Sobre este e-book
Ani ia casar-se para poder receber a sua herança e ser livre, mas não esperava encontrar o irritante Xander no altar. Só que estava falida e não podia dar-se ao luxo de fugir. Nem arriscar-se a apaixonar-se por um homem que desprezava o amor.... Xander, como o seu irmão gémeo não ia aparecer, tomou o seu lugar. Casar com Ani dar-lhe-ia o controlo dos negócios da família, o que sempre desejara. Só que o desejo que sentia por Ani era tão ardente como o génio dela. Pela primeira vez na vida, havia algo que Xander desejava muito mais: a sua esposa!
Tara Pammi
Tara Pammi can't remember a moment when she wasn't lost in a book, especially a romance which, as a teenager, was much more exciting than mathematics textbook. Years later Tara’s wild imagination and love for the written word revealed what she really wanted to do: write! She lives in Colorado with the most co-operative man on the planet and two daughters. Tara loves to hear from readers and can be reached at tara.pammi@gmail.com or her website www.tarapammi.com.
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O marido errado - Tara Pammi
Créditos
Editado pela Harlequin Ibérica.
Uma divisão da HarperCollins Ibérica, S.A.
Avenida de Burgos, 8B
28036 Madrid
www.harpercollinsportugal.com
© 2024 Tara Pammi
© 2025 Harlequin Ibérica, uma divisão da HarperCollins Ibérica, S.A.
O marido errado, n.º 2009 - Setembro 2025
Título original: Saying I Do
to the Wrong Greek
Publicado originalmente pela Harlequin Enterprises, Ltd.
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização da Harlequin Books, S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos comerciais, acontecimentos ou situações são pura coincidência.
Sem limitar os direitos exclusivos do autor e do editor, é expressamente proibido qualquer uso não autorizado desta edição para treinar tecnologias de inteligência artificial (IA) generativa.
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As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.
Imagem da capa utilizada com a permissão da Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 9791370006624
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Portada
Créditos
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
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Capítulo 1
Algo estava errado.
Algo estava terrivelmente, horrivelmente errado naquela cena que Annika Saxena-Mackenzie estava a viver. Ela estava do outro lado, à frente do altar da antiquíssima igreja, de braço entrelaçado com o padrasto. O vestido de renda e tule parecia prendê-la ao chão.
O seu instinto, talvez o seu coração, soube a verdade antes de esta chegar ao seu lado mais racional.
Não tinha nada a ver com os belos arranjos florais de lírios e jasmins que enfeitavam a igreja na perfeição e lhe davam um ar onírico, como se estivesse a flutuar sobres as delicadas flores brancas.
Não tinha nada a ver com os convidados, nem com o quarteto de cordas que ela tinha contratado depois de muitas audições e que tinha vindo de Viena especialmente para a ocasião.
Não tinha a ver com os seus três meios-irmãos, nos seus elegantes fatos a condizer e que estavam a tentar comportar-se como uns perfeitos cavalheiros com a sua irmã mais velha. Também não tinha nada a ver com o sacerdote encarregado de oficiar a cerimónia.
O palco do seu extravagante casamento de conto de fadas era perfeito.
Killian, o seu padrasto, observava-a com orgulho e satisfação. Estivera sempre do seu lado, amando-a incondicionalmente.
Ela estava perfeita.
O problema era o homem que a esperava junto ao altar. O seu futuro esposo. Algo não estava bem. Algo nele era diferente, estranho.
Ani perguntou-se se deveria parar tudo e dizer a Killian que não se sentia bem, ou talvez ausentar-se por um momento enquanto averiguava o que lhe estava a acontecer.
Tinham demorado meses, com reuniões secretas com um advogado para elaborar planos estratégicos, astutos e engenhosos, nos quais tinham sido usadas súplicas, exigências e até ameaças, para chegarem ao momento em que se encontravam naquele instante. Não podia retroceder.
Então, de repente, compreendeu quando já estava a meio da igreja. Ficou horrorizada.
Era o noivo errado.
Ao compreender finalmente o que estava a acontecer, sentiu um intenso mal-estar. O apertado corpete do vestido impedia-a de respirar.
Ele tinha-a tentado enganar, mas ela não podia ser enganada.
