A produção de bonecas negras por artesãs tocantinenses: costurar igualdade e construir vínculos
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A produção de bonecas negras por artesãs tocantinenses - Jonas Carvalho e Silva
A produção de bonecas negras
por artesãs tocantinenses
costurar igualdade e construir vínculos
Editora Appris Ltda.
1.ª Edição - Copyright© 2022 do autor
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Elaborado por: Josefina A. S. Guedes
Bibliotecária CRB 9/870
Livro de acordo com a normalização técnica da ABNT
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Printed in Brazil
Impresso no Brasil
Jonas Carvalho e Silva
A produção de bonecas negras
por artesãs tocantinenses
costurar igualdade e construir vínculos
À Heloisa Lotufo Manzano e Luciana Pereira de Souza.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Sr. Christian Schulz, pelo financiamento do livro, à Comsaúde (Comunidade de Saúde, Desenvolvimento e Educação), por ser um laboratório vivo de boas práticas em saúde comunitária, e às artesãs do projeto Brincando de Bonecas de Porto Nacional, Tocantins, pela colaboração na construção desse referencial teórico para as ciências sociais.
APRESENTAÇÃO
Pichon-Rivière nos ensina que em tempos de incerteza e desespero, é essencial desenvolver projetos coletivos a partir dos quais se possa planejar a esperança junto com os outros. Este livro foi concluído na Alemanha durante a terceira primavera após o início da pandemia da covid-19. O período que estamos vivendo certamente será relembrado pela história, mesmo que ainda não saibamos que caminhos seguiremos para o futuro. O período como pesquisador e residente em um país diferente do Brasil me proporcionou a chance de elaborar as minhas memórias com as leituras que acumulei no campo das ciências sociais e humanas.
Como produto dos resultados obtidos da reflexão e da minha trajetória acadêmica e política, apresento um referencial teórico conceitual articulado em processos coletivos de solidariedade, cooperação e autogestão. Busquei sistematizar, de maneira acessível as diversas áreas científicas e profissionais, diversos temas e conceitos que são emergentes no campo social, político e ecológico. O livro auxiliará a leitora e o leitor a situarem-se no mundo complexo em relação a si, ao outro e ao ambiente.
Durante a minha formação como psicólogo, em uma universidade privada na Região Norte do Brasil, eu não tive nenhuma componente curricular que fornecesse conhecimentos empíricos, teóricos e interventivos sobre a economia solidária (Ecosol), ou sobre outras interseccionalidades, como gênero, classe e raça. Por sua vez, a minha formação acadêmica se constituiu de movimentos sinergéticos pessoais, sociais e institucionais, que dinamizaram o meu olhar sobre o projeto socioeconômico. As tendências e desafios que vivenciei exigiram criatividade e a convergência de elementos organizativos, práticos e políticos acerca dos processos socioecológicos humanos. Estes elementos da minha história de vida contextualizam a minha escolha pelo tema e pela psicologia comunitária.
Os meus pais se conheceram no movimento social durante o processo de redemocratização do Brasil, iniciado com o encerramento da ditadura militar. A minha mãe, uma professora de história e artesã, nasceu em Pium-TO e se mudou com os meus avós para Porto Nacional ainda criança. O meu pai, um artista e produtor de vídeos autodidata, nasceu no Maranhão e se transferiu para Porto Nacional, após conhecer a região com um grupo de teatro. Eu nasci poucos dias antes da aprovação, e posterior promulgação, da Constituição brasileira de 1988. Neste mesmo ano, o norte do estado de Goiás foi emancipado, e eu fui registrado civilmente, após o meu nascimento, como tocantinense, a partir da instalação definitiva do Tocantins em 1989.
Tenho preservado nas memórias da infância os momentos em que escutava os meus pais conversarem sobre os tempos sombrios da ditadura e a esperança em um Partido dos Trabalhadores; os motivos pela luta contra a discriminação racial e o respeito das diferenças; a construção de políticas para a Ecosol, onde trabalharíamos sem patrões e nos autogeríamos; a conquista de um Sistema Único de Saúde e educação de qualidade. A vitória do presidente Luis Inácio Lula da Silva, em 2002, foi um período importante para a nossa família. Seguindo os passos dos meus pais e de tios, eu, os meus irmãos e primos tivemos contato, desde muito jovens, com os espaços de militância social e política.
Também tenho preservadas na memória as rápidas transformações culturais, paisagísticas e ambientais que o Tocantins sofreu desde o período da sua criação. Em especial, um fato marcante foi o barreamento do rio Tocantins, após a construção de uma Usina Hidrelétrica, em 2000. O lago e a crescente atividade da agroindústria trouxeram vários impactos socioambientais para a nossa comunidade, que se tornaram uma pauta de luta para a nossa família.
A cidade de Porto Nacional, como outras cidades ribeirinhas, foi fortemente afetada, provocando uma ruptura nos modos de vida da população. Os movimentos e as agendas políticas de Ecosol tomaram força nas cidades e nos assentamentos rurais atingidos pelas hidrelétricas e outros projetos de larga escala. Como um fator de resiliência comunitária, a formação dos Empreendimentos de Economia Solidária (EES) e os espaços de comercialização foram uma alternativa encontrada pelos atingidos frente às perdas econômicas, culturais e emocionais.
