O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar
()
Sobre este e-book
Relacionado a O pertencimento negro no ensino superior
Títulos nesta série (2)
As vozes das Améfricas: percursos de intelectualidades negras Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Ebooks relacionados
Vozes, Saberes e Resistências Cotidianas na Educação Para as Relações Étnico-Raciais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEscola e Questão Racial: a avaliação dos estudantes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPovos indígenas e democratização da universidade no Brasil (2004-2016): a luta por "autonomia e protagonismo Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDireito de Ouvir e Falar de Si: Questões Raciais no Ensino da Sociologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInterfaces entre UEMG, Estado e Educação: memória, contemporaneidade e reflexões para o futuro Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAfirmando diferenças: Montando o quebra-cabeça da diversidade na escola Nota: 3 de 5 estrelas3/5Caminhos e encruzilhadas do enegrecimento: 10 anos da Lei de Cotas no Brasil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Sociologia e a Vida Pública Brasileira Nota: 0 de 5 estrelas0 notasPensamento Racial Brasileiro e a Inclusão Social da População Negra: O Papel da Pedagogia Antirracista Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDocentes de Terra Nova-BA: entre os dizeres e o silêncio frente aos pressupostos da Lei 10.639/03 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDiálogos Educacionais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasNecroeducação: Repensando as Práticas Educacionais Para o Enfrentamento ao Racismo Institucional Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEducação quilombola: Territorialidades, saberes e as lutas por direitos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasBahia: nos Trilhos Da Colônia Leopoldina (História, Educação Básica, Quilombo, Currículo) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasExperiências Municipais: Direito, Economia e Prática Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs negros nas universidades públicas e as cotas étnico-raciais: fundamentos jurídicos e interdisciplinares Nota: 0 de 5 estrelas0 notasReligiosidade e Mística no Movimento de Mulheres Agricultoras Nota: 0 de 5 estrelas0 notasEXCLUSÃO ESCOLAR RACIALIZADA: IMPLICAÇÕES DO RACISMO NA TRAJETÓRIA DE EDUCANDOS DA EJA Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMetodologias ativas no ensino superior: Práticas pedagógicas Nota: 4 de 5 estrelas4/5Espaços produtores de aprendizagem nos distintos espaços sociais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSons do Silêncio: Religião Católica e Educação Escolar Nota: 0 de 5 estrelas0 notasDescolonizar e Enegrecer o Ensino Jurídico: epistemologias e pedagogias feministas negras e decoloniais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAssistência Social, Educação e Governamentalidade Neoliberal Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRompendo silêncios: Escrevivências sobre as trajetórias escolares das juventudes negras e LGBTQI+ Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRelações Étnico-Raciais no Contexto Quilombola Currículo, Docência e Tecnologia Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFORMAÇÃO PERMANENTE E PRÁTICAS DOCENTES: CONSTRUINDO RESISTÊNCIAS E EMANCIPAÇÃO HUMANA Nota: 0 de 5 estrelas0 notas
Métodos e Materiais de Ensino para você
