O Poder das Nossas Palavras
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Sobre este e-book
Com uma linguagem clara e acessível, a obra apresenta estratégias e exercícios práticos que nos ajudam a comunicar com mais empatia, assertividade e inteligência emocional – ferramentas essenciais para transformar, na prática, a forma como nos expressamos e compreendemos o mundo à nossa volta.
Ponto de encontro entre o conhecimento científico e a sabedoria do dia a dia, este livro é um convite a usarmos as palavras com mais intenção – para vivermos com mais consciência e cultivarmos relacionamentos mais saudáveis e mais felizes.
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O Poder das Nossas Palavras - Sandra Duarte Tavares
Índice
FICHA TÉCNICA
APRESENTAÇÃO
CAPÍTULO 1 – A NEUROCIÊNCIA DAS PALAVRAS
1.1. A origem da linguagem
1.2. Linguagem e cérebro
1.3. O impacto das palavras no cérebro
1.4. Os neurotransmissores
1.5. A sinergia química das emoções
CAPÍTULO 2 – O PODER DAS PALAVRAS PERSUASIVAS
2.1. A ciência por trás da persuasão
2.2. A sedução das palavras mágicas
2.3. A arte de fazer perguntas poderosas
2.4. Storytelling: contar histórias que inspiram
2.5. Influenciar diferentes perfis comportamentais
CAPÍTULO 3 – O PODER
3.1. O que é a empatia?
3.2. Estratégias linguísticas de empatia
3.3. A nossa voz: um poder discreto
3.4. Saber ouvir: o ingrediente secreto
3.5. Empatia na prática
CAPÍTULO 4 – O PODER DAS PALAVRAS ASSERTIVAS
4.1. A carga afetiva das palavras
4.2. Três estilos de comunicação na gestão de conflito
4.3. Comunicação assertiva
4.4. O poder da palavra silenciosa
4.5. Assertividade na prática
CAPÍTULO 5 – O PODER
5.1. Comunicar com clareza e rigor
5.2. Motivar com persuasão
5.3. Liderar com empatia
5.4. Corrigir com assertividade
5.5. Liderança na prática
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
Sandra Duarte Tavares
O PODER DAS NOSSAS
PALAVRAS
Estratégias linguísticas para comunicar
com persuasão, empatia e assertividade
Ficha Técnica
Título: O Poder das Nossas Palavras
Editora: Rita Fazenda
Capa: Maria Manuel Lacerda
Revisão: Susana Ladeiro
ISBN: 9789895815753
Oficina do Livro
uma chancela da editora Publicações Dom Quixote, Unip. Lda. – Grupo LeYa
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© 2025, Sandra Duarte Tavares e Oficina do Livro
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Os direitos de utilização e reprodução da presente obra encontram-se reservados ao seu Autor e à Editora, sendo expressamente proibida qualquer utilização que exceda os limites do art.º 75 do CDADC.
É ainda expressamente proibida a utilização da obra ou partes desta com o propósito de integrar bases de dados ou sistemas de inteligência artificial, ainda que com o único intuito de treino.
Aos meus filhos,
Para que façam sempre
um bom uso e um uso bom
das palavras.
«A morte e a vida estão no poder da língua.»
Provérbios 18:21
APRESENTAÇÃO
Sou, desde criança, uma apaixonada por palavras. Essa paixão levou-me, ainda cedo, à Faculdade de Letras de Lisboa; mais tarde, à magia da Rádio, na RTP, e a muitos palcos de inspiração e descoberta.
Escrever surgiu naturalmente, como um eco dessa paixão. Durante muito tempo, o que mais me fascinava era a forma das palavras – se estavam bem escritas, bem articuladas, bem alinhadas. Olhava para elas como quem observa peças minuciosas de um puzzle, tentando encaixá-las com uma precisão quase geométrica e sempre em busca de equilíbrio e harmonia. Até que, em 2017, tudo mudou.
