Quarentena no Rio Negro (Volume I): Semanário sobre a pandemia da Covid-19 na Amazônia
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Adele Benzaken
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Quarentena no Rio Negro (Volume I) - Marcus Lacerda
O mistério da sala rosa
Seu Raimundo chega com uma das cinco filhas ao Hospital Delphina Aziz. É um fim de tarde bonito na Zona Norte da cidade. Anda com dificuldade, pelo cansaço e pela barriga avantajada. Exceto pelo diabetes, nunca andou por aí, frequentando filas de pronto-socorro. Diz que controla a doença, mas não abre mão da tapioca e da farinha. O café, sempre doce. Depois de meia hora, a enfermeira o examina e conversa com a filha. Há oito dias ele está muito gripado, e agora a febre piorou. No braço do prático de 65 anos, que já cortou muito paraná subindo o Rio Negro, até Novo Airão, uma pulseira rosa. "Seu Raimundo, o senhor vai pra sala rosa , onde vai fazer mais exames, tá certo? Tudo indica que o senhor está mesmo com coronavírus. Ele olha para a filha, em desaprovação, e claramente aperreado.
O que foi, papai?, pergunta a filha.
Não quero ir pra lá, quero voltar pra casa", responde ele. Após alguma negociação, seu Raimundo é transferido.
Ali permanece, em um leito perto da janela, de onde avista uma mata densa. Não pode ver a família. Está só. Ele nunca esteve só. O trato com a equipe não é dos mais simpáticos. Em pouco mais de 24 horas, a falta de ar piora e o médico de plantão lhe dá a notícia: O senhor será transferido pra UTI
. Apesar do cansaço visível, um sorriso tardio, seguido da resposta inesperada. Graças a Deus, doutor.
Duas semanas depois, seu Raimundo acorda, já fora do respirador que havia segurado seus pulmões enquanto estavam inflamados. A diretora do hospital o visita no leito. Parabéns, seu Raimundo, o senhor venceu a COVID-19.
Doutora, muito obrigado, só não me manda de volta pr’aquele lugar.
E a doutora, sem entender de pronto, responde: Não entendi, qual lugar?
. Seu Raimundo responde: A tal da sala rosa… que isso não é lugar de caboclo macho. Eu tenho cinco filhas, doutora. O que vão falar de mim lá no bairro?
.
Doutora Mayla ri baixinho e explica ao sobrevivente sobre o Protocolo de Manchester: na organização dos serviços de saúde, atribuir cores é uma forma de agilizar o atendimento e garantir que pacientes mais graves sejam atendidos imediatamente; por conta de maior risco de morte, são os que recebem a pulseira vermelha. Pacientes com pulseira azul podem ser transferidos para outra unidade ou aguardar mais tempo.
Em 2018, por conta da epidemia de sarampo em Manaus, a inédita e recém-batizada sala rosa
foi uma forma de segregar pessoas com suspeita de sarampo, no mesmo hospital, sem que elas circulassem por outros setores e pudessem infectar outros pacientes. Trata-se, portanto, de uma área de isolamento respiratório e de contato, diminuindo as chances de infecção intra-hospitalar. Em 2020, as salas rosas foram novamente implementadas em várias unidades de saúde da capital amazonense, em razão da nova e avassaladora pandemia, que chegou descolorindo a todos.
Aquela pulseira não foi apenas um inconveniente para a masculinidade do seu Raimundo. Ela foi o passaporte para muitas pessoas que nunca mais voltaram a ver seus parentes. Na sala rosa encontraram-se, pela primeira vez, um vírus jovem e ainda intempestivo, profissionais de saúde que não sabiam bem o que fazer, e pacientes angustiados, tementes da morte.
Hoje, as salas rosas estão com ocupação reduzida. Delas, sobraram as imagens de gente escondida, por trás de suas máscaras e protetores faciais, da dor e da violência de um agente cuja pequenez não permite julgá-lo. Que por muito tempo fiquem inativas, até que nos recuperemos, com um pouco mais de tapioca, afinal, ninguém é de ferro.
Publicado em 27 de junho de 2020 no jornal Em Tempo.
A nova revolução dos bichos
Em 1945, o escritor inglês George Orwell publicou A Revolução dos Bichos , ou O Triunfo dos Porcos , dependendo da tradução. Frente à ideologia do velho porco Major, de que animais deveriam se autogovernar, os jovens Snowball e Napoleão expulsam humanos da propriedade e a transformam na Fazenda dos Bichos, após a morte de Major. Guiados por sete mandamentos e o hino Bichos da Inglaterra , entoado por ovelhas, um sonho distante havia se tornado realidade: o
