Erich Fromm e os dilemas humanos na sociedade moderna
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Erich Fromm e os dilemas humanos na sociedade moderna - Alan Ricardo Duarte Pereira
APRESENTAÇÃO
André de Melo Santos*
Fromm é um autor bastante conhecido na sociedade brasileira, tendo inúmeros livros traduzidos em diversas reedições. Da mesma forma, ele é conhecido pelas críticas, citações, comentários de diversos outros autores, tantos internacionais, quanto nacionais. A obra de Fromm é extremamente vasta e por isso seria possível diversos livros a respeito do seu pensamento, por mais que haja repetição e temáticas recorrentes em sua obra. É por isso que, na presente coletânea, abordamos apenas um aspecto do pensamento de Fromm, que é uma parte do conjunto de temas nos quais ele trata dos dilemas humanos na sociedade moderna.
O que significa dilemas humanos na sociedade moderna
? Entendemos, aqui, dilemas como escolhas difíceis diante de uma realidade contraditória e problemática. Fromm tratou de vários dilemas humanos e geralmente no contexto da sociedade moderna, capitalista. Esse é o caso da questão da liberdade, bem como do caráter social, coisificação
, alienação, entre outros. Sem dúvida, abarcar todos os dilemas abordados por Fromm seria difícil, pois além destes citados ainda teria a questão do autoritarismo, conformismo, natureza humana, socialismo, destrutividade, entre diversos outros. Alguns destes temas estão contemplados aqui e talvez numa outra coletânea, no futuro, abordemos outros dilemas que Fromm trabalhou em sua obra.
A presente obra busca resgatar o pensamento desse autor e suas reflexões. Isso se justifica não só pela importância das temáticas e da produção do autor, tal como já colocamos, mas também pelo fato de que, infelizmente, a maioria de suas obras se encontra esgotada e os temas que ele aborda permanecem de extrema atualidade, especialmente na atual fase do capitalismo, marcada pelo regime de acumulação integral, caracterizado por um processo de amplificação dos problemas da sociedade capitalista.
A coletânea se inicia com a discussão sobre a coisificação do homem realizada por Edmilson Marques. O ser humano é reduzido a um objeto que serve a finalidades que são alheias à sua vontade. Essa coisificação do homem na modernidade é uma das críticas centrais de Fromm à sociedade capitalista. O homem se torna um meio para um fim que não é a sua felicidade e que é alheio a ele.
Nildo Viana discorre sobre o conceito de caráter social em Erich Fromm. Fromm relaciona caráter e tipos de comportamento, apresentando uma concepção dinâmica de caráter. Nesse contexto, elabora sua tipologia de orientações de caráter, explicando a relação entre sociedade e os tipos de caráter. Ele distingue entre orientações produtivas de caráter e a orientação produtiva. O autor, após sintetizar essa concepção, encerra efetivando uma crítica a Fromm, bem como aponta que apenas numa sociedade autogerida é possível superar os problemas identificados por ele.
No texto de Maria Angélica Peixoto há uma discussão sobre alienação em Marx, Fromm e Marcuse. O conceito de alienação em Marx é importante para compreender os mecanismos de controle exercidos na sociedade capitalista. Este conceito também é alvo de muitas confusões, uma vez que o abordam sem compreender o seu verdadeiro significado. A autora busca esclarecer o significado desse termo para Marx e o compara com a concepção de Fromm e Marcuse.
Por fim os textos de Alan Ricardo e André de Melo Santos estão relacionados com a questão da liberdade. Alan Ricardo Pereira tematiza a questão da liberdade em Erich Fromm a partir de uma reflexão sobre a obra O Medo à Liberdade. Através de uma análise do processo de transformação social e analisando o dilema da liberdade na sociedade capitalista, tal como no caso do nazismo, Fromm aponta para uma análise crítica dos limites da liberdade na sociedade moderna.
André de Melo Santos realiza uma discussão mais geral sobre o conceito de liberdade em Erich Fromm. A partir da análise desse conceito e da distinção entre liberdade de
e liberdade para
, o autor sintetiza a concepção de Fromm e aponta para os problemas existentes na sociedade moderna em relação ao ser humano e sua necessidade de ser livre. A conclusão é de que a liberdade para
, a que significa o desenvolvimento das potencialidades humanas requer mudanças mais profundas na sociedade.
A obra de Fromm conseguiu avançar na crítica da sociedade capitalista, bem como identificar os dilemas do homem nessa sociedade. Fromm é um humanista, mas generalista, e, por conseguinte, não consegue ir além no sentido de entender o processo d transformação social e seu significado mais profundo. Esse ponto é uma das grandes lacunas em sua obra, mas, que, apesar disso, avança no processo de compreensão do indivíduo e seus dilemas na sociedade moderna. Refletir sobre as contribuições de Fromm torna-se de suma importância. Nessa perspectiva, convido o leitor a refletir sobre os temas abordados nessa coletânea.
