O xeque e a noiva grávida - Amor profundo
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Sobre este e-book
Depois de tantas peripécias, será que ainda se celebraria o casamento real?
Maggie Collins tinha ido para o exótico reino de Deharia, situado no meio do deserto, para restaurar o antigo veículo do príncipe Qadir, não para se casar. A atraente mecânica já sofrera a sua quota devido ao amor. Por isso, o casamento, mesmo que fosse com um sedutor xeque, não estava nos seus planos. Foi então que Qadir lhe fez uma proposta que deveria ter recusado.
Ia ser um compromisso temporário… até que ela descobriu que estava grávida, e a honra levou Qadir a dar a Maggie e ao filho a protecção do seu nome.
Amor profundo
Era difícil resistir aos encantos dos homens Randell!
Contratado para proteger e servir, o detetive Brandon Randell tinha sempre o chapéu impecável e a placa brilhante. Vivia para trabalhar, mas depois de salvar Nora Donnelly e o seu filho, apercebeu-se de que na vida havia algo mais do que cumprir o dever.
Ao fugir do passado, Nora depara-se com o seu futuro. Pensava voltar a fugir em breve, mas não contava com o facto de os homens Randell nunca se renderem e, depois de a ter conhecido, Brandon não ia permitir que se fosse embora.
Susan Mallery
Die SPIEGEL-Bestsellerautorin Susan Mallery unterhält ein Millionenpublikum mit ihren herzerwärmenden Frauenromanen, die in 28 Sprachen übersetzt sind. Sie ist dafür bekannt, dass sie ihre Figuren in emotional herausfordernde lebensnahe Situationen geraten lässt und ihre Leserinnen und Leser mit überraschenden Wendungen zum Lachen bringt. Mit ihrem Ehemann, zwei Katzen und einem kleinen Pudel lebt sie in Washington.
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O xeque e a noiva grávida - Amor profundo - Susan Mallery
Créditos
Editado pela Harlequin Ibérica.
Uma divisão da HarperCollins Ibérica, S.A.
Avenida de Burgos, 8B
28036 Madrid
www.harpercollinsportugal.com
© 2025 Harlequin Ibérica, uma divisão da HarperCollins Ibérica, S.A.
N.º 112 - Setembro 2025
© 2008 Susan Mallery, Inc.
O xeque e a noiva grávida
Título original: The Sheik and the Pregnant Bride
Publicada originalmente pela Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2010 Patricia Wright
Amor profundo
Título original: The No.1 Sheriff in Texas
Publicada originalmente pela Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2011 e 2012
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização da Harlequin Books, S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos comerciais, acontecimentos ou situações são pura coincidência.
Sem limitar os direitos exclusivos do autor e do editor, é expressamente proibido qualquer uso não autorizado desta edição para treinar tecnologias de inteligência artificial (IA) generativa.
® Harlequin, Bianca e logótipo Harlequin são marcas registadas pertencentes à Harlequin Enterprises Limited.
® e ™ são marcas registadas pela Harlequin Enterprises Limited e pelas suas filiais, utilizadas com licença. As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.
Imagem da capa utilizada com a permissão da Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
ISBN: 979-13-7000-688-4
Sumário
Créditos
O xeque e a noiva grávida
Prólogo
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Epílogo
Amor profundo
Um
Dois
Três
Quatro
Cinco
Seis
Sete
Oito
Nove
Dez
Onze
Epílogo
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Portadilla
portadilla1Prólogo
Jake McCabe cerrou o punho. Estava tão zangado que precisava de descarregar a sua fúria numa parede ou em qualquer coisa que estivesse à mão. Acabar com os nós dos dedos ensanguentados e magoados seria um preço pequeno em troca de um pouco de alívio.
No entanto, tranquilizou-se o suficiente para pegar numa caneta e abrir o diário. Só continha uma anotação, escrita há dois meses, quando o psiquiatra do departamento lhe recomendara que apontasse os seus pensamentos e emoções. Dizia assim:
Isto é uma estupidez. Não vejo como é que escrever as coisas pode ajudar-me.
Apesar disso, escreveu as palavras que não se atrevia a pronunciar em voz alta. Não se sentiu melhor, mas o psiquiatra acertara ao afirmar que precisava de uma válvula de escape. As palavras fluíram num corrente amarga que encheu dois parágrafos inteiros.
Quando acabou de escrever, Jake baixou a cabeça e chorou. As lágrimas borraram a tinta e humedeceram o papel de tal maneira que a primeira frase ficou ilegível.
