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A Missão do Feiticeiro
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A Missão do Feiticeiro
E-book270 páginas4 horas

A Missão do Feiticeiro

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Sobre este e-book

Não é fácil ser o mais jovem de sete filhos em uma família de feiticeiros notórios, especialmente para Ayden Dracre. Em um mundo em que feiticeiros só praticam magia sombria e bruxos só praticam magia de luz, Ayden tem um problema: ele é muito ruim em ser mau. Por mais que tente, nenhum de seus feitiços causa o mal. Quando descobre que a família se cansou de seus erros, ele decide cuidar do próprio destino.

Ele tem uma chance de provar para a família que merece o nome de feiticeiro, caso contrário, sofrerá a fúria da mãe: deverá derrotar o maior bruxo de todas as terras. Só há dois problemas: ele não sabe lutar com magia e não quer ferir ninguém. Se quiser sobreviver a esta missão, terá que confiar nos aliados mais improváveis. 

IdiomaPortuguês
EditoraBadPress
Data de lançamento17 de jan. de 2017
ISBN9781507169209
A Missão do Feiticeiro
Autor

Rain Oxford

Rain Oxford ist eine Lehrerin, die schon ihr halbes Leben lang schreibt. Die Kulturen mit Asieneinfluss wurden durch Japan inspiriert, wo sie die Ritsumeikan Universität in Kyoto besucht hat. Sie schreibt den Großteil ihrer Bücher in einer abgeschiedenen Blockhütte im Wald, mit ihrem vier Pfund schweren Malteser als Begleiter. Wenn sie nicht unterrichtet oder Welten erschafft, genießt sie es zu kochen, Klavier zu spielen oder exotische Flora und Fauna zu fotografieren.

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    A Missão do Feiticeiro - Rain Oxford

    Capítulo 1

    — Deixe-me só lhe dizer... — Parei porque, subitamente, eu estava falando com uma porta. Suspirei e voltei para a estrada. A apreensão e a fome começavam a pesar. Um homem saiu da floresta, seguido de um animal enorme e lento com manchas brancas e pretas. — Com licença, senhor — disse eu, expressando a maior empolgação que consegui reunir.

    — Sim? Posso ajudar? — perguntou ele. Era um homem de aparência gentil e, apesar de usar roupas humildes, o rosto e os cabelos estavam limpos.

    — Estaria interessado em comprar algumas sementes mágicas?

    Ele franziu a testa e balançou a cabeça negativamente. — Desculpe, acabei de trocar minhas próprias sementes mágicas por esta fera. — Ele apontou para o animal, que comia a grama. — Mas eu estaria disposto a trocar a fera por suas sementes. Não acho que aquela troca tenha sido justa para mim.

    Tirei um punhado de sementes do bolso e observei a fera. — Eu... sinto muito. Minha mãe me mataria se eu fizesse isso. — Era mentira, mas eu não conseguiria viver comigo mesmo se levasse um animal para ela.

    — Compreendo. Tenha um bom dia.

    — Você também. — Ele saiu apressado e eu suspirei. Pelo menos, ele não notou o selo da família bordado no meu manto verde-escuro. Talvez porque eu o usava do lado avesso. De propósito.

    Depois da quinta porta em que bati e ninguém atendeu, inverti o manto para esconder o bordado dourado. Funcionou. As pessoas passaram a atender à porta e a batê-la na minha cara. Ainda assim, era melhor parecer um idiota do que um membro da família Dracre. Era um nome que as pessoas tinham medo até mesmo de dizer em voz alta e ninguém era tolo o suficiente para abrir a porta para um de nós. Minha mãe, especificamente, era conhecida como a feiticeira mais vingativa de todas, um título do qual se gabava sempre que eu fazia algo errado.

    E eu fazia muitas coisas erradas. Por exemplo, só o que precisava fazer era vender algumas sementes amaldiçoadas. Eu passara três dias viajando pelas terras, vasculhando cada colina e vale em busca de um pobre coitado que as comprasse, mas as únicas pessoas que sequer abriam a porta eram, de fato, pobres. Não era que a minha família precisasse de dinheiro. Nunca faltavam pessoas que precisavam de maldições e poções. Minha mãe só queria garantir que eu estivesse fazendo a minha parte em espalhar o caos.

