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Ensinâncias e Aprendências: registros de uma psicoprofessora
Ensinâncias e Aprendências: registros de uma psicoprofessora
Ensinâncias e Aprendências: registros de uma psicoprofessora
E-book129 páginas1 hora

Ensinâncias e Aprendências: registros de uma psicoprofessora

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Sobre este e-book

O que torna diferente o relato da prática de ensino da autora é que esta conseguiu escrever sobre seus alunos. Pôde pensar sobre erros e acertos, pois registros na escrita nos distanciam do fato, e é na análise dos erros que se consegue abrir espaço para novas ideias.
Dividido em três partes, o livro, de uma forma leve, tem relatos da professora e psicopedagoga que já tinha olhar diferenciado para os alunos. Há, ainda, uma reflexão sobre a importância do saber teórico ao se enfrentar desafios e ensinar. Às vezes a dificuldade está no aluno, às vezes está em quem não consegue ensinar a determinados alunos.
Evidenciam-se a importância da clareza de objetivos e a necessidade de ouvir e ser ouvido, inclusive aos professores.
A primeira parte, Construções Possíveis na Construção do Jogo, é transcrição de TCC e aborda a criação de jogo dentro do consultório psicopedagógico; nela, ocorreu o intercâmbio entre dois atendidos na clínica, que só se conheceram através do jogo e das regras escritas. Um deles com síndrome de Down, o segundo com questões psicológicas tratadas com uma psicóloga. A segunda parte, Despertando o Desejo de Registro da História de Cada Um e Escrevendo Um Futuro Diferente, é relato de trabalho desenvolvido com turmas de EJA. Premiado com o troféu Paulo Freire (2004), é um projeto desenvolvido a partir da dificuldade percebida para alunos adultos realizarem a escrita.
A terceira parte, Psicopedagogia em Poesia, registra poemas sobre aprendizagem e suas dificuldades.
IdiomaPortuguês
EditoraEditora Dialética
Data de lançamento15 de jul. de 2024
ISBN9786527027294
Ensinâncias e Aprendências: registros de uma psicoprofessora

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    Ensinâncias e Aprendências - Biláh Bernardes

    capaExpedienteRostoCréditos

    AGRADECIMENTOS

    Toda a minha prática no magistério e no consultório psicopedagógico é diretamente influenciada pelos educadores com quem interagi. A eles agradeço, mas cito aqueles que mais me marcaram.

    À diretora do colégio, minha prima e grande educadora, Maria Angélica de Castro, espelho como ideal de educação. Minhas professoras da primeira à oitava série, em Santo Antônio do Monte: Clélia Souto, Shirley Rose de Oliveira, Dinah do Carmo, Marlene de Oliveira, Diva de Oliveira, Dinorah do Carmo, Maria da Conceição Greco, Iná Ricardina de Oliveira, Maria Célia de Oliveira, Agostinha Borges, Olímpia de Souza. Dona Fausta, Dona Quinquina Brasil, Sr. Avelino de Oliveira, Dilma Morais, Norma Gontijo, no magistério e na prática em salas de aula. Ao meu primo, Otaviano Rodrigues Lacerda, agradeço ter me socorrido quando a matemática ficava incompreensível; a alguns colegas, sempre presentes nos estudos em grupo: Davi Jorge de Sousa, Solange de Oliveira, Luciene Sousa, Rosângela Brasil, Ivo Luís da Silva, Ângelo Silva, Maria Puríssima Borges, Sônia Borges.

    Em família, os exemplos de meus pais, minha irmã Angélica, minha prima Laurinda de Souza.

    Na faculdade Newton Paiva e no Pós-graduação em Psicopedagogia, as maiores mestras que já tive: Maria Orminda e Maria de Lourdes Caldas, Ana Teberosky, Sara Pain e Alicia Fernández (in memoriam).

    Obs. No título, a palavra Ensinâncias (que no dicionário escreve-se Ensinanças) foi grafada assim para se harmonizar com Aprendências.

    Maria Angélica

    PARA APRENDER

    Biláh Bernardes

    Para Aprender

    alfabeto

    ou qualquer outro

    dialeto ou objeto

    não basta estar alerta

    não basta o concreto

    Para Aprender

    e transformar

    conhecer em saber

    não basta decreto

    muito menos resolve

    ficar quieto

    em atitude correta

    Para Aprender

    qualquer coisa

    que lhe afete

    marque, transforme

    e se construa projeto

    há que circular

    o afeto

    SUMÁRIO

    Capa

    Folha de Rosto

    Créditos

    MOMENTOS DE ENSINAR E MOMENTOS DE APRENDER

    O SABER E O NÃO SABER DA PROFESSORA INFLUENCIAM O SUCESSO E/OU O FRACASSO ESCOLAR

    TERAPIA DO CUIDADO

    PROFESSORA E PSICOPEDAGOGA ? PROFESSORA - PSICOPEDAGOGA ? PSICOPROFESSORA?

