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Guerra Fria Temporal
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E-book265 páginas2 horas

Guerra Fria Temporal

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Sobre este e-book

No ano de 12.896 D.C, facções com a capacidade de viajar no tempo lutam pelo domínio do destino da humanidade. Geraldo, um simples jardineiro de um condomínio de Campinas no tempo atual, acaba sem querer, envolvendo-se no conflito que abrange o tempo e o espaço. Do cretáceo tardio ao mais distante futuro, nada detém as facções numa luta contínua pelo controle do contínuo histórico, e pelo poder supremo. A luta sem quartel chama-se Guerra Fria Temporal.
IdiomaPortuguês
EditoraClube de Autores
Data de lançamento12 de dez. de 2013
Guerra Fria Temporal

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    Guerra Fria Temporal - Paulo Lucas

    Prefácio do Autor

    Se eu me lembro bem, foi no ano de 2005 que comecei a escrever ficção científica, e de lá para cá já foram diversas obras escritas. Algumas delas basicamente fluíram de minha mente como se fosse um parto muito fácil. Saíram por si mesmas e não deram trabalho algum para nascer. Outras foram bem mais complicadas e deram um pouco de trabalho. Foram por assim dizer; partos complicados.

    Quem não escreveu; quem nunca ficou noite em claro pensando numa história, não sabe o que é isso. Não tem a noção como uma história vai se formando como um microscópico embrião. Vai tomando forma; vai crescendo até atingir uma massa crítica.

    É neste ponto onde o escritor deve por a história no papel. Delineá-la e desenhá-la carinhosamente como faz um bom pintor e desenhista.

    Mas, para que uma história seja realmente boa, ela deve primeiramente ser formada dentro da nossa mente. É lá no recôndito da mente humana onde as histórias verdadeiramente maravilhosas se engendram e tomam forma. Quando ela é contada ou escrita é porque já passou por uma longa jornada nos processos biolétricos dos neurônios no cérebro.

    É evidente que para um escritor ser bem sucedido, ele precisa ser criativo e antes de tudo, ter uma mente cheia de fantasia. Nem se meta a besta á escrever quem não consegue ter fantasias. Contar história é inegavelmente um ato oriundo do mundo da fantasia.

    E para se contar uma história, é preciso sonhar. Sem sonho não há vida. E esta humilde obra é para todos aqueles que ousam sonhar alto.

    1

    O condomínio era totalmente formado por residências da classe média alta, as casas eram de dois andares e possuíam piscina e muitas das amenidades do conforto proporcionado pelo dinheiro. As residências possuíam jardins bem cuidados na frente, e desta forma contribuíam para embelezar e refrescar o ambiente.

    Justamente às três horas da tarde, o Geraldo que era um dos vários jardineiros do condomínio trabalhava na frente da casa 57, de propriedade da senhora Vanessa Luchesi Silva. Habilidosamente suas mãos lidavam com uma tesoura de poda, cortando os galhos de uma cerca de rododentros. Seus lábios arqueados seguravam um cigarro aceso, enquanto os olhos castanhos sonhadores pareciam demonstrar um profundo mergulho nos pensamentos. Geraldo era um homem de estatura mediana e de pele clara que no momento estava bronzeada de trabalhar continuamente ao sol. Os cabelos estavam quase raspados e cobertos por um boné cinza da mesma cor do uniforme.

    Já havia visto muita coisa esquisita feita pelos moradores do condomínio, mas não dava importância, sabia que aquilo não era da conta dele. Por causa de sua discrição, o homem era muito querido pelos administradores. Alguns dos moradores o tratavam com desdém, outros o cumprimentavam com certo respeito. Ele não se importava com estas firulas. Afinal, era pago para cuidar de jardins e não para ficar preocupado com esses detalhes das diferenças sociais do país. O que importava para ele era o adiantamento salarial na conta bancária no dia vinte de cada mês, e o pagamento no quinto dia útil. O resto para podia ir para o raio que o parta.