Mas não importava. Era uma frase que recordaria muito depois de se ter acalmado:
Miranda abortou hoje.
Capítulo 1
O carro bateu com tanta força contra um monte de neve que o airbag saltou imediatamente, mas, pelo menos, parou depois de dar voltas e mais voltas numa estrada de duas faixas que, além disso, estava ladeada de árvores.
Caroline Franklin Wendell afastou os dedos do volante e passou uma mão trémula pelo cabelo. Não fora a sua vida que passara à frente dos seus olhos durante aqueles momentos de terror, mas a vida do seu filho. Se ela morresse, Cabot teria ficado sem mãe e teria tido de crescer com o seu pai e com a sua avó, uma ideia que lhe causava calafrios.
Olhou pelo pára-brisas. A parte dianteira do carro estava enterrada sob a neve. Mas Caro sabia que a sua vida mudara muito antes de o seu veículo patinar numa placa de gelo. Estava há quatro anos fora de controlo, desde que cometera o erro de se casar com Truman. E, no entanto, recusara-se a admitir a verdade. Recusara-se a acreditar que fora um erro sem solução.
Mesmo naquela manhã, depois de assumir a sua derrota e decidir voltar para ele, albergara a esperança de encontrar uma saída para aquele pesadelo. Não por ela, mas por Cabot. O seu filho era a única consequência positiva do seu casamento com o herdeiro de uma das famílias mais poderosas e influentes de Nova Inglaterra.
Só agora, ainda trémula e com o coração acelerado, é que assumia finalmente a verdade. Truman tinha razão. Não havia saída.
– Estou a fazê-lo pelo teu próprio bem, Caroline. Precisas de mim – dissera-lhe.
Caro não sabia há quanto tempo estava no interior do carro, só sabia que o habitáculo arrefecera ao ponto de conseguir ver o bafo da sua respiração. Os dedos estavam intumescidos, apesar das luvas, quando pôs a mão na mala e procurou o telemóvel.
Em algum momento, teria de telefonar ao seu marido para lhe dizer que ia atrasar-se e talvez para lhe pedir que lhe desse mais tempo. Quando o bem-estar do seu filho estava em jogo, Caro era perfeitamente capaz de suplicar. Mas antes devia chamar um reboque e encontrar um lugar onde se alojar enquanto reparavam o carro.
Ligou o telefone e ficou a olhar para a fotografia do seu filho que usava como protecção de ecrã. Estava sorridente, feliz, livre de preocupações, como qualquer criança da sua idade.
Passou um dedo pela sua cara de querubim e franziu o sobrolho. O telefone não tinha rede. Preocupada, empurrou a porta com todas as suas forças e abriu-a. No exterior havia tanta neve que lhe chegava aos joelhos.
Mas o telefone continuava sem funcionar.
Amaldiçoou a sua sorte e guardou o telemóvel no bolso do anoraque.
Pensou que podia ficar ali e esperar, embora lhe parecesse improvável que outro condutor tivesse cometido o erro de conduzir por uma estrada em tão más condições. Afinal de contas, ela escolhera-a por desespero, porque não tinha outro remédio.
Olhou para um lado da estrada e recordou que, mesmo antes de tomar a decisão de sair da auto-estrada, passara à frente de uma bomba de gasolina. Ficava a uns cinco ou seis quilómetros de distância, mas tinha umas botas de salto e pele fina que não eram as mais adequadas para andar pela neve.
Olhou para o lado contrário e questionou-se o que haveria mais à frente. Com a sorte que tinha, podiam ser quilómetros e quilómetros de bosques vazios.
Os seus olhos encheram-se de lágrimas e começou a sentir medo. Não sabia o que fazer. Era fundamental que chegasse a tempo ao encontro com o seu marido. E estava perdida, no meio do nada.
Nesse momento, pensou ouvir umas campainhas ao longe, mas pareceu-lhe que devia ter imaginado ou que seria o vento.
Mas enganava-se. Um minuto depois, apareceu um homem a cavalo. Tinha um chapéu coberto de neve e um casaco escuro que enfatizava a largura dos seus ombros. Ao princípio, pareceu-lhe saído de um sonho, mas, mais tarde, quando se aproximou e pôde distinguir os seus traços, tão atraentes como duros, pensou que escapara de uma fantasia erótica.
De repente, perdeu a força nas pernas e já não viu mais nada.
Caiu na neve e perdeu os sentidos.