    Eu me sentei sobre uma pedra grande à beira da estrada. Meus pés doíam. A verdade infeliz era que eu deveria ter sido capaz de vender as sementes para alguém, mas era um feiticeiro muito ruim. Peguei um pedaço de argila e minha varinha.

    Era uma varinha perfeitamente reta feita de pau-rosa, com símbolos elegantes entalhados no cabo. Minha mãe jogara fora as minhas primeiras três varinhas e obrigara-me a fazer varinhas adequadas a um feiticeiro, como a dela. A varinha da mãe era sinistra e contorcida, feita de ébano e com entalhes poderosos em toda a extensão que se moviam aleatoriamente. Infelizmente, não importava o quanto eu tentasse fazer uma como a dela, a varinha se transformava toda vez que eu a usava. Era uma fonte de diversão para os meus seis irmãos mais velhos.

    Eu me levantei e tirei o manto, tanto por vergonha como pelo fato de que era um dia quente de verão. Coloquei com cuidado a argila sobre a pedra e brandi a varinha sobre ela, tentando transformar a massa em um pedaço de carne sangrenta. Em vez disso, a energia atravessou meu corpo, entrou na varinha e mudou a argila em... uma maçã e um pé de brócolis. Eu gemi. Por que tenho que ser vegetariano? Todos os meus irmãos conseguiam conjurar carne. Eu dependia da caça para conseguir carne. Mas, sempre que tentava, não conseguia me forçar a atirar em um animal.

    — Você não deveria ter isso, jovem — disse uma voz, tirando-me do desespero. Olhei para cima e vi um homem com uma camisa bege bonita e calças azuis. Pela condição decente das roupas dele e dos cabelos bem arrumados, eu sabia que era um vendedor ambulante. Eles tinham as melhores posses. O homem apontou para o meu manto, no qual o brasão da família estava exibido muito claramente.

    — É a marca da minha família — disse eu, tentando soar firme.

    Ele me encarou com descrença, sem dúvida por causa dos meus cabelos loiros e dos olhos azuis. Todos os Dracres tinham cabelos pretos e olhos castanhos. — Aquele é o brasão da família Dracre e eu sei que eles não têm bruxos.

    Eu me encolhi ligeiramente. — Não sou um bruxo! Sou um feiticeiro!

    O homem fez uma cara de desprezo. — Com cabelos loiros? Impossível. — Ele partiu, balançando a cabeça e resmungando sobre bruxos tentando ser o que não eram.

    Eu suspirei. Meus irmãos implicavam comigo todos os dias, dizendo coisas como mamãe ter me roubado de uma família de bruxos ou pior... um mago! Bruxos eram completamente contra magia negra, enquanto que nenhum feiticeiro decente levantaria um dedo para ajudar outra pessoa. As únicas pessoas que minha família considerava piores que os bruxos eram os magos, que eram curandeiros e aventureiros.

    Como os bruxos eram conhecidos pelos cabelos loiros e todos os feiticeiros tinham cabelos pretos, eu nunca seria aceito na minha família. Comi a maça e o brócolis, suspirei e comecei a andar de volta para casa.

    *      *      *

    Cheguei a uma cabana escura no meio da floresta bem no pôr do sol. Ela era feita de pedras cinzas e coberta de hera cor de sangue. As árvores em volta estavam mortas, o que advertia a qualquer um que passasse por ali que era uma casa de usuários de magia negra. Tentei abrir a porta, mas estava trancada. Suspirei e bati.

    — Mamãe? Estou de volta. — Quando não ouvi resposta, peguei a minha varinha e apontei-a para a maçaneta. O metal respondeu com uma explosão de energia que me queimou a mão.

    A porta se abriu e meu irmão mais velho surgiu. Zeustrum fez uma careta, fazendo com que as feições angulares se destacassem mais do que o normal. — Eu sabia que você era um bruxo.

    — Saia do meu caminho — disse eu.

    — Peça por favor, bruxo.

