A prioridade relativa da linguagem sobre o pensamento: um estudo sobre um método recentemente abandonado em filosofia analítica
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A prioridade relativa da linguagem sobre o pensamento - Rafael Ribeiro Silva
CAPÍTULO 1: A LINGUAGEM SEGUNDO DUMMETT
1. O PROBLEMA DO SIGNIFICADO
A elocução de uma frase em uma dada ocasião tem o potencial de fazer diferença no que subsequentemente acontece. A diferença pode se dar imediatamente, quando, por exemplo, alguém se levanta após ouvir a frase traga-me um copo d’água!
; pode ocorrer meses ou anos depois, como quando alguém evita visitar uma cidade que estava em sua rota ao lembrar que lhe haviam dito que tal lugar é ermo e perigoso; ou ainda, por falta de ocasião, pode ser que nada aconteça, que a potência não se atualize – pode-se, inadvertidamente, dizer José, traga-me um copo d’água!
, e, na ausência de José ou de qualquer outro sujeito no ambiente de elocução, nada suceder. Evidentemente, esse potencial das elocuções, ou significância (significance no jargão usado por Dummett), não pode ser explicado apenas por referência aos sons ou a qualquer outro tipo de sinal usado para instanciar uma frase. ²³
Observação semelhante pode ser feita a respeito de uma conversa entre dois falantes. À primeira vista, tudo o que ocorre é que certos sons, geralmente acompanhados por gestos característicos, são emitidos alternadamente pelos participantes da conversa. Mas, o que de fato eles fazem é mais do que isso: eles expressam pensamentos, propõem argumentos, enunciam conjecturas, fazem perguntas, etc. Como nos casos anteriores, apenas mencionar os sons produzidos não explica o que é fazer qualquer uma dessas coisas que pode ser feita em uma conversa, e que constituem a interação linguística. ²⁴
Chamar atenção para o que pode ser feito em uma conversa ou para a significância de uma elocução são dois modos, dentre tantos possíveis, de levar o leitor a um lugar a partir do qual é mais natural propor estas questões: como, por meio da linguagem, podemos fazer tantas coisas? E o que exatamente é fazer uma pergunta, dar uma ordem, ou asserir algo? Enfim, como uma linguagem funciona? Diante dessas questões, o conceito que vem à baila é o conceito de significado, pois as respostas a todas essas questões parecem passar pela admissão de que as expressões da linguagem têm significado. Resta, então, saber o que é o significado. Segundo Dummett, nosso interesse no conceito de significado é um interesse em como uma linguagem funciona, dado que compreender o significado de uma expressão é compreender seu funcionamento dentro de uma linguagem. ²⁵ Assim, o problema do significado é ao mesmo tempo o problema do que é para algo ser uma linguagem. Boa parte dos escritos de Dummett foi por ele pensada como uma contribuição para a solução do problema do significado assim entendido. No presente capítulo, exporemos sua tentativa de elucidar o conceito de significado, ou, dito de outro modo, sua tentativa de elucidar o que faz de algo uma linguagem.
2. SIGNIFICADO E CONHECIMENTO
Um dos pilares do projeto dummettiano de elucidar o conceito de significado consiste em explorar a equivalência intuitiva entre significado e compreensão, revelada pela conexão entre as expressões "compreender A e
saber o que A significa" – em que "A" é uma expressão de uma linguagem arbitrária. De saída, a equivalência impõe uma restrição sobre a caracterização correta do conceito de significado: o significado deve ser algo que pode ser conhecido pelo falante de uma linguagem, assim, qualquer caracterização que permita que o significado seja algo que o falante não possa, em princípio, conhecer, fica desde logo taxada como inadequada. Questões sobre significado podem, pois, ser tratadas como questões sobre o conhecimento do significado de expressões; em especial, a questão sobre o que é o significado de uma expressão pode ser interpretada como uma questão sobre o que um falante sabe quando compreende uma expressão.