Jake esfregou os olhos quando a viu ao longe. Não podia ser real. Nenhuma pessoa no seu juízo perfeito teria saído para o bosque com aquele clima. Na verdade, ele só estava ali porque precisava de se acalmar um pouco e, em qualquer caso, saíra com uma égua que conhecia o caminho de regresso tão bem como ele.
Quando a mulher desmaiou, saltou para terra, avançou tão depressa como pôde entre a neve e ajoelhou-se ao seu lado, resistindo ao impulso de pegar nela ao colo.
«Proteger e servir.» Num passado remoto, aquelas palavras tinham feito parte da sua existência diária. Mas esse passado estava morto.
– Sentes-te bem?
Ela reagiu alguns segundos mais tarde. Entreabriu os olhos e olhou para ele com uma mistura de horror e repulsão, mas Jake não se considerou insultado. As pessoas costumavam reagir assim quando o viam.
Então, a mulher fez uma coisa que o perturbou por completo. Levantou uma mão trémula, acariciou-lhe a cara e perguntou:
– És um anjo?
Jake demorou a responder. Tinham-lhe chamado muitas coisas ao longo da sua vida, mas nunca tinham pensado que era um anjo.
– Nada disso – respondeu.
– Pensava que…
– Como estás? Partiste alguma coisa?
Ela pestanejou e franziu o sobrolho.
– Não, penso que não.
– De certeza que não bateste com a cabeça?
Jake olhou para o carro enterrado na neve e percebeu que o airbag se activara, evitando danos maiores. Mas, apesar disso, a mulher podia ter sofrido feridas graves.
– Estou bem, a sério – insistiu.
Para o demonstrar, levantou-se. Jake imitou-a e descobriu que era mais alta e também mais delicada do que pensara ao chegar. Na verdade, a sua aparência era bastante frágil.
Era um pouco mais baixa do que ele e, embora não conseguisse ver-lhe os pés porque estavam enterrados na neve, soube que tinha sapatos de saltos muito altos e extremamente inadequados para a situação. Era uma sorte que a tivesse encontrado. Não teria durado mais de uma hora.
– Mas o meu carro é um caso à parte… – continuou ela. – Não sei se os danos que sofreu são importantes, mas preciso que o levem para uma oficina.
Jake olhou para o carro e pensou que, certamente, gastava pouco combustível, mas que essa era a sua única virtude.
– Chamas carro a isto? – perguntou com ironia. – Parece-me um brinquedo.
A mulher deu uma gargalhada, mas Jake apercebeu-se de que não se ria porque achara graça ao comentário, mas porque estava à beira da histeria.
– Sim, bom… Sabes se há alguma oficina mecânica nos arredores? Ah, e um telefone público. O meu telemóvel não tem rede e preciso de chamar um reboque.
Ele assentiu.
– Podes telefonar da estalagem.
Ela suspirou e olhou para ele com um vestígio de esperança.
– A estalagem? É perto?
Jake voltou a assentir.
– Sim, a um quilómetro de distância.
– Sabes se têm quartos livres?
Ela agarrou-se ao seu braço com desespero e fixou o olhar nos seus olhos cor de avelã.
– Tenho a certeza disso.
Na verdade, a estalagem era uma sombra do que fora, um lugar velho que se parecia muito com o seu novo proprietário. Geralmente, estava fechada ao público, mas admitia clientes no sábado e no domingo de Páscoa.
Jake sabia muito bem. Afinal de contas, ele era o dono da estalagem. E se estava no bosque, no meio de uma tempestade de neve, era porque os seus pais, o seu irmão, o seu cunhado e os seus filhos tinham aparecido no dia anterior e estavam a enlouquecê-lo tanto que preferira sair para dar uma volta para não dizer alguma coisa de que se arrependeria mais tarde.
– Ah, excelente… Podias fazer-me o favor de me levar?
Ela olhou para a égua de Jake, que se alegrou por ter saído com Bess, a égua que normalmente puxava o trenó, em vez de optar pelo seu cavalo. Bess era um animal tranquilo e grande, capaz de levar ambos.
– É claro.
Jake disse-o num tom tão sério que ela pensou que seria um incómodo excessivo.
– Bom, suponho que poderia ir a pé. Ao fim e ao cabo, disseste que só fica a um quilómetro de distância.
Ele suspirou e apontou para ela com um dedo.
– Ir a pé? Com essa roupa tão inútil? Morrerias muito antes de chegar à estalagem – observou.