    Ele já havia dado um trato no jardim da casa 58, que alguns diziam pertencer a um proprietário com inúmeras propriedades pelo país afora. Até diziam que o sujeito era dono de imobiliárias. De qualquer forma, a casa 58 sempre esteve sem moradores desde que o condomínio Alta Floresta foi inaugurado. De qualquer forma, a residência sempre estivera mobiliada porque as funcionárias da limpadora faziam faxina uma vez por semana, disseram a ele sobre isto.

    Finalmente ele fez uma pausa e deu uma profunda tragada no cigarro. Pouco depois estava de volta lidando com a tesoura de poda.

    Um som de um carro se aproximando chegou até aos ouvidos dele, mas ele deu de ombros e continuou na labuta. Mesmo assim acabou olhando o veículo que se aproximava com rabo de olho. Um pequeno detalhe acerca do carro acabou despertando sua atenção. O veículo era um táxi branco com faixas azuis, e parou justamente em frente da casa 58. De forma discreta, ele olhou de soslaio para ver quem é que estava chegando. Queria ver quem estava descendo em frente da casa vazia.

    Um sujeito alto e magro desceu do táxi. Era moreno claro com um cabelo negro e liso penteado para trás, num penteado já bem fora de moda. O homem vestia uma camisa polo azul clara e uma calça jeans tinindo de nova. Os pés calçavam sapatos camurça de cor bege. Na mão direita segurava uma valise de metal prateado.

    Com certo receio, Geraldo chegou a pensar em personagens de filmes de gangsteres. Atores morenos claros, cabelos negros penteados para trás. Típicos italianos do sul, ou coisa que o valha. Ele ficou imaginando se o cara teria uma pistola com silenciador naquela valise metálica.

    Com cuidado, observou o rosto do sujeito e notou os outros detalhes que faltavam. Estava tudo lá: um nariz tipicamente europeu e os olhos azuis claros. Definitivamente o jardineiro achou que o sujeito tinha cara de siciliano. Uma feição tipicamente italiana. Provavelmente teria também um sobrenome do gênero — Geraldo pensou.

    Usando o cigarro como desculpa, ele fez outra pausa no trabalho para observar o recém-chegado. Os olhos dele ficaram presos aos modos de bacana do sujeito. Que apesar da suspeita inicial, aparentava ter a face de uma pessoa de bem.

    Geraldo possuía um dom para ver de imediato quando uma pessoa era boa ou ruim. Num instante sentiu uma boa sensação a respeito do estranho de cabelos escuros e olhos claros.

    Depois de dispensar o táxi, o estranho ficou observando os arredores como se tivesse todo o tempo do mundo. Subitamente o recém-chegado teve o interesse despertado pelo jardineiro que trabalhava na frente da casa ao lado.

    Geraldo teve a desagradável sensação que o cara nunca tinha visto um jardineiro cuidando de seus afazeres. Pelo menos foi o que ele pensou naquele momento. Ninguém gostava de ser observado diretamente daquela forma.

    Encabulado, ele rezou para que o estranho se esquecesse dele e entrasse logo na casa. Mas ao invés disso, o recém-chegado se aproximou, olhou para o cigarro na boca do jardineiro de tal maneira, que passou a desagradável impressão que estivesse vendo um ser humano comendo caco de vidro. A sensação de desagrado na face dele foi bem perceptível para Geraldo. Irritado com aquilo, o jardineiro esperou pelo próximo ato do estranho.

    — Boa tarde, senhor! Tenho a ousadia de dizer que me chamo Roberto Gomes e sou o novo proprietário daquela residência ali. — o estranho com cara de italiano apontou para a casa 58.

    Irritado Geraldo pensou que o homem tinha uma fala demasiadamente empolada para seu gosto. E o que ele tinha a ver com aquilo? Ele acabou devolvendo amigavelmente o cumprimento do sujeito. Estava um pouco decepcionado com o nome dele. Tinha esperado algo como Frascatti, Bonelli ou algo do gênero. Gomes era um nome português bem comum por sinal, e também não ouvira nenhum sotaque estranho na fala do homem. O Português do sujeito tinha a sonoridade da região sudeste do país.

    O estranho era que o homem ao contrário dos outros moradores, perdia tempo para conversar com os mantenedores do condomínio. Na maioria das vezes os condôminos nem olhavam para os trabalhadores. Era como se eles fossem invisíveis; um mal necessário muito desagradável que infelizmente não se vivia sem ele.

