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Hannah Arendt - Daniele Lopes Oliveira
Apresentação
Hannah Arendt foi o nome pelo qual a autora, mais ilustre do século XX ficou conhecida. Nascida na Alemanha na cidade de Linden, em 14 de outubro de 1906 com o nome Johanna Arendt de origem judaica, não gostava de ser categorizada como filósofa, mas foi reconhecida como uma das mais influentes filósofas políticas, em virtude de suas abalizadas análises políticas, ela recebeu importantes distinções como o Prêmio Lessing de 1959 e o Prêmio Sonning de 1975, este concedido pela Universidade de Copenhague, uma tradicional instituição de ensino dinamarquesa fundada em 1479. Arendt foi agraciada em reconhecimento ao seu mérito em favor do desenvolvimento da cultura europeia. Entre os ganhadores do Prêmio Sonning, concedido a cada dois anos, figuram os nomes da filósofa húngara Ágnes Heller, do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, do cineasta sueco Ingmar Bergman, do dramaturgo italiano Dario Fo e da filósofa, teórica do feminismo e escritora francesa Simone de Beauvoir. Esta obra trata de observar e registrar duas contribuições à humanidade.
Vida e Obra de Hannah
Só a bondade deve esconder-se de modo absoluto e evitar qualquer publicidade, pois do contrário é destruída
.
Hannah Arendt nasceu no seio de uma família de judeus secularizados, perto de Hanôver, seus antepassados vieram de Königsberg na Prússia (a atual Kaliningrado), para onde voltaram seu pai, o engenheiro Paul Arendt, que sofria de sífilis e sua mãe Martha. Depois da morte de seu pai, em 1913, foi educada de forma bastante liberal por sua mãe, que tinha tendência socialdemocrata (AGUIAR, 2001, p. 7-20).
Arendt com seu avô paterno Max, 1907.
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019
Nos círculos intelectuais de Königsberg em que foi criada a educação de meninas era comum. Através de seus avós, conheceu o judaísmo reformista. Não pertencia a nenhuma comunidade religiosa, mas sempre se considerou judia, inclusive participando do movimento sionista. Aos catorze anos, já havia lido a Crítica da razão pura de Kant (1747) e a Psicologia das concepções do mundo de Jaspers (1955) (ADLER, 2007, p. 56).
Arendt e sua mãe Martha, 1912
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Aos dezessete anos de idade é obrigada a abandonar a escola por problemas disciplinares, indo então, sozinha, para Berlim, onde, sem haver concluído sua formação, teve aulas de teologia cristã e estudou pela primeira vez a obra de Søren Kierkegaard (1843) (Ibid, 2007, 55).
Em 1920 estudando numa biblioteca da escola para meninas
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
De volta a Königsberg em 1924, foi aprovada no exame de maturidade Vida Acadêmica e Atividade Política. Nesse mesmo ano começa seus estudos na Universidade de Marburg e durante um ano assiste às aulas de filosofia de Martin Heidegger (1912) e de Nicolai Hartmann (1933), e as de teologia protestante de Rudolf Bultmann (1912), além de estudar grego (PECORARO, 2008, p.320).
Escola para meninas em Königsberg
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Königin-Luise-Schule in Königsberg
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Heidegger, pai de família de trinta e cinco anos, e Arendt, estudante dezessete anos mais jovem que ele, foram amantes, ainda que tivessem de manter em segredo a relação (ADLER, 2007, p. 531).
Arendt (18 anos, aluna) e Heidegger (35 anos, professor, casado). Tiveram um caso amoroso
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
No começo de 1926, ela não aguentava mais a situação e decidiu trocar de universidade, indo para a Universidade Albert Ludwig de Freiburg, para estudar sob a orientação de Edmund Husserl.
Universidade de Marburgo, 1924, Onde Arendt inicia seus estudos
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Para por fim ao seu caso amoroso muda-se para a Universidade de Friburgo (Alemanha) Albert-Ludwigs-Universität Freiburg 1926
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Ela também estudou filosofia na Universidade de Heidelberg e se formou em 1928, sob a tutoria de Karl Jaspers, com a tese O conceito de amor em Santo Agostinho (1928). A amizade com Jaspers duraria até a morte do filósofo (ADLER, 2007, p. 531).
