Explore mais de 1,5 milhão de audiolivros e e-books gratuitamente por dias

A partir de $11.99/mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar
O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar
O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar
E-book164 páginas1 horaReexistências

O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar

Nota: 0 de 5 estrelas

()

Ler a amostra

Sobre este e-book

O que pretendemos é apresentar a construção de uma proposição teórico-metodológica que leve em conta os processos psicossociais envolventes da trajetória da negritude pelo que temos denominado de Constelações de Aprendizagem: um instrumento interpretativo dos processos educativos do movimento negro em vista de trajetórias de lutas e conquistas, resultando também na promulgação da lei 10.639/2003. Para tanto, o entendimento sobre as trajetórias de negritude no Paraná compõem-se de um enlace histórico e religioso, que de um lado apresenta as ações de violência contra as populações tradicionais em torno do ideário paranista, porém, de outro, demonstra como as populações foram criativas e criadoras em difundir formas de cuidado comunitário que foram tecidas desde as historicidades de benzedeiras ao longo da Região Sul paranaense até, com base na década de 1950, a chegada de pais e mães de santo da umbanda pelo processo de migração pelo estado.
IdiomaPortuguês
EditoraEditora UEPG
Data de lançamento4 de set. de 2024
ISBN9786586234718
O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar

Relacionado a O pertencimento negro no ensino superior

Títulos nesta série (2)

Visualizar mais

Ebooks relacionados

Métodos e Materiais de Ensino para você

Visualizar mais

Avaliações de O pertencimento negro no ensino superior

Nota: 0 de 5 estrelas
0 notas

0 avaliação0 avaliação

O que você achou?

Toque para dar uma nota

A avaliação deve ter pelo menos 10 palavras

    Pré-visualização do livro

    O pertencimento negro no ensino superior - Jefferson Olivatto da Silva

    UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

    REITOR

    Miguel Sanches Neto

    VICE-REITOR

    Ivo Mottin Demiate

    PRÓ-REITORA DE EXTENSÃO E ASSUNTOS CULTURAIS

    Beatriz Gomes Nadal

    EDITORA UEPG

    Jeverson Machado do Nascimento

    CONSELHO EDITORIAL

    Beatriz Gomes Nadal

    Adilson Luiz Chinelatto

    Antônio Liccardo

    Augusta Pelinski Raiher

    Dircéia Moreira

    Giovani Marino Favero

    Ivana de Freitas Barbola

    Névio de Campos

    Copyright © by Jefferson Olivatto da Silva & Editora

    EDITORA UEPG - EQUIPE EDITORIAL

    COORDENAÇÃO EDITORIAL

    Jeverson Machado do Nascimento

    REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA

    Emilson Richard Werner

    CAPA

    Beatriz Vieira de Oliveira

    PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

    Andressa Marcondes

    CONVERSÃO PARA EPUB

    Marco Wrobel

    S586

    Silva, Jefferson Olivatto da

    O pertencimento negro no ensino superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar / Jefferson Olivatto da Silva. Ponta Grossa: Ed. UEPG, 2024.

    Ebook; Epub. - (Reexistências)

    ISBN: 978-65-86234-71-8

    1. Negros – Identidade Racial. 2. Negros – Educação Superior. 3. Inclusão em educação. 4. Discriminação no ensino superior. 5. Cultos afro-brasileiros. I. Silva, Jefferson Olivatto da. II.Título. III. Série.

    CDD: 379.2

    Ficha catalográfica elaborada por Rodrigo Pallú Martins – CRB 9/2034/O

    Depósito legal na Biblioteca Nacional

    Editora filiada à ABEU

    EDITORA UEPG

    Praça Marechal Floriano Peixoto, n. 129 - 84010-680

    Ponta Grossa – Paraná - (42) 3220-3306

    e-mail: vendas.editora@uepg.br

    site: www.editora.uepg.br

    2024

    Sumário

    Prefácio

    Introdução: iniciando o caminho

    Reparação histórica e ações afirmativas

    O sobrepeso psicossocial da história

    O ensino superior e a lente racial

    O caminhar ainda está aberto

    Referências

    Pontos de referência

    Capa

    Página de Título

    Página Inicial

    Página de Direitos Autorais.

