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Pré-visualização do livro
Crônicas - Carla H. Silveira Machado
CRÔNICAS
UM PEQUENO LUGAR – SUAS HISTÓRIAS E SUAS MEMÓRIAS
Carla H. Silveira Machado
Copyright © 2021 – Carla H. Silveira Machado
Todos os direitos reservados.
Agradecimentos:
Ao meu marido José Claudio e meus
filhos Bibiana e Luiz Felippe.
APRESENTAÇÃO
Uma pequena cidade pode conter um universo inteiro
. (Pearl S. Buck)
Este livro é uma condensação, em forma de crônicas, da história e das memórias da minha terra natal, Arroio Grande, e de outros lugares nas cercanias.
Foram muitos anos de pesquisas, em jornais, arquivos históricos, bibliotecas e etc., sobre a trajetória de Arroio Grande, histórias e memórias, cujo resultado foi compilado nesta publicação.
Arroio Grande é uma pequena cidade, às margens da lagoa Mirim, no interior do Rio Grande do Sul, Brasil, quase fronteira com o Uruguai. Entre os seus legados há fatos relevantes na história do país. Além de ser o berço natalício da grande personalidade brasileira do segundo reinado, o Visconde de Mauá, também é o torrão natal do importante jurista Uladislau Herculano de Freitas.
Em terras de Arroio Grande, às margens do arroio Chasqueiro, ocorreu o penúltimo combate da Revolução Farroupilha, batalha ocorrida entre os anos de 1835 e 1845, ocasião em que morreu o coronel Gavião, Joaquim Teixeira Nunes, o líder dos Lanceiros Negros
, cujo corpo está sepultado no adro da igreja de Nossa Senhora da Graça.
O município tem, também, na vila de Santa Isabel, interior do município de Arroio Grande, situada às margens do canal São Gonçalo (que liga a lagoa dos Patos à lagoa Mirim), outrora um reduto próspero, relevante destaque no cenário histórico: foi privilegiada com a visita do Imperador D. Pedro II e sua comitiva, em 24 de outubro de 1865; com relatos fartamente anotados nos jornais da época.
Enfim, posso dizer que, Arroio Grande, na sua trajetória histórica, desde os primeiros povoadores, que chegaram ao final do século XVIII, não difere muito de outros lugares, guardadas as devidas proporções, ao redor do mundo.
Sumário
A MOEDA DO IMPERADOR
CHICA DA SILVA E A CHÁCARA DO CORONEL
CORAGEM E JUSTIÇA
UM MENINO CHAMADO IRINEU
A TESTEMUNHA
ROMANCE PROIBIDO
O CABARÉ DA FULGÊNCIA
OS MISTÉRIOS DA MATRIZ
UM SARAU PARA SERAFIM
AS TRAGÉDIAS DA VIDA
DIVAS
A FORTUNA DO PORTUGUÊS
O CRIME DO JUIZ
A SOLIDÃO DE UM PHAROL
A ENCHENTE
OLHOS DE ÁGUIA
A PRIMEIRA ELEIÇÃO
A PESCARIA
AURORA
TESTEMUNHA OCULAR
ASSALTO AO ARROIO GRANDE
SAUDADE DA VILA DE SANTA IZABEL
LINOCO, O LOUCO
ENTRE LÍRIOS E LENDAS
A ÚLTIMA VALSA
OS ESPINHOS DA ESTÂNCIA
AS CARTAS NÃO MENTEM JAMAIS
A PEQUENA CAROLINA
A FLORESCENTE VILA
A FLOR DA PALMA
A FLOR DA PALMA (II)
A INJUSTIÇA
A SORTE DO PAGADOR
FRANCISCA
GABRIEL
DIAS DE TERROR
PASSO DO SIMÃO
CARTA PARA FRANCISCA
QUAL É O SEU NOME?