    — Saia! — gritei. Os cabelos pretos dele estavam trançados nas costas, como sempre. Ele tinha tanto orgulho dos cabelos que nunca os cortara. Eu queria cortá-los, bem curtos, e vê-lo chorar. Quando eu era pequeno e ele tentou praticar os métodos de tortura em mim, só consegui fazer com que me deixasse em paz puxando sua trança. Mas ele aprendera meus truques e eu nem arriscaria desta vez.

    Ele só sorriu. — A mamãe disse que, se você não vendesse as sementes amaldiçoadas, não poderia entrar em casa.

    — Não é culpa minha! Você não faz ideia de como é difícil vender produtos mágicos hoje em dia.

    — Você é uma decepção para a família — disse ele antes de bater a porta na minha cara. Esperei um momento, girei a maçaneta e entrei.

    O interior da casa tinha facilmente dez vezes o tamanho do exterior. A cozinha era o coração da casa, com a área comum circulando-a. Somente uma mureta da altura dos joelhos separava a cozinha do espaço em volta. A mureta também servia como uma mesa muito longa sobre a qual preparávamos os ingredientes para as poções. Havia muitos potes, mexedores e ferramentas de medição que a minha família usava para fazer venenos, poções e maldições.

    A área de estar era usada principalmente para entreter convidados e para planejamento. Quando os bruxos pararam de oferecer maldições, a família Dracre tivera um grande aumento na clientela. Na parte norte, uma escada em espiral levava ao segundo andar, onde ficavam os quartos. Andei em direção à escada, mas bati em algo que parecia uma parede sólida.

    — Ayden, Zeus disse que você fracassou na missão fácil que lhe dei — veio da cozinha a voz da minha mãe. Eu não a vira ao entrar, mas deveria saber que estava lá.

    — Boa noite, mamãe. Eu não diria exatamente que fracassei. Recebi algum dinheiro pelas sementes? Não, mas foi porque...

    — Você as deu? — perguntou ela.

    — Não.

    Ela era uma mulher muito alta e magra com cabelos pretos lisos, olhos castanhos frios e maçãs do rosto salientes. Não havia nada de gentil nem acolhedor na aparência dela. Até mesmo as unhas longas pareciam mais como garras do que as unhas planas que as pessoas normalmente tinham. Eu sabia, por experiência própria, que eram muito dolorosas. Anéis poderosos e perigosos adornavam os dedos finos e pálidos.

    — Vá para o seu quarto. Lidarei com você pela manhã. — A voz dela estava suave, o que era o mais próximo que chegava de ser feminina, e disse-me sem sombra de dúvidas que eu estava em sérios apuros. Se eu tivesse dado as sementes, pelo menos teria cumprido o objetivo dela de semear o caos.

    Subi a escada correndo, percorri o corredor circular até a última porta e entrei no meu quarto. Ele era o menor da casa e mal cabia uma cama pequena. Tirei o baú debaixo da cama baixa e troquei a camisa e as calças pretas por uma roupa mais confortável, camisa bege de mangas curtas e calças marrons.

    Havia um motivo para eu não ter um espelho no meu quarto. Como se o fato de ser o único na família que não gostava de causar o caos não fosse constrangedor o suficiente, eu também era franzino. Além dos cabelos loiros e dos olhos azuis, eu era pequeno e magro para a idade. Quando comecei a enrolar o manto, ouvi vários dos meus irmãos conversando do lado de fora do quarto.

    — Acha que a mamãe finalmente o expulsará? — perguntou Thaddeus, o mais novo dos meus irmãos mais velhos. Thad nunca instigara nada por conta própria, preferindo ficar de fora e deixar que os outros brigassem para então ficar do lado do vencedor. Basicamente, ele seguia Zeustrum.

    — Espero que sim. Talvez assim possamos conseguir um irmão que valha alguma coisa — disse Bevras. Ele era o segundo mais velho e, com facilidade, o mais violento. Zeustrum e Bevras eram gêmeos e sempre apoiavam um ao outro.

    — A mamãe nunca o deixaria ir embora — argumentou Zeustrum. — Ela não deixaria ninguém arruinar nosso nome. Ouvi quando ela disse ao papai que essa era a última chance dele. Eu acho que ela se livrará dele para sempre.

