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CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO: CRÔNICAS RIOGRANDENSES, #3
CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO: CRÔNICAS RIOGRANDENSES, #3
CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO: CRÔNICAS RIOGRANDENSES, #3
E-book160 páginas1 horaCRÔNICAS RIOGRANDENSES

CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO: CRÔNICAS RIOGRANDENSES, #3

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Sobre este e-book

Em meio aos campos de batalha do sul do Brasil, Eduardo surge como protagonista de uma jornada marcada por coragem, lealdade e saudade. Ambientado durante o tumultuado período das Guerras da Cisplatina, "Crônicas Riograndenses: Cruzada de Fogo" acompanha a luta de um grupo de guerreiros do exército imperial Brasileiro, com destaque para Eduardo , um cavaleiro experiente e líder militar, e seus fiéis companheiros:  Simão , Quero-quero, padre Moacir e Zé Pedro e também Bento Manuel e Bento Gonçalves. Juntos, enfrentam as forças inimigas das Províncias Unidas do Rio da Prata e as adversidades de uma guerra interminável.

À medida que a guerra se intensifica, Eduardo é constantemente atormentado pelas lembranças de sua amada Sarah , cujo destino se torna uma sombra que o persegue no campo de batalha. Sua coragem e habilidades de combate o tornam uma figura central na resistência gaúcha, mas a dor da perda e o peso de ser um líder de guerra o fazem questionar o real significado de suas batalhas.

Com cenas de combates ferozes, estratégias militares complexas e a lealdade inabalável de seus amigos, Eduardo e seu grupo enfrentam não apenas os inimigos no campo, mas também as provas pessoais que surgem diante das perdas, do medo e do destino. A presença de uma figura sobrenatural, o Senhor do Fogo , oferece uma visão misteriosa do futuro de Eduardo, fazendo-o entender que sua jornada vai além das batalhas pela independência e que há algo maior reservado para ele.

Em "Crônicas Riograndenses: Cruzada de Fogo" , a guerra e os conflitos entre Brasil e Argentina são o pano de fundo para uma história profundamente humana sobre amizade, honra, sacrifícios e a busca por um futuro melhor. Entre vitórias e derrotas, a jornada de Eduardo é também um reflexo da luta pela liberdade, pela justiça e pela promessa de reencontrar o que foi perdido.

Através de batalhas épicas, momentos de reflexão e laços de amizade que atravessam as chamas da guerra, o livro traz à tona o espírito indomável dos gaúchos e a força de um homem que, mesmo diante do fogo e do caos, busca cumprir seu destino. "Cruzada de Fogo" é uma homenagem à coragem e ao sacrifício daqueles que lutaram pela liberdade do Rio Grande do Sul, e, acima de tudo, à chama eterna da esperança.

IdiomaPortuguês
EditoraPaulo Otávio
Data de lançamento8 de set. de 2025
ISBN9798232196653
CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO: CRÔNICAS RIOGRANDENSES, #3
Autor

Paulo Otávio

Nascido em Porto Alegre, em 20 de dezembro de 1974, Paulo Otávio transformou sua paixão pelas histórias em uma carreira literária marcada pelo suspense e pela intensidade. Autor de dezesseis obras, entre elas Conspiração em Alcântara, Assassinato na Rua da Praia e o premiado A Profecia da Ressurreição, conquistou leitores no Brasil e no exterior com narrativas que unem mistério, história e emoção. Em 2024, viveu um ano inesquecível: foi consagrado no Salão do Livro de Genebra com o título de Livro do Ano da Europa de Língua Portuguesa, recebeu o Prêmio Fernando Pessoa de Excelência em Literatura em Portugal e foi distinguido em Buenos Aires com a Comenda Literária Evita Perón, sendo celebrado como Autor Revelação Internacional. Hoje, Paulo Otávio é reconhecido como uma das vozes mais promissoras e originais da literatura contemporânea em língua portuguesa.

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    CRÔNICAS RIOGRANDENSES - CRUZADA DE FOGO - Paulo Otávio

    Crônicas

    Riograndenses

    ​Cruzada de Fogo.

    Nota Histórica

    Crônicas Riograndenses: Cruzada de Fogo se entrelaça com momentos decisivos da história do Brasil e do Cone Sul, especialmente o período conturbado das Guerras de Independência e da Revolução Farroupilha (1835-1845). Esses eventos moldaram não apenas as fronteiras políticas, mas também o imaginário cultural e a identidade gaúcha. ​Contexto das Guerras de Independência. As Guerras de Independência do Brasil (1822-1824) envolveram conflitos armados em várias províncias, inclusive no sul, que faziam fronteira com as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina e Uruguai). Esses confrontos refletem as tensões regionais e internacionais sobre o controle da região platina, palco de disputas territoriais entre Portugal, Espanha e posteriormente os países emergentes.