* Historiador; Mestre e Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
ERICH FROMM E A COISIFICAÇÃO DO HOMEM NO CAPITALISMO
Edmilson Marques*
A proposta com este texto é buscar na concepção de psicanálise de Erich Fromm elementos para se pensar o ser humano ¹ da sociedade capitalista. Erich Fromm, dentre a maioria dos psicanalistas existentes, desde Freud, procurou desenvolver suas pesquisas e reflexões a partir da psicanálise humanista
. Seu objetivo era oferecer uma ferramenta para compreender o ser humano a partir da sua relação com sociedade onde vive. Nesse sentido, percebemos que oferece uma contribuição fundamental para os indivíduos pensarem a própria vida e a vida social onde estão inseridos. A priori observa-se que sua concepção difere da psicanálise instrumentalista, que concebe esta como uma ferramenta a ser utilizada apenas por aqueles que são habilitados para tal, ou seja, apenas por especialistas. É nesse sentido que Fromm tem se tornado num dos principais estudiosos da psicanálise e referência para vários intelectuais.
Iniciaremos esta discussão pela compreensão do seu método de análise. Entender o seu método é indispensável para compreender os pressupostos teórico-metodológicos que Fromm utilizava na análise dos temas por ele abordados. Isso vai nos proporcionar elementos para analisar a sua concepção sobre o ser humano da sociedade capitalista.
Erich Fromm percebeu que Freud ofereceu uma grande contribuição para a humanidade ao criar a psicanálise e tomou seus estudos como uma das referências fundamentais para se pensar o ser humano. A principal descoberta de Freud, segundo Fromm, foi perceber a irracionalidade do homem e do caráter inconsciente das forças irracionais no seu interior
(FROMM, 1992, p. 32). Fromm (1965, p. 121) ressalta que
A grande descoberta de Freud, a de uma nova dimensão da realidade humana, o inconsciente, é um elemento de um movimento orientado para a reforma do homem. Mas essa mesma descoberta atolou-se no caminho de maneira fatal. Foi aplicada a um pequeno setor da realidade, aos impulsos libidinosos do homem e seu recalque, mas pouco ou nada à realidade mais ampla da existência humana e aos fenômenos sociais e políticos.
Fromm não concebia as reflexões de Freud de forma dogmática e apaixonada. Percebeu que Freud ofereceu uma contribuição fundamental para a compreensão do ser humano com a descoberta do inconsciente, porém, não se limitou a apenas reproduzir o que foi sistematizado por ele, percebendo além da contribuição, os limites de sua concepção. Fromm observou que os principais pontos de sua concepção estão associados ao período histórico no qual ele trabalhou
². E seus defeitos, evidenciam a marca da personalidade de seu fundador
(FROMM, 1965, p. 07). A meta de Freud era fundar um movimento pela libertação ética do homem, uma nova religião secular e científica para uma elite que deveria orientar a humanidade
(FROMM, 1965, p. 116), mas, não conseguiu oferecer uma análise que possibilitava ao próprio ser humano, se libertar das forças irracionais e inconscientes de seu interior
(FROMM, 1992, p. 33).
Fromm (1992) coloca que um dos principais limites da psicanálise desenvolvida por Freud advém da influência de seus professores (Helmholtz, Dubois e Brücke), os quais defendiam os pressupostos metodológicos do materialismo mecanicista. Depois de Freud a maior parte dos psicanalistas têm-se aplicado as teorias freudianas a material clínico, sempre com a tendência para provar que Freud estava certo, e pouco se incomodando com outras possibilidades teóricas
(FROMM, 1965, p. 118). Isso era consequência da idolatria realizada pela maioria dos psicanalistas à concepção freudiana, apresentando limites para a crítica e para o avanço e desenvolvimento das reflexões já esboçadas e sistematizadas por Freud.
Foi nesse sentido que Fromm propôs uma revisão dialética da psicanálise
, retomando os pontos principais da concepção de Freud. Procurou preservar as descobertas de Freud, substituindo, porém, sua filosofia mecanicista-materialista por uma humanista
(FROMM, 1992, p. 11). Nesse sentido, a renovação criativa da psicanálise só é possível se superar seu conformismo positivista e tornar-se de novo uma teoria crítica e desafiante dentro do espírito do humanismo radical
(FROMM, 1992, p. 38). É a partir do desenvolvimento desta sua proposta de rever a psicanálise tal como estava sendo moldada nos
