupostos em Freire quando este afirma que o diálogo só ocorre na escuta e na observação do outro. [...] Este diálogo que se inicia ao ouvir o outro e a si, relaciona-se à descoberta do inacabamento [...] Quando nos descobrimos e aceitamos