    Para sempre? A mamãe não iria... Sim, ela iria.

    — Então ele não vai conosco para destruir Magnus?

    Magnus? A mamãe os estava enviando para derrotar Magnus? O bruxo era bem conhecido em toda Akadema pelo grande poder e pela abnegação. Nem mesmo os feiticeiros mais poderosos conseguiam entrar no castelo dele.

    — É claro que não. Ayden nunca teria uma chance contra um bruxo tão poderoso como ele.

    Meu coração afundou quando percebi o que precisava fazer. Eu não nascera cruel como os meus irmãos e era óbvio que não iria simplesmente me transformar em uma pessoal cruel. A única forma de ser aceito pela família era fazendo algo drástico. Se eu conseguisse praticar um pouco de caos ao longo do caminho, seria melhor ainda para a minha reputação.

    Reuni tudo o que tinha em um pequeno saco e esperei que a casa ficasse em silêncio novamente. Pouco tempo depois, abri a porta, confirmei que meus irmãos tinham ido embora e esgueirei-me pelo corredor. Quando cheguei ao pé da escada, hesitei, mas não vi ninguém. Sair pela porta da frente foi quase fácil demais.

    Parei ao lado de um salgueiro enorme onde costumava me esconder quando era criança e olhei para a casa, certo de que era algum tipo de armadilha... mas não havia ninguém observando nem esperando para me deter. Eu me virei e dei um pulo, gritando alto. Coloquei a mão sobre a boca para me impedir de fazer mais barulho. Meu pai, que estava parado bem à minha frente, parecia um pouco triste. — Por favor, não conte à mamãe — sussurrei. Eu teria amaldiçoado a mim mesmo se achasse que conseguiria escapar do meu destino.

    Ele colocou o dedo sobre os próprios lábios em um gesto de silêncio, algo que fazia algumas vezes quando somente eu estava por perto, e sempre achei aquilo estranho. Sim, ele era um feiticeiro e, portanto, só usava magia para ganhos egoístas, mas nunca fora cruel comigo nem com os meus irmãos. Se eu achasse que um feiticeiro era capaz disto, iria longe a ponto de dizer que ele estava com pena de mim.

    Apesar de Kille Rynorm não ter o corpo musculoso de um guerreiro, era muito mais forte do que um feiticeiro normal precisava ser. Ele tinha os cabelos pretos e curtos, que aumentavam a severidade do rosto. O maxilar era angular e sempre bem barbeado. O que as pessoas notavam primeiro eram os olhos, que mudavam de cor supostamente de acordo com o humor. Normalmente, eles tinham uma cor de ferrugem muito escura, mas, naquela noite, estavam dourados.

    Ele nunca levantava a voz nem perdia o controle. Não precisava. Quando estava por perto, as pessoas tinham vontade de se comportar e manter a cabeça baixa. Apesar de eu nunca ter conhecido a família dele, imaginava que fossem iguais.

    A família dele era de treinadores de dragões e extremamente bem-sucedida até que meu pai se casou com minha mãe. Ela tentou assumir o controle sem qualquer conhecimento de dragões. Depois da morte de vários deles devido ao tratamento impróprio dela, a família soltou o restante dos dragões. Minha mãe frequentemente me dizia que os dragões tinham sido extintos antes do meu nascimento, mas eu preferia pensar que só estavam se escondendo dela.

    No quarto deles.

    Como eu fazia.

    Em vez de deixar que a mão caísse ao lado do corpo, ele a colocou gentilmente sobre o meu ombro. — Não vou contar à sua mãe. Você deveria ter partido muito tempo antes.

    — Zeus disse que a mamãe vai se livrar de mim. Ela planeja me matar?

    — Sim. Sua mãe sempre foi ambiciosa demais. Para ela, filhos são a mesma coisa que escravos. Fuja enquanto pode. Não sou vidente, mas sei que você aprenderá muito na jornada que tem à frente.

    Eu assenti. — Ela ficará brava com você por me deixar ir embora?

