A Pax da Águia e do Urso
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Sobre este e-book
Abordando temas como poder, dominação, ideologia, manipulação social e geopolítica, o autor transmite a mensagem numa linguagem precisa e afirmativa de que a busca pelo poder absoluto é uma constante na história da humanidade. Dessa forma o autor apresenta uma tese central audaciosa, sustentada com uma argumentação sólida e convincente, que no mundo contemporâneo uma "nova burguesia" se apresenta numa escalada ao poder absoluto sobre as nações.
Para isto esta "nova burguesia" utiliza-se da manipulação de movimentos sociais, dos partidos políticos e as organizações multilaterais, buscando adequar as estruturas de poder e de Estado, de modo a antecipar as turbulências sociais que ocorrerão a reboque dos avanços tecnológicos, implantado nas democracias ocidentais o Globalismo Estrutural.
O autor nos convida a uma reflexão sobre os riscos à liberdade e à democracia com a implementação do Globalismo Estrutural, que ao controlar as estruturas de Estado e de poder, subverte os processos democráticos, impondo de forma dissimulada um ilusório regime democrático.
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A Pax da Águia e do Urso - FERNANDO SIGILIÃO LIMA
- CAPÍTULO 1 -
O FEUDALISMO
Com o advento do desmonte do império Romano, ocasionado pelas invasões bárbaras, o poder central, na figura do rei, se esfacela, tornando-se incapaz de exercer o controle e defesa dos habitantes daquela sociedade.
Enquanto o poder central se esvai, a proteção dos habitantes do império em decomposição passa a ser exercida não mais por um exército regular central, mas por diversos senhores da guerra que recebem estes refugiados que buscam segurança. Da mesma forma, a decomposição do poder central propicia a formação de alianças entre grupos de nobres com o objetivo de proteção mútua, criando uma nova relação de poder.
Esta nova estrutura de poder ocorre de forma pactuada, sendo importante destacar o termo pactuado, ressaltando o caráter de interesse mútuo e pré-definido, baseando-se em princípios de lealdade, de hierarquização entre os agentes que celebravam o pacto, de direitos e de obrigações recíprocas entre os grupos de nobres. Neste pacto, denominado de vassalagem, cabia a uma das partes a cessão de terras, ou uso de instalações, ou a garantia de proteção contra invasores, sendo que a este agente era denominado o termo de suserano, sendo que a parte que recebia estes benefícios se subordinava ao suserano, com obrigações diversas, como pagamento de tributos, fornecimento de serviços militares e apoio político, sendo este agente denominado de vassalo.
Assim, esta estrutura de poder pactuado, de vassalagem e suserania, entre os diversos entes da nobreza, estabelecida no período da denominada Alta Idade Média, situado entre os séculos V ao X, compunha o que se denominou de feudalismo. Além destes dois atores, que realmente detêm o poder, somam-se à Igreja e os servos, também com atribuições definidas, e da mesma forma com direitos e deveres recíprocos perante esta estrutura social. Desta forma, aquela sociedade se assentava em três segmentos: a nobreza, o clero e o servo. Sendo importante destacar a importância fundamental da igreja na consolidação deste processo cultural de dominação e aceitação da estrutura social, onde o servo nada mais é que o agente de produção
, supridor das necessidades materiais daquela sociedade, sem direitos e à mercê do senhor feudal. Este processo de dominação do agente de produção" se assenta em dois elementos:
• No campo material, quem detém a propriedade da terra, elemento necessário ao desenvolvimento da atividade de produção, é o senhor feudal. É ele que, por concessão, cede a terra para o cultivo e recebe em troca a maior parte da produção gerada de cada servo, ou seja, a posse das terras, como meio de produção, pertence ao senhor feudal.
• No campo ideológico, o elemento de dominação social se dá pela construção do imaginário religioso, onde a posição de cada indivíduo na sociedade ocorre por desígnio divino. Sendo que é através da figura de Deus, pelo determinismo do nascimento, que legitima a qual segmento daquela sociedade o indivíduo pertenceria.
Numa visão econômica, estes agrupamentos sociais se tornam estruturas sociais fechadas voltadas para a autossuficiência e autodefesa, onde as forças produtivas são direcionadas à autossuficiência, sendo que as relações comerciais praticamente inexistem, ou se fazem através de trocas.
- CAPÍTULO 2 -
A FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS
A partir do século X, a estabilidade que o sistema feudal propiciava, com um relativo período de paz, promoveu um imenso crescimento populacional, elevando a população europeia em torno de 300%, o que acarretou a necessidade de aumento na produção de alimentos, para atender a esta demanda. Este fato traz como consequência o aparecimento de novos agentes neste processo produtivo, que passam a produzir, mesmo de forma incipiente, fissura na estrutura feudal.