SEMPRE AOS DOMINGOS
O MAIS BELO ENTARDECER
FEDERAÇÃO
A PROMESSA
A VISITA DO VISCONDE
O ECLIPSE SOLAR DE 1966
JACINTHO
PERCEPÇÕES DE DELPHINA
UMA DOCE ILUSÃO
A BRAVATA DE SERAFIM
EMOÇÕES SOB A LONA
O MÉDICO GALANTE
A VISITA DE MARGARIDA SPER
UM ESCÂNDALO EM ARROIO GRANDE
INSTRUÇÃO E RECREIO
O CARTEIRO E O PADRE
OS RATINHOS DA ORDÁLIA
A CARTA
SAUDADE DA TERRA NATAL
CÂNTICOS PARA FELÍCIA
MEMÓRIAS
A VISITA DE CAIO BELMONTE
UM NOVO TEMPO
A MOEDA DO IMPERADOR
Chovera por dias, e o canal São Gonçalo já apresentava sinais de que podia surpreender a população com uma grande enchente. Todavia, um minúsculo sinal de luz no horizonte, anunciando um dia não propriamente ensolarado, mas livre da chuvarada insistente, encheu de alegria o coração do jovem Joaquim. A sua rotina, que compreendia ajudar o pai e irmãos na lida campeira, também incluía observar a chegada e partida das embarcações no porto. A mãe costumava repreendê-lo pelo tempo que passava sem nada fazer. Não raras vezes o carregou pelas orelhas até em casa, ante a demora para voltar.
Naquela manhã de temperatura amena, após cumprir suas tarefas diárias, sentou-se na pedra que sempre lhe servia de banco, com seu tradicional saco de frutas da época, que ele degustava prazerosamente, para observar o fluxo das embarcações no Canal. Joca, como todos costumavam chamá-lo, era um guri popular e bem informado; e quando alguém queria saber sobre quem tinha chegado ou partido, do porto de *Santa Isabel, perguntava ao Joca. Já aprendera a ler e escrever, e costumava carregar um papel e um lápis para anotar as informações que lhe eram solicitadas. Também ajudava os viajantes com suas bagagens. Assim, era recompensado com algumas moedas. O movimento de barcos, devido ao tempo severo, fora interrompido, causando grande prostração ao jovem. Porém, ante o término do mau tempo, havia a esperança de que o movimento recomeçasse... Não tardou, então, para que surgisse ao longe o barulho de uma embarcação. Joca espichou-se todo para enxergar melhor. Alegrou-se vivamente, pois um paquete se aproximava do porto. Sacudiu os tamancos, para tirar o amontoado de barro que carregava; ajeitou a roupa puída; lavou as mãos na poça d’água e as passou nos cabelos... Pronto! Já estava devidamente arrumado para receber os viajantes.
Antes que os passageiros descessem do barco, um grande pano vermelho foi colocado sobre o pasto molhado. Joca arregalou os olhos! Nunca vira coisa igual! Ficou tão embasbacado olhando aquele adereço, que levou um susto quando um senhor barbudo, bem vestido, cuja casaca reluzia belas medalhas, tocou seu ombro. Joca deu um salto! O homem sorriu:
-Bom dia, meu jovem
!
O guri gaguejou...
-Buenas, senhor
! Havia algo de familiar naquele distinto homem, mas Joca não conseguia lembrar-se de onde o conhecia. Ruborizou! Seus pensamentos eram tão petulantes, que se sentiu constrangido. Afinal, de onde poderia conhecer um homem tão diferente
; educado e gentil?
O visitante e sua comitiva, acompanhados de Joca, diante do olhar curioso e admirado dos moradores do lugar, caminharam até a igreja e fizeram uma oração, pedindo proteção para a viagem; depois, todos foram recebidos na morada da família Corrêa Mirapalheta, onde degustaram um saboroso churrasco e provaram um delicioso arroz-de-leite, de sobremesa. O menino nunca se sentira tão importante; algo que durou pouco... A mãe, aos berros, já anunciava um castigo pela demora para o almoço. O senhor de barba e cabelos brancos, vendo o menino com as mãos a cobrir as orelhas, e pressentindo o próximo acontecimento, informou à exasperada mãe que Joca fora seu convidado para o almoço. A mulher não retrucou! Havia tanta nobreza e distinção nos gestos e no sorriso daquele homem, que ela apenas sorriu. Joca suspirou aliviado! Ela sorrira... Era um bom sinal! Mas ainda havia algo que ele precisava esclarecer: quem era aquele homem
...?
Enquanto ajudava a comitiva a retornar para a embarcação, Joca viu uma moeda no chão.. Abaixou-se para pegá-la... Riu muito! Riu tanto, que gargalhou! Ali estava a imagem do homem... Correu até o senhor de barba e cabelos brancos:
-Senhor, eu sabia que lhe conhecia de algum lugar
...
Abriu a mão, onde estava a moeda e perguntou:
-Este aqui é o senhor
? O homem sorriu e assentiu!
Abaixou-se, até ficar na altura do menino, pegou sua mão e nela colocou uma moeda de quinhentos réis. Deu-lhe um afetuoso abraço e disse:
- De hoje em diante somos amigos
!