    Sumário

    Prefácio

    Dra Marleide Rodrigues da Silva Perrude¹

    Escrever um prefácio é um desafio afetuoso, um convite agradável para mergulhar nas particularidades de uma obra que traz as marcas da jornada de um pesquisador. É a chance de entrelaçar alguns pensamentos em diálogo com o autor de uma obra, tecendo um laço delicado que visa conduzir os leitores pelas trilhas de um tema que, aos poucos, página após página, revela o conhecimento produzido.

    Assim expresso a aventura de prefaciar o livro Pertencimento Negro no Ensino Superior: uma investigação das aprendizagens sociais na trajetória escolar. Uma obra que caracteriza a trajetória de aprendizagem dos(as) estudantes afrorreligiosos(as) do Projeto Preparatório para a pós-graduação stricto sensu da UFPR, com a intenção de apresentar uma proposição teórico-metodológica que navega pelos processos psicossociais da negritude, iluminando as constelações de aprendizagem que moldam essas trajetórias.

    A publicação demonstra a luta e as conquistas do movimento negro educador, principalmente com a promulgação da lei 10.639/2003. Para entender as trajetórias de negritude no Paraná em um enlace histórico e religioso, o autor evidencia a apresentação das ações de violência contra as populações tradicionais em torno do ideário paranista e demonstra como essas populações criaram formas de cuidado comunitário. A configuração da educação superior paranaense é apresentada à luz dos dados brasileiros e, dessa maneira, explica as trajetórias de aprendizagem que foram possibilitadas, considerando os vínculos familiares, os percalços da vida escolar, a relevância da experiência afrorreligiosa e sua relação com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro da UFPR. Por fim, o autor explana como a aprendizagem, à luz da marca social de negritude, articula-se contra o racismo por meio de pertencimentos significativos associados ao ser negro(a).

    Algumas razões revelam a profunda importância desta obra. Inicialmente, a visibilidade dada às experiências dos/as estudantes negros/as no ensino superior, cujos desafios, por muito tempo, permaneceram escondidos nas penumbras dos processos de resistência e sobrevivência, denúncia da desigualdade histórica que impacta o acesso e a permanência, no ensino superior. Ao focar nas aprendizagens sociais e na trajetória escolar de estudantes negros/as, o autor nos convida a ampliar o diálogo e os estudos sobre o papel da educação na construção de uma sociedade justa e equitativa.

    Percorrendo o caminho da pesquisa, examina ainda as políticas de ações afirmativas, expondo suas complexidades e desafios, mas sem perder de vista as conquistas. Compreender esse processo é imprescindível para provocar mudanças que visem à equidade e à justiça social. As análises das entrevistas, são tecidas com cuidado, reconhecendo que, por trás dos dados, há histórias de vida, sonhos, famílias e portas que se abriram para aqueles que, por tanto tempo, foram marginalizados.

    A escrita desta obra é um exemplo de como a pesquisa pode ser reveladora, trazendo luz às barreiras educacionais enfrentadas cotidianamente por estudantes negros/as. Convido você a mergulhar na obra e descobrir as estratégias de aprendizagem social empregadas por estudantes afrorreligiosos para enfrentar as barreiras do caminho acadêmico.

    Londrina, 13 de agosto de 2024

    Inverno

    Notas

    ¹ Docente do departamento de Educação, curso de Pedagogia, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros.