Numa manhã fria de inverno, um episódio inesperado numa clínica médica fez-me ver as palavras de outro ângulo – não apenas como meros símbolos sonoros, mas como algo vivo e profundamente transformador. Bastou uma palavra (mal)dita, minutos antes do exame, para me atravessar como uma flecha e me derrubar por dentro. Foi nesse momento que me apercebi, na pele e na alma, da real dimensão do seu poder e me lembrei da verdade eterna das palavras do Rei Salomão:
«A morte e a vida estão no poder da língua.» (Provérbios 18:21)
A partir desse dia, tomei consciência de que as palavras têm o poder de aproximar ou afastar, construir ou destruir, abençoar ou maldizer. Elas viajam livremente, sem barreiras geográficas ou temporais. Uma simples mensagem escrita como «Gosto muito de ti», enviada de Portugal para uma prima na Suécia, pode aquecer-lhe o coração sem que ela veja o meu rosto ou ouça a minha voz.
Mas o impacto das palavras vai ainda mais fundo. Elas não tocam apenas a alma, transformam também o corpo. Basta uma pergunta aparentemente inofensiva, dita ao telefone – «Tens a porta trancada?» – para fazer disparar o nosso batimento cardíaco em poucos segundos. Cada palavra que ouvimos ou lemos ativa circuitos cerebrais que moldam o que pensamos, sentimos e como reagimos ao mundo à nossa volta. É nesta realidade invisível, mas poderosa, que assenta a essência deste livro.
Ao longo destas páginas, convido-o(a) a embarcar numa viagem fascinante pelo universo das palavras e do cérebro, onde emoção e ciência se entrelaçam num diálogo transformador. Vamos explorar juntos(as) os mecanismos cerebrais ativados pela linguagem e descobrir como podemos tornar a nossa comunicação – e as nossas relações pessoais e profissionais – mais saudáveis e mais felizes. A partir de uma abordagem que une emoção e neurociência, partilho ferramentas e exercícios práticos que nos ajudam a usar as palavras com sabedoria, propósito e inteligência emocional.
Junte-se a mim nesta emocionante viagem, onde cada palavra pode ser uma ponte, um abraço, uma verdadeira transformação.
Capítulo 1
A NEUROCIÊNCIA
DAS PALAVRAS
São raros os momentos da nossa vida em que estamos longe das palavras. Pensamos com palavras, falamos e escrevemos com palavras, cantamos com palavras. Com elas amamos e discutimos, criamos laços e rompemos relacionamentos.
Neste primeiro capítulo, vamos embarcar numa viagem imersiva pelo cérebro humano, mergulhando nos mecanismos invisíveis que tornam a linguagem tão poderosa. O que acontece no cérebro quando ouvimos ou pronunciamos certas palavras? Será que elas têm o poder de moldar as nossas emoções, os nossos pensamentos e até os nossos comportamentos? De que forma o cérebro processa e regula as respostas emocionais? Compreender a ciência das palavras é, na verdade, perceber de que forma elas estruturam a nossa mente – e moldam a nossa realidade.
Para compreendermos plenamente o impacto das palavras na nossa vida, temos de começar pelo princípio. Se falamos de palavras, falamos inevitavelmente de linguagem. Como conseguimos usá-la de forma tão natural e espontânea, sem termos sequer consciência das regras complexas que nos permitem comunicar? Afinal, como surgiu a linguagem?
A viagem vai começar.
1.1. A ORIGEM DA LINGUAGEM
«A linguagem é o espelho do espírito humano.»
Leibniz
Desde os primórdios da humanidade, a origem da linguagem tem sido um mistério que fascina filósofos, linguistas e cientistas. Como é que surgiu esta capacidade tão única, que nos torna diferentes de todas as outras espécies? Será a linguagem um dom programado na nossa biologia ou uma construção social desenvolvida ao longo do tempo?