Muda-se novamente para a Universidade de Heidelberg onde conclui seus estudos, se formou em 1928, sob a tutoria de Karl Jaspers, com a tese "O conceito de amor" em Agostinho. Hannah Arendt, Benno von Wiese, Hugo Friedrich em Heidelberg University.
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Arendt havia levado uma vida muito recatada em Marburg, como consequência do segredo de sua relação com Heidegger. Mantinha amizade apenas com outros alunos, como Hans Jonas, e com seus amigos de Königsberg.
Sua casa em Lutherstrasse 4, Marburg
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Em Heidelberg, ampliou seu círculo de amigos ao qual pertenceu Karl Frankenstein, que, em 1928, apresentou uma dissertação histórico- filosófica, Erich Neumann, seguidor de Jung, e Erwin Loewenson, um ensaísta expressionista. Jonas também se mudou para Heidelberg e realizou alguns trabalhos sobre Santo Agostinho (AGUIAR, 2001, p.7-20).
Schlossberg, Heidelberg
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Em Berlim, 1929, Arendt reencontra Günther Stern, que se chamaria mais tarde Günther Anders, que conhecera em Marburg. Pouco mais tarde, mudou para viver com ele, algo que foi mal visto pela sociedade da época. Nesse mesmo ano, casaram-se. O casamento duraria até 1937 (ADLER, 2007, p. 500).
Na Alemanha (1929–1933)
Günther Stern e Hannah Arendt em 1929 casados Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Depois de um curto tempo em Heidelberg, o casal passou um ano em Frankfurt. Arendt escrevia para o jornal Frankfurter Zeitung e participava de seminários de Paul Tillich e Karl Mannheim, de cujo livro: Ideologia e utopia elaboraram uma resenha crítica. Ao mesmo tempo, estudava a obra de Rahel Varnhagen (1903), uma intelectual judia assimilada, convertida ao cristianismo, que viveu entre os séculos XVIII e XIX. Ficando claro que a tese de Stern não seria aceita por Theodor Adorno (1933), os dois voltaram para Berlim. Lá, Arendt começou a elaborar uma tese sobre a obra de Rahel Varnhagen (1903). Depois de uma avaliação positiva de Jaspers, que também conseguiu outras de Heidegger e de Martin Dibelius, Arendt obteve uma bolsa de estudos na Notgemeinschaft der Deutschen Wissenschaft (Associação de ajuda para a ciência alemã), antecessora da Deutsche Forschungsgemeinschaft. Simultaneamente, Arendt começou a se interessar cada vez mais por questões políticas, leu Marx (1841) e Trotsky (1914) e estabeleceu contatos na Hochschule für Politik (Escola superior de política) (ADLER, 2007, p. 440).
Sua Dissertação sobre Rahel Varnhagen,1800 onde discute a assimilação dos judeus
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
O pluralismo político era um dos conceitos básicos pregados por Arendt (1967), na vigência do qual a igualdade política e a liberdade se manifestariam naturalmente entre as pessoas, com tolerância e respeito às diferenças, numa perspectiva de inclusão. Agentes com disposição e capacidade específica devem ter atuação prática em leis, convênios e acordos de natureza política. Em consequência desse tipo de ideia, ela privilegiava a democracia direta ou um sistema de conselhos em detrimento de formas de democracia representativa, em relação às quais adotava uma postura claramente crítica.
Seus Professores e grandes influenciadores
Martin Heidegger Edmund Husserl Karl Jaspers
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Analisou a exclusão social dos judeus, apesar da assimilação, com base no conceito de pária
, empregado pela primeira vez por Max Weber (1904) para falar dos judeus. A este termo, ela opôs outro arrivista
, inspirada pelos escritos de Bernard Lazare (1894) (ARENDT, 2002a, p. 273).
Placa Ph.D. em 1928 em Heidelberg University orientada por Karl Jaspers
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Em 1932, publicou na revista História dos judeus na Alemanha o artigo O Iluminismo e a questão judaica, no qual expõe suas ideias sobre a independência do judaísmo, contrapondo-as com as dos iluministas Gotthold Ephraim Lessing (1771) e Moses Mendelssohn (1755) e o precursor do Romantismo, Johann Gottfried Herder (1765). Também em 1932 escreve uma crítica do livro O problema da mulher na atualidade
de Alice Rühle-Gerste (1934), no qual comenta a emancipação da mulher na vida pública, mas também discute suas limitações, sobretudo no casamento e na vida profissional (ADLER, 2007, p.600).