    ​Eduardo e o Lobo Sombra: Um Elemento de Ficção Histórica

    O personagem Eduardo, líder militar, reflete o arquétipo do herói gaúcho: um combatente habilidoso, de valores profundos e movidos por orientações pessoais e ideais coletivos. A adição de Sombra, o lobo gigante de pelo preto e olhos amarelos, introduz um elemento sobrenatural e simbólico que reforça o tom épico da narrativa. O lobo pode ser interpretado como um guardião ou uma representação da conexão visceral entre o homem e a natureza indomável do pampa.

    ​Entre História e Ficção. A presença de figuras como Bento Manuel e Bento Gonçalves as referências aos combates contra as Províncias Unidas situam a obra em um contexto histórico realista, enquanto elementos como o Senhor do Fogo e o papel de Sombra ampliam a narrativa para uma dimensão alegórica e introspectiva. Essa abordagem dialógica com a literatura de ficção histórica, que enriquece os fatos com camadas emocionais e imaginativas, permitindo ao leitor uma imersão completa na atmosfera de conflito, lealdade e esperança. A homenagem à coragem e aos sacrifícios dos gaúchos durante esses eventos históricos, retratada em Cruzada de Fogo, ressalta o espírito resiliente de uma região que lutou por sua identidade e autonomia, mantendo viva a chama da liberdade.

    ​Capítulo 1

    A Fúria.

    Passou-se muito tempo da última batalha. Era manhã do dia 20 de janeiro de 1820 o sol nasceu silencioso sobre os campos e banhados próximos ao rio Tacuarembó. O cenário seria palco do confronto final entre as tropas Gaúchas em conjunto com divisão de Voluntários Reais, comandadas pelo general Manoel Marques de Sousa, contra os combatentes liderados pelo general Artigas. Era o fim de uma longa e árdua luta pela autonomia da Banda Oriental, que culminou em derrota e exílio. A posição artiguista era forte, protegida por um banhado profundo e por um meandro do Tacuarembó. Manoel Marques lançou-se à luta, animando seus liderados. Eduardo por outro lado era alimentado pelo ódio e pela perda de Sarah. No coração do caos de Tacuarembó, onde o som do combate se misturava com os gritos de dor e o eco das ordens. Eduardo emergiu como um furacão humano. Ele não era apenas um soldado; era uma força da natureza, movida por uma fúria que o tornava implacável. Eduardo lutou com raiva, uma raiva que ninguém jamais havia visto antes. Cada golpe de sua espada era executado com precisão mortal, cada movimento era carregado de uma intensidade quase sobrenatural. Ele não se importava com o cansaço, não hesitava diante do perigo. A cada inimigo que caiu diante dele, a alcunha que logo lhe seria dada cresceu em força. Ele não era um guerreiro comum. Sua raiva não nascia apenas da batalha, mas de uma dor insuportável. Ele havia perdido tudo: sua esposa, seu filho, sua vida tranquila na estância de seu avô, que as tropas castelhanas devastaram. Sua luta não era por glória, nem por dever. Eduardo lutava pelo gosto amargo da vingança, pelo desejo insaciável de fazer cada um de seus inimigos pagar, pelo que ele havia sofrido. Naquele dia em Tacuarembó, enquanto seus companheiros tinham a força da posição artiguista, Eduardo viu apenas um objetivo: destruir. Quando o General Marques de Souza ordenou o avanço, Eduardo foi o primeiro a se lançar contra as linhas inimigas. Suas botas afundaram no banhado até a canela, mas isso não o deteve. A cada passo, ele esmagava qualquer resistência, como se o próprio peso de sua raiva quebrasse as defesas inimigas. Um soldado artiguista tentou atingi-lo com uma lança, Eduardo a desviou com a espada e, com um movimento rápido, derrubou o oponente acertando sua garganta. Outro veio em seguida, e depois mais dois.  Eduardo com fúria avançava derrubando os adversários implacavelmente. Os soldados que lutavam ao seu lado o conheciam. Eduardo havia se tornado o pior pesadelo de seus inimigos, seus companheiros nunca tinham visto tamanha brutalidade, tamanha determinação.