Ensine a criança a pensar: e pratique ações positivas com ela! Nota: 4 de 5 estrelas4/5Como Convencer Alguém Em 90 Segundos Nota: 4 de 5 estrelas4/5Pedagogia do oprimido Nota: 4 de 5 estrelas4/5Didática Nota: 5 de 5 estrelas5/5Raciocínio lógico e matemática para concursos: Manual completo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Ultracorajoso: Verdades incontestáveis para alcançar a alta performance profissional Nota: 5 de 5 estrelas5/5Altas Habilidades, Superdotação: Talentos, criatividade e potencialidades Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSou péssimo em inglês: Tudo que você precisa saber para alavancar de vez o seu aprendizado Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Vida Intelectual: Seu espírito, suas condições, seus métodos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Limpeza Energética Nota: 5 de 5 estrelas5/5Consciência fonológica na educação infantil e no ciclo de alfabetização Nota: 4 de 5 estrelas4/5Como se dar muito bem no ENEM: 1.800 questões comentadas Nota: 5 de 5 estrelas5/5Caderno Exercícios Psicologia Positiva Aplicada Nota: 5 de 5 estrelas5/5Hábitos Atômicos Nota: 4 de 5 estrelas4/5A Cura Akáshica Nota: 5 de 5 estrelas5/5Física Quântica Para Iniciantes Nota: 5 de 5 estrelas5/5O herói e o fora da lei: Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos Nota: 3 de 5 estrelas3/5Por que gritamos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Temperamentos Nota: 5 de 5 estrelas5/5Tricologia Para Cabeleireiros E Barbeiros Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Arte da guerra Nota: 4 de 5 estrelas4/5Okaran O Livro Dos Ebós Sagrados E Os Rituais Da Alma” Nota: 2 de 5 estrelas2/5O Divino Livro Das Simpatias E Orações Nota: 5 de 5 estrelas5/5Fisiologia Do Exercicio Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Bíblia e a Gestão de Pessoas: Trabalhando Mentes e Corações Nota: 5 de 5 estrelas5/5Estratégias didáticas para aulas criativas Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Avaliações de O pertencimento negro no ensino superior
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
O pertencimento negro no ensino superior - Jefferson Olivatto da Silva
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA
REITOR
Miguel Sanches Neto
VICE-REITOR
Ivo Mottin Demiate
PRÓ-REITORA DE EXTENSÃO E ASSUNTOS CULTURAIS
Beatriz Gomes Nadal
EDITORA UEPG
Jeverson Machado do Nascimento
CONSELHO EDITORIAL
Beatriz Gomes Nadal
Adilson Luiz Chinelatto
Antônio Liccardo
Augusta Pelinski Raiher
Dircéia Moreira
Giovani Marino Favero
Ivana de Freitas Barbola
Névio de Campos
Copyright © by Jefferson Olivatto da Silva & Editora
EDITORA UEPG - EQUIPE EDITORIAL
COORDENAÇÃO EDITORIAL
Jeverson Machado do Nascimento
REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
Emilson Richard Werner
CAPA
Beatriz Vieira de Oliveira
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO
Andressa Marcondes
CONVERSÃO PARA EPUB
Marco Wrobel
S586
Silva, Jefferson Olivatto da
O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar / Jefferson Olivatto da Silva. Ponta Grossa: Ed. UEPG, 2024.
Ebook; Epub. - (Reexistências)
ISBN: 978-65-86234-71-8
1. Negros – Identidade Racial. 2. Negros – Educação Superior. 3. Inclusão em educação. 4. Discriminação no ensino superior. 5. Cultos afro-brasileiros. I. Silva, Jefferson Olivatto da. II.Título. III. Série.
CDD: 379.2
Ficha catalográfica elaborada por Rodrigo Pallú Martins – CRB 9/2034/O
Depósito legal na Biblioteca Nacional
Editora filiada à ABEU
EDITORA UEPG
Praça Marechal Floriano Peixoto, n. 129 - 84010-680
Ponta Grossa – Paraná - (42) 3220-3306
e-mail: vendas.editora@uepg.br
site: www.editora.uepg.br
2024
Sumário
Prefácio
Introdução: iniciando o caminho
Reparação histórica e ações afirmativas
O sobrepeso psicossocial da história
O ensino superior e a lente racial
O caminhar ainda está aberto
Referências
Pontos de referência
Capa
Página de Título
Página Inicial
Página de Direitos Autorais.
Sumário
Prefácio
Dra Marleide Rodrigues da Silva Perrude¹
Escrever um prefácio é um desafio afetuoso, um convite agradável para mergulhar nas particularidades de uma obra que traz as marcas da jornada de um pesquisador. É a chance de entrelaçar alguns pensamentos em diálogo com o autor de uma obra, tecendo um laço delicado que visa conduzir os leitores pelas trilhas de um tema que, aos poucos, página após página, revela o conhecimento produzido.