    Por algum tempo o estranho ficou encarando Geraldo diretamente, fazendo-o se sentir nu e vulnerável. Era uma situação completamente inusitada para o jardineiro e deveras desagradável.

    — Posso lhe fazer uma pergunta de natureza pessoal? — o estranho perguntou calmamente na esquisita fala empolada.

    Surpreso pela pergunta, Geraldo jogou a bituca do cigarro dentro do carrinho de mão e encarou o sujeito. — Pode...

    — Quanto o senhor ganha trabalhando nesta profissão? — os olhos claros do homem pareciam feitos de gelo, não piscavam e encaram Geraldo profundamente.

    Com um arrepio na coluna, Geraldo demorou em responder. Não era um tipo de pergunta que um morador do condomínio costumava fazer aos funcionários.

    Vendo o receio do jardineiro, o estranho disse. — Não se acanhe senhor. Pode dizer, não tenha vergonha. Quanto o senhor recebe pelo trabalho de jardineiro?

    Geraldo coçou a lateral esquerda da cabeça. — Mais ou menos uns mil e duzentos reais por mês... Eu...

    — Ótimo. E se eu lhe oferecesse o triplo disso, o senhor trabalharia para mim?

    Geraldo riu sem graça. — Trabalhar para o senhor? Como assim?

    Vincos de preocupação surgiram na testa do sujeito. Ele disse: — Eu não me expressei bem? A frase que eu disse não foi compreensível para o senhor?

    Geraldo já não estava entendendo mais nada. O cara não disse se chamar Roberto Gomes? E agora perguntava se não foi compreensível. Será que ele era um estrangeiro afinal de contas?

    — Foi compreensível. Mas porque deseja que eu trabalhe para o senhor? Por acaso tem alguma empresa? Claro se a pergunta não lhe incomodar.

    — Tenho. E a pergunta não me incomoda. Eu gosto de pessoas que perguntam as coisas. — o estranho riu mostrando dentes impecáveis.

    — E qual é o ramo de sua empresa? — agora Geraldo estava realmente curioso. Ficou dando tratos à bola imaginando o que o homem queria com um simples jardineiro. Talvez o cara fosse um daqueles boiolas endinheirados tão comuns hoje em dia.

    — Eu trabalho com empreendimentos tecnológicos, — o homem disse pacientemente — preciso de alguém que conheça a cidade e saiba dirigir.

    O jardineiro limpou o suor da testa e arqueou a sobrancelha. — E por que justamente eu? Eu sou apenas um jardineiro... Tem certeza que é isso mesmo?

    O homem fez uma expressão engraçada no rosto. Era como se não tivesse entendido a frase do jardineiro. — Isso mesmo? Isso mesmo o que? Eu não entendo a expressão idiomática.

    Agora Geraldo desconfiou realmente que o cara devia ser um tipo de estrangeiro.

    — Quero dizer se o senhor quer mesmo me contratar como funcionário? Tem certeza disso?

    O homem sorriu jovialmente. — Tenho plena certeza que o senhor é o homem certo para o negócio.

    Trêmulo, Geraldo chegou a pensar que o cara devia ser um grande traficante internacional de drogas. Já que tinha sido franco com ele, pensou em lhe fazer bem direta.

    — O senhor não é traficante de drogas, é?

    Em vez de ficar ofendido, o cara fez uma expressão como não tivesse entendido.

    Ele disse: — Traficante de drogas? Traficante de drogas... Ah, eu entendi! Traficante de drogas é uma pessoa que comercializa substâncias entorpecentes ilícitas, não é? Não... Eu garanto ao senhor que não comercializo drogas ilícitas.

    Geraldo suspirou aliviado. Tinha esperado uma reação violenta por parte daquele sujeito. Ele ficou pensativo por alguns segundos até que o recém-chegado o interrompesse.

    — Eu entendo se o senhor não quiser aceitar o emprego. Todavia, eu lhe digo que conheço muito pouco a região. Eu preciso de alguém para me ajudar nesse sentido. Sou uma pessoa de bem e temente a Deus, isso eu posso lhe garantir.