    ORGANISMO, HUMANIDADE E TDAH *

    PARTE 2 - ENSINÂNCIAS E APRENDÊNCIAS

    FRACASSO ESCOLAR: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA

    REFERÊNCIAS

    CONSTRUÇÕES POSSÍVEIS NA CONSTRUÇÃO DO JOGO OU O JOGO NA CONSTRUÇÃO DA PSICOPEDAGOGA

    COMENTÁRIOS SOBRE O TCC:

    DESPERTANDO O DESEJO DE REGISTRO DA HISTÓRIA DE CADA UM E ESCREVENDO UM FUTURO DIFERENTE

    PARTE 3 - PSICOPEDAGOGIA EM POESIA

    SABER HIPERATIVO

    CONSTRUIR-SE NUM BRINQUEDO

    ENSINANTES

    MOTIVAÇÃO

    ENSINANÇAS

    HIPERATIVIDADE

    O SABER EM JOGO

    SURDEZ

    LUDOTERAPIA

    CERTEZA

    CENAS PARADIGMÁTICAS

    SÍMBOLO

    AINDA É TEMPO

    IMPLICANDO-ME

    INCOMPREENSÃO

    PSICOPEDAGOGIA

    ESCUTA PSICOPEDAGÓGICA

    CONVIVÊNCIAS

    MODALIDADE DE APRENDIZAGEM

    TEORIA DO CUIDADO

    OUTROS POETAS

    ERRO...

    NÃO COISA

    EXERCÍCIO DE SER CRIANÇA

    Landmarks

    Capa

    Folha de Rosto

    Página de Créditos

    Sumário

    Bibliografia

    MOMENTOS DE ENSINAR E MOMENTOS DE APRENDER

    RELATOS DE EXPERIÊNCIA

    Sou uma contadora de casos sobre meus alunos e apaixonada pela arte de ensinar, principalmente àqueles que constituem desafios por não se reconhecerem capazes ou por estarem rotulados como incapazes. Creio que, ao lerem os relatos, se lembrarão de muitos José(s), Ken(s), Júlio(s), João(s), Maria(s) e demais protagonistas destes casos, na prática escolar. O que torna diferente a minha prática é que consegui escrever sobre eles e quando registramos na escrita, nos distanciamos dos casos. Fica possível perceber o que fizemos de correto e porquê; onde erramos e porquê.

    É na análise dos erros, principalmente, que conseguimos abrir espaço para novas ideias e para a mudança.

    Por isso, chamei o tema deste texto de Momentos de Ensinar e Momentos de Aprender. É que, na sala de aula, alternamos nossa posição ora no papel de ensinante, ora de aprendentes.

    A primeira turma que me foi designada em escola da PBH, era de alfabetização e tinha alunos entre 8 e 13 anos de idade. Quando cheguei, ao início do mês de maio, fiquei assustada. Todos os alunos tinham notas no boletim que variavam entre 1,5 e 4,5! Ninguém atingia a média!

    Eram feitos muitos ditados de palavras nesta turma e, na média, todas as palavras eram consideradas erradas. Percebi – pelo conhecimento que adquirira estudando Emília Ferreiro, Ana Teberosky e outros autores construtivistas, na Faculdade Newton Paiva, que todos haviam construído hipóteses sobre a escrita que indicavam a fase silábica.

    Em um insight abençoado, resolvi mudar os critérios para avaliar. Como todas as palavras, no global, estavam erradas, passei a contar letras certas e os erros eram apontados como falta ou troca de letras. Por exemplo, na palavra cachorro, escrita "caxoro": há 5 letras certas, uma letra trocada (x e ch) e falta uma letra r; Em batata, escrita bdta: há 3 letras certas, uma troca (t por d) e faltam duas letras.

    No caso da palavra cachorro, eu explicava que há duas formas de representar o som: x ou ch. Que aprender qual das duas era considerada correta dependia de prestar atenção na escrita e memorizar. Em relação ao r ser somente um ou dois, trabalhamos ao mesmo tempo os dois casos até que percebessem que dois erres ficavam entre vogais. E eu dava a eles o conhecimento de que eu estava ensinando a partir das palavras que escreveram errado nos trabalhos. No caso de batata, entendi que os alunos (a maioria) que escreviam assim, estavam na fase onde construíram a hipótese de que não se podia repetir vogais na palavra. Nesses casos, trabalhava mais com a observação do som e levava pares onde faltar a vogal gerava grafia igual para palavras diferentes. Ex.: medo (mdo) e mudo (mdo).

    Eu contava a história de uma criança que escrevera daquela forma para as duas palavras. A pergunta era: Pode a mesma escrita para as duas palavras? Isso, eles sabiam que não podia. Como resolver isso? Ouvia as hipóteses deles que eram analisadas. Só depois eram ensinadas as formas corretas. Quanto à troca do t por d na palavra bdta (batata), assim como em outras, cabia

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