Ani fora sempre capaz de os distinguir, mesmo quando, com apenas quatro anos, brincava com os dois adolescentes durante os longos e quentes verões na Grécia. Nem sequer o pai dos gémeos conseguia distingui-los.
Quando Ani entrou na adolescência, orgulhava-se de ser uma das duas pessoas que conseguiam distingui-los quando se faziam passar um pelo outro. A outra pessoa era Thea, a avó dos dois rapazes.
Por fim, tinha compreendido por que razão o coração lhe batia no peito com tanta força e por que razão tinha sentido um vazio no estômago quando o vira junto ao altar.
Aquele era o gémeo errado. Não era Sebastian Skalas, o playboy, milionário, amigo e parceiro de brincadeiras que Ani tinha, finalmente, convencido a casar-se após insistir durante meses.
Aquele era Alexandros Skalas, o oposto do sedutor relaxado e encantador que era o seu irmão.
Xander era arrogante, egoísta, cruel e controlador. Era o único homem que a perturbava até ao mais profundo do seu ser sem qualquer esforço. O homem que ela nunca conseguira conquistar. O único que podia pôr em causa o seu brilhante plano.
O seu padrasto deu-lhe uma ligeira cotovelada e fê-la sentir a palma da mão nas costas, questionando-a sem que ninguém notasse. A amabilidade de Killian era um lembrete potente de que não podia recuar naquele momento.
Porque estava Xander ali? Teria convencido Sebastian de alguma forma?
Por muito que se zangassem, os dois gémeos adoravam-se. Entre eles existia uma espécie de afeto competitivo, contencioso, mas que, no fundo, não deixava de ser amor, um sentimento que ambos consideravam uma fraqueza.
Dois passos mais à frente e Killian entregá-la-ia no altar.
Sentindo-se indefesa de um modo que odiava, Ani ergueu o queixo e enfrentou a realidade. Com um smoking negro que realçava a sua esbelta e musculada silhueta, o seu futuro esposo era a essência do masculino. Era sensual sem esforço, algo que a atraía e repelia ao mesmo tempo pelo poder que exercia sobre ela. O nariz régio, a testa perfeita, o cabelo cuidadosamente penteado para trás e aquela boca, com a minúscula e microscópica cicatriz… Tudo nele era magnético e fazia com que deixasse de ser uma forte sobrevivente, com planos racionais e objetivos firmes, para se transformar numa massa de sentimentos e sensações sobre os quais não podia exercer qualquer controlo.
Ele arqueou uma sobrancelha escura.
Aquele era Xander, sim, e com a sobrancelha levantada estava a perguntar a Ani se iria seguir em frente com o casamento. Parecia desafiá-la a afastar-se dali, a admitir o medo e sair a correr.
Um suave suspiro escapou-lhe dos lábios, fazendo com que o delicado véu se movesse muito suavemente.
Xander parecia achar que ela tinha escolha, mas não era assim. Não tinha outra alternativa senão salvar a sua família. Precisava de um marido para poder ficar com o dinheiro da herança do seu pai, que tinha sido colocada num fundo em seu nome. Era uma condição estúpida e arcaica imposta pelo seu querido pai falecido e Niven, o seu meio-irmão, tinha reforçado com malícia.
Tinha suplicado a Sebastian, ameaçando-o e amaldiçoando-o também, porque ele era o único homem que se considerava capaz de controlar assim que conquistasse a sua fortuna. Também tinha a certeza de que ele não lhe exigiria nada em troca. Apesar de ser um sedutor e um playboy, Sebastian escondia no seu interior uma forte integridade, que tinha cimentado a amizade entre ambos durante quase duas décadas.
Talvez Xander estivesse a fingir que era Sebastian apenas durante a cerimónia. Depois, este regressaria e os dois poderiam seguir em frente com o plano.
No meio de um turbilhão de pensamentos, Ani deu os dois últimos passos e sorriu beatificamente quando Killian lhe deu um beijo na face. Então, virou-se para o homem que a esperava frente ao altar.
Isso era precisamente o que mais a irritava: que fosse Xander a salvá-la. Mataria Sebastian com as suas próprias mãos por a ter deixado nas mãos do cruel ego de Xander! Se havia algo de que estava segura era de que a antipatia que sentia por Xander era correspondida.
