Inteligência artificial
()
Sobre este e-book
João de Fernandes Teixeira
João de Fernandes Teixeira é um dos pioneiros da filosofia da mente no Brasil. Bacharel em filosofia pela USP e mestre em filosofia da ciência pela UNICAMP é também PhD pela University of Essex, na Inglaterra. Fez pós-doutorado nos Estados Unidos, sob orientação de Daniel Dennett. Foi colaborador do Instituto de Estudos Avançados da USP e lecionou em várias universidades brasileiras como a UNESP, a UFSCar e a PUC-SP. Publicou 14 livros na área de filosofia da mente e ciência cognitiva. Mantém a página Filosofia da Mente no Brasil no Facebook.
Leia mais títulos de João De Fernandes Teixeira
Por que estudar Filosofia? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilosofia do cérebro Nota: 4 de 5 estrelas4/5Como ler a filosofia da mente Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilosofia Jabuticaba: Colonialidade e pensamento autoritário no Brasil Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Relacionado a Inteligência artificial
Ebooks relacionados
A inteligência artificial: Para onde caminha a humanidade? Os desafios da era digital Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInteligência Artificial como serviço: Uma introdução aos Serviços Cognitivos da Microsoft Azure Nota: 3 de 5 estrelas3/5Filosofia da ciência e da tecnologia Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Inteligência Artificial e o Futuro da Educação Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO mundo dado: Cinco breves lições de filosofia digital Nota: 0 de 5 estrelas0 notasTecnologia versus Humanidade: O confronto futuro entre a Máquina e o Homem (Portuguese Edition) Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAprendizado De Máquina Em Ação: Um Manual Para Leigos, Guia Para Iniciantes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCiência de Dados e a Inteligência Artificial na Área da Saúde Nota: 0 de 5 estrelas0 notasAlgoritmos e o Direito Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA tecnologia que muda o mundo Nota: 4 de 5 estrelas4/5A inteligência artificial é inteligente? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInteligência Artificial: considerações sobre Personalidade, Agência e Responsabilidade Civil Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInteligência artificial & redes sociais Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO que é inteligência artificial Nota: 5 de 5 estrelas5/5Hybris: inteligência artificial e a revanche do inconsciente Nota: 0 de 5 estrelas0 notasOs Robôs Fazem Amor?: O Transumanismo em Doze Questões Nota: 0 de 5 estrelas0 notasInvestigação sobre a mente humana segundo os princípios do senso comum Nota: 4 de 5 estrelas4/5O dia em que voltamos de Marte: Finalista do Prêmio Jabuti 2022 Nota: 5 de 5 estrelas5/5A Vida em rede Nota: 0 de 5 estrelas0 notasSociedade da informação: para onde vamos Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilosofia da Mente, Ciência Cognitiva e o pós-humano: Para onde vamos? Nota: 0 de 5 estrelas0 notasRACIONALIDADE NO DIREITO (IA): Inteligência Artificial e Precedentes Nota: 0 de 5 estrelas0 notasO Algoritmo do Gosto: Tecnologias de Controle, Contágio e Curadoria de SI; Volume 2 Nota: 0 de 5 estrelas0 notasCibercultura: Tecnologia e vida social na cultura contemporânea Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMachine Learning: Introdução à classificação Nota: 0 de 5 estrelas0 notasIntrodução a Ricoeur Nota: 0 de 5 estrelas0 notasFilosofia da Tecnologia: Uma introdução Nota: 0 de 5 estrelas0 notasMuito além do nosso eu Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Filosofia para você
O que os olhos não veem, mas o coração sente: 21 dias para se conectar com você mesmo Nota: 5 de 5 estrelas5/5Minutos de Sabedoria Nota: 5 de 5 estrelas5/5O Livro Proibido Dos Bruxos Nota: 3 de 5 estrelas3/5Aristóteles: Retórica Nota: 4 de 5 estrelas4/5A ARTE DE TER RAZÃO: 38 Estratégias para vencer qualquer debate Nota: 5 de 5 estrelas5/5Você é ansioso? Nota: 4 de 5 estrelas4/5Platão: A República Nota: 4 de 5 estrelas4/5O Príncipe: Texto Integral Nota: 4 de 5 estrelas4/5A República Nota: 5 de 5 estrelas5/5Entre a ordem e o caos: compreendendo Jordan Peterson Nota: 5 de 5 estrelas5/5Agenda estoica: Lições para uma vida de sabedoria e serenidade Nota: 0 de 5 estrelas0 notasA Cura Akáshica Nota: 5 de 5 estrelas5/5Hipnoterapia Akáshica Nota: 5 de 5 estrelas5/5Genealogia da Moral Nota: 4 de 5 estrelas4/5Ética e vergonha na cara! Nota: 5 de 5 estrelas5/5O Bhagavad Gita Nota: 5 de 5 estrelas5/5Aprendendo a Viver Nota: 4 de 5 estrelas4/5Política: Para não ser idiota Nota: 4 de 5 estrelas4/5Francisco de Assis Nota: 4 de 5 estrelas4/5Aforismos Para a Sabedoria de Vida Nota: 3 de 5 estrelas3/5Praticas Ocultas Nota: 5 de 5 estrelas5/5
Categorias relacionadas
Avaliações de Inteligência artificial
0 avaliação0 avaliação
Pré-visualização do livro
Inteligência artificial - João de Fernandes Teixeira
Índice
Agradecimentos
Três modos de jogar xadrez
Entre o passado e o futuro
O teste de Turing
Dos símbolos à parabiose
O que dizem os filósofos
Epílogo
Sugestões de leitura
Bibliografia
Agradecimentos
Aos meus amigos Gustavo Leal Toledo e Paulo Henrique Fernandes Silveira, que leram a primeira versão deste livro.