    Ele sorriu, o que me deixou chocado. Não achei que meu pai fosse capaz disso. — Eu lidarei com ela. Pelo menos, por hoje. — O sorriso desapareceu. — Depois de algum tempo, ela irá atrás de você.

    — Então provarei que serei o feiticeiro mais forte em Akadema antes que ela faça isso. — Comecei a andar pela estrada escura, com a determinação fortalecida. Eu sabia que poderia me tornar um feiticeiro tão poderoso que nem mesmo meus irmãos poderiam questionar. Ou isso, ou nunca mais voltaria.

    *      *      *

    No terceiro dia, eu estava arrependido da minha decisão. Akadema era um excelente lugar para viver em uma vila calma ou sozinho em uma cabana na floresta, mas não havia muito mais. Havia alguns castelos, mas mesmo eles eram pequenos. Basicamente, tínhamos uma abundância de florestas, estradas de terra, campos planos e colinas.

    Apesar de eu passar por muitos viajantes, nenhum deles estava interessado em nada além de comércio e eu não tinha nada de valor. Nas estradas principais, normalmente eu passava por quatro ou cinco vilas por dia. Como todas pareciam iguais, eu não teria me importado com uma mudança de cenário.

    Eu estava prestes a dar meia volta para retornar para casa quando ouvi uma comoção à direita. Escutei alguns gritos e pedidos de ajuda e decidi verificar. Afinal de contas, sempre havia alguma coisa que um feiticeiro poderia fazer para piorar o problema.

    Segui o caminho de terra até uma colina, de onde vi uma vila singular em um vale baixo. Provavelmente, ela era muito agradável de forma geral. Mas, no momento, estava em chamas. Quando vi homens correndo de um lado para o outro com os braços cheios de coisa, supus que fossem saqueadores. — Bom, se já estão saqueando... o mínimo que posso fazer é participar. — A mamãe ficaria muito orgulhosa se ficasse sabendo que aterrorizei uma vila inteira.

    Ao entrar na cidade, consegui distinguir com facilidade os saqueadores dos moradores por causa dos mantos verdes. O meu estava limpo demais para que eu me misturasse, mas depois de jogá-lo na terra e pisoteá-lo algumas vezes, ficou bem adequado. Um dos saqueadores passou por mim com um saco grande de joias de ouro. Eu sabia que continha joias porque havia um buraco no saco por onde o conteúdo caía.

    Rapidamente recolhi as joias caídas e guardei-as na bolsa. Nossa, isso foi fácil. O caminho tinha pequenas cabanas dos dois lados e escolhi a mais próxima. Mas, antes mesmo que eu conseguisse entrar, um saqueador saiu e jogou um saco cheio de coisas nos meus braços.

    — Ah, olá — disse ele. — Quando você começou?

    — Hoje — respondi automaticamente.

    — Ora, seja bem-vindo. Vá ajudar Dorna.

    Eu hesitei. Não deveria ajudar ninguém. — Quem é Dorna? — perguntei. Andei pela vila e recolhi outros saques que tinham caído. Infelizmente, não havia nada além de comida, madeira, esculturas e roupas bonitas.

    Ouvi um barulho baixo atrás de mim, virei-me e abaixei-me rapidamente para evitar ser empalado. Um unicórnio branco com o chifre madrepérola balançou a cabeça e cruzou a distância entre nós. Ele farejou meu manto como se estivesse procurando alguma coisa, o que fez com que fosse difícil evitar o chifre. Eu fiquei maravilhado, mas também estava incomodado. Sabia-se que os unicórnios não gostavam de feiticeiros e o fato de que aquele estava agindo como se eu fosse seu melhor amigo não se encaixava muito bem na minha missão.

    — Por favor, vá embora — sussurrei, torcendo desesperadamente para que ninguém me visse com ele. Quando ele se virou e foi embora, exatamente como eu pedira, fiquei desapontado. Os unicórnios eram raros e belos, mas eu tinha uma imagem a manter.

    Logo, comecei a me preocupar com o fato de que nunca causaria confusão se não começasse logo. Qual é o primeiro passo de uma pilhagem? Bem, havia muito mais aldeãos do que saqueadores, mas os ladrões tinham espadas e os moradores, não. Tive uma ideia.

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