Assim expresso a aventura de prefaciar o livro Pertencimento Negro no Ensino Superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar
. Uma obra que caracteriza a trajetória de aprendizagem dos(as) estudantes afrorreligiosos(as) do Projeto Preparatório para a pós-graduação stricto sensu da UFPR, com a intenção de apresentar uma proposição teórico-metodológica que navega pelos processos psicossociais da negritude, iluminando as constelações de aprendizagem que moldam essas trajetórias.
A publicação demonstra a luta e as conquistas do movimento negro educador, principalmente com a promulgação da lei 10.639/2003. Para entender as trajetórias de negritude no Paraná em um enlace histórico e religioso, o autor evidencia a apresentação das ações de violência contra as populações tradicionais em torno do ideário paranista e demonstra como essas populações criaram formas de cuidado comunitário. A configuração da educação superior paranaense é apresentada à luz dos dados brasileiros e, dessa maneira, explica as trajetórias de aprendizagem que foram possibilitadas, considerando os vínculos familiares, os percalços da vida escolar, a relevância da experiência afrorreligiosa e sua relação com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro da UFPR. Por fim, o autor explana como a aprendizagem, à luz da marca social de negritude, articula-se contra o racismo por meio de pertencimentos significativos associados ao ser negro(a).
Algumas razões revelam a profunda importância desta obra. Inicialmente, a visibilidade dada às experiências dos/as estudantes negros/as no ensino superior, cujos desafios, por muito tempo, permaneceram escondidos nas penumbras dos processos de resistência e sobrevivência, denúncia da desigualdade histórica que impacta o acesso e a permanência, no ensino superior. Ao focar nas aprendizagens sociais e na trajetória escolar de estudantes negros/as, o autor nos convida a ampliar o diálogo e os estudos sobre o papel da educação na construção de uma sociedade justa e equitativa.
Percorrendo o caminho da pesquisa, examina ainda as políticas de ações afirmativas, expondo suas complexidades e desafios, mas sem perder de vista as conquistas. Compreender esse processo é imprescindível para provocar mudanças que visem à equidade e à justiça social. As análises das entrevistas, são tecidas com cuidado, reconhecendo que, por trás dos dados, há histórias de vida, sonhos, famílias e portas que se abriram para aqueles que, por tanto tempo, foram marginalizados.
A escrita desta obra é um exemplo de como a pesquisa pode ser reveladora, trazendo luz às barreiras educacionais enfrentadas cotidianamente por estudantes negros/as. Convido você a mergulhar na obra e descobrir as estratégias de aprendizagem social empregadas por estudantes afrorreligiosos para enfrentar as barreiras do caminho acadêmico.
Londrina, 13 de agosto de 2024
Inverno
Notas
¹ Docente do departamento de Educação, curso de Pedagogia, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros.
Introdução: iniciando o caminho
Por causa das ações afirmativas para indígenas (reservas) – Lei Estadual nf. 14.995, de 9 de janeiro de 2006(6 vagas), o Paraná unificou o vestibular indígena na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP), Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Já para as cotas raciais para negros (pardos e pretos) nas 7 Universidades Estaduais (com exceção das federais, que adotam as cotas por legislação federal), ocorre a seguinte configuração: na UEL elas foram aprovadas em 2004 (20% para pretos e pardos de escolas públicas e, em 2017, mais 5%, independente do percurso – público ou privado –, inclusive para imigrantes e refugiados), na UEPG a aprovação ocorreu em 2007 (cotas ampliadas para 10% pretos e pardos em 2013), na UENP elas foram aprovadas em 2018 (20% para pretos e pardos de escolas públicas), na Unespar isso ocorreu em 2019 (20% pretos e pardos de escolas públicas), na Unioeste as cotas foram aprovadas em 2022 (20% para pretos e pardos de escolas públicas) e na Unicentro a aprovação ocorreu em 2023 (tímidos 5% para pretos e pardos de escolas públicas). Ressaltamos que a Unioeste e a Unicentro foram autuadas extrajudicialmente, em 2019, pelo Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos (NUCIDH) da Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), para a adoção de cotas raciais. Além disso, as Instituições de Ensino Público (IES) paranaenses que adotam o Sistema de Seleção Unificado (SISU) compulsoriamente contam com cotas raciais embasadas na Lei Federal 12.711, de 29 de agosto de 2012 (BRASIL, 2012), o que, de certa forma, tende a justificar sobremaneira o silenciamento das IESs estaduais para assumir seu papel de formação plena na sociedade paranaense (OLIVEIRA, 2019).