Diversas teorias emergiram do desejo de compreender não só a comunicação, mas também a essência do pensamento humano. Desvendar quando e como nasceu a linguagem pode oferecer pistas preciosas sobre a evolução da mente e da cultura. Por exemplo, embora os registos escritos mais antigos – como os dos sumérios – datem de cerca de 4000 a.C., sabemos que a fala existia muito antes, o que confirma que a linguagem oral antecede largamente a escrita.
Além das suas origens, a linguagem foi, desde cedo, entendida como uma força capaz de moldar a realidade. Nas culturas antigas do Oriente Próximo, as palavras não eram apenas sons com significado – eram instrumentos dotados de poder real, capazes de provocar bênçãos e maldições. Acreditava-se que certos vocábulos continham energia criadora, com impacto direto no mundo físico.
Essa visão simbólica emerge também nas narrativas religiosas. Na tradição judaico-cristã, por exemplo, Deus concede a Adão o poder de nomear todas as coisas – um gesto de autoridade e criação. Para os antigos egípcios, a fala teria sido criada pelo deus Tot, enquanto os babilónios atribuíam esse dom ao deus Nebo. No hinduísmo, embora Brama seja o criador do universo, é Sarasvati – deusa da sabedoria e da arte – quem entrega a linguagem à humanidade. Mesmo que estas histórias não constituam evidência científica, revelam a importância sagrada e cultural atribuída à linguagem ao longo do tempo.
Muitos séculos mais tarde, o linguista suíço Ferdinand de Saussure trouxe uma perspetiva inovadora. Entre 1906 e 1911, nas suas aulas na Universidade de Genebra (mais tarde compiladas no Curso de Linguística Geral, publicado em 1916), mostrou que a linguagem não é apenas um meio de expressão, mas um sistema de signos arbitrários – ou sinais. Cada palavra é composta por duas faces inseparáveis: o significante (o som ou a grafia) e o significado (o conceito que representa). Esta ideia ajuda-nos a perceber algo essencial: as palavras, por si só, não têm poder. O seu impacto depende do uso que lhes damos. É quem domina os significados que consegue moldar narrativas, influenciar opiniões, condicionar decisões. E como esses significados evoluem com o tempo e com a cultura, a linguagem não se limita a descrever o mundo – ela molda-o, transforma-o, participa ativamente na sua construção.
Tudo isto levanta uma questão muito importante: será que a linguagem verbal é uma capacidade exclusivamente humana?
Sabemos que outras espécies também comunicam – como os pássaros, as formigas, os golfinhos ou os lobos – usando sinais para alertar sobre perigos ou indicar fontes de alimento. No entanto, a linguagem humana distingue-se por algo único: a sua complexidade, flexibilidade e criatividade. Somos capazes de gerar um número infinito de frases, exprimir ideias abstratas e reinventar, constantemente, a forma como nos ligamos uns aos outros.
Ao longo das últimas décadas, vários investigadores tentaram ensinar linguagem gestual ou simbólica a chimpanzés. Apesar de alguns progressos – como o uso de sinais em contextos específicos – os resultados revelaram limitações claras. Estes primatas não constroem frases complexas, nem usam os sinais com a espontaneidade e liberdade que caracterizam a linguagem humana. Além disso, tendem a comunicar apenas quando há uma recompensa envolvida.
Nas crianças, pelo contrário, a linguagem floresce de forma natural, sem instrução formal. Desde os primeiros anos de vida, demonstram uma curiosidade genuína em nomear, perguntar e partilhar. A motivação não vem de estímulos externos, mas de um impulso profundo de comunicar e criar ligação.
Tudo isto reforça uma ideia cada vez mais consensual: a linguagem verbal é uma capacidade exclusivamente humana, sustentada por um sistema neurológico sofisticado e orientado para o significado.
Se é a linguagem que nos distingue de todas as outras espécies, é natural que tenha um papel central na forma como pensamos, aprendemos e nos compreendemos. Foi precisamente isso que alguns