    Introdução: iniciando o caminho

    Por causa das ações afirmativas para indígenas (reservas) – Lei Estadual nf. 14.995, de 9 de janeiro de 2006(6 vagas), o Paraná unificou o vestibular indígena na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP), Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Já para as cotas raciais para negros (pardos e pretos) nas 7 Universidades Estaduais (com exceção das federais, que adotam as cotas por legislação federal), ocorre a seguinte configuração: na UEL elas foram aprovadas em 2004 (20% para pretos e pardos de escolas públicas e, em 2017, mais 5%, independente do percurso – público ou privado –, inclusive para imigrantes e refugiados), na UEPG a aprovação ocorreu em 2007 (cotas ampliadas para 10% pretos e pardos em 2013), na UENP elas foram aprovadas em 2018 (20% para pretos e pardos de escolas públicas), na Unespar isso ocorreu em 2019 (20% pretos e pardos de escolas públicas), na Unioeste as cotas foram aprovadas em 2022 (20% para pretos e pardos de escolas públicas) e na Unicentro a aprovação ocorreu em 2023 (tímidos 5% para pretos e pardos de escolas públicas). Ressaltamos que a Unioeste e a Unicentro foram autuadas extrajudicialmente, em 2019, pelo Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos (NUCIDH) da Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), para a adoção de cotas raciais. Além disso, as Instituições de Ensino Público (IES) paranaenses que adotam o Sistema de Seleção Unificado (SISU) compulsoriamente contam com cotas raciais embasadas na Lei Federal 12.711, de 29 de agosto de 2012 (BRASIL, 2012), o que, de certa forma, tende a justificar sobremaneira o silenciamento das IESs estaduais para assumir seu papel de formação plena na sociedade paranaense (OLIVEIRA, 2019).

    Por outro lado, no caso das IESs particulares e convencionais não há uma cobrança ampla para a adoção de cotas raciais, muito embora a quantidade de estudantes negros e indígenas nessas instituições seja significativa pela maior facilidade de ingresso, sem contarem elas, necessariamente, com políticas institucionais para a permanência específica em relação a essas populações.

    No entanto, outras características relevantes para o entendimento acerca dos estudantes que chegam às IES é sua trajetória de aprendizagem. Em pesquisas desenvolvidas na região de Guarapuava pode-se observar que há barreiras educativas na educação básica e nas IESs, em relação aos estudantes que frequentavam centros ou terreiros de religiões de matriz africana – aos quais denominaremos afrorreligiosos, relativos à umbanda e ao candomblé – quanto à convivência universitária, à criação de vínculos, aos trabalhos em grupo e à participação em iniciação científica, entre outras formas de discriminação que constroem barreiras quanto à plenitude de sua vida acadêmica.

    Por isso, aqui se levanta como hipótese que, por meio dessa trajetória de aprendizagem composta por situações significativas, personalidades e tensões escolares, pode-se detectar nesse processo certas barreiras socioeconômicas e diferenças culturais referentes aos estudantes frequentadores de terreiros da pós-graduação e que estejam cursando ou tenham desistido do Projeto Preparatório de Ação Afirmativa para pós-graduação (mestrado ou doutorado) da UFPR (doravante denominado Curso Pré-Pós).

    Esse projeto integra ações do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), do Núcleo de Apoio as Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE) e do Centro de Línguas e Interculturalidade (CELIN) como escopo para capacitar alunos egressos da UFPR e outras Instituições de Ensino Superior (IES) oriundos de projetos de inclusão social e racial, com o objetivo de concorrer em programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) em condições de equidade. A entrada em cursos de mestrado e doutorado constituem, em si, um adicional patamar de obstáculos, em decorrência da exigência e aprofundamento de aprendizagem em um tempo restrito, além do desenvolvimento de sua pesquisa.

    Nesse sentido, o foco da discussão nesta obra se refere aos processos de aprendizagem anteriores, com base nestas questões: Se eles se diferenciaram das exigências no curso preparatório da UFPR? Se a identidade de terreiro influenciou? Em que medida esses processos influenciaram na decisão de fazer pós-graduação? Quais dificuldades se apresentam no curso preparatório? Quais medidas tomadas para superá-las? De que maneira o coletivo afrorreligioso foi um partícipe na graduação e ainda o é para a pós-graduação? Quais estratégias foram possibilitadas pelo curso preparatório (ou pelo NEAB) para atenuar diferenças culturais na aprendizagem?

    Guiada por esses questionamentos, esta obra intenta caracterizar a trajetória de aprendizagem dos(as) estudantes afrorreligiosos(as) do Projeto Preparatório para a pós-graduação stricto sensu da UFPR, considerando-se três aspectos: as exigências de novas aprendizagens atestadas pelos cursistas para sua aprovação em pós-graduação, a identificação de barreiras educacionais por seu pertencimento religioso e as estratégias pessoais, coletivas e institucionais utilizadas pelos cursistas para superar as diferenças de aprendizagem.

    Deve-se recordar que os obstáculos institucionais aos direitos sociais

    Está gostando da amostra?
    Página 1 de 1