Sobre este e-book
Apresentação
Este livro é uma reunião de contos que têm em comum a temática do casamento. O estresse dos noivos, as reações dos familiares e amigos, o às vezes famigerado chá de cozinha, os preparativos da festa, tudo pode se transformar em conto, embora nem sempre o “conto de fadas”. Eu o escrevi há muito tempo, já o revisei, me separei dele por um tempo, voltamos, reescrevi algumas partes, apaguei outras — e agora estamos aqui, juntos de novo. Desta vez é pra valer e vamos tornar pública nossa "aliança" (pois é, autor e texto são, de certa forma, ligados para sempre).
Em Presente de rico, o chá de cozinha é o rito de passagem em que se confrontam o ser e o parecer. Em Uma causa de nome, a escolha do nome de casada vira um dilema. Em Ctrl + Alt + Del, o estresse dos noivos flui pela Internet, em mensagens instantâneas. Em Casar ou vestibular, a preocupação do pai com a notícia da filha que resolveu se casar antes de terminar os estudos. Em Os inca(n)sáveis, O casamento, Uma dama de honra e Vingança de avó, temos a intervenção nem sempre oportuna dos amigos e da família. Em VBI TV GAIVS, EGO GAIA, o moderno se une ao antigo através de uma frase de efeito escolhida com zelo, para uma cerimônia que resiste ao tempo e às estatísticas sobre o divórcio. Em A festa, a constatação de que é possível manter a celebração mesmo depois da cerimônia.
Alguns destes contos se “casam” com outros textos, de outros autores. O casamento visita uma letra de música do saudoso Tim Maia. O conto intitulado Quem casa, consente dialoga com a peça Quem casa, quer casa, de Martins Pena. O conto O casamento II tem uma pista falsa em seu título: parece remeter a uma sequência do conto de mesmo nome, neste livro, porém dialoga com o conto O casamento de Luís Fernando Veríssimo.
Embora na vida nem sempre seja possível o “felizes para sempre”, espero que ao menos os contos enlacem momentos de agradável leitura.
A autora
Michele de Sá
Professor at the College of Arts, Letters and Communication, Federal University of Mato Grosso do Sul, Brazil.Ph.D. in Latin Language and Literature, Federal University of Rio de Janeiro, Brazil (2008).Professional information: http://lattes.cnpq.br/5764556680061474ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5487-9557
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Pré-visualização do livro
Casos de casamento - Michele de Sá
Ctrl + Alt + Del
Casar ou vestibular
O casamento
Quem casa, consente
Vbi tu Gaius, ego Gaia
Vingança de avó
Uma dama de honra
O casamento (II)
Na festa
APRESENTAÇÃO
Este livro é uma reunião de contos que têm em comum a temática do casamento. O estresse dos noivos, as reações dos familiares e amigos, o às vezes famigerado chá de cozinha, os preparativos da festa, tudo pode se transformar em conto, embora nem sempre o conto de fadas
. Eu o escrevi há muito tempo, já o revisei, me separei dele por um tempo, voltamos, reescrevi algumas partes, apaguei outras — e agora estamos aqui, juntos de novo. Desta vez é pra valer e vamos tornar pública nossa aliança
(pois é, autor e texto são, de certa forma, ligados para sempre).
Em Presente de rico, o chá de cozinha é o rito de passagem em que se confrontam o ser e o parecer. Em Uma causa de nome, a escolha do nome de casada vira um dilema. Em Ctrl + Alt + Del, o estresse dos noivos flui pela Internet, em mensagens instantâneas. Em Casar ou vestibular, a preocupação do pai com a notícia da filha que resolveu se casar antes de terminar os estudos. Em Os inca(n)sáveis, O casamento, Uma dama de honra e Vingança de avó, temos a intervenção nem sempre oportuna dos amigos e da família. Em VBI TV GAIVS, EGO GAIA, o moderno se une ao antigo através de uma frase de efeito escolhida com zelo, para uma cerimônia que resiste ao tempo e às estatísticas sobre o divórcio. Em A festa, a constatação de que é possível manter a celebração mesmo depois da cerimônia.
Alguns destes contos se casam
com outros textos, de outros autores. O casamento visita uma letra de música do saudoso Tim Maia. O conto intitulado Quem casa, consente dialoga com a peça Quem casa, quer casa, de Martins Pena. O conto O casamento II tem uma pista falsa em seu título: parece remeter a uma sequência do conto de mesmo nome, neste livro, porém dialoga com o conto O casamento de Luís Fernando Veríssimo.
Embora na vida nem sempre seja possível o felizes para sempre
, espero que ao menos os contos enlacem momentos de agradável leitura.
A autora
I
PRESENTE DE RICO
Faltava um mês para o casamento e Lúcia já contabilizava os presentes. A lista já estava quase completa na loja e, embora ainda não os tivesse recebido, os nomes assinados garantiam-lhe o básico para seu enxoval e para o bom funcionamento de sua cozinha. Foi uma ótima coisa essa que inventaram: a lista de presentes. Até pela Internet escolhe-se um artigo, faz-se o pagamento, escreve-se o cartão: o contraste perfeito entre os milenares afazeres do lar e a era do computador.
Andou meio fora de moda, o chá de cozinha. Retornou glorioso: os tempos são difíceis e casar-se é um negócio caro. Que coisa, a carestia ser um dos motivos para manter a tradição.
O chá de cozinha de Lúcia tinha sido um sucesso. Todas as suas amigas compareceram e nenhuma delas trouxe nada de cor diferente da escolhida pela noiva – contrariando o que acontece com frequência quase absoluta. Tirando um pinguim de geladeira que lhe deram por gozação (provavelmente uma ideia daquela prima invejosa que estava noiva por mais de sete anos), sua cozinha verde-água estava prontinha. Não lhe faltava nem mesmo um abridor de latas – com um adesivo da Hello Kitty, uma fofura...
Tudo corria bem, dentro do planejado. O vestido da noiva já estava pronto; o salão de festas estava escolhido, reservado e, por incrível que pareça, pago. Apesar de ser uma noiva a um mês do casamento, Lúcia parecia sempre serena. Sua mãe, no entanto, era uma pilha. Afinal de contas, Lúcia era filha única, e sua mãe teria, nesta ocasião singular, o status inalienável de mãe da noiva. Sofrendo por antecipação, achando que a filha ainda não estava bem munida para ser uma dona-de-casa como tem que ser
, resolveu fazer um novo chá de cozinha para Lúcia com as colegas do curso de pintura em vidro – desses cursos que certas mães arranjam, mais para fazer amizades do que exatamente para aprender alguma coisa. De antemão, todas estavam proibidas de dar vidros pintados, é lógico.
Era um grupo bastante heterogêneo, embora com grandes afinidades subjacentes. A mãe de Lúcia, funcionária pública aposentada, apresentou à filha as suas colegas: a doméstica, a professora primária, a vendedora de cosméticos, a enfermeira, a cantora de boate, a animadora de festas infantis, a balconista de farmácia, a dondoca. Todas entre os quarenta e sessenta anos, e todas também assumindo de certa forma a posição de mães da noiva
, cuidavam de fazer Lúcia se sentir à vontade, cada uma contando episódios de sua experiência pregressa. Algumas tentavam ser engraçadas e acabavam sendo assustadoras (afinal, não se deve dizer para uma noiva que está a um mês do casamento coisas do tipo o noivo atrasou duas horas
, ou faltou energia na hora
, ou derrubaram o bolo no chão na hora de arrumar o salão
, entre outros comentários igualmente inapropriados para o momento). A única que destoava