    — Ele luta como se fosse o próprio demônio! — exclamou um jovem soldado Artiguista, recuando diante da cena, os olhos arregalados pelo horror do que testemunhava. Eduardo estava no centro da batalha, um redemoinho de ódio que não podia ser contido. Com uma fúria quase descontrolada, sua espada dançava no ar, brilhando em meio à lama e ao caos. Cada golpe cortava o vento, rasgando carne e atravessando armaduras. O sangue jorrava, misturando-se ao barro molhado, enquanto os gritos dos inimigos caíam um a um no esquecimento. Ele não apenas lutou, ele esmagava, aniquilava, avançando como se cada inimigo fosse um lembrete vivo de sua dor insuportável. Seus olhos estavam vazios, mas seu corpo era tomado por uma energia sombria, um frenesi que parecia ser alimentado pelo ódio, pela perda e pelo desespero que o consumia desde a morte de Sarah. Simão seguia junto com ele sem questionar, avançava derrubando e matando o inimigo. Quero-quero e Zé Pedro vinham logo atrás protegendo os flancos, padre Moacir gritava:

    — Graças a Deus quem eu sirvo de consciência pura. Deus não nos deu o espírito de medo, mas o poder... O amor... E mente sã!

    — Avançar gritou Eduardo levantando sua espada acima da cabeça. — Os soldados artiguista hesitaram diante dele. Não era apenas sua habilidade com a espada que os aterrorizava, mas uma intensidade em seus movimentos a fúria em seus olhos. Eduardo não se protegia, não se preocupava em desviar ou recuar. Cada golpe que recebia era devolvido com uma força que parecia dobrada, como se a dor física não tivesse mais significado para ele.  A cada golpe de sua espada, o som metálico do aço contra carne e osso ecoava. Eduardo girava, cortava e perfurava, criando uma trilha de corpos. O barro sob seus pés, misturado com sangue, parecia um campo de sombras onde ele era o único sobrevivente.

    — Afastem-se! Não podemos enfrentá-lo! — gritou um oficial Artiguista, mas Eduardo o silenciou com um único golpe, rápido e implacável da cabeça ao peito. Para os companheiros que lutavam ao seu lado, Eduardo parecia outra pessoa.

    — O que ele está fazendo? Assim ele vai ser morto — disse Bento Manoel, puxando padre Moacir pelo braço.

    —  Ele  luta por nós. Ele luta por si mesmo, ele luta pelos que perdeu, e luta contra algo que está dentro dele, que precisa ser aniquilado. —  Respondeu o padre.

    — Então cabe a nós ajudá-lo. Avançar — gritou Bento Manoel  levantando sua espada. E de fato, Eduardo lutava contra o vazio que o consumia, contra a lembrança dos sorrisos de Sarah, contra a visão dela desaparecendo na maré de violência que os inimigos trouxeram para sua vida. Seus movimentos, antes técnicos e disciplinados, agora eram selvagens e imprevisíveis, como se a espada tivesse se tornado uma extensão de sua alma ferida. A cada inimigo que caía, Eduardo sentia uma onda de satisfação passageira, rapidamente aumentando por uma dor ainda maior. Quando finalmente o campo foi conquistado, e o último inimigo tombou sob sua lâmina, Eduardo parou. Ele estava coberto de sangue, não apenas dos outros, mas também do próprio. Feridas  marcavam seu corpo, mas ele não parecia sentir dor, ele respirava ofegante e após perceber que tudo terminara caiu de joelhos sobre a lama. Seus companheiros o observaram em silêncio, sem saber o que dizer. Para eles, Eduardo não era mais apenas um homem. Ele era um símbolo de algo além da compreensão, algo que inspirava tanta admiração e inspiração aos soldados. Um soldado mais velho finalmente rompeu o silêncio e gritou:

    — Vitória — todos os soldados ali gritaram o mesmo em um eco ensurdecedor, com gritos e gargalhadas. Eduardo, no entanto, não ouviu. Quando a batalha terminou, a posição dos artiguistas foi finalmente tomada, Eduardo agora estava de pé, coberto de sangue e lama, cercado por corpos de inimigos que ele havia derrubado, ele fincou sua espada no chão. Seus olhos estavam fixos no horizonte, mas sua luta interna ainda estava longe de acabar. A frenética de ódio e dor começava a desaparecer, deixando apenas o vazio, um abismo que nenhuma espada poderia preencher. E assim, ele se tornou uma lenda viva no campo de Tacuarembó, não apenas por sua força, mas pela intensidade de sua dor, gravada em cada golpe e em cada movimento. O nome Soldado da Tormenta ecoaria por gerações, mas, para Eduardo, era apenas mais um peso que ele carregaria pelo resto de sua vida. Seus olhos, vermelhos de cansaço e ódio, procuravam por mais oponentes, mas não existia mais nenhum.  Os soldados ao seu redor falavam um para o outro:

    — Esse homem... não é apenas

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