Ela corou e olhou para ele com raiva.
– A minha roupa não é inútil! Eu não sou inútil!
Jake pensou que havia a possibilidade de, efectivamente, não ser uma inútil, mas não havia dúvida alguma de que estava desesperada. Reconhecia a expressão porque a vira muitas vezes em familiares de vítimas, quando era polícia. Fosse qual fosse o seu problema, devia ser grave.
– Anda comigo. Ajudar-te-ei a montar.
A mulher olhou para a égua e permaneceu imóvel. Era óbvio que tinha medo.
– Não sei. Não me importo de ir a pé.
– Mas não quero que o faças – disse ele. – Se formos a pé, demoraremos o dobro do tempo no melhor dos casos. Não te preocupes com Bess, é muito tranquila.
– E o meu carro?
Ele olhou para ela com exasperação.
– Está bem… Tens muita bagagem?
– Não preciso da bagagem que está no porta-bagagem. Só preciso do nécessaire que está por baixo do banco do passageiro.
Jake olhou para as janelas do carro e franziu o sobrolho. Eram tão pequenas que pareciam as de um avião. E como o trajecto já ia ser difícil sem levar carga extra, ofereceu-lhe uma solução alternativa.
– Voltarei mais tarde para vir buscá-lo.
Ela não rejeitou a oferta. Limitou-se a dirigir-se para a égua enquanto se repetia em voz baixa:
– Consigo fazê-lo, consigo fazê-lo, consigo fazê-lo.
Jake ajudou-a a montar e acomodou-se atrás dela. Bess mexeu-se com nervosismo porque não estava habituada a ter dois cavaleiros. Ele tranquilizou-a e compreendeu os sentimentos do animal. Ele também não costumava ter companhia e muito menos uma companhia tão bela como aquela mulher.
– Calma, rapariga. Não há problema – disse, enquanto lhe acariciava o pescoço.
– Na verdade, acabei de perceber que sei o nome do cavalo, mas não o teu…
– Ah, é verdade. O meu nome é Jake, Jake McCabe.
Jake esperava que se assustasse. Não em vão, o seu nome causara terror durante muito tempo na sua cidade natal, Búfalo. Mas a sua expressão permaneceu inalterável.
– É um prazer conhecer-te, Jake. Eu sou Caroline Franklin, embora os meus amigos me chamem simplesmente Caro.
– Muito bem, Caro. Estás pronta?
Ela assentiu e puseram-se a caminho.
Demoraram mais tempo do que Jake calculara. Não só porque a égua carregava mais peso do que antes, mas também porque as condições meteorológicas tinham piorado muito. O vento soprava com tanta força que quase apagara os rastos do animal.
Quando avistou a estalagem, emitiu um suspiro de alívio. Tinha um aspecto deplorável, mas a visão da sua estrutura, escondida entre árvores altas que impediam que se visse da estrada, tranquilizava-o sempre.
O alpendre tinha vários centímetros de neve, apesar de ele próprio o ter limpado pouco antes de sair, mas animou-se ao pensar que, quando chegasse o Verão, poderia instalar as cadeiras de baloiço que estava a fazer.
Adorava trabalhar com a madeira e, graças aos ensinamentos do seu pai, era um carpinteiro hábil. Enquanto outros polícias ocupavam o seu tempo livre com o álcool, ele dedicava-o ao seu serrote, à sua lixadeira e ao resto das suas ferramentas.
Na verdade, a carpintaria evitara que ficasse louco no ano anterior, enquanto esperava o resultado da investigação dos Assuntos Internos sobre a morte de uma mulher e do seu filho num tiroteio. Tinham falecido durante o assalto a uma casa onde supostamente vivia um narcotraficante. Jake não apertara o gatilho, mas era um dos responsáveis pela operação.
Infelizmente, tinham-se enganado na casa.
Quando a investigação acabara, encontrara-se numa posição difícil. Os Assuntos Internos tinham chegado à conclusão de que o engano acontecera por sua causa, porque interpretara mal as ordens e confundira a morada do delinquente. Jake negara-o, mas não tinha documentos que provassem a sua inocência. No fim, tinham-se limitado a incluí-lo no seu relatório e tinham permitido que voltasse para o trabalho.
No entanto, as coisas não tinham melhorado para ele. O autor dos tiros, um polícia novato, suicidara-se pouco depois por não conseguir suportar o horror de ter matado duas pessoas inocentes. Aos olhos da opinião pública, Jake era o verdadeiro responsável pelo desastre.