Com o crescimento da produção, os excedentes de propiciam um maior intercâmbio comercial, entre estas comunidades, acarretando uma maior integração regional, um maior trânsito de pessoas e de ideias, surgindo um novo elemento nesta estrutura social, o comerciante. Da mesma forma, o incremento da produção exige insumos para a produção agrícola, o que gera uma especialização na figura do artesão.
Essa maior diversidade de profissionais para atender a este novo contexto de produção, além de elevar o grau de complexidade daquela sociedade, começa a se fixar em aglomerações urbanas no entorno dos feudos, em busca de segurança e trabalho na prestação dos serviços, sendo estas novas camadas sociais o gênesis do que se denominaria burguesia.
Apesar do aumento da produção, o crescimento sem precedentes da população explicita uma exaustão na capacidade do sistema feudal, calcado na produção agrícola, de suprir as necessidades básicas daquela população no que concerne à alimentação, habitação etc., que, sem opção, migram para os centros urbanos, criando núcleos de poder ainda que incipientes.
Somado a estas mudanças acarretadas por alterações relativas ao sistema de produção, outro fator importante neste processo de mudança foram as cruzadas, que colocaram aquelas populações em contato com outras culturas e com novos produtos, cuja demanda produziu um incremento das atividades comerciais. Estes fatores somados a incapacidade desta estrutura feudal de atender às demandas desta população crescente, produzem diversas revoltas que desestabilizam ainda mais o sistema feudal.
É importante ressaltar que, neste momento, o poder ainda se encontra nas mãos dos senhores feudais, mas outros elementos da estrutura social já passam a ter influência, desejo de ascensão social e visão social diversa daquela que sustenta a sociedade feudal.
O prolongamento deste desgaste do sistema feudal, tendo como base:
• Incapacidade de atendimento às necessidades sociais;
• Surgimento de revoltas populares;
• Dificuldade nas transações comerciais por meio de trocas ou uso de moedas locais;
• Surgimento de densos aglomerados urbanos, com o florescimento de novas forças comerciais, políticas e sociais;
• Comércio mercantil como fonte de riqueza.
Impõe a necessidade do estabelecimento de uma nova estrutura social, em alguns casos pela simples aceitação e em outros pela imposição da força. Assim, os diversos agentes com poder social e econômico se rearranjam, cedendo e incorporando um novo status social, restabelecendo-se o poder real sobre a nobreza e culminando com a formação dos Estados Nacionais.
Neste novo pacto social, a nobreza feudal transfere ao soberano a administração da justiça e a aplicação da lei, livrando-se das revoltas e do atendimento das reivindicações daquelas sociedades e, em troca, mantém suas posses e a isenção no pagamento de impostos. A igreja mantém a legitimidade da validação do poder divino do rei, mantém suas posses e a isenção do pagamento de impostos. A burguesia se livra do personalismo da justiça e da aplicação da lei pelo senhor feudal, ganha impulso na atividade mercantil através da criação das moedas nacionais e, por conseguinte, a possibilidade de maior acúmulo de riqueza, e adquirem o reconhecimento de seu status social, representado por uma camada social habitante das aglomerações urbanas que adquire poder econômico oriundo do comércio e da produção de insumos, mantendo-se, entretanto, subalterna ao poder nobiliárquico, que em nenhum momento é questionado.
- cAPÍTULO 3 -
LIBERTÉ - ÉGALITÉ - FRATERNITÉ A Burguesia
no Poder
Consolidadas as monarquias absolutistas e os estados nacionais, com a concentração do poder nas mãos do monarca, destacadamente na França, Inglaterra e Espanha, ocorre um forte impulso comercial, ampliando o poder econômico da burguesia, que entretanto não lhe confere maior poder político, que se mantém por direito de nascença nas mãos do monarca.
Diante daquele imaginário social, que se manteve na transição do regime feudal para a monarquia, onde a posição do indivíduo se dá pelo desígnio Divino através do nascimento, é impossível uma mudança na estrutura de poder que permitisse a ascensão da burguesia sem a ruptura deste imaginário social. Neste sentido, desenvolvem-se naquelas sociedades um conjunto de ideias que passam a questionar religião, direitos e legitimidade do poder, objetivando a destruição dos valores sociais e religiosos nos quais se baseia aquele imaginário que alicerça aquela estrutura de poder.
Este processo desemboca nas denominadas ideias Iluministas, que, colocando a ciência e a razão como elemento central em contraponto ao pensamento religioso, promovem princípios de igualdade de direitos, de liberdade religiosa, de autonomia econômica e a participação política da sociedade, características estas frontalmente opostas ao ideal das monarquias absolutistas.
Frente a este crescimento e difusão destas ideias na sociedade, as monarquias reagiram no sentido de reduzir o crescente poder econômico da burguesia, através do aumento dos impostos e aprofundamento na intervenção das atividades econômicas, atingindo assim diretamente esta camada social. Entretanto, o imaginário social já se encontrava impregnado desses novos ideais e princípios, tendo como resultado deste conflito