    Depois de tirar o boné e limpar o suor da testa, Geraldo disse: — Pensando bem, eu acho que vou aceitar o emprego. — Geraldo encarou o estranho nos olhos — Mas vou lhe dizendo, eu não aceitarei fazer nada contra a lei.

    O homem olhou calmamente para Geraldo e sorriu. — Eu lhe asseguro senhor Geraldo, o senhor estará trabalhando para a lei. Vai perceber que estará trabalhando para manter a lei e a ordem das coisas.

    Geraldo engoliu em seco e disse. — Que quer dizer com isto?

    — Calma... Tudo ao seu próprio tempo. — o estranho fez menção de entrar na residência 58, mas se virou para o jardineiro. — Mais tarde, se o senhor puder, eu vou precisar que compre para mim alguns mantimentos. Pode fazer isto?

    Geraldo riu sem graça. — Já começo trabalhar hoje mesmo para o senhor?

    — Pode-se dizer que sim. Amanhã o senhor pedirá demissão formal do emprego atual. Em seguida explicarei as coisas que farão parte de seu novo trabalho. — o homem finalmente foi em direção à residência, deixando o jardineiro a sós com seus pensamentos conturbados.

    2

    Vanessa estava sentada no escritório no andar de cima da casa, e lidava com alguns documentos jurídicos da empresa onde trabalhava. A mobília era formada por uma mesa de madeira, uma estante cheia de livros de direito econômico. No momento ela estava usando o notebook, onde analisava documentos do departamento de compras. Ela era uma mulher loira com belíssimos olhos verdes esmeralda. Tinha trinta e oito anos, mas aparentava bem menos idade. Mesmo com toda aquela beleza, não conseguiu impedir que o marido e pai dos seus dois filhos a deixasse por causa de uma lambisgóia do escritório dele.

    Ela tinha montado uma estação de trabalho em casa, para que pudesse passar mais tempo com as crianças. Mesmo assim, estava conectada constantemente com a sede da empresa. Só em casos extremos deveria ir até lá para resolver os eventuais pepinos que surgiam. Ela estava nervosa porque João o ex-marido mal via as crianças, o imbecil achava que só bastava pagar uma gorda pensão e estava tudo bem. Acontece que as crianças sentiam a falta da presença do pai.

    Vanessa sentiu uma pontada fina vindo do baixo ventre. Uma cólica menstrual que a fez se contorcer no assento. Para piorar, gritos vieram do andar de baixo. O pequeno Emerson estava brigando de novo com a irmã. O menino de nove anos não conseguia ficar perto da irmã de quatorze anos sem que brigasse com ela. Talvez fosse por causa da ausência do pai. Talvez as crianças estivessem expressando as emoções represadas através das constantes discussões. Ela gemeu de dor e colocou a cabeça apoiada nas mãos. Sentiu que precisava tomar gotas de Buscopan, senão não aguentaria aquela cólica monstruosa. Se ao menos as crianças parassem de discutir. — ela pensou enquanto sentia uma faca cortando-a por dentro. Parecia que estavam lhe arrancando o útero com algum instrumento cirúrgico primitivo e sem anestesia.

    Cega de dor, ela desceu como um foguete pelas escadas em direção à cozinha. Pelo jeito, o pequeno Emerson queria comer batatas fritas e hambúrgueres de novo. A discussão dos dois retumbava pelas paredes. A irmã mais velha mais parecia um rançoso ministro religioso falando das benesses de uma alimentação saudável.

    Ela insistia para que o irmão comesse brócolis, arroz e salada de atum. O menino tinha opinião forte e afirmava veemente que detestava comida saudável. Enquanto andava para chegar à cozinha, a faca da dor ainda rasgava Vanessa por baixo. A testa dela porejou de suor.

    Ela sabia que somente a Maria seria capaz de controlá-los. Mas a empregada foi para casa às dezessete horas. Então trate de dar um jeito você mesma! — ela pensou enquanto sentia a maldita dor rasgando-a. Ela decidiu que amanhã iria ao ginecologista. Aquela cólica não era normal, devia ser uma senhora

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