Depois de doze anos de serviço no Departamento de Polícia de Búfalo, transformara-se num marginal. Alguns dos seus companheiros tinham-no apoiado e tinham-se solidarizado com ele, mas o mal já estava feito. Quando o capitão da sua unidade lhe oferecera uma indemnização económica em troca de se despedir, Jake aceitara. De todas as formas, já tomara a decisão de se ir embora.
Não fazia sentido lutar. Uma mulher, o seu filho e um polícia tinham morrido por causa dele. Embora não fosse responsável pela confusão com o domicílio, era responsável pelo grupo que assaltara a casa. E para o caso de isso ser pouco, também havia Miranda.
Fizera as malas e fora-se embora. Do Departamento de Polícia e de Búfalo.
Mais tarde, encontrara a estalagem por acaso. Quando era criança, passara muitas férias naquela zona de Vermont, nas Green Mountains. Quando vira que o local estava fechado e à venda, decidira comprá-lo.
As pessoas dos arredores eram exactamente como as recordava, pessoas amáveis, mas que desconfiavam dos forasteiros. Não se importou. Não estava ali para fazer amigos. Nem sequer estava ali porque queria esconder-se e fugir dos seus problemas, como o seu irmão afirmava. Estava ali porque precisava de paz.
– Já chegámos?
Jake demorou alguns segundos a perceber que a égua passara à frente do edifício principal e parara na entrada dos estábulos.
– Sim, já chegámos. E parece que Bess também quer resguardar-se da tempestade.
– A égua é daqui?
– Sim.
– Então, tu vives aqui…
– Sim. A estalagem é minha.
Ela arqueou as sobrancelhas e deu uma olhadela à sua volta. As paredes da estalagem tinham tábuas soltas e a pintura estava velha.
– Não está aberta ao público agora, mas é um lugar quente e seco. Ficaremos confortáveis e depois irei buscar as tuas coisas… Lamento, Bess, receio que ainda não tenhamos acabado o trabalho.
O clima piorara muito. Os flocos que caíam eram tão grandes como se os céus tivessem começado uma luta de bolas de neve. Jake desmontou e ajudou Caroline a fazer o mesmo. Tinha uma cintura muito estreita e não pesava mais do que uma criança. Pensou que, certamente, estaria numa daquelas dietas estúpidas consistentes em não comer nada excepto frutas e vitaminas especiais.
Ao chegar à parte de trás da casa, ela sorriu. Foi um sorriso inocente, de amabilidade, mas Jake achou-o sexy e um pouco provocador.
– Não vás.
– Como? – perguntou ele, perturbado.
– Sim, não voltes ao carro. O nécessaire não é importante… Além disso, já fizeste muito por mim. Sentir-me-ia muito mal se te acontecesse alguma coisa por minha causa.
Jake pestanejou. Esquecera-se do que se sentia quando outra pessoa, especialmente uma mulher, se preocupava com ele.
– Tens a certeza?
Caro assentiu e do seu cabelo caiu um pouco de neve. Jake estendeu um braço para lhe tirar o resto e ela tremeu, não tanto pelo frio, mas devido ao contacto físico.
Nesse momento, abriu-se a porta. Era a mãe de Jake, que olhou para ele com as mãos na cintura e um olhar tão duro como se procedesse do mais duro dos sargentos.
– Jacob Robert McCabe, não voltes a…
Doreen McCabe emudeceu momentaneamente ao ver que o seu filho estava acompanhado. Pestanejou, surpreendida, e acrescentou com doçura:
– Ah, olá! Sou Doreen, a mãe de Jake.
– Apresento-te a Caroline Franklin – disse o seu filho.
– Caro – indicou ela.
– Sim, é verdade.
Doreen assentiu.
– Não sabia que Jake esperava visitas.
– Não esperava – disse ele.
Doreen disfarçou perfeitamente a sua confusão. Na verdade, voltou a olhar para Jake e falou-lhe no mesmo tom que usara durante os primeiros dezoito anos da sua vida.
– Por todos os diabos, filho! Não tens maneiras? Leva esta pobre rapariga para casa antes de apanhar uma pneumonia. Têm de tirar a roupa molhada.
Jake engoliu em seco, nervoso. Ele estava a pensar no mesmo. Pelo menos, no que dizia respeito à roupa de Caro.
Capítulo 2
Caro entrou no hall e faltou-lhe pouco para suspirar quando sentiu o ar quente do interior da estalagem. Mas o que mais
