Ruas sobre as águas: as pontes do Recife
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Ruas sobre as águas - José Luiz Mota Menezes
Agradecimentos
O autor agradece à vida e a sua vontade de conhecer as razões dela. Agradece, por incrível que pareça, à miséria e ao começo da morte da cidade do Recife, que despertou nele um maior interesse em tentar buscar quais os meios para paralisar aquele estado e assim possibilitar melhor qualidade da vida para o homem comum.
Agradece a todos aqueles viventes e desejosos de melhorar sua autoestima, e que buscam um destino melhor do que o induzido pela ausência de luta, certo conformismo e a ausência em relação aos outros, na reclusão religiosa em que mergulham com as religiões.
A vida deve ser uma luta permanente.
p4.jpgIntrodução
As pontes no Recife sempre representaram um papel essencial no crescimento da cidade, desde tempos mais recuados. O Recife cresceu a partir de um povoado organizado na extremidade de uma península, que se unia com a Vila de Olinda por meio de um longo e encurvado istmo. A primeira daquelas pontes construídas se situava em Olinda e servia para acesso, desde a atual Rua da Hora, à várzea onde estavam os engenhos, ao povoado dos Arrecifes e a outras partes. Era conhecido pela gente como o Caminho dos Mazombos.
O governador João Maurício de Nassau, contratado pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa mercantil holandesa que invadiu e tomou a capitania de Pernambuco em 1630, ao chegar ao Recife, em 1637, cuidou de sua organização urbana e, nessa atividade, incluiu a construção de duas pontes. Uma delas, muito extensa, foi a mais importante realização do seu governo.
A povoação dos Arrecifes, em 1709, conquistou os foros de vila, adquirindo importância em relação a Olinda, uma vez que esta se recuperava lentamente do incêndio ateado pelos holandeses em 1631. Foram pontes, os meios empregados quando se desejou expandir a vila na direção dos lugares em que estavam os antigos engenhos e povoações, junto a eles criadas. Os rios, que envolviam os mais diversos locais do Recife, foram então atravessados para efeito de urbanização com tais pontes, ora construídas em madeira, ferro, e finalmente concreto armado. Esta e outras histórias são contadas neste livro.
Terreiro%20dos%20coqueiros_cmyk.tifPOST, Frans. Vista da Cidade Maurícia e do Recife. Óleo sobre madeira. 48,2 x 83,6 cm, c. 1653. C. particular. São Paulo, Brasil (detalhe)
p7.jpgOlinda e o Recife: desenhos urbanos e tessituras
Oentendimento da importância das pontes, ruas sobre os rios e vales, somente se atinge em sua plenitude com relação a Olinda e ao Recife quando compreendemos as formações urbanas, desenhos e relacionamentos das duas cidades com seus rios.
Gabriel Soares de Souza, nas suas Notícias do Brasil,¹ escrevendo cerca de cinquenta anos depois de 1537, data do Foral de Olinda, nos informa que Duarte Coelho começou a construir Olinda em um alto, onde fez torre de pedra e cal, que ainda agora está na praça da vila. Depois, Frei Vicente do Salvador, na sua História do Brasil,² escrita no século 17, nos esclarece que a construção, defronte a essa torre de defesa, da igreja matriz foi resultado de um acontecimento milagroso do qual foi participante Vasco Fernandes de Lucena, uma figura que convivia, à maneira do conhecido Caramuru, entre os índios, sendo conhecedor de toda a ingenuidade desses nativos da terra. Desse modo, a partir de um acontecimento onde viu o frade a presença de Deus, foi construída a matriz do Salvador do Mundo, na praça da vila. Quando passou a existir Câmara em Olinda, na mesma praça foi ela construída. Essa praça, de forma aproximadamente triangular, era o ponto inicial do desenho urbano da vila. Dela, seguindo a cumeada e no outro extremo, o donatário construiu o hospital e igreja da Santa Casa da Misericórdia (hoje Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia e Academia de Santa Gertrudes). Esta instituição, então nova em Portugal, ocupava-
-se com os enfermos e promovia uma obra assistencial entre os desvalidos. Ao longo de duas ruas, uma seguindo em paralelo com a outra, definia-se a estrutura urbana inicial da vila. A primeira, partindo dessa praça, passando por detrás do atual Museu de Arte Sacra de Pernambuco, tinha por nome Val de Fontes, provavelmente porque seguia para o lugar das fontes, estas situadas em níveis inferiores ao daquele alto. Chegando ao Largo do Recolhimento de Moças, de Nossa Senhora da Conceição, construído pela meirinha dona Maria da Rosa, o caminho