Por outro lado, no caso das IESs particulares e convencionais não há uma cobrança ampla para a adoção de cotas raciais, muito embora a quantidade de estudantes negros e indígenas nessas instituições seja significativa pela maior facilidade de ingresso, sem contarem elas, necessariamente, com políticas institucionais para a permanência específica em relação a essas populações.
No entanto, outras características relevantes para o entendimento acerca dos estudantes que chegam às IES é sua trajetória de aprendizagem. Em pesquisas desenvolvidas na região de Guarapuava pode-se observar que há barreiras educativas na educação básica e nas IESs, em relação aos estudantes que frequentavam centros ou terreiros de religiões de matriz africana – aos quais denominaremos afrorreligiosos, relativos à umbanda e ao candomblé – quanto à convivência universitária, à criação de vínculos, aos trabalhos em grupo e à participação em iniciação científica, entre outras formas de discriminação que constroem barreiras quanto à plenitude de sua vida acadêmica.
Por isso, aqui se levanta como hipótese que, por meio dessa trajetória de aprendizagem composta por situações significativas, personalidades e tensões escolares, pode-se detectar nesse processo certas barreiras socioeconômicas e diferenças culturais referentes aos estudantes frequentadores de terreiros da pós-graduação e que estejam cursando ou tenham desistido do Projeto Preparatório de Ação Afirmativa para pós-graduação (mestrado ou doutorado) da UFPR (doravante denominado Curso Pré-Pós).
Esse projeto integra ações do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), do Núcleo de Apoio as Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE) e do Centro de Línguas e Interculturalidade (CELIN) como escopo para capacitar alunos egressos da UFPR e outras Instituições de Ensino Superior (IES) oriundos de projetos de inclusão social e racial, com o objetivo de concorrer em programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) em condições de equidade. A entrada em cursos de mestrado e doutorado constituem, em si, um adicional patamar de obstáculos, em decorrência da exigência e aprofundamento de aprendizagem em um tempo restrito, além do desenvolvimento de sua pesquisa.
Nesse sentido, o foco da discussão nesta obra se refere aos processos de aprendizagem anteriores, com base nestas questões: Se eles se diferenciaram das exigências no curso preparatório da UFPR? Se a identidade de terreiro influenciou? Em que medida esses processos influenciaram na decisão de fazer pós-graduação? Quais dificuldades se apresentam no curso preparatório? Quais medidas tomadas para superá-las? De que maneira o coletivo afrorreligioso foi um partícipe na graduação e ainda o é para a pós-graduação? Quais estratégias foram possibilitadas pelo curso preparatório (ou pelo NEAB) para atenuar diferenças culturais na aprendizagem?
Guiada por esses questionamentos, esta obra intenta caracterizar a trajetória de aprendizagem dos(as) estudantes afrorreligiosos(as) do Projeto Preparatório para a pós-graduação stricto sensu da UFPR, considerando-se três aspectos: as exigências de novas aprendizagens atestadas pelos cursistas para sua aprovação em pós-graduação, a identificação de barreiras educacionais por seu pertencimento religioso e as estratégias pessoais, coletivas e institucionais utilizadas pelos cursistas para superar as diferenças de aprendizagem.
Deve-se recordar que os obstáculos institucionais aos direitos sociais