Havia poucas coisas na vida que despertavam a curiosidade de Alexandros Skalas. Aos trinta e quatro anos, tinha-se convertido numa espécie de idoso resmungão, para quem só existiam os seus negócios, as suas rotinas, as pessoas que compunham o seu círculo mais íntimo e a vida tal como era.
Dado que era multimilionário, era-lhe tudo muito indiferente. No entanto, existira sempre uma variável, uma pessoa, a quem nunca conseguira encaixar ou… controlar. Aquela última palavra não soava muito bem, porque, na realidade, Xander não gostava de controlar os outros, sobretudo quando só existiam na periferia da sua vida.
Annika Saxena-Mackenzie era essa variável que o surpreendia e escandalizava constantemente. Era afilhada da sua avó, pelo que, de uma forma ou de outra, Annika fazia parte da sua vida. Xander tentou continuamente afastá-la, e, no entanto, Annika sempre ocupou um lugar central na sua vida. Primeiro, quando era uma bebé deliciosa e rechonchuda, que tinha roubado a atenção da avó a Sebastian e a ele quando mais precisavam dela. Depois, tornou-se uma adolescente irritante e metediça que passava o tempo a seguir o seu irmão Sebastian durante os verões. Por fim, nos últimos anos, quando, de repente, se transformara numa das mulheres mais belas que Xander alguma vez vira.
Como se não bastasse o facto de a sua avó adorar Annika, Sebastian mantinha com ela uma sólida amizade. Ao longo dos anos, Xander tinha esperado que os dois se distanciassem, tal como costumava acontecer com todas as relações do seu irmão.
Não tinha sido assim. De novo, a variável irritante.
De algum modo, a amizade de Annika e Sebastian não só durava há mais de duas décadas, como tinha culminado no surpreendente anúncio do seu noivado há menos de quatro meses.
Se Xander quisesse convencer-se de que o noivado não o incomodava, teria sido uma mentira. Claro que o tinha incomodado. De facto, tinha-o estado a importunar durante todos os 128 dias e 22 horas que tinham passado desde então.
Ao ser o menos impulsivo e mais estratégico dos dois irmãos Skalas, o único de uma família de loucos com a cabeça no lugar, Xander tinha esperado, com uma impaciência cada vez maior, que o noivado fracassasse e não desse em nada.
Era impossível imaginar duas pessoas assim, ricas, privilegiadas e elegantes, a viver juntas e a desfrutar de uma união feliz. No entanto, Sebastian não só tinha mantido as aparências, surgindo com Annika em todos os eventos sociais, como se tinha transformado num novo homem. Não se envolveu em mais escândalos, bebedeiras ou discussões. Pela primeira vez na vida, Xander não teve de se preocupar com os problemas do seu irmão Sebastian.
Num desses momentos de fraqueza que pareciam surgir nele após três copos de uísque, Xander perguntou-se se Annika seria de facto a solução para curar o seu irmão Sebastian. Aquele pensamento produziu-lhe primeiro um profundo alívio, seguido de um incrível desagrado.
Não queria Annika como cunhada.
Envolvido na escuridão da noite, com o habitual autocontrolo de Xander vencido pelo álcool, acabou por admitir a verdade. Não queria que Sebastian se casasse com Annika porque a desejava para si. E fazia-o com uma intensidade que o confundia. Com uma paixão selvagem e possessiva.
Xander não deixou de a desejar, nem sequer depois dos dois escândalos que resultaram em dois noivados rompidos ou quando começou a sair com as pessoas erradas. Nem sequer quando descobriu que ela tinha estado a sacar dinheiro à avó, nem quando descobriu que a safira preferida da mãe tinha desaparecido durante uma das visitas de verão.
Tinha-a desejado perdidamente quando a beijara em segredo sob o caramanchão da sua quinta, com a escuridão como aliada, no dia em que ela fez vinte e um anos, ainda nem tinham passado dois anos. Desejava-a mais do que desejara alguém na vida. Não conseguia esquecer o momento em que ela apertou o seu corpo esbelto contra o dele, mostrando com os seus suaves gemidos que desejava muito mais.
Tinha-a desejado quando lhe sussurrou ao ouvido:
– Por fim, encontrei uma forma de te fazer comportar.
Tinha-a desejado quando ela se afastou bruscamente dele,