Aos meus alunos André Sathler Guimarães e Alessandro Bender Verrone.
A Marco Carlucci, pela sugestão do título.
À minha esposa Malu.
À Lizilda, minha assistente.
À Suely Molina, pela ajuda com a última versão e com as correções finais.
O homem criou o homem à sua imagem e semelhança.
Agora o problema é seu.
Autor desconhecido
1.
Três modos de jogar xadrez
A inteligência artificial é uma tecnologia que fica a meio caminho entre a ciência e a arte. Seu objetivo é construir máquinas que, ao resolver problemas, pareçam pensar. Um bom exemplo é a máquina de jogar xadrez.
imagem1Jogo de xadrez
Há três modos de construir um dispositivo que jogue xadrez: fazer com que um ser humano imite uma máquina, construir uma máquina que imite um ser humano ou conseguir que uma máquina ultrapasse a mente humana. Esses três modos correspondem a máquinas que foram construídas nos séculos XIX, XX e XXI.
O primeiro modo tem a ver com uma história que já andei contando por aí, de um certo barão von Kempelen, que tinha inventado uma máquina de jogar xadrez no século XIX. Esse tal de Kempelen – que não se sabe exatamente se era um barão ou se o título era uma fraude – construiu uma grande caixa e nela escondeu um anão enxadrista. No topo desta, havia um tabuleiro construído com disponibilidade tal que o anão poderia, olhando-o por baixo, ver toda a movimentação das peças. O anão podia arrastá-las pelo tabuleiro sem ser visto fazendo as jogadas necessárias. Quem olhasse para a máquina nunca suspeitaria do que estava acontecendo de fato. Tudo se passava realmente como se Kempelen tivesse criado, pela primeira vez na história da humanidade, uma máquina que pudesse jogar xadrez – uma máquina, como ele proclamava, que imitava o pensamento humano. Ninguém jamais imaginaria que, dentro da caixa, ocultava-se um ser humano.
Kempelen e seus auxiliares exploraram muito sua invenção. Levaram-na para circos, percorreram toda a Europa, ganhando fortunas com aquilo que deixava todo mundo espantado. A notícia da existência da máquina de jogar xadrez chegou aos ouvidos de Napoleão, que imediatamente quis conhecê-la e, de fato, ela foi levada até ele. Mas o anão cometeu um erro fatal: começou a ganhar a partida, deixando o imperador para trás. Este, de temperamento irritadiço, desferiu um forte chute contra a máquina. As portinholas se abriram e o anão apareceu. Kempelen foi desmascarado!
A máquina de von Kempelen era uma forma primitiva (e talvez patética!) de inteligência artificial e não apenas um truque, afinal, não deixava de ser uma tentativa de construir uma máquina pensante. Mas, que coisa curiosa! Um dos primeiros dispositivos para jogar xadrez de que se tem notícia foi um humano que imitava uma máquina, quando se esperava justamente o inverso...
Só nos séculos seguintes é que começaram a aparecer máquinas de jogar xadrez que tentavam imitar os humanos, ou seja, o segundo modo. Na metade do século XX – quando surgiram os computadores digitais e, com eles, a inteligência artificial propriamente dita – apareceram os primeiros programas de computador capazes de raciocinar
.
Nas décadas de 1950 e 1960, havia três grandes pesquisadores envolvidos na construção de um enxadrista artificial: Newell, Shaw e Simon. O programa que eles inventaram tentava imitar a mente humana, simulando seus raciocínios e desenvolvendo estratégias de jogo. Era um programa baseado numa estratégia chamada heurística
.
Suponha que você queira descobrir a senha bancária do seu vizinho e tudo o que sabe é que ela tem quatro dígitos.