Despediram-se e a embarcação partiu!
Joca, de olhos fixos na moeda, quase não acreditava no que estava vendo em suas mãos... Era a primeira vez que via uma moeda de ouro; e o mais importante: presenteada pelo próprio Imperador D. Pedro II.
CHICA DA SILVA E A CHÁCARA DO CORONEL
O ruído das rodas da carroça em marcha constante, na terra endurecida e seca da estrada, naquela tarde outonal de domingo, era tal qual uma sinfonia aos ouvidos da sedutora e atrevida Pelônia, mais conhecida por Chica, apelido que lhe foi dado pela população de *Arroio Grande, em referência à famosa Chica da Silva, amante do contratador de diamantes João Fernandes, de Minas Gerais.
Saíra de casa carregando em si toda a determinação necessária para a realização de seu propósito: tomara um banho caprichado; vestira seu melhor vestido e seu mais belo chapéu; e, depois de longos minutos diante do espelho, girando dezenas de vezes sobre os calcanhares, analisando todos os ângulos de sua figura rotunda e graciosa, ela sentira-se pronta...
Chamou Martins, seu fiel cocheiro, e partiu...
O caminho, coberto pelas folhas secas de eucaliptos, figueiras e guanxumas, foi percorrido em trote lento. Precisava de tempo para rememorar todo o plano arquitetado para a visita. Afinal, não era uma visita qualquer; era uma surpresa. Sorriu! Pensar na reação que ele teria ao vê-la entrar no jardim era quase um bálsamo a sua inquietante necessidade de suscitar emoções.
Ela não era qualquer uma: tinha na pele a cor trigueira; nos quadris o balanço sedutor; no olhar, a expressão arrebatadora que fulminava os corações varonis e exasperava as donzelas de nobre estirpe.
Ao longe, já era possível avistar as palmeiras que guarneciam dos ventos fortes a majestosa chácara. Na chegada, eram leões esculpidos em mármore que vigiavam os muros e recepcionavam os visitantes.
Por alguns instantes, após descer da carroça, ela ficou imóvel, encantada com a suntuosidade do lugar. O barulho da água borbulhando na fonte, onde imagens de sereias contemplavam o jardim ricamente colorido por uma diversidade de flores, era quase mágico.
Adentrou ao portão, movimentando-se graciosamente, entre floreiras, hortênsias e camélias. O vestido longo arrastava as folhas secas, varrendo-as para a lateral do caminho sinuoso. Parou em frente à porta principal e, delicadamente tocou o sino. Um homem surgiu de trás da casa e, pelos trajes simples que usava, ela deduziu que fosse um empregado. De olhos muito arregalados, como se estivesse vendo um fantasma, o indivíduo balbuciou alguma coisa que, por motivo da abertura da porta, ela não deu atenção.
Diante de Chica estava uma distinta dama. Não era bela, mas tinha modos de extrema elegância.
- Boa tarde
! - disse Chica - Estava retornando do Cemitério e vi suas lindas camélias. Gostaria de sua permissão para colher uma flor
.
- Boa tarde
! - respondeu a dona da casa. Cordialmente convidou-a para que entrasse, ordenando ao funcionário - ainda estupefato - que fosse apanhar as camélias para a senhora.
- Chica
! - Meu nome é Chica, senhora
!
Sentaram-se na sala, ricamente mobiliada. As paredes, decoradas com estampas de cores e flores delicadas, encantaram Chica. Ela lembrou já ter visto aquilo em algum lugar, mas não recordava onde. Sabia que tinha um nome, mas também não recordava. Certamente que não passou despercebido da dona da casa o desconhecimento
da visitante.
- São escaiolas, dona Chica
! - disse-lhe a dama.
Apesar de ter ensaiado centenas de vezes a maneira elegante e requintada de como deveria se comportar, Chica ainda esbarrava no seu diminuto preparo para visitas mais cerimoniosas. E, antes que pudesse transparecer outra desventura, o empregado entrou na sala com um grande ramalhete de flores. Aproveitou a ocasião para agradecer e despedir-se. Acompanhada da obsequiosa dona da casa dirigiu-se à porta. Porém, antes que se retirasse em definitivo - e já esquecida de seu intento - a proprietária insistiu em chamar o esposo para acompanhá-la até o portão principal.
No jardim, sentado em um banco, o marido ocupava-se em apontar um lápis.
- Chico
! - acenou- lhe a esposa - acompanhe a visita até o portão!
Bastou erguer