Fonte:https://www.gettyimages.com.br/fotos/hannah-arendt-fil%C3%B3sofa, 2019.
Constata o menosprezo fático
que sofre a mulher na sociedade e critica os deveres que não são compatíveis com sua independência. Em troca, Arendt contempla o feminismo à distância. Por um lado, insiste que as frentes políticas são frentes de homens
e, por outro, considera questionáveis
os movimentos feministas, assim como os movimentos juvenis, porque ambos com estruturas que trespassam as classes sociais têm que fracassar em seu intento de criar partidos políticos influentes (AGUIAR, 2001, 7-20).
A política baseia-se na pluralidade dos homens. Deus criou o homem, os homens são um produto humano mundano, e produto da natureza humana. A filosofia e a teologia sempre se ocupam do homem, e todas as suas afirmações seriam corretas mesmo se houvesse apenas um homem, ou apenas dois homens, ou apenas homens idênticos. Por isso, não encontraram nenhuma resposta filosoficamente válida para a pergunta: o que é política? (...) É surpreendente a diferença de categoria entre as filosofias políticas e as obras de todos os grandes pensadores até mesmo de Platão. (...) A política trata da convivência entre diferentes. Os homens se organizam politicamente para certas coisas em comum, essenciais num caos absoluto, ou a partir do caos absoluto das diferenças (ARENDT, 1967, p. 21).
Pouco antes da ascensão de Hitler ao poder, Karl Jaspers tenta convencê-la em várias cartas de que ela devia considerar-se alemã. Ela rebate, escrevendo: [...] para mim, Alemanha é a língua materna, a filosofia e a poesia [...]
. No mais, sentia-se distante. Em especial critica a expressão o ser (Wesen) alemã
empregada por Jaspers. Este lhe respondeu: [...] estranho que você, como judia, queira diferenciar-se dos alemães [...]
. Ambos também manteriam estas posições após a Guerra (ARENDT, 1994a, p.60-61).
Em 1932, Arendt já pensava na emigração, mas inicialmente ficou na Alemanha quando seu marido emigrou para Paris, em março de 1933, e começou sua atividade política. Por recomendação de Kurt Blumenfeld, trabalhou para uma organização sionista, estudando a perseguição dos judeus, que estava no começo na Alemanha nazista. Sua casa serviu de estação de trânsito para refugiados. Em julho de 1933, ela foi detida durante oito dias pela Gestapo (ADLER, 2007, p. 422).
A Günter Gaus comentou-lhe suas razões: [...] se te atacam como judeu, deves defender-te como judeu [...]
(ARENDT, 1994a, p. 60-61). Já em 1933, Arendt defendia a postura de que se devia lutar ativamente contra o nacional- socialismo. Essa posição é contraria à de muitos intelectuais alemães, inclusive alguns de origem judaica, que pretendiam se aproximar do nacional socialismo, subestimando a ditadura e inclusive elogiando os novos donos do poder (AGUIAR, 2001, p. 7-20).
Na entrevista com Gaus, ela expressa seu desprezo pela "Gleichschaltung,
adaptação", ao novo regime da maioria dos intelectuais. A questão repugnava Arendt e ela não queria ter nada em comum com esses eruditos de manada, oportunista ou mesmo entusiasta. Desse pensamento surgiu sua disputa com Leo Strauss (1935), cujo pensamento conservador rejeitava (ARENDT, 1994a, p. 60-61).
O ingresso de Heidegger no partido nazista (NSDAP) causou o rompimento de sua relação com ele, a qual não foi retomada até 1950. Também finalizou a amizade com Benno von Wiese quando este se aproximou do nazismo e ingressou no partido nazista em 1933 (ADLER, 2007, p. 567).
Essa experiência de profundo afastamento de seus amigos é descrita várias vezes em suas obras e em sua correspondência. Ela partia da convicção de que se tratava de decisões voluntárias, pelas quais o indivíduo era responsável. Pouco antes de sua morte sustentou que muitos pensadores fracassaram frente ao nacional-socialismo quando se comprometeram com o regime. Arendt não exigia deles uma oposição ativa. Reconhecia já o silêncio como uma recusa do totalitarismo (ARENDT, 1994a, p. 789).
Outro círculo de amigos se abriu graças à sua amizade com Benno von Wiese e seus estudos com Friedrich Gundolf, que lhe havia recomendado Jaspers. Sua amizade com Kurt Blumenfeld, diretor e porta-voz do