Em razão das políticas sociais implementadas pelo governo, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), eu, alguns familiares e amigos pudemos ter acesso à Universidade. E foi diante desse contexto de vida que eu iniciei a minha trajetória acadêmica. A Universidade me proporcionou o desenvolvimento de uma consciência mais profunda com os temas ligados às minhas experiências pessoais. A minha formação acadêmica, aliada à inserção política e social, impulsionaram o interesse para a realidade internacional.
Durante a minha graduação, no período de 2008-2009, eu fiz um intercâmbio na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Lovaina (Bélgica), onde pude, tanto nos espaços acadêmicos como do movimento social, daquele país, compartilhar a realidade do Brasil e aprender sobre os estudos de gênero, migração e de comunidade. Ao final da minha graduação em psicologia, em 2010, eu escrevi o meu trabalho de conclusão de curso sobre a formação de um EES da minha cidade, que será abordado neste livro.
Após a graduação, iniciei, em 2011, o mestrado em Ciências do Ambiente, criado no final de 2002, sendo o primeiro mestrado a ser ofertado na Universidade Federal do Tocantins e no estado do Tocantins. A extensão da minha pesquisa, iniciada na graduação, em um programa interdisciplinar, que discute o meio ambiente em sua ampla conceituação, me possibilitou articular um campo teórico-conceitual sobre a condição de vida das pessoas.
Nessa fase da minha formação, realizei um período sanduíche na Universidade de Múrcia (Espanha) no Programa de Mestrado em Gênero e Igualdade da Faculdade de Direito. Esta experiência me despertou o interesse em desenvolver a profissão com base na perspectiva de gênero e na promoção da igualdade, como via de superação das diferenças, e combater a discriminação nos âmbitos institucionais, políticos e profissionais. Este livro é derivado da minha dissertação de mestrado, na linha de pesquisa Cultura e Meio Ambiente, defendida em 2013. Para a edição da obra eu atualizei o estado da arte, atinente à temática da pesquisa, e a discussão dos resultados.
Na segunda parte do livro trago uma experiência real de um grupo de artesãs da minha cidade natal, Porto Nacional, Tocantins. Ligadas à entidade Comsaúde, as mulheres se reuniram, por um período de cinco anos, em torno de uma atividade econômica de produção de bonecas, motivadas pela crença comum em uma sociedade justa e democrática. Elas são as protagonistas desta obra, pois deram voz e representatividade à identidade coletiva das mulheres negras, para a construção de um esquema de sobrevivência, tendo como recursos do processo grupal os vínculos e a união.
A minha inserção no campo de pesquisa se deu a partir de uma atividade da Comsaúde nos bairros, que chamávamos de "Baús da Leitura", iniciada após a doação de livros infanto-juvenis de uma escola particular de São Paulo. Os livros armazenados e transferidos nos baús proporcionavam encontros rotativos nos quintais das residências das mães, onde realizávamos a leitura de histórias para as crianças e as suas famílias. Todas as ações foram posteriormente concentradas e interligadas no Centro das Crianças, após a construção do prédio, e eu fui contratado como assistente da biblioteca. Nesse local eu me encontrava diariamente com o grupo de artesãs.
O projeto Brincando de Bonecas foi estruturado com os vários colaboradores da Comsaúde que desenvolviam ações sociais no bairro Brigadeiro Eduardo Gomes. Junto com a produção da boneca, inspirada na economia solidária, outras ações foram planejadas para a educação étnico-racial. Nos dias 20 de novembro, em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, iniciamos a organização de desfiles da beleza negra. Esses eventos visavam à valorização da estética negra e da autoestima das pessoas da comunidade.
O Brasil está marcado atualmente pela polarização das opiniões, o que põe em risco o consenso sobre os valores humanos que nos fazem estar com os outros. A pesquisa e o ativismo social devem agir conjuntamente na contramão, como pontes entre os mais diversos contextos, para promover a garantia dos direitos fundamentais daqueles mais vulneráveis, que são as vítimas diretas da injustiça. Este livro é um convite para a transformação, por meio da resistência e da esperança de que uma sociedade igualitária é possível, a partir dos esforços coletivos.
Jonas Carvalho e Silva
PREFÁCIO
Em O tecelão dos tempos, Durval Muniz de Albuquerque Jr. nos ensina que a história nasce como trabalho artesanal, paciente, meticuloso, diuturno, solitário e infindável que se faz sobre os restos, sobre os rastros. Como esfinges, pedem deciframento, solicitam compreensão e sentido (2019, p. 30).
O psicólogo e ambientalista Jonas Carvalho e Silva parece percorrer esse caminho indicado por Durval. O livro A produção de bonecas negras por artesãs tocantinenses: costurar igualdade e construir vínculos é, antes de tudo, a escrita artesanal, paciente e meticulosa do autor que nasceu e viveu em Porto Nacional (TO), cidade impactada pela barragem de Lajeado. Aos moradores do Centro Histórico coube a resiliência
