Dos Tempos do Bisavô - Histórias Que Não Se Ouvem Mais
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Dos Tempos do Bisavô - Histórias Que Não Se Ouvem Mais - Joacir Pezente
Capa
Dos Tempos do Bisavô
Histórias Que Não Se Ouvem Mais
JOACIR PEZENTE
2018
Sumário
Prólogo
Cenário da história
Seu Mané Cruz
O dia a dia na fazenda
Sonâmbulo por uma noite
Uma bola de fogo
Quando o trágico acontece
O Gamba-Larga
Coragem à prova
As crendices
Maria Mota
Os tropeiros
Caverna do Morro da Garganta
Construindo brinquedos
A caça ao preá
Pescarias
O quati do primo Júnior
O Pico do Realengo
Prólogo
A história de um povo é o registro dos acontecimentos ocorridos em sua trajetória histórica, através de suas culturas, suas crenças e suas tradições.
Registrar estes fatos é essencialmente importante para conhecer e analisar seu comportamento.
Este conhecimento é necessário também para se definir mecanismos de orientação e educação e até para composição e aplicação das leis, sem riscos de violar princípios, nem causar distorções.
Em épocas em que as informações eram passadas de geração para geração através de causos e contos, raramente registrados em livros, os indivíduos agrupavam-se para ouvir e para contar histórias. Misturavam-se histórias das tradições da família, contos de fantasmas e assombrações, piadas e empulhações.
O avanço da tecnologia do rádio teve como conseqüência o barateamento destes aparelhos, permitindo a generalização de seu uso, igualando assim o nível das informações entre os centros urbanos e os recônditos rurais.
O golpe final no sistema hereditário de transmissão de informações foi dado pela televisão, que por transmitir som e imagem, aliena o indivíduo, impedindo a comunicação interpessoal.
E assim, os contadores de causos perderam definitivamente seus tronos, de modo abrupto e irreversível.
Embora seja um acontecimento de um passado recente, um grande cabedal do folclore rural de várias regiões do país está se esvaindo da memória dos anciões e são ignorados e considerados desinteressantes pela geração da informação televisiva.
Rompe-se aqui um elo que tornará estas informações inacessíveis às próximas gerações.
Por estes nobres motivos e pelo carinho que sempre tive pelo Seu Mané Cruz, dispus-me a ouvi-lo e registrar suas histórias, enredadas na vida de Josino, seu afilhado.
Octogenário, filho de africanos, Seu Mané Cruz educou sua família dentro de padrões rígidos de respeito e dignidade.
Embora pobre e vivendo de agregado nas terras do pai de Josino, tratava as visitas com muita hospitalidade, num ambiente de muita alegria, causos e gargalhadas.
Cenário da História
Cenário da História
Seu Mané Cruz lembra saudoso os primeiros anos quando chegou nesta região. As estradas eram verdadeiras picadas por entre a mata, onde só se podia andar a pé, a cavalo, ou de carro de boi.
Logo que chegou com sua família instalou-se como agregado na fazenda de um homem bom e justo. Com o tempo fizeram amizade a ponto de ser convidado para ser padrinho de seu filho Josino.
Esta deferência o enaltecia deveras, enchendo-o de orgulho e de alegria.
A fazenda era pequena, mas expandia-se a cada ano com a derrubada da mata e o preparo de novas terras para o plantio.
Embora o trabalho rude, a terra era boa e bem irrigada por vários rios, prodigamente instituídos pela natureza para sustentar a exuberância da fauna e da flora que ali existiam. Cultivada, produzia colheitas abundantes.
Aquela planície parecia presa entre as montanhas. Ao norte erguia-se imponente a grande serra. Seguindo o olhar tanto para o leste quanto para o oeste em direção ao sul, enfileiravam-se os morros, embora com altitudes cada vez menores. Mesmo olhando para o sul viam-se formações montanhosas, parecendo aprisionar o vale.
A planície, porém, serpenteava por entre os montes em direção ao litoral, indo banhar-se no oceano.
A natureza, sempre caprichosa, apresentava em alguns pontos, cenários pitorescos.
Era o caso do Morro da Gurita, uma formação montanhosa singular, um pico, com seus mais de trezentos metros de altitude, subindo solitário, íngreme, em meio às outras pequenas elevações, como um dedo apontando para os céus. Distante não mais de três quilômetros da sede da fazenda, era o cenário preferido de Josino.
As terras da fazenda chegavam ao pé deste morro, de onde o pai de Josino retirava a lenha que precisava, derrubando a mata.
As madeiras melhores e maiores eram selecionadas e arrastadas para a serraria. As menores eram cortadas, empilhadas e transportadas até a fazenda para servirem como lenha.
No lugar da mata eram plantados milho, feijão e bananeiras.
A limpeza do terreno para o plantio era feita com a queimada. Fazia-se um acero em volta da área a ser queimada e ateava-se o fogo, colocando-se vários homens em volta para controlá-lo. Mesmo assim, às vezes o fogo saltava para a mata.
Dominar o incêndio no meio da floresta era tarefa muito mais difícil. Normalmente os homens conseguiam fazê-lo em poucas horas.
Ocorriam casos, porém, em que o incêndio assumia proporções maiores e vários dias eram necessários para
